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sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Receituário de um Médico de Almas

Viver é cantar, viver é dançar; viver é fazer poesia dessa música que é falada no dia-a-dia através dos sorrisos abraçados e concisos, fazendo brilhar a menina de cada olhar. A trilha sonora da nossa vida é diversa em seus estilos, cores e vibrações; pois cada vida, metaforicamente, é uma estação de rádio ou de televisão, aonde cada qual, pode sintonizar a sua estação ou o seu canal para se harmonizar com a composição universal, cantando, ouvindo ou dançando, enriquecendo seu próprio coletivo musical.

Nossos harmônicos entrantes pautados pelo amor incondicional, podem fazer parte do belo bailado de um filme romântico, de terror ou comédia nacional; entre a tragicomédia e a pantomina, basta escolher o que for melhor para você. A cada estação, desde a primavera até o verão, seja outonando ou invernando, durante a viagem no trem da vida que gira nesse parque de diversão chamado Terra; passamos pela montanha-russa de todas as atrações que vão do carrossel a profunda escuridão do fantasmagórico túnel do terror.

Por esse motivo, no ingresso adquirido na maternidade, consta no canhoto que não há condição, validade, em nem a certa idade para poder se decidir pela atração, poder ir ficar ou partir. Desde a bandinha de pop-rock nacional ao grupo Punk Internacional, ou da canção regional até a Orquestra Sinfônica Mundial, há todo e qualquer gosto musical; tem até os desafinados lado a lado com cantores de ópera, que ouvem Soul, Blues e bossa nova.

Sendo assim, se quisermos descobrir se o dito ser humano é um Ser que se faz vivo ou se encontra num momento intenso de profundo coma, basta aferir se o ritmo do seu coração reverbera no cérebro; se houver repercussão através de afetos ou se ressoar com sorrisos francos; é certo que o diagnóstico há de ser a presença da beleza da vida pulsando na batuta do seu pulso.

Mas há aqueles que escolhem permanecer encostados no balcão do bar, divagando sobre as falhas ocorridas no ontem e preocupados em labutar na manhã seguinte, enquanto ingerem o seu soro como sustentáculo, em vez de aproveitar a alegria do momento para cantar e bailar a alegria de ser o que é. Assim sendo, andar na linha e ficar em cima do muro se torna a sinonímia daqueles que preferem desembarcar da montanha-russa na estação seguinte, abandonando a diversão do carrossel desse trem de vida.

Cantar e dançar são os mais eficazes remédios para a alma poder se curar, pois não há contraindicação ou efeitos colaterais; salvo pela indiscriminada ingestão de sorrisos, que podem provocar o regurgito de ternura e afagos demasiadamente humanos.

Nessa receita, só não consta a especialidade do ramo medicinal exercida pelo médico em questão, nem o grau de ensino cursado por ele, e menos ainda o seu conhecimento gabaritado é discriminado. Não há notícias de que tenha ganho prêmios nacionais ou internacionais, e nem certificados ou provas de que tenha sido diplomado em Universidade de renome.

Esse médico sem nome, sujo de terra, que veio do mato, dançando na chuva e que ornamenta o premiado quadro do movimento antropofágico, foi autenticado pelo olor trazido de cada flor e pelos sorrisos vertidos das fadas faceiras, e por isso, foi academicamente folclorizado pelas urgências dos Tempos Modernos; justificando que receita oral não tem moral na sociedade atual, virando assim, a principal chacota farmacológica nos corredores asseados dos doutores.... Enquanto os cães ladram, o carrossel passa; e a gente, dança...

 

 

  

sábado, 16 de outubro de 2021

No Teatro de Sombras da Sociedade Amedrontada

O Senso de Justiça reservado unicamente ao intelecto, não serve nem como peça de museu; é preciso retire-lo das gavetas do pensamento para arejá-lo, a fim de pô-lo em movimento, pois o intelecto não conhece a verdade; e se chegar a conhece-la, ele a abomina.

O intelecto é o gerente do ego, quando se trata de cumprir quaisquer papeis social; enquanto o pensamento, é o mordomo cuidador da personalidade, formada para desempenhar e performar esse papel. A pessoa que possui o pensamento como guia, se confunde com o personagem criado, acreditando que o seu conhecimento é realmente seu, quando na verdade, lhe foi outorgado através do condicionamento social e biológico.

Portanto, tudo aquilo que ressoar com as crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes dessa pessoa que cumpre o papel de seu personagem, será recorrente a esse intelecto, que tem a sua reação programada já prescrita pela bula gospel dos Tempos Modernos.

