Essas famigeradas
distrações suscitadas através das questões raciais e sociais produzidas e fomentadas
pelo Estado distópico, faz com que a humanidade se esqueça de que está aqui somente
para observar, crescer e amar; mas o sistema desenvolveu seu engenhoso método, com
o intuito único de administrar o subjetivo do indivíduo, a partir do momento
que provoca e controla as emoções do dito-cujo através das suas principais instituições.
Portanto, os valores descapacitantes, produzidos e dominado pelo Estado colonizador, que são transferidos ininterruptamente através do sistema educacional e da cultura massa, tem apresentado até o momento, o seu aparente sucesso na inserção dos dogmas e dos paradigmas que norteiam a subalternidade desse indivíduo ao fazer habilidoso uso da religião e da mídia; mantendo desse modo, essa pessoa submissa e presa a tais valores, enquanto paradoxalmente, a conserva como uma das mais fiéis e aguerridas defensora do próprio sistema que as escravizam.
Nesse metafórico e caótico campo
de guerra psicológica, é notório perceber o vai e vem de muitos cegos guiando
outros tantos, em meio a suas incessantes tagarelices que arruinaram o seu sentido de audição ao ter a ciência da sua aptidão em escutar tudo, sem, no entanto, conseguir ouvir absolutamente nada.
Dessa maneira,
a caixa de crenças que limitam os cinco sentidos, tem o seu invólucro sedutoramente revestido
com o papel do presente de um futuro virtual, amarrados com os holográficos barbantes dos
discursos retóricos da religião, da política e de uma história manipulada e convenientemente
distorcida pelo cadente sistema escravagista contemporâneo. Somente à pessoa
escravizada cabe o ato de derrubada dos limites que a cerceia; mas é elementar a
necessidade primaz de se enxergar tais limites, para que ela possa se localizar diatopicamente
nesse cenário de luz e sombras que ocultam os movimentos e as jogadas nesse
xadrez distópico.
Portanto, todo
o desenrolar desse cenário vai depender da tomada de consciência desse
indivíduo enquanto sujeito de sua própria história; essa é uma missão que, uma
vez praticada no âmbito do micro, inevitavelmente vai atingir, de forma
exponencial, a todo o âmbito macro. Abrir os olhos, em meio a tempestade de
Abrolhos, requer a coragem e a
determinação de quaisquer prisioneiros, que devem ter como princípio sagrado, o dever da fuga como consequente Libertação ou, se perpetuar em seu coletivo ensaio para a cegueira.

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