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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

O Calcanhar de Aquiles e a Carapaça dos Poderosos

Nas palavras de Krishnamurti, o culto da autoridade é a negação da compreensão; portanto, é notória a percepção de que, a nossa sociedade tenha se transformado num eficiente sistema carcerário, aonde o pão e circo midiático e religioso estruturaram um competentíssimo aparelho de distração, com um discurso narrativo que se tornou uma mentira honesta, enquanto o silêncio escandalosamente se apresenta como uma estrondosa verdade nua.

É na complexidade do cerne desse contexto, que cedemos o nosso poder para os pomposos salvadores da pátria, com o intuito de nos eximir das responsabilidades dos destinos da nação, evitando o trabalhoso processo de nosso amadurecimento integral, enquanto seres plenos.

Compreender essa conjuntura escravagista contemporânea, requer coragem e disciplina; e para iniciar tal processo elaborativo aonde o discernimento dá o tom, é necessário seguir pelas vias do ceticismo, do desafio e da investigação, sem as prerrogativas do criticismo opinativo, forjado pelo pré e pós julgamento abalizado pelo discurso narrativo normativo.

Toda autoridade que vem de fora, de nosso exterior, se constituí efetivamente quando cedemos o nosso poder para que ela se institua como tal. Ou seja, a verdade estabelecida por essa autoridade, que foi construída a partir da nossa permissão e aceitação, acaba por se tornar uma potente arma de controle do subjetivo, dominando assim, a quem cedeu este poder, ao afixar o rótulo de autoridade justamente aos fabricantes de falácias e retóricas, que por sua vez, nos alimentam com as suas ideologias desviantes.

Para compreender a ação dessas crenças limitantes sobre nosso subjetivo, o primeiro passo necessário é o de se abandonar as bulas dogmáticas, e as receitas paradigmáticas fornecidas durante esse treinamento que nos transformou em pessoas normais. Ou seja, fomos condicionados social e biologicamente, e transformados em defensores aguerridos dos discursos meritocráticos das narrativas dominantes, como caçadores de diplomas e certificados antropofágicos, cujos papeis timbrados, hipoteticamente seriam garantidores de um possível futuro, que está sempre no futuro, de glórias e sucesso; além de um hipotético paraíso celestial no pós-morte.

É dessa forma que criamos as nossas realidades indesejadas e, tal como os moinhos de Cervantes, perdemos todo o nosso tempo combatendo essa realidade por nós mesmo criada e estabelecida, sem jamais atentar para uma alternativa oposta a tal realidade e processo, devido as distrações perpetuamente abastecidas pelas crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes, como munição ininterruptamente fornecidas pelo sistema propulsor dessa autoridade constituída.

Desse modo, somos como aquele leão que foi criado na companhia de cordeiros, acreditando também ser um cordeiro; com medo de lobos e cachorros. Portanto, descartamos a nós mesmos, ignorando o nosso poder de ser o que somos, para nos transformar num subproduto colonial, acreditando na narrativa oficial gospel, seguindo os preceitos e preconceitos aprendidos, nós segregando de nossa própria realidade enquanto criadores e mantenedores da forma.

 

  

 

 

  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

A Força da Verdade

A verdade é uma sinfonia executada pela Natureza, em oitavadas miríades caleidoscópicas, coloridas e sonoras, entoadas pelos ritmistas Elementais. Para bailar, conduzindo a gravidade desejável dessa dança, é necessário ter-se ouvidos de ouvir e olhos de ver e enxergar, a fim de harmonizar o fluxo, permitindo que seus ciclos, a exemplo das ondas do mar, se completem, ao deixar ir o conhecido e permitindo-se receber o novo que se apresenta como desconhecido.

Portanto, nessa conjuntura aonde as mentiras são sustentadas como verdades e verdades são qualificadas como mentiras, e a resultante dessas energias desarmônicas que se entranham em nosso ser, fazem com que as forças que ressoam em nosso interior, nos alimentem com cansaços ou com alegrias, trazendo assim, o caos ou a paz, de acordo com cada o caso e com cada escolha que fazemos a cada minuto de nosso agora.

Tudo isso dependerá da forma como atuamos, em relação a falsa identificação que nos foram atribuídas por essa cultura dominante, cuja única função, é a de controlar e subjugar nosso subjetivo, elaborando as agendas de toda a nossa história.

Não viemos ao mundo para disputar meritocracias desnecessárias ou entrar em sangrentos ringues recreativos, viemos aprender, amar e viver. Porém, uma vez submetidos e condicionados à robotização, através da propaganda midiática e religiosa, a lavagem cerebral se fez evidente, e extremamente eficaz, para se obter o controle total sobre esse povo, que foi transformado em massa populacional justamente para servir as manobras religiosas e politiqueiras, que são os mecanismos instituíntes da escravização mental contemporânea.

Podemos observar o recorrente discurso de que, as aberturas das fronteiras acarretariam em doenças e pobreza, drogas e guerra, quando na verdade, a história provou ao contrário, a exemplo da migração forçada dos povos africanos, que produziu toda a riqueza das Américas e europa; contraditoriamente, são mesmos países beneficiados por essas riquezas que propagam e infligem esse enganoso conceito, nos forçando a acreditar na homilia de nós contra ele.

Quando fazemos uso do discernimento, fica clarificado a dualidade no uso maniqueísta nesse discurso, seguido pela auto percepção de que, nos declinamos da nossa responsabilidade em fazer o uso de nossas escolhas próprias concernente ao que nos diz respeito, até mesmo da promoção do nosso próprio bem viver.

Portanto, pouco importa a forma ou a maneira que essa dança venha a ser expressada, se esse mesmo bailado estiver em harmoniza com o ritmo da sinfonia celeste, ela se mostrará sempre autêntica, expressando a sua verdade nessa melodia aonde, cada qual, tem o seu próprio jeito de interpretar, desde Hiperbórea até Atlântida, do Tao a Thot.

 

domingo, 12 de dezembro de 2021

Curso de Capacitação Pedagógica da Nova Aurora

Que em todo alvorecer, sejamos capazes de olhar, ver e enxergar os lírios do campo a brotar, e agradecer entoando um mavioso canto de amor e de prazer; que a cada despertar, antes de poder falar, sejamos capazes de ouvir e escutar o cantar da mãe natureza, na sua grandiosidade e magnificência, com toda a graça e beleza; que possamos abrir os olhos para as oitavas, entreabrir os lábios para beijar a cantata das cataratas, atentando os ouvidos para as invisíveis cores do intangível arco-íris e estender os braços, a fim de receber, num saboroso abraço, o presente desse agora, que é sempre o nosso hoje.