Essa colonização mental, é o resultado da tatuagem marcada a ferro e a fogo, e deixada na memória celular desse corpo de dor progênie escravizado; visto que, entre as sentenças que são ditadas por um juiz renomado e as sentenças proferidas por uma desconhecida anciã, vinda de lugar nenhum, inevitavelmente se encontrarão em lados e lugares opostos; visto que o primeiro segue um modelo padrão, estabelecido por uma bula acadêmica; e a segunda, como Salomão, segue a razão do coração. Ou seja, enquanto um cumpre o seu papel, a outra segue pelo conhecimento da causa.

Quando deixarmos de lado o papel social, que nos fora imposto através da violência colonial, nos tornaremos seres autênticos, originais; e não mais as pessoas falsas, que fazem uso das máscaras sociais como mordaças que limitam a livre expressão. O medo psicológico, como vírus cultivado em laboratório, é o principal elemento patológico que nos tem feito recusar a saída desse papel subalterno, dramatizado sobre o palco da vida.

A coragem, a ousadia e a disciplina seriam os elementos-sementes contrastante à cultura do terror psicológico, que criaram inúmeras camadas de ignorância e dissonâncias cognitivas, adjudicadas pelos administradores dos Tempos Modernos; e essa resposta ecoa através da rebeldia silenciosa encerrada no peito.

Tal resposta se faz presente na desobediência à programação de uma agenda imposta pelo terror estatal, atribuída aos detentores do papel social. Só assim, muitas das máscaras poderão cair enquanto outras são arrancadas. Desse modo, a tragédia e a pantomina se revelarão enquanto cenas deliberadamente montadas sobre a direção das pérfidas sombras bruxuleantes dos bastidores, enquanto deixamos a condição de meros expectadores para protagonistas de fato.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Mundo Livre S/A: Sobre as Memórias do Cárcere e as Verdades da Plena Liberdade

São cerca de 7 bilhões de pessoas vivendo nesse vasto mundão; Sete bilhões de realidades diferentes; Sete bilhões de verdades distintas; sete bilhões de crisálidas que desabrocham a cada amanhecer; Sete bilhões de olhares, intenções e atenções; Sete bilhões de mundos e universos que se formam a cada Big Bang que explode em cada raio de Sol nascente formado a cada despertar.

Então porque a verdade do outro ainda incomoda tanto a gente, apesar de não conseguimos encontrar a nossa própria verdade...? Porque nos preocupamos tanto com os erros dos outros, quando ainda não conseguimos acertar os nossos próprios passos...? Afinal, como foi que chegamos a definição daquilo que qualificamos como erro e categorizamos como acertos, diante desse universo tão diverso, em que o certo e o errado acabam por se dissolverem nessa escala fractal, aonde todos os seus degraus ascendem numa infinita e grandiosa escala espiral...?

Porque permitimos que as nossas emoções sejam transformadas em bolinhas de ping-pong, fazendo de nossa existência uma arriscada aposta ao permitir que outrem escolham o lado do campo e decida as regras do jogo, assumindo de vez, o comando do nosso vasto mundão.

É nesse jogo de emoções manipuladas, que a realidade está sempre a se modificar e a verdade a se perder, e num surpreendente paradoxo, faz de nosso casulo, um confortável e aconchegante ninho acolchoado com crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes; com o agravante de não haver a mão de uma águia-mãe no interior desse casulo que empurre do ninho os seus filhotinhos.

Dessa maneira, dos sete bilhões de lepidópteras, muitas delas hão de preferir permanecer como larvas, para, como polífagas, passear entre as verdades alheias, absorvendo-as como se fossem inebriantes néctar florais. Outras vão preferir mariposear entre as chamas bruxuleantes da própria escuridão, dando voltas até o seu próprio delir; enquanto outros tantos, escolherão romper a crisálida para borboletear sobre os diversos olores espargidos pelo reflexo do sol primaveril.

Entre o rastejar sobre a lama das emoções manipuladas, e o voar entre as flores de verdades coloridas e perfumadas pela magia dos sentimentos oriundos das próprias emoções subjacentes, existe muito mais que um casulo de escolhas e uma crisálida de decisões. Portanto, podemos inferir que existem sete bilhões de diferentes sentidos, além dos prosaicos cincos já pré-estabelecidos, definidos e aceitos como tal.

Assim como as flores, que se contrastam entre si, sem jamais deixarem de ser flores; e os pássaros, em suas perfeitas diversidades, continuarem sendo pássaros em sua magnitude; também uma pessoa, cada qual com a sua verdade, só poderá preservar a sua humanidade, quando for capaz de aceitar-se enquanto parte de uma raça somente; a raça humana. Esse é o primeiro passo para se abandonar o metafórico casulo da inumanidade: mergulhando da crisálida pendente na árvore da vida que adorna o centro do nosso Éden.

