É assim que
a verdade, como uma majestosa Dama desnuda, que escandalosamente desfila pelada,
perante os olhos espantados dos mascarados e portadores de burcas, simbolicamente
amordaçados pela modernidade, com os pedaços daquele véu opaco com o qual querem
vestir essa Dama despida de valores obtusos e escusos, transmitidos pelo sistema
escravagista ainda vigente.
Rasgar as
roupas dos santos oficializados pela sé, é como fazer um strip-tease desses valores
obtusos que funcionam como lastros das almas que penam; valores meticulosamente
impressos no cotidiano das efemérides gregorianas. Portanto, a ação de despir-se
de histórias e narrativas enviesadas e descapacitantes, é um ato de coragem, de
rebeldia, de desobediência e insubordinação a valores tirânicos e
escravagistas.
Retirar as
máscaras, metafisica ou simbolicamente fixados na face de Janus[1],
requer um heroísmo todo próprio e não alheio; já que, a capa e a espada são símbolos
tatuados no espelho da alma. Deixemos então, que essas cortinas que ornamentam
o palco da vida, com retóricas e ideologias descapacitantes, se abram; e os
véus que rodeiam as sombras refletidas nas paredes de nossas cavernas, possam se
desintegrar sobre a luz do discernimento.
O discernimento
só pode chegar após o cair das máscaras; e assim, tudo o que for velho, se fará
novo. Do contrário, permaneceremos como aquele cão, que corre atrás do rabo sem
jamais sair do lugar. Entre Reis e Rainhas, bispos e cavaleiros a burca xadrez
é um dos artigos de medo, que é comprado e vendido por notas de valores
pautados nos interesses e conveniências fornecidos pelo sistema.
Desse modo, a moda pode ser rebelde ou conservadora, dependendo da mente; emancipada ou escravizada; da alma que vive sobre a batuta das regras, dos tratados e leis, ou de um espírito livre, que vai além dos limites impostos pelo sistema escravista contemporâneo. Que caiam as máscaras da hipocrisia e da manipulação; e que as Anastácias possam se despir de si mesma, como a verdade; toda nua; ao mesmo tempo em que se veste com o princípio do ventre livre de fato.
[1]
Janus era o deus dos portões e dos portais. Era representado por uma figura com
duas faces olhando em direções opostas. O radical do seu nome deu origem ao mês
de janeiro (o mês que olha para o ano que passou e o ano que está por chegar).

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