Desse modo, que do centro da raça humana, abrolhe o Espaço da luz além da luz, e o Tempo do amor além do amor, celebrando a existência em toda sua plenitude, com beleza e ardor.

Que nessa união de tudo que é com tudo que há, o fôlego da vida possa alegremente pairar sobre as águas, sendo soprado pelas Sílfides, que brincam de esvoaçar os nossos cabelos refestelados sobre a pele aquecida pelas Salamandras e refrescada pelas Nereidas.

De tal modo que, a Nova Aurora, Agharta, Merlia, Urântia; que é a nossa grandiosa Gaia; de belo planeta, se metamorfoseie em belíssima estrela, como a joia rara que é, reluzindo em meio ao Cosmo, engalanando a coroa da Deusa/Deus, Pai/Mãe, a Fonte Universal; esse Grande Espírito que foi humanizado pelas distintas culturas dominante e implantado através das crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes do Velho Mundo aos Tempos Modernos.

Eis que tudo se faz novo, com sorrisos de alegrias incontidas, abraços como laços que unem em fraternos enlaces, no lugar dos nós arraigados e arranjados como elos de corrente unidos por cordéis de látegos.

Assim, a Liberdade ruge no alto da montanha, anunciando o reinado da Deusa, derrubando as escolas e os muros, a Ordem e o Progresso, as regras e os tratados.

Não há mais medo no olhar, não há mais lamentos e nem murmúrios pelo ar, pois o caminho do casulo a crisálida, trouxe o raiar da aurora desse Mundo Novo, no doce sabor do ciciar da cigarra a celebrar, para sempre nos lembrar que, após cada inverno, existe a certeza da primavera.

Na Nova Aurora não há lápis, nem cadernos ou canetas, e também não há grades de disciplinas ou horários fixos previstos, visto que todo aprendizado se dá através da leitura do coração, numa pedagogia das emoções que usa o método de alfabetização das Ternuras e dos Afetos, aonde a única regra aplicada é a do amor Incondicional. Esse curso capacita a pessoa para exercer a sua plena expressão, exercitando a criação e manifestação do Maná, no curso de gastronomia celestial, aonde o neófito vai aprender a criar e alimentar o seu universo interior, ao cognizar que, tudo o que estiver dentro, estará fora; e assim como é acima, também é abaixo.

sábado, 11 de dezembro de 2021

A Jornada do Herói e a Síndrome de Estocolmo

A jornada de uma criança que se torna adulta, amadurece e se transforma em ancião, é uma inexplicável saga de paradoxos interligados, num processo aonde os paradigmas e dogmas se transformam nos principais personagens de sua história.

Nessa aventura, a criança é introduzida a um crudelíssimo processo de amadurecimento aonde ela perde toda a sua essência de ser o que é, na medida em que se embrenha nessa perigosíssima selva, erigida com as mais pérfidas das armadilhas inumanas.

Na mesma medida em que o infante vai adquirindo “conhecimento, se intelectualizando através de uma cultura estabelecida pelos predadores coloniais, ela deixa de protagonizar a própria história, ingressando num treinamento progressivo, aonde passa a ser condicionado social e biologicamente pelo resto de sua existência.

No momento em que, na sua fase infantil, ela cessa o diálogo com o seu amigo secreto verdadeiro, é o momento em que este mesmo amigo é substituído pela simbólica figura do papai Noel, ela então, se torna apta para aceitar a irreal figura de um Deus humanizado e patenteado pela cultura dominante, que agora passa a ser o seu papai do céu; e assim, toda a farsa da história impingida pela cultura dominante se transforma na sua verdade.

Dessa maneira, os relacionamentos que sustentam a vida adulta, se transformam numa turnê sobre o ringue da existência, que é justamente, a passarela do bom cidadão. Desse modo, na iniciação para a vida adulta ela incorpora o discurso do “vencer na vida” como objetivo, internalizando a filosofia do “nós contra eles”, adquirindo títulos, honrarias, diplomas e certificados, a fim de ser aprovada pelo mundo como bom partido.

É dessa forma, que a vida adulta passa a ser um filme de suspense, numa louca aventura através das incertezas, das dúvidas e dos medos que essa reserva selvática proporciona a cada suspiro de montanha russa.

Portanto, a sua vida não mais lhe pertence, já que esse indivíduo, agora cidadão, tem uma história, uma cultura e todos os livros lidos como estruturadores da sua arquitetônica enquanto ser. Sendo assim, ele desconhece qualquer outra realidade ou ponto de vista diferente daquela foi fornecida pelos seus adestradores; agora ela convenceu-se de que é uma pessoa adulta, inteligente e culta, pois consegue repetir todo o conhecimento e comportamento dos seus captores, com direito a diplomas e certificados como prova de subjetivo subjugado.

Depois de toda uma vida vivida sobre o metafórico látego de cada dia, satisfazendo peremptoriamente a todas as leis leoninas e contratos feneratícios, essa pessoa consegue chegar até aonde a cultura categoriza como fase da terceira idade; é nesse ponto que ela decide se vai permanecer domesticada pelos seus paradoxos de estimação; constituídos pelos dogmas e paradigmas condicionantes das suas ideologias desviantes, crenças limitantes e empatias descapacitantes; ou se vai resgatar o seu amigo secreto dos tempos de infância, que mesmo tendo sido abandonado por ela, continuou integramente ao seu lado durante toda a aspereza de sua saga.

Agora, como anciã, ela observa o caminho percorrido e, numa repentina epifania, percebe uma necessidade sine qua non de resgatar a sua criança interior, e com ela, o amigo secreto de outrora, que mesmo invisibilizado, cresceu junto com ela.

Com a criança interior resgatada, ela enfim, reconhece o seu amigo secreto de outrora; agora ela o chama de Anjo de Guarda.

A conversa de outrora se transforma agora num diálogo interno, a fim de evitar que as pessoas ao seu redor não mais voltem a rotulá-lo como pessoa esquisita, ou algo similar, como nos tempos de criança.

Agora, como anciã, aprendeu a se calar e a ouvir, para poder finalmente escutar a epístola de sua história real, dos tempos em que ela era um ser incondicional, e não o arremedo de pessoa, inflada pelo ego cultuado por certificados e diplomas adquiridos sobre o palco da vida aonde a atração principal é o espetáculo no ringue das relações, enquanto o senso coletivo é posto substituto coadjuvante na fila dos candidatos a figurantes.