Nesse caso, é preciso jogar fora os densos intentos, as preocupações concernentes a outrem e todas as verdades alheias contraídas que se transformaram em crenças limitantes, que faz pesar como bagagem desnecessária em nossa nave coronária. Só assim, as asas da liberdade terão espaço suficiente para se distender, desatrofiando-se, a fim de ganhar a vastidão desse espaço preso em nosso universo interno. Dessa forma, o corpo memória poderá contar a sua própria história, como um pássaro que abandonou a sua gaiola-casulo, cantando a alegria da liberdade, mesmo que tardia.

domingo, 12 de setembro de 2021

A César o Que É de César...

A vida não é uma sala de espera, visto que, absolutamente tudo acontece no agora: A Liberdade, o Amor a Felicidade, e mesmo a própria vida. Análogo uma moeda, dividimos a nós mesmos em duas partes; dentro e fora, passado e futuro, claro e escuro, bom e mal, etc. nos esquecendo do nosso próprio valor enquanto Ser integral. Sendo assim, no paradoxo dessa dicotomia, o passado, como um gigantesco cemitério, é somente um lugar de lembranças e saudades; enquanto o futuro, é inexistente; porque ele só pode acontecer no hoje.

A intenção e a atenção ao real valor do momento vivido é impedido pelo pensamento, oriundo da mente, que sempre mente, evitando assim, a percepção de que somos a nossa própria liberdade; somos a própria paz que procuramos; somos essa verdadeira felicidade tão esperada, que não é percebida por conta do turbilhão de desejos projetado pela mente.

É o passado que traz o sofrimento, enquanto o futuro traz somente o que é transitório, estruturando esse mundo imaginário, estabelecido pelos padrões do pensamento condicionado, e herdado como modus vivendi.

Nosso corpo é a nossa casa, é o lar que deve também ser, além de um Templo sagrado, uma animada casa de festas e uma requintada e elegante loja. Por isso, a atribuição do valor intrínseco dessa metafórica moeda em que fomos transformados, só pode ser conferido por nós mesmos, e jamais por outrem.

Fomos fragmentamos, a partir das identidades aferidas pela dualidade presente nas faces dessa moeda; e uma vez taxonomizados, deixamos de ser sujeitos e passamos à categoria de objetos. Permitindo que as identificações trazidas pelas nossas personagens do passado, ou pela personalidade construída pelo ego, transforme o indivíduo num expectador de um filme aonde ele jamais será o protagonista, porque o expectador não vive, ele apenas cumpre passivamente o papel subalterno a ele atribuído.

Ao desviar a nossa plena atenção do momento presente, perdemos também a virtude do sermos o que somos. Ou seja, perdemos o valor intrínseco dessa metafórica moeda de ouro, que acaba se transformando em barro através do olhar da Medusa. Portanto, o verdadeiro ser precisa desvincular-se do passado, e de um presumível futuro, para poder estar consciente de si mesmo e de sua plenitude.

A mente continuamente produz e projeta imagens, enquanto perdemos nosso tempo tentando compreendê-la e interpreta-la, nos confundindo assim, com as próprias imagens projetadas, quando nos fixamos somente em tais projeções, e não para a fonte da projeção. Dessa maneira, deixamos de compreender que não somos a imagem projetada pela mente, deixando assim, de ir além dos conceitos e ideias padronizados pelo passado, que são projetadas para o futuro; fazendo do presente; um limbo, esse lugar fora do tempo, que nos faz desprezar a imagem do pobre e dobrar os joelhos diante dos poderosos.

Dessa maneira, a percepção da beleza que nos ronda, só pode ser sentida e vista através dos olhos do amor, que enxerga na elegância trazida por cada momento, a gentileza que sustenta a existência; na medida em que; o que está fora; também é o que está dentro. Dessa maneira, a magia só pode ser vista através dos olhos da criança; pois esse é um olhar que jamais traz julgamentos, críticas, ideias ou conceitos pré-estabelecidos como juízo de valor.

A identificação com algo, por si só, já traz a distinção desse valor que é exposto em ambos os lados dessa mesma moeda, fazendo o amor e o ódio caminharem juntos, assim como a luz e a escuridão e toda a família de opostos. Esse estado dualístico é responsável pelo modo de pensar e falar justamente o que a mente mostra; transformando a realidade num mero objeto dessa mesma mente.

