Através desse
portal, que vem a ser a função desse espelho, são refletidos todos os eventos nascidos
das pequenas vontades humanas, com transmissão simultânea e automática, para
essa Fonte Criativa que os terranos
categorizaram como Deus, ao conferir-lhe numerosos nomes e uma personalidade
inteligível para os mesmos. Ou seja, foram conferidos conceitos fluídicos e
limitantes, além de funções específicas e coerentes com a lógica da região e da
cultura do neófito convertido.
Portanto, é
notório a percepção de que a separação entre o Criador e a criatura, se
tornaram aparentes, uma vez que a imagem refletida por esse espelho, se
confunde com a realidade imediata, transformando tempestades em sementes, que,
uma vez frutificadas, são impiedosamente colhidas pela humanidade como gigantescos
tsunamis, após introjetadas as justificativas necessárias a lógica do inconsciente
coletivo, responsabilizando as ditas desdita, a uma suposta esquizofrenia de
uma Mãe natureza em fúria; e naturalmente, esse desnecessário episódio configura
como um desproporcional ato de extremo contraste com a profunda generosidade e
compaixão com a qual nossa arrebatadora Gaia é constituída.
Dessa maneira,
como um poderoso refletor Cósmico, Gaia mantém a sua rotação e translação, impulsionada
pela ação e reação desse centro que chamamos de raça humana, revelando para o
universo, multiverso e cosmo, o seu espaço/tempo surpreendente, a cada suave movimento,
hora provocado pelo vivificante afago da leveza mágica dessa brisa que traz o sopro
da vida, hora pela intensa e ruidosa tempestade, que peremptoriamente vem levando
o passado, para dar espaço ao futuro do presente.
Desse modo,
há um imperceptível Destempo entre as
estações do ano em que a dança da chuva não é realizada, justamente por ter
sido relegada e ocultadas no silêncio amordaçado nas entrelinhas dos roteiros
de filmes hollywoodianos padronizados, retratando de forma apolínea, o massacre
das nações indígenas pelos intrépidos cowboys
de um Estado invasor, rotulados como invencíveis heróis. É justamente esse imperceptível
Destempo que demarca a rotação, e a duração
de cada estação fora do Tempo linear; tempo este que foi exclusivamente estabelecido pelo sistema escravagista
terrano dos Tempos Modernos.
É justamente
esse princípio estabelecido pela linearidade, que produz a solidez necessária aos
elos dessa corrente, que domina e aprisiona o subjetivo desse cidadão que é cotidianamente e perfidamente adestrado e condicionado pela mídia e pela religião, como um servo
passivamente escravizado pós-moderno de alta-performance.
Portanto, a
energia desprendida na ação do látego e na frequência do afago, vibrando como força-motriz
de rotação e translação, é a mesma força que dá início ao metafórico processo que
estabelece o ritmo das marés, cujas águas podem se liquefazer no formato da água
que irriga a vida, ou sublimar-se no formato das lágrimas que adubam a morte.
Assim sendo,
a Percepção da existência desse espelho célico, implica na aceitação de se liberar
a generosidade do olhar, a fim de poder enxergar a própria sombra dançando a
beira do abismo do medo que possibilitou sua própria criação; para então,
enfim, avistar o caminho a ser percorrido em meio a esse escuro túnel sem fim,
cuja luz, reside unicamente no interior do sujeito da ação; jamais no indivíduo
reativo; visto que toda reação jaz num recente passado distante, que
inevitavelmente será levado pelo infalível tsunami
da Causa e Efeito.
É precisamente
o desapego ao passado, que previne a inesperada visita do Doutor da Causa e Efeito,
que vem através desse espelho da vida sustentado por Gaia. Também, essa é forma
que possibilita a chegada do futuro em seu pleno potencial, e não mais em
forma de looping, que traz um futuro
que roboticamente repete o passado.
Essa seria uma
maneira eficaz de se desligar da patologia do sofrimento, desintegrando-a em
pleno ar, levada como cinzas pela suave brisa oriunda do movimento gaiano de
translação, por nós jaculado, mudando enfim, a falsa imagem representativa, refletida
através do espelho da vida.
Sendo
assim, esse processo só pode efetivamente se dar, quando nos aceitarmos enquanto
raça humana de fato; internalizando que, todas as ocorrências, necessárias ou
desnecessárias, impetradas a quaisquer seres sencientes, será igualmente impetrada
a todos no todo, já que somos extensão uns dos outros. A imagem refletida é fiel,
ela não mente; ela ressalta todas as qualidades e todos os defeitos dos Narcisos
as Brancas de Neve.
Portanto,
somos nós que devemos ser os responsáveis pela qualificação e decisão da imagem
a ser refletida, em vez de entregar essa missão
possível, a um ego guiado pelo inconsciente
coletivo e adestrado pela cultura de massa. Mas, para isso, é necessário
ter a ciência de que, a vida, é um Espelho que atribui uma significância vital
ou patológica a existência. Assim, a questão que se apresenta é a de mergulhar em
si mesmo, em busca da sua verdade; ou afundar no reflexo criado para representar
a sua imagem. Para isso, basta se questionar se a imagem refletida satisfaz,
trazendo a beleza e a alegria do bem viver, ou revelam os nossos monstros internos,
refletidos nos bizarros pesadelos e intermináveis conflitos que assombram a
existência em sua plenitude.

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