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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O golpe de Estado e o Povo Negro na geografia política Brazilleira


Desde o surgimento da República Federativa do Brazill, que surgiu como resposta à monarquia reinante, esta forma de governo estabelecida em nosso país sobre o verniz democrático adestrador, vem tentando; a exemplo de Hitler; arianizar nosso país, domesticando seus povos.

Observando esse processo formativo, podemos afirmar que temos uma tradição incontestável no que se refere a prática de golpe de Estado, visto que o próprio Brazill nasceu de um golpe e se formou na ilegalidade. Dessa maneira, os golpes Sul americanos seguem a tradição do sangue e da violência, como forma de legalidade usurpadora legal, grafadas nas entrelinhas linhas dos decretos-lei.

Os portugueses instauram o sistema do golpe de Estado nas terras tupiniquins, a partir da fabricação de montanhas de cadáveres autóctones das diversas nações indígenas que aqui habitavam; tendo a igreja como franqueadora e embaixadora das mortes e torturas, com os requintes de indizíveis crueldades importados da Europa das trevas, visto que a igreja brazilleira não tinha um Las Casas1.

Seguindo sua sanha predadora, os ensandecidos europeus, habituados à violência gratuíta2 e indiscriminada em nome de Deus, aplicaram também o golpe nos povos melanodérmicos, iniciando dessa maneira, a grande imigração forçada dos povos africanos para as Américas; num processo denominado como infame comércio, como ficou conhecido o tráfico de seres humanos através do oceano Atlântico, o grande Calunga. Sendo essa a segunda Diáspora dos povos africanos pelo mundo.

Sendo assim, o solo brazilleiro passou a ser habitado por três etnias: o povo originário. Ou seja, os indígenas; Os povos africanos, chamados de imigrantes nu, sendo a maior imigração forçada de que se tem notícia na história do mundo; e os imigrantes europeus, cujo grupo populacional era composto por uma escória européia; além de ladrões e assassinos, vieram todos os indesejados3 da coroa portuguesa.

Após esse novo golpe branco, elles4, inovando em sua insidiosidade, deram o golpe em si mesmo, trocando a monarquia pela república. Ou seja, elles que eram brancos se entediam; diferente dos negros, que mesmo sendo, e sempre foram, os sujeitos da história; sendo os responsáveis pelos rumos do país, desde o momento em que todas as revoluções e todas as mudanças que aconteceram em solo tupiniquim, foram promovidas pelos negros. Mas, infelizmente, assim como os indígenas, os negros nunca participaram do poder, no que se refere a gerência do Estado brasileiro.

Dessa maneira, das três etnias a habitar o Brasil, a população branca, desde sempre, detiveram o poder em nosso país. Ou seja, a minoria branca sempre decidiu a sorte da grande maioria, controlando o povo negro através do medo instalado pela violência e pelo terror, usando para isso, inicialmente os bandeirantes e os capitães-do-mato, depois a polícia, a legislação, o sistema judiciário e os militares; e o mais eficiente de todos, e também o mais perverso e insidioso de todos, a MÍDIA. Afinal, quem domina a cultura de um povo, domina também os destinos desse povo.

Os eurodescendentes estão nas pontas de todas as decisões, de absolutamente todas as instâncias: é o delegado branco que decide se o branco cometeu racismo ou injúria racial; é um juiz branco que decide se o crime de ódio foi, ou não foi crime; é o advogado branco que finge defender o negro diante do tribunal branco; é o psicólogo branco que vai tratar do Vitimismo depressivo do negro, que vai tratar da síndrome de pânico, da pressão alta5 ou diabetes; é o médico branco que vai “tratar” das feridas do negro que ousou trocar o auto de resistência pela legítima defesa; e na ponta disso tudo, está o policial negro domesticado pelo Sistema Branco de Segurança Nacional.

