As máquinas
dos Tempos Modernos, reproduzem em
série os sorrisos de plásticos, da mesma forma que reproduzem as flores de borrachas,
que ornamentam os jardins cenográficos da Matrix, romantizando a vida nas senzalas:
campos de concentração contemporâneos perfidamente retroalimentados pela mídia.
Dessa maneira,
a tapeçaria da existência se estende no caís de cada porto, sempre disponível para
recepcionar os autênticos, que chegam em meio a confluência dos Tempos opostos arremessados
pelas grandes vagas, fazendo chocar-se contra o casco dessa nave, que navega no
contratempo das relações cunhadas sobre o Grande
Calunga.
É na
placidez desse misterioso espelho d’água que a melanina bronzeada de Narciso se
transmuta, tal qual a magnífica Fênix que ressurge das profundezas das próprias
cinzas, nesse encontro do fogo com a água, aonde o vapor da vida, transforma a
física da existência. É o Tempo viajando em si mesmo, para costurar o encontro das
serpentes gêmeas sobre o caduceu da árvore da vida, aonde o carvão se faz
diamante.
Desse modo,
é na arte do tempo cicatrizar as feridas provocadas pelos látegos umbrálicos, ao
fazer o sangue jorrar copiosamente nessa ferida que se embaralha sobre a derme,
que se ilumina o reflexo fractal desse espelho, que é a vida das Fênix e dos Narcisos.
É no artesanato dessa vida, vivida na arte do bem viver, que a nova roupa do Rei poderia se fazer visível aos olhos dos que podem enxergar, quando finalmente, formos capazes de vestir a pele do outro, fazendo com que o diamante negro reflita a luz e as sombras de si mesmo, revelando os seus contrastes e harmonizando os paradoxos. Desse modo, os extremos se confraternizam ao se encontrarem nessa escadaria fractal da tabela periódica corporal, aonde, na matemática dos opostos; do masculino ao feminino; dois se transformam em um somente.

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