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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

A Cruel Robotização de um Poema em Carne Viva

Todas a cores da história se encontram registradas no imo da nossa memória; todas as dores da memória, estão profundamente marcadas na fronte e nas costas arcadas da natureza viva, geografitada nas digitais dos geoglifos da Mãe-Terra, sobre pautas que respiram as notas musicadas em cada poema melodicamente gritado, desde as profundezas desse silêncio que reverbera no eco de cada pensamento, emitido pelo silente cantador. E assim, tudo se faz; assim tudo é.

Os diversos tons da vida são muito mais do que meros cinquenta tons de uma mesma cor, visto que, a computação de suas miríades não se faz através do conceito linear. As cores, composta pela emissão da luz, dentro das suas devidas vibrações, definem e conceituam a natureza manifesta e invisível, tanto para os distraídos olhos de um absorto daltônico, como para o sensível olhar de um refinado artista.

É dessa forma que, a natureza morta pintada por um daltônico, pode se expressar por meio de algumas dezenas dos cinquenta tons de cinzas existentes, enquanto na vida real, essa expressão ocorre fora da superfície visível exibida pela tela midiática. Ou seja, somos artistas, artesões e arquitetos de tudo o que há nessa estrada da vida, aonde o que houver no caminho, é caminho. Já que, absolutamente tudo que vislumbramos nessa estrada, são simplesmente manifestações daquilo que sentimentos, e que metaforicamente, grafitamos nos metafísicos muros da vida, após ouvir e escutar, olhar e ver as expressões do estrondoso silêncio de Gaia; nossa Mãe natureza; essas expressões são impressas na luz de cada alvorecer, esperando que o artista possa despertar e se servir na produção de sua refinada e elegante obra-prima, arquitetando cada aurora como Presente de um novo agora.

Assim como os galos observados pelo poeta, que os viu, com seus cantos, tecer cada alvorada de sua existência, o despertar de uma nova aurora também é de responsabilidade da sapiência desse coletivo humano que se afirma único, entre os bilhões de outros planetas semelhantes, irmãos e análogos, suspensos na tela sem pass-par-tour desse Universo fractal, com seus incontáveis Multiversos existentes na infinidade do Cosmo.

Portanto, no palco da vida, somos nós que escolhemos ser protagonistas ou espectadores da nossa própria existência enquanto indivíduo tacanho, protegido no confortável interior do seu casulo essencial, ou enquanto sujeito humano que se soma ao brilho fractal irradiado pelo Big Bang original.

Por isso, podemos inferir que, viver é uma arte que pouquíssimos estão dispostos a assimilar, e menos ainda, dominar; visto que nessa arte se encontra todo o hermetismo, que desafia o pensamento e o intelectualismo do indivíduo enquanto um ser integral, parte das forças da natureza; já que; paradoxalmente, o pensamento intelectualizado pela egolatria, busca unicamente o domínio e o total controle sobre as forças da própria natureza, rechaçando o conhecer a si mesmo, enquanto uma força  integrante dessa mesma natureza.

A existência da academia, enquanto causa e consequência do escandaloso processo de colonização mental de todos os Tempos, impõe as diversas disciplinas, compartimentadas de forma assaz habilidosa, com o único intuito de impedir que o indivíduo conheça a si mesmo; enquanto que; paralelamente, fragmenta a Arte como uma disciplina de valor, que contém em si, todas as outras disciplinas do currículo; sendo essa mesma arte, o cimento metafórico que une a todas como um Todo, na construção do sujeito como parte do Tudo.

Parafraseando o poeta anônimo, a arte existe porque a vida não é suficiente. Ou seja, somos criadores, além de sermos a própria criação. Sendo assim, metafórica e metafisicamente, somos quem dá o Presente, quem recebe o presente e também somos o próprio Presente. Portanto, para adquirir o conhecimento e a sabedoria dos seres sapiens de si mesmos precisamos urgentemente desaprender tudo aquilo que foi patenteado pelo intelecto. Este é o único caminho para efetivar a abolição dessa escravização mental a qual estamos submetidos durante toda a nossa existência, em que, cerca de 80% de nossa força ativa ainda pertence aos escravocratas dos Tempos Modernos.

Esse sutil processo emancipatório, exige o desapego, o heroísmo e a coragem para enfrentar esse medo do protagonismo que nos foi imposto pela violência propagada e propagandeada pelo Deep State. Esse método artístico de emancipação total, pode ser observado na alegoria das flores vencendo os canhões, visto que, uma guerra só pode ocorrer quando os próprios soldados por ela decidem. Quem sabe, faz a hora, os dias, os meses, os anos, a vida. Tudo acontece no aqui e agora, sempre presente como uma tela em branco a ser trabalhada.

O boxeador Mohamed Ali e dona de casa Rosa Parks trouxeram essa mensagem até nós, mas aparentemente a mesma mensagem foi escrita num idioma ancestral, certamente num dos idiomas falados em torno da Torre de Babel, já que a mesma mensagem não chegou a ser coletivamente compreendida até o presente, enquanto uma prática de emancipação autêntica.

Desse modo, esse habilidoso e sórdido processo de colonização mental dos Tempos Modernos, ainda procura se manter vivo, por meio do simbolismo conferido pelos certificados e diplomas que alimentam o ego do neófito, enquanto lhe aperta a coleira redesenhada pelo designe-mor do Deep State, Ivan Pavlov.

Dessa forma, nessa sanha propagada por uma pseudo segurança e uma pérfida educação higienista, o indivíduo munido de máscara e de coleira, se outorga o título de doutor e outras graduações convenientes, a fim de adornar a sua imagem de bom cidadão socialmente aceito, cujo designe é planejado pela sociedade suprematista escravocrata de plantão. Por isso, a arte nas escolas se resume a reprodução dos autores validados pelo sistema instituído, enquanto a grade das graduações e pós-graduação seguem a metodologia do papagaio em frente ao espelho do próprio eco.

Dessa maneira, o cidadão moderno se transformou numa inédita forma de Inteligência Artificial, ao se tornar extremamente habilidoso no desempenho das funções exigidas, na mesma medida em que torna desprovido da própria alma. Foi assim que a poesia da alma foi esquartejada, fragmentando-se nesse quebra-cabeças que, ao ser montado, revela uma crisálida transgênica, artificializada; tal como Sísifo, o indivíduo se acorrenta ao próprio casulo, se arrastando numa linear, repetitiva e repetida existência efêmera.

A poiésis da vida exige a retirada dos parafusos mentais, das teclas e das telas existenciais, exige o cessar imediato do ato repetitivo imposto como método pelo mecanicismo pedagógico. A poiésis se revela através do sentimento e não da manifestação, visto que a primeira precede a segunda. Sinto, logo existo; sinto, logo invento; sinto, logo construo. Vida, é criação, sem ser jamais um mero e colossal compêndio de citações, cuja certificação invariavelmente nos leva a uma existência banalizada por uma infinita e cruel rotina.

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