Dessa maneira,
o indivíduo, como ser multidimensional, tem a incrível capacidade de se locomover
no tempo, com o intuito, normalmente inconsciente, de se esconder do próprio
silêncio, ao refugiar-se no passado e no futuro, procrastinando ou recusando-se
a receber o presente que a vida lhe oferta, trazendo a existência à sua porta em
todo alvorecer.
Essa fuga
de si mesmo, é acurada pelo próprio intelecto, que progressivamente é treinado
pelo condicionamento social e biológico naturalizado, que diuturnamente é imposto
pelas instituições do Estado Profundo, o Deep
State. Portanto, nesse pérfido processo, a inocência da criança dá lugar ao
instituto da competição, trazendo o medo da perda, a necessidade de acumulação
de bens e a tudo aquilo que se mostrar impermanente nessa aventura do bem viver.
Desse modo,
há aqueles que passam a vida sem verdadeiramente viver, uma vez que sobrevivem
nas dimensões aonde impera o limbo e o looping,
permanecendo restringidas ao passado e ao futuro. Portanto é natural que o terrorismo
institucional introjetado no subjetivo desse indivíduo, torne-o “naturalmente” subalternizado,
fazendo com que o mesmo se habitue a condição de vitimista e a tudo aquilo que
o faz mal, fortalecendo assim, o seu baixo autoestima, destroçando seu
amor-próprio.
A invenção
do tempo ainda continua sendo a forma mais eficaz para domesticar o animal
humano, pois é a maneira efetiva dele ceder o seu centro de poder e a sua força
ativa para esse novo senhor contemporâneo que, espertamente, é impessoal, e se
oculta atrás de calendários, relógios e relatórios.
Sendo assim,
a escravidão mental efetivou a obediência servil do cidadão de bem, amenizando quaisquer
resistências, que viesse de fato, ameaçar o establishiment ou o status quo,
instituído pela normalidade holográfica dos Tempos Modernos. Nesse caso, podemos
considerar o lugar do intelectual, como um diligente instituto substituto da
chibata.
Consequentemente,
é preciso que o indivíduo domesticado se alimente com pomposos diplomas, certificados descapacitantes e a soberbia da honoris causa, para que o seu ego permaneça intumescido ao fugir do
seu agora, caminhando indefinidamente em direção ao mundo dos seus sonhos,
tendo a Terra do Nunca como bússola. Se assim não for, caso ele decida seguir o
caminho de Don Quixote, adentrando no
metafórico Mundo de Alice, ele
tornar-se-ia um revolucionário, negando toda a sua arquitetura e arquitetônica de
bom cidadão. Ou seja, ele invariavelmente resgataria a sua criança interior,
voltando a ser criativo, perscrutador e desbravador de si mesmo, desprovido das
críticas e pré-julgamentos intrínsecos ao bom
cidadão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário