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terça-feira, 20 de outubro de 2020

Ensaio Para a Cegueira

Nossas Considerações Acerca da Cegueira Humana suscitada por meio da Estratégia Planejada da Pandemologia contemporânea dos Tempos Modernos, inevitavelmente passam pelos incontáveis sofrimentos recorrentes e decorrentes da acirrada competição entre os próprios pares, além da pérfida meritocracia instigada entre iguais, que tem deixado seus rastros expressos nem questões, cujos artifícios capitais se fundamentam na divisão de raça, de credo, de gênero e de classe; questões essas que são exaustivamente agenciadas, propagadas e propagandeadas por esse sistema distópico, perpetrado através dos séculos, como uma prática ordinária de negócio no Mercado Infame contemporâneo.

Essas famigeradas distrações suscitadas através das questões raciais e sociais produzidas e fomentadas pelo Estado distópico, faz com que a humanidade se esqueça de que está aqui somente para observar, crescer e amar; mas o sistema desenvolveu seu engenhoso método, com o intuito único de administrar o subjetivo do indivíduo, a partir do momento que provoca e controla as emoções do dito-cujo através das suas principais instituições.

Portanto, os valores descapacitantes, produzidos e dominado pelo Estado colonizador, que são transferidos ininterruptamente através do sistema educacional e da cultura massa, tem apresentado até o momento, o seu aparente sucesso na inserção dos dogmas e dos paradigmas que norteiam a subalternidade desse indivíduo ao fazer habilidoso uso da religião e da mídia; mantendo desse modo, essa pessoa submissa e presa a tais valores, enquanto paradoxalmente, a conserva como uma das mais fiéis e aguerridas defensora do próprio sistema que as escravizam. 

Nesse metafórico e caótico campo de guerra psicológica, é notório perceber o vai e vem de muitos cegos guiando outros tantos, em meio a suas incessantes tagarelices que arruinaram o seu sentido de audição ao ter a ciência da sua aptidão em escutar tudo, sem, no entanto, conseguir ouvir absolutamente nada.

Dessa maneira, a caixa de crenças que limitam os cinco sentidos, tem o seu invólucro sedutoramente revestido com o papel do presente de um futuro virtual, amarrados com os holográficos barbantes dos discursos retóricos da religião, da política e de uma história manipulada e convenientemente distorcida pelo cadente sistema escravagista contemporâneo. Somente à pessoa escravizada cabe o ato de derrubada dos limites que a cerceia; mas é elementar a necessidade primaz de se enxergar tais limites, para que ela possa se localizar diatopicamente nesse cenário de luz e sombras que ocultam os movimentos e as jogadas nesse xadrez distópico.

Portanto, todo o desenrolar desse cenário vai depender da tomada de consciência desse indivíduo enquanto sujeito de sua própria história; essa é uma missão que, uma vez praticada no âmbito do micro, inevitavelmente vai atingir, de forma exponencial, a todo o âmbito macro. Abrir os olhos, em meio a tempestade de Abrolhos, requer a coragem e a determinação de quaisquer prisioneiros, que devem ter como princípio sagrado, o dever da fuga como consequente Libertação ou, se perpetuar em seu coletivo ensaio para a cegueira.

  

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