Desse modo, o racismo, responsável pela produção da classe dos desfavorecidos sociais, inauguram os chamados crimes de cifra negra, que são os crimes invisíveis, os crimes sem punições, pois os meliantes em questão, não são identificados. Podemos enquadrar o racismo nesta categoria, visto ser o único crime inafiançável e imprescritível em que, efetivamente, não existe a figura do criminoso; Ágatha Christie6 deve estar se revirando no túmulo de tanta frustração, visto ser esse o único crime de toda história, que ela não solucionaria nem com o prestimoso auxílio de Sherlocke Holmes7, por tratar-se de um crime onde todas as provas existem, mas não existe a convicção, por parte do julgadores, da ocorrência do citado crime.

Nos autos, poder-se-á ler, bailando zombeteiramente bem na superfície das entrelinhas, a afirmação de que o réu branco é que sofreu racismo reverso, e que o mesmo (branco) tendo um avô negro, teria o direito jurídico de apelar para sua afrodescendência; enquanto a vítima que sofreu o dolo, tendo a cútis cor de noite, não poderia, em nenhuma hipótese, apelar para a sua branquitude, mesmo tendo, da mesma forma que o réu cara-pálida, um avô branco; correndo o risco de parecer ridículo e ser motivo de piadas infames.

Dessa maneira, a incidência e os efeitos do racismo, efetivamente vai recair sobre aquele que não tem seu representante nas esferas de poder. Ou seja, invariavelmente vai recair sobre o negro, sempre. Mesmo com tentativa do preto em tentar reproduzir a conduta branca, sendo racista. Para poder parecer-se com o branco, ele reproduz o comportamento desse mesmo branco; servindo desse modo, como capitão-do-mato, como advogado, como político, como juiz ou desembargador ou servindo em quaisquer profissões tutelada pelo branco. Ele, o preto, vai querer demonstrar sua gratidão a esse mesmo branco sendo o mais vil dos negros, na medida em que se volta contra seus próprios irmãos.

É desse modo que os negros vivem o seu exílio, num eterno Estado de exceção, sendo taxados de vitimistas pelos próprios negros que olham o mundo através do olhar branco, através dos olhos azuisia que ele tanto aprendeu a admirar, enquanto execra seu negro olhar. Mesmo com seu sorriso negro e com seu abraço negro, suas palavras brancas são desferidas como um afiado arpão, para, sem nenhum pesar, abater o irmão preto que caminha sobre os espinhos brancos do insidioso euro racismo.

E assim como Judas, que caminhava lado a lado com Jesus, o negro de visão branca, torna-se um pensador com cérebro de eunuco, sem tesão pelo desejo de libertação; e os crimes de cifrão, tornam-se cifras de uma canção repetida como sabatina, que violentamente vai se transformando nos cifrões que enchem os cofres da quadrilha branca republicana gerenciadoras dos quatro poderes tupiniquim da República Federativa do Brazill, enquanto os filhos desta Pátria que os pariu, sofrem o que for preciso nesse ninho da plutocracia vil, com as bençãos da MAÇONARIA.

1 Religioso católico que defendia os indígenas deixando caminho livre para que se mantivesse os negros como escravizados.
2 Vide idade média.
3 Dentre esses indesejáveis estava o poeta Bocage que incomodava bastante com seu modo desbocado de ser.
4 Referência ao Ex-presidente Fernando Collor de Melo.
5 Segundo testes realizados em pacientes negros com pressão alta, os remédios indicados não surtem efeitos sobre os mesmos; para esses pacientes, foi comprovado que a mudança de ambiente seria a única forma de reverter a doença, visto que o ambiente estressante ao qual ele é submetido é que desencadeia o quadro de enfermidade verificado. Ou seja,um ambiente livre de racismo seria a solução ideal para o paciente negro.
6 Uma das maiores escritoras de contos de mistérios e suspenses complicados.
7 O maior detetive do mundo; personagem criado pelo escritor inglês Sir Conan Doyle.
ia Referência ao documentário “olhos azuis”.


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