Após ter cognizado
esta verdade universal, poderemos enfim entender, que todos nós, de fato, somos
um; mas para acreditar e proferir a sentença “um por todos e todos por um”, devemos primeiramente acreditar em
nós mesmos, para efetivamente poder acreditar no outro; de acordo com esse
princípio universal preconizando que, o que estiver fora também estará dentro
e vice-versa.
Portanto, é
notório perceber que, quando procurarmos por algo, inevitavelmente encontraremos
um espelho, que é precisamente, o espelho da vida. Ou seja, só podemos ver
aquilo que pensamos e sentimos; se o movimento desse processo for produzido de
forma inversa, vindo da direção contrária; do exterior para o interior;
provocará em nosso íntimo uma emotividade avassaladora que, inevitavelmente estabelecerá
um conflito peremptório de realidades entre o que há, e o que é.
E como afirma
o adágio, sempre que procurarmos pelo amor, encontraremos um espelho. Da mesma
forma que; para acreditar no outro, ou amar o próximo; primeiramente é
necessário acreditar em si próprio e também amar a si mesmo; nesse caso,
inferimos que esse é um processo que difere completamente do tão propagado amor
romântico, que em última instância, exige que o outro se adeque aos seus desejos
e vice-versa, surgindo assim, uma queda-de-braço relacional entre pares. Desse modo,
o romantismo acaba por produzir códigos conflitantes, com barras de validade que
regem a relação dos envolvidos no processo.
A relação
com a outra pessoa, com a comunidade, e com tudo aquilo que nos circunda, deve
se fundamentar justamente no acreditar para ver, e não ao contrário. Pois se
assim não for, as realidades, interna e externa, sempre entrarão em confronto,
e efetivamente nada acontecerá de acordo com nossas expectativas.
Portanto,
esse é um processo no qual devemos nos tornar pessoas ativas e não pessoas
meramente reativas; dessa forma, desde o momento que permitamos que nossas
perspectivas substituam as nossas expectativas, o medo de errar já não fará mais
sentido, visto que nossas ações deixarão de ser fundamentadas através da
supremacia do intelecto.
Portanto,
esse Acreditar, tem como base
fundamental o discernimento e a liberdade do ser enquanto Ser. É dessa
maneira que o tudo se faz presente no todo, e o todo se faz tudo. Teremos enfim, uma
comunidade que reproduzirá o eco de sua fala, refletindo no espelho da vida a
imagem do seu pensar, e devolvendo os seus atos com a ligeireza e agilidade de
um bumerangue lançado em direção a seu alvo, sem os estressantes atributos disfuncionais, produzidos e reproduzidos
pela competição e pela meritocracia como obstáculos a serem vencidos.
Acreditar para
ver; esse é o conceito de fé que se encontra fora da caixa de crenças
limitantes; caixa esta construída pelo processo de colonização e escravização. Os dogmas e paradigmas, como paredões intransponíveis, formam os limites
dessa caixa que nos circunda enquanto cofre. Sendo assim, precisamos
desaprender e desacreditar de tudo aquilo que nossos cinco sentidos asseguram
ser legítimo; nesse processo de ver para crer contido e plasmado em suas
masmorras, estabelecendo assim que, somente o que estiver em seus limites, deve ser
aceito como real, e o que estiver fora, passa para categoria de mais uma mera conspiração de um alegórico chifrudo
bíblico para desestabilizar o sistema.
Foi justamente dessa forma alegórica, que a vida foi transformada numa intrincada colcha de retalhos, limitando o mundo através de linhas, separadas por bandeiras, vistosamente traçado e costurado por caprichos e privilégios de um lado, tendo em seu avesso, as agruras da pérfida escravidão como um roto remendo tapando o buraco de uma gigantesca represa. Mas esse Ser humano, que é muito mais do que aquilo que acredita ele ser, agora não cabe mais em si, e nem em sua caixa de crenças limitantes, pois a premência pela liberdade no cerne de sua essência, grita mais alto do que a tertúlia com a escuridão que domina o interior dessa metafórica cela. A derrubada desses limites impostos pelo subjetivo sequestrado, exige o acreditar em si mesmo, como extensão de um propósito comunal, aonde somos um por todos e todos por um. Nessa fé em si mesmo, que chega quando o outro deixa de ser ameaça, motivo de desconfianças ou de julgamentos, é que o compromisso com os nossos pares se revela afinal, em seu potencial pleno de real valor, num Feliz ano Novo para Todos Nós...!!.

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