Nas
palavras de Krishnamurti, o culto da
autoridade é a negação da compreensão; portanto, é notória a percepção de
que, a nossa sociedade tenha se transformado num eficiente sistema carcerário,
aonde o pão e circo midiático e religioso estruturaram um competentíssimo aparelho
de distração, com um discurso narrativo que se tornou uma mentira honesta, enquanto
o silêncio escandalosamente se apresenta como uma estrondosa verdade nua.
É na complexidade
do cerne desse contexto, que cedemos o nosso poder para os pomposos salvadores
da pátria, com o intuito de nos eximir das responsabilidades dos destinos da
nação, evitando o trabalhoso processo de nosso amadurecimento integral, enquanto
seres plenos.
Compreender
essa conjuntura escravagista contemporânea, requer coragem e disciplina; e para
iniciar tal processo elaborativo aonde o discernimento dá o tom, é necessário
seguir pelas vias do ceticismo, do desafio e da investigação, sem as
prerrogativas do criticismo opinativo, forjado pelo pré e pós julgamento abalizado
pelo discurso narrativo normativo.
Toda autoridade
que vem de fora, de nosso exterior, se constituí efetivamente quando cedemos o
nosso poder para que ela se institua como tal. Ou seja, a verdade estabelecida
por essa autoridade, que foi construída a partir da nossa permissão e aceitação,
acaba por se tornar uma potente arma de controle do subjetivo, dominando assim,
a quem cedeu este poder, ao afixar o rótulo de autoridade justamente aos
fabricantes de falácias e retóricas, que por sua vez, nos alimentam com as suas
ideologias desviantes.
Para compreender
a ação dessas crenças limitantes sobre nosso subjetivo, o primeiro passo
necessário é o de se abandonar as bulas dogmáticas, e as receitas
paradigmáticas fornecidas durante esse treinamento que nos transformou em pessoas normais. Ou seja, fomos condicionados
social e biologicamente, e transformados em defensores aguerridos dos discursos
meritocráticos das narrativas dominantes, como caçadores de diplomas e
certificados antropofágicos, cujos papeis timbrados, hipoteticamente seriam garantidores
de um possível futuro, que está sempre no futuro, de glórias e sucesso; além de
um hipotético paraíso celestial no pós-morte.
É dessa
forma que criamos as nossas realidades indesejadas e, tal como os moinhos de Cervantes, perdemos todo o nosso tempo
combatendo essa realidade por nós mesmo criada e estabelecida, sem jamais atentar
para uma alternativa oposta a tal realidade e processo, devido as distrações perpetuamente
abastecidas pelas crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias
descapacitantes, como munição ininterruptamente fornecidas pelo sistema propulsor
dessa autoridade constituída.
Desse modo,
somos como aquele leão que foi criado na companhia de cordeiros, acreditando
também ser um cordeiro; com medo de lobos e cachorros. Portanto, descartamos a
nós mesmos, ignorando o nosso poder de ser o que somos, para nos transformar
num subproduto colonial, acreditando na narrativa oficial gospel, seguindo os
preceitos e preconceitos aprendidos, nós segregando de nossa própria realidade
enquanto criadores e mantenedores da forma.
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