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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Do Reflexo Liquefeito de Narciso à Gasosa Representação da Madrasta de Gelo

O doce Mistério que envolve todas as voltas que o mundo deu e as voltas que o mundo dá, é resultante do tremendo impulso oriundo da lei da Causa e Efeito, transmitido pelas ondas energéticas emitidas por esse colossal espelho, conhecido como Gaia, que jaz pendurado no vazio do Espaço Cósmico, antessala do Criador de Todas as Coisas; o Grande Espírito.

Através desse portal, que vem a ser a função desse espelho, são refletidos todos os eventos nascidos das pequenas vontades humanas, com transmissão simultânea e automática, para essa Fonte Criativa que os terranos categorizaram como Deus, ao conferir-lhe numerosos nomes e uma personalidade inteligível para os mesmos. Ou seja, foram conferidos conceitos fluídicos e limitantes, além de funções específicas e coerentes com a lógica da região e da cultura do neófito convertido.

Portanto, é notório a percepção de que a separação entre o Criador e a criatura, se tornaram aparentes, uma vez que a imagem refletida por esse espelho, se confunde com a realidade imediata, transformando tempestades em sementes, que, uma vez frutificadas, são impiedosamente colhidas pela humanidade como gigantescos tsunamis, após introjetadas as justificativas necessárias a lógica do inconsciente coletivo, responsabilizando as ditas desdita, a uma suposta esquizofrenia de uma Mãe natureza em fúria; e naturalmente, esse desnecessário episódio configura como um desproporcional ato de extremo contraste com a profunda generosidade e compaixão com a qual nossa arrebatadora Gaia é constituída.

Dessa maneira, como um poderoso refletor Cósmico, Gaia mantém a sua rotação e translação, impulsionada pela ação e reação desse centro que chamamos de raça humana, revelando para o universo, multiverso e cosmo, o seu espaço/tempo surpreendente, a cada suave movimento, hora provocado pelo vivificante afago da leveza mágica dessa brisa que traz o sopro da vida, hora pela intensa e ruidosa tempestade, que peremptoriamente vem levando o passado, para dar espaço ao futuro do presente.

Desse modo, há um imperceptível Destempo entre as estações do ano em que a dança da chuva não é realizada, justamente por ter sido relegada e ocultadas no silêncio amordaçado nas entrelinhas dos roteiros de filmes hollywoodianos padronizados, retratando de forma apolínea, o massacre das nações indígenas pelos intrépidos cowboys de um Estado invasor, rotulados como invencíveis heróis. É justamente esse imperceptível Destempo que demarca a rotação, e a duração de cada estação fora do Tempo linear; tempo este que foi exclusivamente estabelecido pelo sistema escravagista terrano dos Tempos Modernos.

É justamente esse princípio estabelecido pela linearidade, que produz a solidez necessária aos elos dessa corrente, que domina e aprisiona o subjetivo desse cidadão que é cotidianamente e perfidamente adestrado e condicionado pela mídia e pela religião, como um servo passivamente escravizado pós-moderno de alta-performance.

Portanto, a energia desprendida na ação do látego e na frequência do afago, vibrando como força-motriz de rotação e translação, é a mesma força que dá início ao metafórico processo que estabelece o ritmo das marés, cujas águas podem se liquefazer no formato da água que irriga a vida, ou sublimar-se no formato das lágrimas que adubam a morte.

Assim sendo, a Percepção da existência desse espelho célico, implica na aceitação de se liberar a generosidade do olhar, a fim de poder enxergar a própria sombra dançando a beira do abismo do medo que possibilitou sua própria criação; para então, enfim, avistar o caminho a ser percorrido em meio a esse escuro túnel sem fim, cuja luz, reside unicamente no interior do sujeito da ação; jamais no indivíduo reativo; visto que toda reação jaz num recente passado distante, que inevitavelmente será levado pelo infalível tsunami da Causa e Efeito.

É precisamente o desapego ao passado, que previne a inesperada visita do Doutor da Causa e Efeito, que vem através desse espelho da vida sustentado por Gaia. Também, essa é forma que possibilita a chegada do futuro em seu pleno potencial, e não mais em forma de looping, que traz um futuro que roboticamente repete o passado.

Essa seria uma maneira eficaz de se desligar da patologia do sofrimento, desintegrando-a em pleno ar, levada como cinzas pela suave brisa oriunda do movimento gaiano de translação, por nós jaculado, mudando enfim, a falsa imagem representativa, refletida através do espelho da vida.

Sendo assim, esse processo só pode efetivamente se dar, quando nos aceitarmos enquanto raça humana de fato; internalizando que, todas as ocorrências, necessárias ou desnecessárias, impetradas a quaisquer seres sencientes, será igualmente impetrada a todos no todo, já que somos extensão uns dos outros. A imagem refletida é fiel, ela não mente; ela ressalta todas as qualidades e todos os defeitos dos Narcisos as Brancas de Neve.

Portanto, somos nós que devemos ser os responsáveis pela qualificação e decisão da imagem a ser refletida, em vez de entregar essa missão possível, a um ego guiado pelo inconsciente coletivo e adestrado pela cultura de massa. Mas, para isso, é necessário ter a ciência de que, a vida, é um Espelho que atribui uma significância vital ou patológica a existência. Assim, a questão que se apresenta é a de mergulhar em si mesmo, em busca da sua verdade; ou afundar no reflexo criado para representar a sua imagem. Para isso, basta se questionar se a imagem refletida satisfaz, trazendo a beleza e a alegria do bem viver, ou revelam os nossos monstros internos, refletidos nos bizarros pesadelos e intermináveis conflitos que assombram a existência em sua plenitude.

 

 

  

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