 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Gentileza Gera Gentileza[1]: Sejamos Aquela Mudança que Sempre Desejamos[2].

Como aquela diminuta pedra lançada sobre a superfície de um plácido lago que produz um efeito dominó propagando inúmeras ondas sobre o espelho d’água, também a gentileza, por mais pequenina que seja, produz um poderoso efeito cascata similar, em seu sutil processo de jogá-la sobre qualquer transeunte que inunda o espaço em meio ao mar de gente que nos abraça; um processo que, por vezes, passa despercebido. As energias inversas também funcionam do mesmo modo, seguindo as mesmas infalíveis leis proclamadas pela Mãe Natureza.

Dito isto, torna-se necessário fazer o nosso dever de casa sendo gentil conosco mesmo, desenvolvendo a percepção de que, uma mente adormecida precisa de muito amor e compaixão, já que, nossa mente se auto protege usando os antigos padrões de preocupações e dúvidas, suscitando os medos arraigados nas experiências desconfortáveis e traumáticas vividas no passado, que geram as inseguranças recorrentes no presente.

São esses medos que fazem a mente permanecer numa incessante busca pela validação externa sobre tudo aquilo que fazemos, e buscamos por fazer, como forma de realização do ser. Portanto, só mesmo desligando o módulo de resistência, ao permutar o medo daquilo que vem do exterior pela gentileza que jaz dormente no interior, que produzirá a sincronia perfeita, trazendo a sintonia a tudo aquilo que ressoar em nosso universo interior, ao harmonizar com o que se encontrar no mundo exterior.

É nesse momento que percebemos que este medo foi propositalmente infligido, com o intuito de gerar a falsa sensação de segurança, convenientemente fornecida e estabelecida pelo establishment e pelo status quo, que as batalhas pelas identidades deixam de fazer sentido.

Somente através das táticas da gentileza, permitindo e aceitando as próprias emoções, sem, no entanto, se deixar levar pelas mesmas, é que podemos vencer as táticas do medo, estabelecidas pela mente coletiva, como uma tatuagem fixada pelo inconsciente coletivo.

Esse é um desafio proativo, diante de tudo aquilo que ocorre no mundo e com a humanidade, que somos nós. O ponto primordial nesse desafio, seria o de conseguir desvencilhar a nossa atenção daquele pontinho escuro no meio à alvura do lençol, afim de focar as nossas emoções na totalidade do bem querer existente em torno dessa mancha; visto que esse bem querer, é inerente a todo ser vivente e senciente.

Escolher nos comprometer com as boas intenções do lado iluminado da força, em vez das agruras vaticinadas pelo lado escuro, nos fará atentar sempre para aquilo que nos fortalece e não para aquilo que separa, ou segrega de alguma forma, que é próprio da insegurança, dos medos ou dúvidas geridas por essa pérfida conjuntura.

A filosofia gnóstica recomenda que a cada dois passos dados, recuar um passo; Eu recomendo a possibilidade de se dar um passo para o lado a cada passo executado; igualmente, seremos testemunhas de nós mesmo, observando os nossos pensamentos, sentimentos e emoções, sem sermos invariavelmente absorvidos por eles, desenvolvendo assim, a capacidade de assumir o controle dos nossos futuros, suas possibilidades e varáveis.

Quando o neófito recua no passado, ele precisará recomeçar todo o processo outra vez, pois nesse momento do agora, abre-se uma brecha no seu presente, que a exemplo do pontinho escuro no lençol alvo, pode adentrar as sombras Troianas, fazendo com que ele permaneça como parte de uma memória perdida entre as cinzas das folhas de um diário carbonizado.

Sendo assim, somente a luz poderia eliminar as sombras dos porões, sótãos, becos e vielas do nosso labirinto mental; e essa luz só pode ser trazida através da gentileza conosco mesmo; consequentemente, o lado iluminado da força, fará com que, tudo aquilo que estiver ocultado pelas sombras, se mostrem tal como são. Assim sendo, a célebre frase fiat Lux[3] se mostra tão presente como sempre foi, é, e será; porque assim é...!!



[1] Referência ao Profeta Gentileza, da cidade de Niterói/RJ

[2] Referência a citação de Mahatma Gandhi

[3] “Faça-se a luz”

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

O Humano é Permanente, o Cidadão é Temporário.

Se o passado se resume as memórias e o futuro se resume aos sonhos, então só mesmo o Tempo presente se faz real, de verdade; em todo e qualquer tempo, ele é autêntico. Portanto, podemos considerar as memórias como se fosse equivalente a uma coleção de cinzas depositada numa urna mortuária, e o futuro, como se fossem as incontáveis probabilidades, possibilidades e quimeras, nutrido pelas páginas dos folhetins e das novelas produzidas pelo infame mercado contemporâneo de Tecnologias de Informação e Comunicação.

Dessa maneira, o indivíduo, como ser multidimensional, tem a incrível capacidade de se locomover no tempo, com o intuito, normalmente inconsciente, de se esconder do próprio silêncio, ao refugiar-se no passado e no futuro, procrastinando ou recusando-se a receber o presente que a vida lhe oferta, trazendo a existência à sua porta em todo alvorecer.

Essa fuga de si mesmo, é acurada pelo próprio intelecto, que progressivamente é treinado pelo condicionamento social e biológico naturalizado, que diuturnamente é imposto pelas instituições do Estado Profundo, o Deep State. Portanto, nesse pérfido processo, a inocência da criança dá lugar ao instituto da competição, trazendo o medo da perda, a necessidade de acumulação de bens e a tudo aquilo que se mostrar impermanente nessa aventura do bem viver.

Desse modo, há aqueles que passam a vida sem verdadeiramente viver, uma vez que sobrevivem nas dimensões aonde impera o limbo e o looping, permanecendo restringidas ao passado e ao futuro. Portanto é natural que o terrorismo institucional introjetado no subjetivo desse indivíduo, torne-o “naturalmente” subalternizado, fazendo com que o mesmo se habitue a condição de vitimista e a tudo aquilo que o faz mal, fortalecendo assim, o seu baixo autoestima, destroçando seu amor-próprio.

A invenção do tempo ainda continua sendo a forma mais eficaz para domesticar o animal humano, pois é a maneira efetiva dele ceder o seu centro de poder e a sua força ativa para esse novo senhor contemporâneo que, espertamente, é impessoal, e se oculta atrás de calendários, relógios e relatórios.

