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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Etimologias da Escravidão

Deixar-se dominar pela palavra alheia é ceder o próprio centro de poder ao interlocutor que se coloca na condição de usurpador, quando essa fala premeditadamente ou não, provoca emoções desiquilibrantes, dando vazão a crenças limitantes ocasionadas através de empatias e ideologias descapacitantes, introjetadas como dogmas e paradigmas dominantes no subjetivo do indivíduo.

Da mesma maneira que, tudo aquilo o que pensamos ou fazemos, tem retorno em seu devido tempo, a palavra também é um infalível bumerangue. Sendo assim, do mesmo modo que, todo e quaisquer sentimentos são sementes alqueivadas, toda palavra emitida se reflete no espelho da existência. Ou seja, todo e quaisquer fatos ocorridos no caminho do indivíduo, é estabelecido pelo próprio sujeito. Como bem diz o Mestre Sananda, não há escapatória para tudo aquilo que o ser humano pensa, diz ou faz.

Portanto, o processo de pensar, sentir e falar, tem sido a Magia Poderosa mais vulgarizada e propositalmente banalizada, a ponto de não nos darmos conta de que, ela, é a única construtora de toda e qualquer realidade que o indivíduo e a sociedade têm vivenciado no momento atual.

Sendo assim, aquele que reage, quando se deixam levar pelas emoções, diante das palavras que lhes são mau ditas, admitindo assim, não fazer uso do discernimento, para então, entrar num jogo; sem ter a mínima noção das regras regentes do mesmo; voluntariamente assume o papel subalternizado da narrativa em curso. Ou seja, cabe ao mesmo indivíduo a função única de alimento no banquete dos comensais, e de combustível para o automóvel do anfitrião da Casagrande republicana dos Tempos Modernos.

Esse pérfido processo, de acondicionamento da palavra, é o principal motivo da existência da religião e da academia, já que ambas foram os principados que se outorgaram a competência e a legitimidade do adorno gongórico das palavras de efeitos emitidas como verdades. Foi assim que a mídia se tornou a porta-voz desses escravagistas contemporâneo ao substituir a Senzala pela Zona de Conforto criada pela psicologia durante a transição dos modelos escravagistas antigo para o contemporâneo.

Essa zona de Conforto, aonde o cidadão tem a sua falsa sensação de liberdade alimentada por um pseudo livre arbítrio, faz com que o cidadão dito de bem, não se aventure fora da liberdade condicional concedida, recebendo tudo de bom grado e jogando de acordo com as regras que ele juga conhecer.

A conceituada zona de conforto é globalmente cercada pelas palavras emitidas pelos noticiários, propagandas e pelas emocionantes novelas e filmes de mocinhos que sofrem e se vingam, mutilando, torturando e matando, e no final, se transformam nos heróis, modelos a serem seguidos pelos infantes de hoje, que foram os ingênuos de ontem.

Portanto, os valores negativos assimilados e introjetados durante esse intenso e contínuo processo de lavagem cerebral, agrilhoam o indivíduo em grades conceituais, erguidas somente com palavras. São sobre esses mesmos valores assimilados pela massa populacional, que são erguidas e fundamentadas as premissas e os precedentes que irão determinar as condições desse indivíduo enquanto sujeito; consequentemente, ele aceita essa liberdade condicional como libertação real, comemorando as efemérides que cercam a sua Zona de Conforto atual.

 

 

 

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