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sábado, 17 de dezembro de 2016

Era uma vez, um Povo todo Preto: Uma comovente história de tiro, porrada e bomba...

Para nós, negras e negros, o racismo, o machismo e o feminismo tem sido algo tétricamente devastador para nossa história; visto ser, a predadora monocultura branca, a cultura dominante, como juiz supremo que determina todas as causas e todas as coisas. 

Quando esse leucodérmico juiz supremo lhe impõe um papel a cumprir e um lugar cultural de direito, todos os atores sociais vão seguir tal precedente e configurar seu julgamento seguindo tal exemplo; do momento em que, nossa sociedade, seguindo o cinismo e a hipocrisia que legitimam todas as relações sócio-político-religioso-cultural, relações estas, que são baseadas unicamente sobre a égide das dissimulações regidas por princípios e conceitos ditados pela epistemologia leucodérmica; selecionando desse modo, suas verdades e a priori, expondo-as nas vitrines sociais as vistas dos ávidos euro-cidadãos-consumidor de direitos e benesses; seus subservientes figurantes anexos ao tapete vermelho; pretensos substitutos e pretendentes ao lugar de ser humano. Por fim, faz da alienação uma arma que transforma qualquer negro e negra numa réplica de um branco nos discursos e atitudes.

Aquele que consegue olhar esse mercado infame e ver esse expediente genocida ao qual nós, negras e negros somos submetidos diuturnamente, estará constantemente em luto ou lutando contra tal infâmia; diante dessa barbárie institucionalizada e naturalizada pelas queridas pessoas brancas; uma vez que, pelo retumbante silêncio passivo e pela vergonhosa permissividade, a sociedade escolheu ficar ao lado do opressor. Esse processo fúnebre se faz presente nos momentos mais sensíveis da humanidade melanodérmica; nos momentos de adoções ou nas divisões paternas das obrigações relativas aos filhos e filhas, diante de um lamentável divórcio, por exemplo.

Desse modo, todas as decisões tomadas nesse sentido, são para dividir as negras e negros, fazendo uso, ora do machismo, ora do feminismo, visando sempre o princípio da divisão étnico-racial. É público e notório a defesa desses conceitos eurocentrados, tanto do feminismo como do machismo, por mulheres e homens negros; de maneira tão inflamada, que já tornou-se lugar-comum. Esse contexto ocorre justamente numa contundente conjuntura de assassinatos categóricos de nosso povo preto.

Nosso amor, a nós mesmos e ao nosso próprio povo, passou a ser seletivo, e essa não-valorização de nós mesmos, nos impede de nos amar, uma vez que somos conduzidos pela cultura leucodérmica, que se fundamenta exclusivamente na hierarquia excludente, se mantendo através do estímulo a competição antropofágica, na medida em que transforma nossa sociedade num grande espetáculo, transmitido on line, direto dessa grande arena romana, onde somos impelidos pela branquitude, a lutar contra os nossos pares. Essa aguda infecção afetiva faz com que deixemos de perceber esse mecanismo usado, a fim de que não os incomodemos em sua trilha predatória de insana carnificina; trilha esta, praticada como mero exercício de distração dominical. O hétero, cis, brancu tenta provar a si mesmo que está exercendo o poder como senhor absoluto e incontestável do "outro", já que o pelourinho se tornou algo mal-visto, além de démodé para a velocidade desse vertiginoso mundo contemporâneo.

Esse é o resumo do contexto histórico desse mórbido espetáculo desumanizador, onde irmãos negros, desinformados ou mal-informados de sua própria história, divergem frente aos brancófagos na defesa dos conceitos euro-alienígenas. Esses irmãos e irmãs, julgam estar, de forma inédita, reinventado a roda ou redescobrindo o fogo, ao recomeçar a história do zero, desprezando todo o caminho percorrido por seus mais velhos. Uma vez que os princípios leucodérmicos os tem adestrado na falsa ideia do inovar, e sempre a valorizar o que é novo. Ou seja, a cultura leucodérmica; desprezando desse modo, o que veio antes, considerando como algo da alçada do folclore, portanto, desnecessário. Dessa forma, somos domesticados, na medida em que vivemos inflacionados de generosas informações e zerados daqueles conhecimentos importantes que realmente venham a fazer diferença nessa sociedade, onde vivemos num eterno looping, como aquele ratinho-cobaia em movimento perpétuo na roda-teste no interior de um euro-laboratório.

Deste modo, esse movimentismo nos dá a falsa sensação de que estamos realizando algo tremendamente importante em nossas vidas e em nossa pseudo-história, quando na verdade, somos como feras, enjauladas num espetáculo dirigido por meia dúzia de escravocratas, nesse grande circo em que se tornou a vida humana na terra; vida que deixou de ser escola, uma vez que não temos mais a pré-disposição de aprender as lições dadas por ela; vida que não tem nos poupado de suas constantes provas cotidianas, mostrando que, aquele que não sente a dor do irmão, já está, há muito, contaminado com a doença da branquidão e, mais do que nunca, é necessário perceber que a alma do branco está corrompida, mecanizada demais, e por isso eles se apropriam da negritude para roubar os nutrientes humanos, enquanto o resultado desse processo, é o tropeço das negras e negros nos escombros da própria solidão... CUREMO-NOS...Ou permaneceremos no limbo social desse entre-lugar nenhum do país das Maravilhas na Terra do Nunca...

Rael Preto

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