Sendo assim, a escravidão mental efetivou a obediência servil do cidadão de bem, amenizando quaisquer resistências, que viesse de fato, ameaçar o establishiment ou o status quo, instituído pela normalidade holográfica dos Tempos Modernos. Nesse caso, podemos considerar o lugar do intelectual, como um diligente instituto substituto da chibata.

Consequentemente, é preciso que o indivíduo domesticado se alimente com pomposos diplomas, certificados descapacitantes e a soberbia da honoris causa, para que o seu ego permaneça intumescido ao fugir do seu agora, caminhando indefinidamente em direção ao mundo dos seus sonhos, tendo a Terra do Nunca como bússola. Se assim não for, caso ele decida seguir o caminho de Don Quixote, adentrando no metafórico Mundo de Alice, ele tornar-se-ia um revolucionário, negando toda a sua arquitetura e arquitetônica de bom cidadão. Ou seja, ele invariavelmente resgataria a sua criança interior, voltando a ser criativo, perscrutador e desbravador de si mesmo, desprovido das críticas e pré-julgamentos intrínsecos ao bom cidadão.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Yin-Yang: A Viagem dos Gêmeos Opostos

Nos Tempos Arcaicos, as Máquinas para costurar os caminhos do Amor, podiam ser usadas para customizar o caleidoscópio da existência, quando o brilho áureo das linhas usadas nessa tapetaria, refletiam as miríades coloridas, emitidas através dos prismas de cada íris que enxergam além da superfície da forma em si mesma.

As máquinas dos Tempos Modernos, reproduzem em série os sorrisos de plásticos, da mesma forma que reproduzem as flores de borrachas, que ornamentam os jardins cenográficos da Matrix, romantizando a vida nas senzalas: campos de concentração contemporâneos perfidamente retroalimentados pela mídia.

Dessa maneira, a tapeçaria da existência se estende no caís de cada porto, sempre disponível para recepcionar os autênticos, que chegam em meio a confluência dos Tempos opostos arremessados pelas grandes vagas, fazendo chocar-se contra o casco dessa nave, que navega no contratempo das relações cunhadas sobre o Grande Calunga.

É na placidez desse misterioso espelho d’água que a melanina bronzeada de Narciso se transmuta, tal qual a magnífica Fênix que ressurge das profundezas das próprias cinzas, nesse encontro do fogo com a água, aonde o vapor da vida, transforma a física da existência. É o Tempo viajando em si mesmo, para costurar o encontro das serpentes gêmeas sobre o caduceu da árvore da vida, aonde o carvão se faz diamante.

Desse modo, é na arte do tempo cicatrizar as feridas provocadas pelos látegos umbrálicos, ao fazer o sangue jorrar copiosamente nessa ferida que se embaralha sobre a derme, que se ilumina o reflexo fractal desse espelho, que é a vida das Fênix e dos Narcisos.

É no artesanato dessa vida, vivida na arte do bem viver, que a nova roupa do Rei poderia se fazer visível aos olhos dos que podem enxergar, quando finalmente, formos capazes de vestir a pele do outro, fazendo com que o diamante negro reflita a luz e as sombras de si mesmo, revelando os seus contrastes e harmonizando os paradoxos. Desse modo, os extremos se confraternizam ao se encontrarem nessa escadaria fractal da tabela periódica corporal, aonde, na matemática dos opostos; do masculino ao feminino; dois se transformam em um somente. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Genealogia do Amor

Todo sorriso é mágico e todo abraço exorciza o trágico, assim como todo o silêncio é o fecundo motor, produtor de toda atividade criativa. Desse modo, o olhar sorridente, ao encontrar o suave ósculo que flutua em direção ao espaço fraterno que os separam, faz acontecer a uma candente erupção no caldeirão mágico desse bem querer contido no peito, que jaz cercado de peçonha por todos os lados.

A simplicidade dessa complexa magia pode se fazer todos os dias, quando cruzamos com meninas negras, verdes ou azuis; feitas de mel ou mesmo sem rímel; quando a íris dessa pele não se mostrar ofuscada pelo passado de vertigens e látegos.

Dessa maneira, todo alvorecer, se oferece como papel virgem, feito uma folha qualquer, aonde se pode desenhar uma casinha simples para abrigar as garatujas dos sorrisos doados com amor, durante os ternos abraços sem paletó nem calendários, relatórios ou relógios holográficos, instituídos pela perfídia da Ordem e Progresso dos Tempos Modernos.

Este deve ser o estado de arte dessa casa que sorri, com as porta e janelas da ternura abertas, na direção dos azimutes dourados, oferecidos por cada sol nascente, que nutre os nossos dias com suas intensas vibrações e energias.

Nosso corpo, como residência da alma, é paulatinamente iluminado pelos raios desse sol, que é aceso em nosso peito e refletidos através dos sorrisos e amplexos alheios, nos alimentando constantemente com tal repasto.

Que as máscaras desse teatro de sombras, que vem se apresentando no palco dessa vida vivida na holografia predadora Pólis, dê lugar as pantominas nascidas dos sorrisos abertos e francos, gerados no silêncio da ternura de um longo amplexo.

Que a vida seja uma gostosa piada, brincada e sorrida, transmitida como vírus pelas mãos dadas que celebram e aplaudem, nutrindo as flores de lótus, as rosas e girassóis desse jardim de almas chamado Gaia; Éden e sementeira de Baobás, Carvalhos, Oliveiras, Samaúmas e Yggdrasil.

É regando com sorrisos, ao adubar com abraços os diálogos silenciosos surgidos desde o nascer do sol até o arrebol, que o nosso jardim da vida se faz Éden, iluminando essa casa que habitamos, magicamente suspensa no infinito do nada, em meio ao útero da Via Láctea.

 

  

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

O Sonho de Branca de Neve no Onírico Jardim de Eva[1]

Durante o sono do esquecimento, as sombras subterrâneas surgidas da escuridão umbralina eclipsaram a luz da vida, fazendo hibernar a sua essência ao implantar as lembranças de sonhos nunca vividos no cerne dessa mente, que agora, mente permanentemente, sonhando patologias injetadas pela amnésia introjetada, atrofiando assim, as asas da liberdade, ao fazer uso dos saborosos cremes das crenças limitadas.

Foi então que o Anjo da sabedoria, perdendo seu poder sonhando ser bruxa, encontrou uma magnífica árvore[2], decorada com espelhos quadrados, retangulares e pirimídicos, as vésperas de um natal branco; cujos enfeites, refletia os fractais de suas faces, que eram sucessivamente repetidas nas outras árvores que se seguiam pelo jardim afora; e assim, sem poder voar; caminhava em círculo[3] no jardim da existência.

