Mas eis que a colonização do Tempo e do espaço dos Tempos Modernos, trouxeram a arrogância leniente do citadino, que se outorgou a qualidade de civilizado em sua vã tentativa para controlar a natureza colocando-a a serviço de suas cobiças e caprichos. Dessa maneira, ele idealizou juridicamente o conceito de Estado, enquanto religiosamente formulava o conceito de propriedade privada e convencia a população a abandonar o campo e o seu trabalho na plantação, para viver na cidade e possuir um chefe de produção.
Desse modo,
iniciou-se o Infame Mercado[1], com o atual
codinome de capitalismo, cuja estrutura inicialmente foi gerenciada por uma
intrincada facção de Missionários, Mercadores e Mercenários; mercado este que
hoje é controlado pelos clãs que compõem as famílias tradicionais, herdeiras da
infâmia e dos espólios adquiridos em meio a um mar de sangue, suplícios e
terror.
Esse dantesco
e distópico cenário, delineia de forma breve e concisa a atual conjuntura de
perene escassez especificamente planejada e direcionada à massa populacional mundial,
enquanto o monopólio da abundância é dirigido exclusivamente para as famílias tradicionais,
herdeiras dos espólios de seus antepassados.
O resgate
da decência humana, incide fundamentalmente na urgência de revisão desse
contrato social, outrora conferido por essa infame estrutura que fundamenta a ansiada
civilização. Portanto, a força econômica coletiva em lugar do monopólio financeiro
aferido pelos clãs escravagistas, exige por uma responsabilidade que também seja
coletiva, já que as necessidades comuns da massa populacional, diferem diametralmente
dos caprichos escusos das famílias tradicionais. O apoio mútuo as necessidades
comuns desse coletivo, é a retomada do caminho a dignidade perdida da pessoa humana;
iniciando pelas quebras dos paradigmas necessário ao processo, que,
consequentemente implicará na quebra desse Mercado infame, conhecido pela
alcunha leniente de codinome capitalismo.
[1] Era o termo conhecido para se referir ao Tráfico de Escravizados africanos.

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