Antes da
chegada dos colonizadores, o único cristal refletor conhecido era a superfície
da água, aonde todos podiam se ver juntos, enquanto coletivo humano; e observando
o reflexo das estrelas, eles podiam se ver lado a lado ao majestoso brilho da
lua, voando junto a um incrível pássaro ou mesmo no topo de um colossal cedro.
Mas chegou
o infausto momento em que, todo esse espetáculo imaginativo, juntamente com a generosa
terra que lhes davam vida, foi trocado por meia dúzia de espelhos artificializados,
individualizando assim, cada imagem-ação daquele coletivo humano, fazendo assim,
com que o sujeito deixasse de enxergar no outro o seu próprio espelho, aonde
todas as suas qualidades e sombras se projetavam de volta; e aonde ele; como o
outro, se descobria em si mesmo.
Já que
somos produtos do ambiente em que vivemos, somos também a soma de todas as
pessoas com as quais convivemos. No conceito Ubuntu consta que; análogo a energia,
a vibração e a frequência; somos cotejados a uma nota musical e, juntos, compomos
a sinfonia das esferas. Sendo assim, caso uma das notas dessa celeste sinfonia venha
a desafinar, afeta toda a harmonia da canção universal. Do mesmo modo, quando
alguém se desiquilibra, física ou psicologicamente, devemos todos contribuir, na
prestação de um serviço solidário e fraterno, para que essa pessoa restaure seu
equilíbrio e a canto da natureza outra vez se harmonize.
A responsabilidade
para consigo mesmo não difere da responsabilidade com o espaço em que nos
encontramos. Ato contínuo, um complementa o outro, pois ambos, o espaço interno
e o externo, como extensão, se completam; A Parte e o Todo, são Um; aonde reinar
quaisquer elementos desequilibrante, a origem de tal desiquilíbrio é interna. Portanto,
a auto responsabilidade ressoa como causa e consequência da consonância do ser
como Um Todo.
Consequentemente,
ver-se no outro, fazendo para aquela pessoa exatamente tudo aquilo que você
gostaria que a ti ela fizesse, é o caminho para se enxergar o mundo, não mais por
meio do espelho colonizador trazido pelos Mercadores, Missionários e Mercenários
oriundos da escuridão cavernosa do mundo de Alice, mas sim, do olhar fidedigno, lúcido e puro da alma
que vê através do coração.

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