Se alimentava dos frutos daquelas árvores que sempre lhe devolvia o olhar, enquanto ele brincava de circular em volta delas, esquecendo-se da vida; e no outro dia fazia tudo de novo; e no outro, e no outro, e no outro; de novo, novamente e, outra vez, por horas, dias, semanas, meses, anos, séculos, Éons.

De tanto brincar de circular as árvores, foi rodando, rodopiando e se esbarrando inadvertidamente num espelho que, caindo, se quebrou, revelando então, a sua face que se multiplicou a cada pedacinho que no chão ficou. 

Contemplando as suas diversas faces caídas no chão, sorriu, gesticulou, fez caretas durante incontável tempo, quando enfim se entediou, olhou profundamente nas meninas dos seus próprios olhos e, inadvertidamente avistou a cintilante efígie do céu azul, refletido naquele plano cristal que jazia sobre a terra. Então, esse novo olhar o fez acordar para uma realidade existente fora do seu plano.

Voltando então a sua atenção para o centro das pirâmides, quadrados e retângulos que agora, ornamentavam de forma simultânea e superposta, àquela árvore; viu os frutos que o alimentavam refletidos, pendurados e repetidos em cada fragmento suspenso ao infinito, podendo perceber então, que, tudo que estava acima, também estava abaixo.

Foi observando esse cristal, cuja superfície separava ambos os planos, que percebeu o soprar dos ventos produzidos pelas asas do dragão, que enfim, trazia de volta, o fogo da sabedoria ancestral perdida nas sombras do seu imo. Desse modo, os olhos retumbados nos cristais espalhados pela terra refletindo no céu, puderam por um momento, contemplar a sua morada circunscrita ao infinito.

Dessa maneira, tornou-se inevitável o mergulho de cabeça[4] nesse cristalino que refletia a sua própria face, fazendo com que esse anjo acordasse do seu sonambulismo, saindo da crisálida para viver fora do sonho hibernado. Ele enfim, respirou o Ar puro trazido pelas asas do dragão, sendo aquecido pelo fogo da sabedoria flutuando sobre o cristalino que jazia sobre a terra.

Levantando-se enfim, de sua cama, durante essa colossal tempestade que assolava o seu jardim, ele andou sobre as águas do Grande Calunga, atravessou o oceano da sabedoria como uma pequenina gota gigante, unificando-se assim, àquele mar sem fim; enquanto os pássaros entoavam o seu doce trino, flutuando suavemente ao vento, celebrando e dançando ao suave sabor do ritmo marcado pelo som das quedas d’água dessa cachoeira que formava o magnífico arco-íris, refletindo a vastidão azul do seu colorido céu pós tempestade.

 

 



[1] Referência ao bíblico Jardim do Éden num trocadilho com “Jardins”; região luxuosa da elite paulistana.

[2] Referência a Árvore da vida.

[3] Referência à árvore do esquecimento na Ilha de Goré, aonde os escravizados eram obrigados a circular sete vezes a fim de esquecer quem eles eram.

[4] Referência a Narciso para tratar do metafórico mergulho em si mesmo. 

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Receita Para se Ouvir a Pronúncia do Silêncio Ativado

É na maviosa música que ouve o nosso silêncio, que existe aquele espinho com mil rosas fazendo a composição desse jardim, semeado em estéreo, no etérico espaço do nosso peito.  

O ritmo pulsante que reverbera em cada célula, ecoa na imensidão que forma o universo interno de cada ser, que guarda o silêncio das mínimas em pausas breves. O som desse silêncio pode ser ouvido a cada amplexo, além dos sorrisos semeados nas meninas dos olhos alheios e na sinfonia da Mãe Natureza.

É a algazarra do pensamento manifestada pela fala, que faz a pesada pedra de cada proceder, se desprender, e rolar do alto do nosso penhasco particular, que chamamos de altar, obrigando o neófito a recoloca-la infinitas vezes de volta ao seu devido lugar.

É na pronúncia do nada em pleno vazio, que se origina o germe configurador da Grande Explosão criadora, desde o metaverso até aos multiversos. É no poder do som desse profundo silêncio, que reside os ciclos de nascimento e ocaso, que regem a criação em todas as suas miríades transmutativas.

Cada sol que brilha no firmamento, é uma batida que marca o ritmo desse nosso universo, que reverbera no peito franco, aberto a vida que se mostra presente em cada agora. É dessa maneira que o véu dos cinco sentidos, se tornam simples adornos, coadjuvantes desse magnífico espetáculo, que é a vida plena de si mesma.

Desse modo, a voz que clama no deserto e a voz que se cala no deserto tornam-se uníssonas, podendo assim, testemunhar a ela própria, enquanto Criatura e Criadora, bailando ao sabor da própria música; a música das esferas.

  

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Os Caminhos da Capoeira



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Salve, salve meu povo, Eu Sou Rael Rasta, tenho 58 anos de idade e 45 de Capoeira, e estou chegando na área, pra falar sobre um pedacinho dos séculos de existência dessa belíssima Arte Marcial brasileira, que é a Capoeira.

Bem, a gente considera e define como Arte marcial, toda forma de luta que serviu para defender um povo da opressão e da vilania praticada pelos homens “poderosos” que dominaram toda a nossa história; nesse caso, estamos falando especificamente do abuso sofrido pelos Povos africanos; nossos antepassados. Ou seja, estou falando dos nossos tataravôs, tataravós e até bisavós, que foram escravizados de forma estúpida e cruel bem aqui, no Brasil.

Então, não dá para falar de Capoeira, sem falar de África; e sendo assim, a gente precisa saber que esse misterioso continente, chamado de África, depois de ter sido invadido e colonizado pelos europeus, atualmente está dividido em 56 países; e dos 5.000 idiomas existente no mundo, mais de 2.500 estão presentes justamente neste continente.

As linhas que organizam a divisão desse continente em países, são válidas somente para os políticos e para quem aprende geografia na escola, porque os próprios africanos não consideram essa divisão, como sendo a sua realidade.

Desse modo, cada povo, tem a sua cultura distinta que os caracterizam e os definem enquanto povo. O tronco linguístico e a cultura predominante no continente africano, vem da tradição Bantu, que é a raiz principal que define majoritariamente o povo africano.

Para se ter uma ideia aproximada dessa proporção, podemos comparar a quantidade de falantes da língua espanhola falada aqui, no continente Sul americano, com o idioma brasileiro falado somente no Brasil.

No caso da civilização bantu, os principais valores que caracterizam essa cultura, é justamente o valor da linguagem do corpo, e da fala propriamente dita. Ou seja, qualquer ritual realizado nessa sociedade, envolve a música e a dança; portanto, a musicalidade, oralidade e a corporeidade sempre foram inseparáveis nas práticas desenvolvidas nessa sociedade.

Até então, as características desses valores, diferenciavam, distinguindo essa cultura das outras culturas existentes em todo continente; podemos comparar, no caso, com a cultura dos povos gêges, nagôs e Iorubas, por exemplo, que tinham as suas características culturais evidenciadas pala expressão da sua arte, tal como suas belíssimas esculturas, pinturas exuberantes, os seus artesanatos e os coloridos de suas indumentárias que saltavam aos olhos blasés dos europeus.

Foi justamente aqui, no solo brasileiro, que essas culturas vieram a dialogar entre si, depois que esses povos foram violentamente sequestrados dentro de seus próprios lares, sendo compulsoriamente misturados durante essa fantasmagórica viagem realizada nas profundezas abissais dos porões dos tumbeiros; os navios negreiros.

Foi no pequeno e tenebroso espaço daquele fedido e nauseante porão, que essas culturas se tornaram irmãs, já que, todos que ali se encontravam, além de terem perdido as suas casas, suas terras, suas roupas, suas crenças e até os seus nomes; haviam perdido também, os seus pais e seus os filhos, suas esposas e seus maridos, irmãos e irmãs, transformaram-se assim, em malungos. Ou seja, em companheiros.

Dessa forma, milhões de milhares de cidadãos bantos aportaram na cidade do Rio de Janeiro e na cidade do Recife; enquanto os povos iorubas, gêges e nagôs desembarcaram em salvador e São Luís do Maranhão.

Portanto, foi quando esses grupamentos bantus aqui se descobriram, cada com as respectivas suas práticas, que surgiu essa arte marcial, nascida na cidade imperial do Rio de janeiro e também em Recife, por conta da sua musicalidade, da oralidade e corporeidade que unia culturalmente os bantos presente nessas áreas, que toda a cultura negra pode ser preservada, somando todas as suas diversidades, multiplicidades e versatilidade, numa miscelânea cultural tupiniquim jamais vista em qualquer parte do mundo, originada justamente nesse grande encontro.

Foi dessa maneira que se deu a resistência da cultura negra no Brasil, que fez da capoeira, o maior e único partido político brasileiro das ruas cariocas, lugar aonde os capoeiristas e a tias reinaram absolutos até o final do século XIX, enquanto os nobres se refugiavam em seus salões de festas para não se misturarem com aquela negrada, que fazia do Rio de Janeiro, uma Pequena África.

Foi após o primeiro golpe de estado, que foi a instauração dessa nossa República Brasileira que perdura até os dias de hoje, que os capoeiristas passaram a ser perseguidos justamente por quem eles haviam colocado no poder.

Dessa forma, a partir de 1890, a capoeira, e os capoeiristas, foram ferozmente caçados um a um, sendo a maioria deles presos e exilados. Deste modo, por conta da perversa opressão policial, na cidade de Recife, por lá, a capoeira de ontem se transformou no frevo de hoje.

E no Brasil, a capoeira conseguiu ser aceita e oficializada por conta do Mestre Bimba, que adicionou a disciplina militar a capoeira, retirando toda a malandragem e estratégia característica da capoeira ancestral, implantando nessa Arte da Guerra, a predominância do conceito esportivo como valor fundamental.

Foi esse fato que colocou a fama da Bahia como berço da luta regional, que foi esse esporte-jogo-luta surgida da capoeira de Angola, trazendo então, esse novo jeito de se jogar, que conhecemos hoje como capoeira regional; e foi a partir desse fato, que a prática da capoeira passou a ser aceita no Brasil.

Podemos considerar essa estratégia usada pelo Mestre Bimba, como um verdadeiro Golpe de Mestre, porque ele conseguiu fazer exatamente o que os fundadores da Capoeira ancestral fizeram para sobrevivência da luta: ou seja, do mesmo modo que os nossos ancestrais ocultaram essa luta disfarçando atrás de uma dança; o Mestre Bimba também conseguiu ocultar a luta da capoeira disfarçando atrás de um esporte (essa é uma premissa que só os graduados poderão entender; ou não...). Bem, mas esse assunto sobre Capoeira regional e Capoeira de Angola é uma conversa pra outra hora, pois a capoeira sempre foi uma só.

A questão a ser considerada agora, e que nós, capoeiristas, chegamos com a capoeira, a fim de conquistar o direito da igualdade de justiça entre os povos. Por isso, fizemos e fazemos uso da Capoeira, como meio para chegar a esse objetivo fraterno de equidade ao qual todos nós, somos dignos e merecedores, independe de qualquer condição social, cor de pele ou religião.

São justamente esses valores africanos que, ainda hoje continuam em jogo, no centro dessa sociedade, que faz uso das máscaras e dos papeis sociais, para discursar sobre a democracia de uma enganosa igualdade, aonde o povo é divido em minorias de um lado, e uma maioria nanica de outro.

Yê, galo cantô...!!

yê, vamos embora camará...!!

 

 

 

  

sábado, 13 de novembro de 2021

Genealogia e Ancestralidade

Depois de comprovado a existência dos elementos químicos, descobertos no solo Terrestre e registrados na tabela periódica, existir igualmente nos galácticos corpos celestes; foi também constatado que, tais elementos constituem absolutamente toda a constituição do corpo humano.

Portanto, seguindo na clássica linha lógica do Sr. Spock, é notório a percepção de que, tais elementos que organizam o nosso corpo e também o universo, terminantemente vem instituir o nosso magnifico planeta, a qual chamamos de Gaia, como a Grande Mãe de todos os seres sencientes que caminham sobre ela; além de instituir todos os astros, estrelas, planetas e demais corpos celestes que compõe a vastidão infinita do espaço cósmico, como parte dessa nossa grande família ancestral. Dessa maneira, é apropriado assegurar que, os caminhos do DNA humano, uma vez mapeados, inevitavelmente se desdobrarão através dessa infinita e desconhecida imensidão.

Sendo assim, seja o ser vivente um terrano, intraterrano ou extraterreno, é coerente a lógica da existência de uma grande família celeste nesse universo residente, nos bilhões de planetas, próximos e distantes de Urântia. Dessa maneira, a humanidade, que por hora se comporta como uma criança sentada nas areias de uma praia, numa pequenina ilha em meio ao Pacífico, afirmando ser a sua praia, a única praia existente, já que esta criança, até então, jamais havia sido apresentada a nenhuma outra praia além da sua ilha.

A humanidade, uma vez convertida através do condicionamento e treinamento social e biológico, pode perfeitamente aceitar a existência do oxigênio, que possibilita a essência da vida na terra, ou admitir a existência do magnetismo, que o mantém seguro, preso ao solo planetário, sem que seja possível vê-los ou tocá-los; mas o seu adestramento social, não o permite sair da sua caixinha de crenças limitantes, que determina e o prescreve como um indivíduo que está convenientemente de acordo com a bula social, que o define como sujeito normal.

As suas crenças limitantes, seja religiosa ou ideológica, tem convenientemente fornecido todas as explicativas lógicas às demandas existenciais relativas a vida humana sobre a terra. Mesmo que essa pessoa necessite se retroalimentar cotidianamente com o bombardeio de tais crenças, para manter em dia o treinamento que religiosamente o fortalece, de modo que ele nunca se permita questionar sobre a sua real origem, e nem sobre quem ele realmente é.

Dessa forma, o ser humano se vê desincumbido a olhar em direção ao firmamento, para ver além do lugar comum, a fim de ter algum vislumbre, ou um lampejo perceptivo acerca da real função do brilho dos astros, ou do mistério das luzes que clareiam o seu caminhar, ao passo que, cotidianamente alimentam o seu corpo. Enquanto isso, Gaia sussurra em seus ouvidos através do vento, das águas correntes, dos pássaros, dos golfinhos, da chuva que cai, batizando o solo sagrado dela mesma, a própria Gaia, que está sempre a nos embalar em meio ao ruidoso silêncio do seu regaço.

Assim sendo, a Mãe Natureza ininterruptamente entoa o seu magnífico canto, enquanto o Sol brilha, nos aquecendo com o seu fulgor; e as flores exalam seu mavioso olor, embelezando a nossa existência sem acepção de religião, gênero ou cor.

Enquanto isso, do outro lado rio da vida, os seres civilizados e emplumados, digladiam-se, instituindo as selvagens linhas limitantes dos mapas que nos cercam, nos separando enquanto humanos; linhas estas, comparáveis somente as grades que apartam os animais de um zoológico qualquer.

Tais limites constituídos, de forma solene e arrogante, determinam e estabelecem a superioridade de alguns humanos em relação a outros muitos, considerados menos humanos, fazendo uso da pérfida astúcia outorgada através de um sistema organizado por meio de títulos, posses e correlatos, num benefício óbvio aos inumanos escondidos nos bastidores do poder.

O intrínseco valor dessa moeda ascensa, que estampa a riqueza da genealogia humana numa face, e o poder da ancestralidade na outra, não nos possibilita obter as caríssimas vestes do respeito humano, devido ao pregão eletrônico ter fixado o seu valor virtual, estabelecido em prol da cartografia do Deep State internacional. Sendo assim, paradigmas precisam ser quebrados e  dogmas destruídos, para que tenhamos a possibilidade de chegar ao coração de Gaia, lugar aonde o tesouro da humanidade se encontra encerrado, e ocultado do centro daquilo que conhecemos como raça humana.

Para isso, é necessária a gana curiosa de um investigador que explora a si mesmo, desbravando o seu universo interior, indo até o útero do Lácteo afeto gratuitamente fornecido por essa moeda de ouro depositada no imo coronário da nossa genealogia existencial.

Desse modo, olhando para o mundo inteiro com os doces olhos da ternura ao seguir a bússola do coração, finalmente poderemos nos conscientizar que o amor, é só o belo espelho refletor, desse som procedente do silêncio interior, respondendo com o aroma das rosas, cujos espinhos; como as faces dessa mesma moeda que nos faz distinguir e valorizar apenas o que permanece, desapegando do transitório; também essa rosa ancestral, gentilmente nos revela o nosso próprio poder de escolher entre a beleza e a dor, sem emitir nenhum juízo de valor. 

 


quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Do Reflexo Liquefeito de Narciso à Gasosa Representação da Madrasta de Gelo

O doce Mistério que envolve todas as voltas que o mundo deu e as voltas que o mundo dá, é resultante do tremendo impulso oriundo da lei da Causa e Efeito, transmitido pelas ondas energéticas emitidas por esse colossal espelho, conhecido como Gaia, que jaz pendurado no vazio do Espaço Cósmico, antessala do Criador de Todas as Coisas; o Grande Espírito.

Através desse portal, que vem a ser a função desse espelho, são refletidos todos os eventos nascidos das pequenas vontades humanas, com transmissão simultânea e automática, para essa Fonte Criativa que os terranos categorizaram como Deus, ao conferir-lhe numerosos nomes e uma personalidade inteligível para os mesmos. Ou seja, foram conferidos conceitos fluídicos e limitantes, além de funções específicas e coerentes com a lógica da região e da cultura do neófito convertido.

Portanto, é notório a percepção de que a separação entre o Criador e a criatura, se tornaram aparentes, uma vez que a imagem refletida por esse espelho, se confunde com a realidade imediata, transformando tempestades em sementes, que, uma vez frutificadas, são impiedosamente colhidas pela humanidade como gigantescos tsunamis, após introjetadas as justificativas necessárias a lógica do inconsciente coletivo, responsabilizando as ditas desdita, a uma suposta esquizofrenia de uma Mãe natureza em fúria; e naturalmente, esse desnecessário episódio configura como um desproporcional ato de extremo contraste com a profunda generosidade e compaixão com a qual nossa arrebatadora Gaia é constituída.

Dessa maneira, como um poderoso refletor Cósmico, Gaia mantém a sua rotação e translação, impulsionada pela ação e reação desse centro que chamamos de raça humana, revelando para o universo, multiverso e cosmo, o seu espaço/tempo surpreendente, a cada suave movimento, hora provocado pelo vivificante afago da leveza mágica dessa brisa que traz o sopro da vida, hora pela intensa e ruidosa tempestade, que peremptoriamente vem levando o passado, para dar espaço ao futuro do presente.

Desse modo, há um imperceptível Destempo entre as estações do ano em que a dança da chuva não é realizada, justamente por ter sido relegada e ocultadas no silêncio amordaçado nas entrelinhas dos roteiros de filmes hollywoodianos padronizados, retratando de forma apolínea, o massacre das nações indígenas pelos intrépidos cowboys de um Estado invasor, rotulados como invencíveis heróis. É justamente esse imperceptível Destempo que demarca a rotação, e a duração de cada estação fora do Tempo linear; tempo este que foi exclusivamente estabelecido pelo sistema escravagista terrano dos Tempos Modernos.

