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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Sobre a ABOLIÇÃO da escravatura no Brazill e a Geografia Racial Tupiniquim...

O que os livros didáticos nos fala sobre o abolicionismo e sobre a abolição da escravatura no Brazill, parece mais um roteiro pré fabricado e requentado, daqueles retirados dos enfadonhos e repetitivos filmes hollywoodianos, ou das novelas de época da rede plim, plim de televisão tupiniquim dos Estados Unidos do Brazill, nosso cordial País das Maravilhas.

Um roteiro famigerado que segue aquela batida receita com início, meio e fim, sem exigir do telespectador a necessidade da reflexão, do exercício de pensar ou de qualquer elaboração de sinapses a respeito dessa fantasia, que mais parece com a alegoria do elefante que se equilibra sobre a History line do filme, só para ilustrar o livro de capa; paquiderme que está longe de ser um querubim da Terra do Nunca.

É através desse perverso processo que a mídia cria necessidades urgentes no telespectador: fechando a história com os "e viveram felizes para sempre" e elegendo a princesa e o príncipe protagonistas nas histórias que, invariavelmente, sempre acabam bem para os mocinhos e mal para os vilões, fazendo o telespectador acreditar, com uma puerilidade quase infantil,  que a vida é realmente um filme com final feliz. Só que, nesse caso, e em todos os casos tratados pelos roteiros hollywoodianos, a inversão de valores é o fim de todo esse processo perversamente eugênico e cruelmente gentrificante.

Vejamos então: os livros didáticos, contador de história única1; daquela historinha paga pelo poder financeiro dos donos de histórias únicas; nesta historinha dita que a princesa Isabel foi uma querida pessoa branca, que generosamente libertou os negros africanos supliciados por seus amigos (da princesa) brancos.

Primeiramente, se olharmos além nas entrelinhas dessas indutoras páginas de livros didáticos com um pouquinho mais atenção aos detalhes escancarados; esses detalhes acabam por desnudar essa princesa em seu próprio pedestal, enquanto expõe sua vergonha a público; observaremos que a tal lei áurea, compostas de dois artigos somente, teve como objetivo único, livrar os escravocratas das penalidades do crime de escravidão e dos crimes da escravidão.

Esse fato se confirma, desde o momento em que abolição popular, já realizada através das violentas incursões feitas pelos quilombolas às fazendas em que haviam negros escravizados; eles, os quilombolas, libertavam os escravizados, queimavam as fazendas e matavam sem perdão, os criminosos escravocratas; sem falar nos caifazes do coronel Antônio Bento, Negro fazendeiro temido pelos brancos escravocratas. Esse processo de libertação, foi acompanhado pela sociedade, que já não mais aceitavam esse regime cruel e desumano da escravidão; visto que a população dava guarida a qualquer negro fujão e a polícia já não perdia mais tempo com mandados de busca aos negros fugidos.

Foi nesse conturbado contexto que os fazendeiros do norte paulistas, com medo de toparem com o Bonde de Resgate dos quilombolas em suas portas, começaram a pressionar Peter Two para que fossem tomadas providências urgentes a respeito dessa tragédia branca. Pedrinho 2 ficou sem saber o que fazer, e mais perdido do que cego em tiroteio, arranjou um compromisso político de última hora no exterior e picou a mula, deixando a bomba nas mãos de sua sobrinha, que o substituiu ficando como regente do trono

Essa estratégia resultou na assinatura da lei áurea, após todo um processo político-partidário em que a competição pelo poder, dividiu as facções políticas em dois grupos principais: monarquistas e republicanos, sendo toda essa conjuntura instigado por abolicionistas como André Rebouças, Cruz e souza e Luís Gama, que pressionavam geral o poder constituído. Sem falar dos queridos Abolicionistas Brancos Contraditórios, tais como o português José do Patrocínio, que tinha publicamente sua eterna gratidão a Princesa Isabel, mas que, em seguida, aderiu a causa republicana pregando a criação de um Partido Negro.

É forçoso não inferir que as revoltas e as rebeliões negras determinaram a realização da abolição popular, que por sua vez, criando a necessidade urgente de sobrevivência do governo, que, pra não perder de zero, se viu compelido a oficializar essa abolição através de um golpe; golpe de mestre esse, que foi a assinatura da lei áurea, que em última instância, fez da Bebel a redentora dos escravocratas; visto que esses mesmos escravocratas receberam do governo, uma grande quantia em dinheiro, pelos crimes cometidos na escravidão e pelo crime de escravidão, após essa mágica assinatura; enquanto os ex-escravizados, sem dinheiro, sem direito a terra, nem direito a qualquer emprego formal, foram deixados a própria sorte.

Em suma, a lei áurea foi um golpe de caneta que matou, e ainda mata centenas de milhares de negros, enquanto os golpes criminalizados da capoeira se tornou a política negra de liberdade conquistada com muito sangue e suor. 

Os livros didáticos traduzem e mantém a continuação desse golpe institucional da oligarquia nacional, enquanto a caneta dos eurodescendentes sangram milhões de negros, a fim de gerar os milhões de dólares destinados a branquitude medieval contemporânea, que faz uso do sistema estatal, inaugurando sempre mais um eficiente sistema prisional como resposta a condição social criada pela covardia da abolição condicional.

Enquanto isso, as nossas escolas repetem, como uma homilia, o lugar dos negros como escravos e o lugar da princesa como redentora, num processo ad eterno de lavagem cerebral, enquanto é seguida pela mídia estatal, que sempre colocou a eugenia como política principal.



1Referência a Chimamanda Ngosi Adichie, escritora nigeriana.







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