O
que os livros didáticos nos fala sobre o abolicionismo e sobre a
abolição da escravatura no Brazill, parece mais um roteiro pré
fabricado e requentado, daqueles retirados dos enfadonhos e
repetitivos filmes hollywoodianos, ou das novelas de época da rede
plim, plim de televisão
tupiniquim dos Estados Unidos do Brazill, nosso cordial País
das Maravilhas.
Um
roteiro famigerado que segue aquela batida receita com início, meio e fim, sem
exigir do telespectador a necessidade da reflexão, do
exercício de pensar ou
de qualquer elaboração de sinapses a
respeito dessa fantasia, que mais parece com a alegoria do elefante
que se equilibra sobre a History line do filme, só para ilustrar o livro de capa; paquiderme que está longe de ser um querubim
da Terra
do Nunca.
É
através desse perverso processo que a mídia cria necessidades urgentes no
telespectador: fechando a história com os "e viveram felizes
para sempre" e elegendo a princesa e o príncipe
protagonistas nas histórias que, invariavelmente, sempre acabam bem
para os mocinhos e mal para os vilões, fazendo o telespectador acreditar, com uma puerilidade quase infantil, que a vida é realmente um filme com final feliz. Só que, nesse caso, e em
todos os casos tratados pelos roteiros hollywoodianos,
a inversão de valores é o fim de todo esse processo perversamente
eugênico e cruelmente gentrificante.
Vejamos
então: os livros didáticos, contador de história única1;
daquela historinha paga pelo poder financeiro dos donos de
histórias únicas; nesta historinha dita que a princesa Isabel foi uma querida pessoa
branca, que generosamente libertou os negros africanos supliciados
por seus amigos (da princesa) brancos.
Primeiramente,
se olharmos além nas entrelinhas dessas indutoras páginas de livros
didáticos com um pouquinho mais atenção aos detalhes escancarados;
esses detalhes acabam por desnudar essa princesa em seu próprio
pedestal, enquanto expõe sua vergonha a público; observaremos que a
tal lei áurea, compostas de dois artigos somente, teve como objetivo
único, livrar os escravocratas das penalidades do crime de
escravidão e dos crimes da escravidão.
Esse
fato se confirma, desde o momento em que abolição popular, já
realizada através das violentas incursões feitas pelos quilombolas
às fazendas em que haviam negros escravizados; eles, os quilombolas,
libertavam os escravizados, queimavam as fazendas e matavam sem
perdão, os criminosos escravocratas; sem falar nos caifazes do
coronel Antônio Bento, Negro fazendeiro temido pelos brancos
escravocratas. Esse processo de libertação, foi acompanhado pela
sociedade, que já não mais aceitavam esse regime cruel e desumano
da escravidão; visto que a população dava guarida a qualquer negro
fujão e a polícia já não perdia mais tempo com mandados de busca
aos negros fugidos.
Foi
nesse conturbado contexto que os fazendeiros do norte paulistas, com
medo de toparem com o Bonde de Resgate dos quilombolas em
suas portas, começaram a pressionar Peter Two para que fossem
tomadas providências urgentes a respeito dessa tragédia branca.
Pedrinho 2 ficou sem saber o que fazer, e mais perdido do que
cego em tiroteio, arranjou um compromisso político de última hora
no exterior e picou a mula, deixando a bomba nas mãos de sua
sobrinha, que o substituiu ficando como regente do trono.
Essa estratégia
resultou na assinatura da lei áurea, após todo um processo
político-partidário em que a competição pelo poder, dividiu as
facções políticas em dois grupos principais: monarquistas e republicanos,
sendo toda essa conjuntura instigado por abolicionistas como André
Rebouças, Cruz e souza e Luís Gama, que pressionavam geral o poder
constituído. Sem falar dos
queridos Abolicionistas Brancos Contraditórios,
tais como o português José do Patrocínio, que tinha publicamente
sua eterna gratidão a Princesa Isabel, mas que, em seguida, aderiu a
causa republicana pregando a criação de um Partido Negro.
É
forçoso não inferir que as revoltas e as rebeliões negras
determinaram a realização da abolição popular, que por sua vez,
criando a necessidade urgente de sobrevivência do governo, que,
pra não perder de zero, se viu compelido a oficializar essa abolição
através de um golpe; golpe de mestre esse, que foi a
assinatura da lei áurea, que em última instância, fez da Bebel a
redentora dos escravocratas; visto que esses mesmos
escravocratas receberam do governo, uma grande quantia em dinheiro,
pelos crimes cometidos na escravidão e pelo crime de escravidão,
após essa mágica assinatura; enquanto os ex-escravizados, sem
dinheiro, sem direito a terra, nem direito a qualquer emprego formal,
foram deixados a própria sorte.
Em
suma, a lei áurea foi um golpe de caneta que matou,
e ainda mata centenas de milhares de negros, enquanto os golpes
criminalizados da capoeira se tornou a política negra de liberdade
conquistada com muito sangue e suor.
Os
livros didáticos traduzem e mantém a continuação desse golpe
institucional da oligarquia nacional, enquanto a caneta dos
eurodescendentes sangram milhões de negros, a fim de gerar os
milhões de dólares destinados a branquitude medieval contemporânea,
que faz uso do sistema estatal, inaugurando sempre mais um eficiente
sistema prisional como resposta a condição social criada pela
covardia da abolição condicional.
Enquanto
isso, as nossas escolas repetem, como uma homilia, o lugar dos negros
como escravos e o lugar da princesa como redentora, num processo ad
eterno de lavagem cerebral, enquanto é seguida pela mídia
estatal, que sempre colocou a eugenia como política principal.
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