É justamente esse princípio estabelecido pela linearidade, que produz a solidez necessária aos elos dessa corrente, que domina e aprisiona o subjetivo desse cidadão que é cotidianamente e perfidamente adestrado e condicionado pela mídia e pela religião, como um servo passivamente escravizado pós-moderno de alta-performance.

Portanto, a energia desprendida na ação do látego e na frequência do afago, vibrando como força-motriz de rotação e translação, é a mesma força que dá início ao metafórico processo que estabelece o ritmo das marés, cujas águas podem se liquefazer no formato da água que irriga a vida, ou sublimar-se no formato das lágrimas que adubam a morte.

Assim sendo, a Percepção da existência desse espelho célico, implica na aceitação de se liberar a generosidade do olhar, a fim de poder enxergar a própria sombra dançando a beira do abismo do medo que possibilitou sua própria criação; para então, enfim, avistar o caminho a ser percorrido em meio a esse escuro túnel sem fim, cuja luz, reside unicamente no interior do sujeito da ação; jamais no indivíduo reativo; visto que toda reação jaz num recente passado distante, que inevitavelmente será levado pelo infalível tsunami da Causa e Efeito.

É precisamente o desapego ao passado, que previne a inesperada visita do Doutor da Causa e Efeito, que vem através desse espelho da vida sustentado por Gaia. Também, essa é forma que possibilita a chegada do futuro em seu pleno potencial, e não mais em forma de looping, que traz um futuro que roboticamente repete o passado.

Essa seria uma maneira eficaz de se desligar da patologia do sofrimento, desintegrando-a em pleno ar, levada como cinzas pela suave brisa oriunda do movimento gaiano de translação, por nós jaculado, mudando enfim, a falsa imagem representativa, refletida através do espelho da vida.

Sendo assim, esse processo só pode efetivamente se dar, quando nos aceitarmos enquanto raça humana de fato; internalizando que, todas as ocorrências, necessárias ou desnecessárias, impetradas a quaisquer seres sencientes, será igualmente impetrada a todos no todo, já que somos extensão uns dos outros. A imagem refletida é fiel, ela não mente; ela ressalta todas as qualidades e todos os defeitos dos Narcisos as Brancas de Neve.

Portanto, somos nós que devemos ser os responsáveis pela qualificação e decisão da imagem a ser refletida, em vez de entregar essa missão possível, a um ego guiado pelo inconsciente coletivo e adestrado pela cultura de massa. Mas, para isso, é necessário ter a ciência de que, a vida, é um Espelho que atribui uma significância vital ou patológica a existência. Assim, a questão que se apresenta é a de mergulhar em si mesmo, em busca da sua verdade; ou afundar no reflexo criado para representar a sua imagem. Para isso, basta se questionar se a imagem refletida satisfaz, trazendo a beleza e a alegria do bem viver, ou revelam os nossos monstros internos, refletidos nos bizarros pesadelos e intermináveis conflitos que assombram a existência em sua plenitude.

 

 

  

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Diário de Bordo de um Escravizado: O Caminho da Flecha na Espiral do Círculo da Vida.

... Na abafada escuridão daquele profundo porão, o tempo respirava fundo a cada ritmada pulsação do tique-taque ecoado através do tambor cravado no meu peito. Em cada coração, o tempo pulsava com as saudades passadas, equilibrada agora por um contrapeso de um futuro servido e sorvido num copo repleto com um misto de Amor, fel, medo e dor, embaralhados ao sabor do movimento cíclico das ondas e marés, a cada balanço desse navio, que jaz sobre a linha do azimute. 

O eco das batidas do coração, sobressaltado diante desse desconhecido surdamente anunciado pelo escuro da garganta do Grande Calunga, era como o tinir metálico da força do tempo indivisível, medido pelo infinito invisível. 

Mas a chama do meu olhar altivo humilha a tempestade, quando este mesmo olhar enxerga nas estrelas da dor nascida no atrito da batida do cruento vergalho, o estilhaçar do arquétipo de vítima tatuado na minha pele cravada de vida, expondo enfim, a consciência ocultada de si sobre si mesma. 

Dessa maneira, o espelho d’água refletiu a simetria do ato atroz de cada ator e algoz, registrando sobre a superfície oceânica, o paradoxo da dialética dicotômica; e como o bumerangue que cruza o ar em direção ao alvo reverso, o movimento refletido é devolvido pelo espelho da vida. Do mesmo modo, também o chicote que cruza o ar, análogo a flecha lançada em direção ao alvo, percorre o mesmo caminho do bumerangue, como o eco responde ao grito lançado em pleno ar. 

O espelho d’água, como testemunha e diáfano da vida, refletia naquele momento grave, o lapidar brutal da aspereza do carvão em atrito, sendo transmutado em radiante diamante, sobre o impiedoso balanço do vergalho, o ciclo das marés e o sangue trazido pelo infalível bumerangue como eco responsivo da inevitável visita anunciada pela Nossa Senhora da Causa e do Efeito

Dos pérfidos e fétidos Negreiros aos luxuosos e opulentos iates que cruzam os mares da vida, os seus caminhos como correntes que ligam as origens aos seus respectivos destinos, se faz em mão dupla; visto que a estrada pela qual se vai, é também a mesma estrada utilizada para retorno, que nas voltas que o mundo dá, ele segue circulando numa infinita espiral, de tal maneira que, na qualidade de observado e observador, podemos testemunhar a nós mesmos. 


Assim, a chegada ao porto, significa a chegada ao ponto de origem de um proscrito destino prescrito, registrado e refletido pelo anverso reverso, no inverso do olho do furacão que rasga as velas da esquadra invasora. Enquanto o círculo que emoldura o leme da vida, se move ao sabor do vento trazido como presente por essa mãe natureza tão combatida pelo predador, que faz do letal progresso, seu sedutor arpoador. 

Ao som dos clarins, os canhões, uma vez perfilados e apontados para o alvo, vomitam suas fumegantes balas que automaticamente se transformam em flechas-bumerangues, fuzilando o futuro, e atingindo o passado no futuro do presente.  Assim, a ordem proferida pela língua transformada em arco, fazendo da palavra a sua flecha certeira, cumpre enfim a sua missão de lapidar todas as faces refletidas por esse precioso diamante negro...