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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Era uma Vez, uma Anastácia Vestida de Máscara Xadrez

As Máscaras, Véus e Burcas, são as Metafísicas mordaças contemporâneas dos
Tempos Modernos, habilmente usadas como lentes reversas, para que o indivíduo possa assistir aos espetáculos pirotécnicos de pós-verdade, nesse sedutor teatro de bonecos protagonizado pelos valores descapacitantes que vigoram nessa sociedade submissa ao subjetivo sequestrado.  

É assim que a verdade, como uma majestosa Dama desnuda, que escandalosamente desfila pelada, perante os olhos espantados dos mascarados e portadores de burcas, simbolicamente amordaçados pela modernidade, com os pedaços daquele véu opaco com o qual querem vestir essa Dama despida de valores obtusos e escusos, transmitidos pelo sistema escravagista ainda vigente.

Rasgar as roupas dos santos oficializados pela sé, é como fazer um strip-tease desses valores obtusos que funcionam como lastros das almas que penam; valores meticulosamente impressos no cotidiano das efemérides gregorianas. Portanto, a ação de despir-se de histórias e narrativas enviesadas e descapacitantes, é um ato de coragem, de rebeldia, de desobediência e insubordinação a valores tirânicos e escravagistas.

Retirar as máscaras, metafisica ou simbolicamente fixados na face de Janus[1], requer um heroísmo todo próprio e não alheio; já que, a capa e a espada são símbolos tatuados no espelho da alma. Deixemos então, que essas cortinas que ornamentam o palco da vida, com retóricas e ideologias descapacitantes, se abram; e os véus que rodeiam as sombras refletidas nas paredes de nossas cavernas, possam se desintegrar sobre a luz do discernimento.

O discernimento só pode chegar após o cair das máscaras; e assim, tudo o que for velho, se fará novo. Do contrário, permaneceremos como aquele cão, que corre atrás do rabo sem jamais sair do lugar. Entre Reis e Rainhas, bispos e cavaleiros a burca xadrez é um dos artigos de medo, que é comprado e vendido por notas de valores pautados nos interesses e conveniências fornecidos pelo sistema.

Desse modo, a moda pode ser rebelde ou conservadora, dependendo da mente; emancipada ou escravizada; da alma que vive sobre a batuta das regras, dos tratados e leis, ou de um espírito livre, que vai além dos limites impostos pelo sistema escravista contemporâneo.  Que caiam as máscaras da hipocrisia e da manipulação; e que as Anastácias possam se despir de si mesma, como a verdade; toda nua; ao mesmo tempo em que se veste com o princípio do ventre livre de fato.

 

 



[1] Janus era o deus dos portões e dos portais. Era representado por uma figura com duas faces olhando em direções opostas. O radical do seu nome deu origem ao mês de janeiro (o mês que olha para o ano que passou e o ano que está por chegar).

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