Todas a
cores da história se encontram registradas no imo da nossa memória; todas as dores
da memória, estão profundamente marcadas na fronte e nas costas arcadas da
natureza viva, geografitada nas
digitais dos geoglifos da Mãe-Terra,
sobre pautas que respiram as notas musicadas em cada poema melodicamente gritado,
desde as profundezas desse silêncio que reverbera no eco de cada pensamento,
emitido pelo silente cantador. E assim, tudo se faz; assim tudo é.
Os diversos
tons da vida são muito mais do que meros cinquenta tons de uma mesma cor, visto
que, a computação de suas miríades não se faz através do conceito linear. As cores,
composta pela emissão da luz, dentro das suas devidas vibrações, definem e
conceituam a natureza manifesta e invisível, tanto para os distraídos olhos de
um absorto daltônico, como para o sensível olhar de um refinado artista.
É dessa
forma que, a natureza morta pintada por um daltônico, pode se
expressar por meio de algumas dezenas dos cinquenta
tons de cinzas existentes, enquanto na vida real, essa expressão ocorre fora da
superfície visível exibida pela tela midiática. Ou seja, somos artistas, artesões e
arquitetos de tudo o que há nessa estrada da vida, aonde o que houver no
caminho, é caminho. Já que, absolutamente tudo que vislumbramos nessa estrada, são
simplesmente manifestações daquilo que sentimentos, e que metaforicamente, grafitamos
nos metafísicos muros da vida, após ouvir
e escutar, olhar e ver as expressões do estrondoso silêncio de Gaia; nossa Mãe
natureza; essas expressões são impressas na luz de cada alvorecer, esperando
que o artista possa despertar e se servir na produção de sua refinada e elegante obra-prima, arquitetando cada aurora como Presente de um novo agora.
Assim como os
galos observados pelo poeta, que os viu, com seus cantos, tecer cada alvorada
de sua existência, o despertar de uma nova aurora também é de responsabilidade da
sapiência desse coletivo humano que se afirma único, entre os bilhões de outros
planetas semelhantes, irmãos e análogos, suspensos na tela sem pass-par-tour desse Universo fractal, com
seus incontáveis Multiversos existentes na infinidade do Cosmo.
Portanto,
no palco da vida, somos nós que escolhemos ser protagonistas ou espectadores da
nossa própria existência enquanto indivíduo tacanho, protegido no confortável interior do seu casulo essencial, ou enquanto sujeito humano que se soma ao
brilho fractal irradiado pelo Big Bang original.
Por isso, podemos
inferir que, viver é uma arte que pouquíssimos estão dispostos a assimilar, e
menos ainda, dominar; visto que nessa arte se encontra todo o
hermetismo, que desafia o pensamento e o intelectualismo do indivíduo enquanto um
ser integral, parte das forças da natureza; já que; paradoxalmente, o pensamento
intelectualizado pela egolatria, busca unicamente o domínio e o total controle
sobre as forças da própria natureza, rechaçando o conhecer a si mesmo, enquanto uma força integrante dessa mesma natureza.
A
existência da academia, enquanto causa e consequência do escandaloso processo
de colonização mental de todos os Tempos, impõe as diversas disciplinas, compartimentadas
de forma assaz habilidosa, com o único intuito de impedir que o indivíduo conheça a si
mesmo; enquanto que; paralelamente, fragmenta a Arte como uma disciplina de
valor, que contém em si, todas as outras disciplinas do currículo; sendo essa
mesma arte, o cimento metafórico que une a todas como um Todo, na construção do
sujeito como parte do Tudo.
Parafraseando
o poeta anônimo, a arte existe porque a
vida não é suficiente. Ou seja, somos criadores, além de sermos a própria criação.
Sendo assim, metafórica e metafisicamente, somos quem dá o Presente, quem
recebe o presente e também somos o próprio Presente. Portanto, para adquirir o conhecimento
e a sabedoria dos seres sapiens de si mesmos precisamos urgentemente
desaprender tudo aquilo que foi patenteado pelo intelecto. Este é o único caminho para efetivar a abolição dessa escravização mental a qual estamos submetidos durante toda a
nossa existência, em que, cerca de 80% de nossa força ativa ainda pertence aos
escravocratas dos Tempos Modernos.
Esse sutil processo
emancipatório, exige o desapego, o heroísmo e a coragem para enfrentar esse
medo do protagonismo que nos foi imposto pela violência propagada e
propagandeada pelo Deep State. Esse método artístico de emancipação total, pode ser observado na alegoria
das flores vencendo os canhões, visto
que, uma guerra só pode ocorrer quando os próprios soldados por ela decidem. Quem
sabe, faz a hora, os dias, os meses, os anos, a vida. Tudo acontece no aqui e
agora, sempre presente como uma tela em branco a ser trabalhada.
O boxeador Mohamed Ali e dona de casa Rosa Parks
trouxeram essa mensagem até nós, mas aparentemente a mesma mensagem foi escrita
num idioma ancestral, certamente num dos idiomas falados em torno da Torre de Babel,
já que a mesma mensagem não chegou a ser coletivamente compreendida até o
presente, enquanto uma prática de emancipação autêntica.
Desse modo,
esse habilidoso e sórdido processo de colonização mental dos Tempos Modernos, ainda procura se manter vivo, por meio do simbolismo conferido
pelos certificados e diplomas que alimentam o ego do neófito, enquanto lhe aperta
a coleira redesenhada pelo designe-mor do Deep
State, Ivan Pavlov.
Dessa forma,
nessa sanha propagada por uma pseudo segurança e uma pérfida educação
higienista, o indivíduo munido de máscara e de coleira, se outorga o título de
doutor e outras graduações convenientes, a fim de adornar a sua imagem de bom
cidadão socialmente aceito, cujo designe é planejado pela sociedade suprematista
escravocrata de plantão. Por isso, a arte nas escolas se resume a reprodução
dos autores validados pelo sistema instituído, enquanto a grade das graduações
e pós-graduação seguem a metodologia do papagaio em frente ao espelho do próprio
eco.
Dessa maneira,
o cidadão moderno se transformou numa inédita forma de Inteligência Artificial,
ao se tornar extremamente habilidoso no desempenho das funções exigidas, na
mesma medida em que torna desprovido da própria alma. Foi assim que a poesia da
alma foi esquartejada, fragmentando-se nesse quebra-cabeças que, ao ser
montado, revela uma crisálida transgênica, artificializada; tal como Sísifo, o indivíduo se acorrenta ao próprio casulo, se arrastando numa linear, repetitiva e
repetida existência efêmera.
A poiésis da vida exige a retirada dos
parafusos mentais, das teclas e das telas existenciais, exige o cessar imediato
do ato repetitivo imposto como método pelo mecanicismo pedagógico. A poiésis se
revela através do sentimento e não da manifestação, visto que a primeira
precede a segunda. Sinto, logo existo; sinto, logo invento; sinto, logo construo.
Vida, é criação, sem ser jamais um mero e colossal compêndio de citações, cuja certificação invariavelmente nos leva a uma existência banalizada por uma infinita e cruel rotina.