A simplicidade
dessa complexa magia pode se fazer todos os dias, quando cruzamos com meninas negras,
verdes ou azuis; feitas de mel ou mesmo sem rímel; quando a íris dessa pele não
se mostrar ofuscada pelo passado de vertigens e látegos.
Dessa maneira,
todo alvorecer, se oferece como papel virgem, feito uma folha qualquer, aonde
se pode desenhar uma casinha simples para abrigar as garatujas dos sorrisos doados
com amor, durante os ternos abraços sem paletó nem calendários, relatórios ou
relógios holográficos, instituídos pela perfídia da Ordem e Progresso dos Tempos Modernos.
Este deve
ser o estado de arte dessa casa que sorri, com as porta e janelas da ternura
abertas, na direção dos azimutes dourados, oferecidos por cada sol nascente, que
nutre os nossos dias com suas intensas vibrações e energias.
Nosso corpo,
como residência da alma, é paulatinamente iluminado pelos raios desse sol, que
é aceso em nosso peito e refletidos através dos sorrisos e amplexos alheios, nos
alimentando constantemente com tal repasto.
Que as
máscaras desse teatro de sombras, que vem se apresentando no palco dessa vida
vivida na holografia predadora Pólis, dê lugar as pantominas nascidas dos
sorrisos abertos e francos, gerados no silêncio da ternura de um longo amplexo.
Que a vida
seja uma gostosa piada, brincada e sorrida, transmitida como vírus pelas mãos dadas
que celebram e aplaudem, nutrindo as flores de lótus, as rosas e girassóis
desse jardim de almas chamado Gaia; Éden e sementeira de Baobás, Carvalhos, Oliveiras,
Samaúmas e Yggdrasil.
É regando com
sorrisos, ao adubar com abraços os diálogos silenciosos surgidos desde o nascer
do sol até o arrebol, que o nosso jardim da vida se faz Éden, iluminando essa
casa que habitamos, magicamente suspensa no infinito do nada, em meio ao útero
da Via Láctea.

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