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segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Genealogia do Amor

Todo sorriso é mágico e todo abraço exorciza o trágico, assim como todo o silêncio é o fecundo motor, produtor de toda atividade criativa. Desse modo, o olhar sorridente, ao encontrar o suave ósculo que flutua em direção ao espaço fraterno que os separam, faz acontecer a uma candente erupção no caldeirão mágico desse bem querer contido no peito, que jaz cercado de peçonha por todos os lados.

A simplicidade dessa complexa magia pode se fazer todos os dias, quando cruzamos com meninas negras, verdes ou azuis; feitas de mel ou mesmo sem rímel; quando a íris dessa pele não se mostrar ofuscada pelo passado de vertigens e látegos.

Dessa maneira, todo alvorecer, se oferece como papel virgem, feito uma folha qualquer, aonde se pode desenhar uma casinha simples para abrigar as garatujas dos sorrisos doados com amor, durante os ternos abraços sem paletó nem calendários, relatórios ou relógios holográficos, instituídos pela perfídia da Ordem e Progresso dos Tempos Modernos.

Este deve ser o estado de arte dessa casa que sorri, com as porta e janelas da ternura abertas, na direção dos azimutes dourados, oferecidos por cada sol nascente, que nutre os nossos dias com suas intensas vibrações e energias.

Nosso corpo, como residência da alma, é paulatinamente iluminado pelos raios desse sol, que é aceso em nosso peito e refletidos através dos sorrisos e amplexos alheios, nos alimentando constantemente com tal repasto.

Que as máscaras desse teatro de sombras, que vem se apresentando no palco dessa vida vivida na holografia predadora Pólis, dê lugar as pantominas nascidas dos sorrisos abertos e francos, gerados no silêncio da ternura de um longo amplexo.

Que a vida seja uma gostosa piada, brincada e sorrida, transmitida como vírus pelas mãos dadas que celebram e aplaudem, nutrindo as flores de lótus, as rosas e girassóis desse jardim de almas chamado Gaia; Éden e sementeira de Baobás, Carvalhos, Oliveiras, Samaúmas e Yggdrasil.

É regando com sorrisos, ao adubar com abraços os diálogos silenciosos surgidos desde o nascer do sol até o arrebol, que o nosso jardim da vida se faz Éden, iluminando essa casa que habitamos, magicamente suspensa no infinito do nada, em meio ao útero da Via Láctea.

 

  

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