Da mesma forma, é evidente perceber que o ser humano prefere
lidar somente com tudo aquilo que ele conhece do que com o desconhecido. Se ele
sente uma dor, o doutor lhe prediz o medicamento; se ele tem uma dúvida, o
psicanalista lhe indica a direção; se ele tem uma carência qualquer, recorre ao
parceiro ou parceira, aos companheiros, aos amigos, aos pais, ao pastor, padre
ou qualquer um que confie para suprir essa lacuna.
Sendo assim, tudo o que sabemos vem de fora, vem do outro, mas especificamente, vem de um sistema controlado e dominado por esse outrem que produz e conduz nossos saberes e quereres. Ou seja, nesse pérfido processo, nos habituamos a permanecer nessa caixa dos saberes limitados e controlados meritocraticamente pelo sistema estabelecido, que formatam a nossa zona de conforto, e que habilmente substituiu o cruento espetáculo do pelourinho e do chicote em praça pública.
Dessa maneira, a nossa metafórica bússola é norteada pelas
Tecnologias de Informação e Comunicação que controlam totalmente esse sistema
religioso, jurídico, social e psicológico, que nos define e nomeiam,
determinando hereditariamente os nossos destinos enquanto sujeito histórico.
O ser humano, por ser avesso as mudanças, passivamente se
aninha ao cárcere mental dos Tempos Modernos, perfidamente instituído pelo
sistema, ao passo que o defende aguerridamente sempre alguém lhes aponta quaisquer
possibilidades diferentes das que são postas em seu cotidiano senzalíneo.
Portanto, o processo maiêutico e diatópico necessário para reconhecer os limites desse ninho-casulo e se desafiar, como a crisálida em busca do seu voo de
libertação, é um ativo e permanente repto a si mesmo enquanto o processo perdurar.
Desafiar a verdade estabelecida e veiculada pela mídia, como sendo uma verdade única
e absoluta, à primeira vista, não é algo tão fácil, principalmente quando essa
verdade é patenteada pelo sistema e legitimada pelo inconsciente coletivo; do
mesmo modo que foi feito com a figura de um humanizado Deus absolutista propagandeada pelas
religiões, que se arraigou e tem prevalecido no inconsciente, controlando o subjetivo do
indivíduo.
Dessa forma, deixamos de ser humano, para sermos um mero
produto manipulado por esse sistema controlado pelo Deep State, com a função única de
figurantes e de combustível alimentador do midiático e espetacular armagedom
universal. Essa é a face do atual cenário que lapidou o nosso ser e nosso proceder,
enquanto indivíduo de inteligência artificial, robotizado e manipulado através
das emoções suscitadas pelo sistema canibal.
A auto definição, resgatada através da auto responsabilidade,
nos coloca como nossos próprios salvadores, quebrando assim, a eterna espera
pelo salvador da pátria prometido pelo sistema de representação política
instituído pelo Estado escravagista contemporâneo. Dessa forma, todos os
paradigmas devem ser quebrados, tais como as ideologias descapacitantes que pregam a
esperança como uma fórmula quase divina para se atingir um inequívoco futuro ilusório.
Essa conjuntura que, inteligentemente transforma o indivíduo
num ser meramente reativo, retira toda a sua capacidade de ação e a sua potência
enquanto sujeito histórico. Portanto, assumir definitivamente a
responsabilidade para conosco mesmo ao nos definirmos enquanto pessoa efetivamente
livre, recusando todas as crenças limitantes com as quais nos condicionaram
durante toda a vida, é o princípio da emancipação do nosso Eu, a fim de
rechaçar essa escravidão mental, que, como presente de grego, foi maquiada e
legitimada pelas instituições do Deep State enquanto zona de conforto oficial,
substituta do cruel pelourinho e do látego brutal. Se assim não for,
continuaremos indefinidamente a aguardar pela permissão para que um dia sejamos nós mesmo.

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