Enquanto a nossa atenção estiver sendo dirigida para tudo aquilo que gera o Medo de viver e de morrer, estaremos também nos desviarmos da Alegria de existir e de conviver; e isso nos traz o terrível temor, o fardo e o infortúnio imposto por aquilo que as religiões combinaram batizar com o nome de inferno. Portanto, a formidável função da bíblia, ao personificar a figura do Diabo, do inferno e de um disfuncional Deus cruel e vingativo, foi justamente no intuito de perpetuar o pérfido artifício; imaculado e perene; da escravização, através dos Tempos Modernos.
O método proposto a fim de descolonizar essa figura sacralizada e patenteada pela religião, que habilmente personificou o sublime e inominável divino, o criador de todas as coisas, desde sempre foi um método que se apresentou como a maior ameaça ao status quo desse rentável negócio em que se transformou a religião; esse mercado aonde a igreja detém os infames rendimentos desse milenar comércio que está sendo a escravização humana, que até o momento tem regido o destino do mundo.
Ironicamente, foi precisamente através das crenças descapacitantes impostas pelas
religiões, hipocritamente prevalecendo-se do nome dessa fictícia figura divina,
que os próprios escravizados fazem uso para defender, de forma aguerrida, a sua
condição submissa e o seu cativeiro, ambos fundamentados nos valores enviesados estipulados como dogmas sagrados.
A desqualificação das propostas trazidas através do processo do despego dessa sacralizada imagem, que uma vez patenteada, foi transformada numa pesada âncora, que representa justamente o subjetivo sequestrado do indivíduo enquanto sujeito; transformando assim, esse processo num exercício extremamente complexo, mesmo que assaz simples, fazendo com que, em meio ao metafórico dilúvio social e existencial, consentíssemos perder a consciência de nossas próprias asas.
Portanto,
podemos inferir que, este não é um processo revolucionário, mas sim, um
processo Evolucionário, que procura tirar a humanidade do parquinho de diversão
em que se encontra, direcionando-a para sua fase adulta, de autoconsciência e
de auto responsabilidade para consigo mesmo.
A existência
por si só, já deveria ser uma completa alegria; mas, optamos por carregar o
peso das representações, conferidas como verdade pelas instituições
estabelecidas pelo sistema escravista vigente. O modo de pensar do ser humano se
definiu pela avaliação do objeto, classificando e categorizando tudo
aquilo que foi convencionado e considerado como realidade concreta, a fim de possuir a sensação e a satisfação de estar no controle de sua vida. Portanto, o seu sentimento é a causa e a consequência de tudo aquilo que se manifesta em sua vida, sem que ele se dê
conta desse incrível e fantástico processo movimentado por ele mesmo, e que é gestado no imo
do seu subjetivo sequestrado e submetido ao sistema escravagista governado pelo
Deep State.
Desse modo, o indivíduo orgulhosamente participa desse jogo, aonde a competição e meritocracia sempre segue o arbítrio do ruidoso e pomposo ego. Nessa concorrência antropofágica, a vitória invariavelmente sempre traz a forte e momentânea sensação de uma alegria pífia e fugaz, pois essa mesma pseudo felicidade, como quaisquer produtos capitalizados, já vem com suas barras de validade vencidas; se revelando assim, como uma autêntica vitória de Pirro.
Enquanto o
indivíduo primar exclusivamente por um reconhecimento que exponha o seu nome fixado
no mais alto pódio, escrito em letras garrafais e neon, acompanhado por uma fanfarra e balões coloridos,
a Simplicidade e a Alegria genuína jamais terão lugar de destaque na existência
do dito-cujo. Dessa maneira, como um viciado, ele se tornará dependente do reconhecimento
alheio para estimular seu estado de espírito a fim de sentir-se vivo. Esse
pérfido processo, habilmente perpetrado pelo sistema escravocrata vigente, foi
transmitido, assimilado, socialmente aceito e banalizado; sendo enfim;
transformado em forma de lei, regras e tratados, pelas instituições oficiais do
citado sistema.
Essas
pós-verdades, em forma de dogmas e paradigmas, depois de institucionalizadas e
sacralizadas pelo indivíduo, de acordo com a vontade dos administradores do sistema-Matrix,
se tornaram intocáveis. Dessa maneira, o cidadão de bem se transformou num
produto manipulável e de Inteligência Artificial, só precisando responder aos
estímulos do sistema que o administra como tal.
O processo
de Despertamento nesse contexto em que o bom cidadão se encontra imerso num mar
de Ordem e Progresso, tornou-se um magnífico exercício Evolucionário; pois traz em si, o paradoxo de ser
um processo exclusivamente individual, ao mesmo tempo em que se revela como um processo
coletivo. É simplesmente dessa forma
que as andorinhas alegremente fazem
o verão e os galos, com seus cantos, tecem as manhãs; e também é dessa forma, elegante e refinada, que a natureza humana deve
tornar a ser verdadeiramente humana, ao priorizar a simplicidade e a Alegria,
em detrimento do impávido colosso em que foi transformado seu ego.

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