Para uma mente escravizada, a verdade sempre permanece oculta, pois a mente é aquela que discrimina, ilusiona, gosta, desgosta, deduz... trazendo o senso de perdas e ganhos, reduzindo as dez-mil-coisas num determinado valor estampado e patenteado na face dessa moeda.

Sendo assim, o caminho da verdade está além da linguagem do ser que somos; ser que é infinitamente pequeno e infinitamente grande. Portanto, Ser um ser mental é o mesmo que assumir a função de uma bola de ping-pong, tendo as suas emoções provocadas e controladas pelos pensamentos padronizados que, ao contrário da consciência, reside fora do tempo presente. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

A Eternidade é o Presente do Agora Ofertado Pelo Amanhecer da Verdade em cada Hoje

Estar sensível ao momento presente é não se contentar apenas com um cardápio para saciar a fome, da mesma forma, como não adiantaria coisa alguma ter um guia de turismo completo, para se tentar vivenciar a beleza e as maravilhas de uma magnífica viagem. Essa afirmação comprova que o momento presente é só o que existe de fato, já que olhar a paisagem através de um cartão postal, não nos permite enxergar o que realmente está à nossa frente.

É entre o dar a atenção ao que parece ser, e dar atenção ao que é, que o caminho se revela àquele que se encontra perdido em si mesmo. Equivalente aquela pessoa comum que deseja ver Deus face a face, sem, no entanto, perceber que, absolutamente tudo é Deus. Ou seja, o indivíduo programado pelo condicionamento social e biológico, construiu para si mesmo, uma personalidade, a fim de participar desse jogo, aonde o ego, esse Eu personagem, é quem dá as cartas, persuadindo a si mesmo que o jardim de plástico do outdoor é realmente o paraíso achado.

Portanto, para esse indivíduo, a aceitação de Leis, normas e regras, são essenciais como forma de ingressar e participar desse reality show, que é jogo da vida na urbe et orbi. Desse modo, o senso comum, revelado pelo inconsciente coletivo, é o regente desse filme aonde cedemos o nosso centro de poder ao roteirista dessa história oficial recheada de memórias e esperanças.

Esse senso comum criou um sistema de produção de identidades, com o intuito de separar os times adversários e manter os jogadores totalmente imersos nessa experiência ilusória. São essas identidades que alimenta e fortalece o self, fazendo com que ele, o self, conduza o jogo da vida, vivido na Matrix regida pelo Deep State.

Esse cardápio de Leis, regras e estatutos, tem o seu tempero especial preparado com agendas, calendários e relógios, e um molho inglês feito de certificações e diplomas, tudo isso servido numa atmosfera gospel, nessa formatura do bom cidadão, organizada consecutivamente pelos departamentos bíblicos da seção celestial e infernal.

Sendo assim, temos um céu e um inferno meticulosamente planejados e personalizados, aos quais são conferidos toda a importância, em detrimento ao Paraíso existente no presente de fato, em cada agora; visto que, o medo do futuro é o principal combustível que move o Mecanismo dos Tempos Modernos. É por isso que o indivíduo entrega de bom grado, a sua força ativa, a fim de assegurar um futuro, que não é propriamente o dele, mas sim, das famílias que conduzem o Deep State.

O futuro do indivíduo se reduz as suas conquistadas de assinaturas nos rodapés de diplomas e certificados, condecorações estas que lhe traz a falsa sensação de segurança num pretenso futuro; é uma situação análogo ao pagamento do seguro contra incêndio, ou a promessa da religião de um paraíso pós-morte.

Dessa maneira, na noite escura, a regra é clara: lembrar-se dos bons momentos do passado e acreditar na conquista de um futuro, adequando-se exclusivamente as condições estabelecidas pelo sistema Medieval dos Tempos Modernos. Portanto, o indivíduo nunca terá Tempo suficiente para pensar ou cuidar de si mesmo, já que se encontra totalmente fora de seu Espaço e Tempo. Caso o indivíduo possuísse o tempo, ele jamais seria possuído pelo relógio.

Nesse caso, o Tempo da Senzala, trazido e mantido pelo poder dominante, fragmenta a vontade desse indivíduo, que cede o seu centro de poder, em consequência do adestramento sofrido desde seu nascimento, que indelevelmente o condicionou social e biologicamente. Dessa forma, ele vive nessa bolha-casulo de tempo, limitada por calendário e ponteiros, representantes dessa famigerada agenda produzida pelo Estado Profundo.

Enquanto esse indivíduo continuar a acordar só para poder dormir, sem saber por onde ir, ele continuará a seguir o Carneiro de Panúrgio por onde quer que vá, enquanto olha o tempo e a vida passar ao largo da própria vida. É nesse “passar a vida em branco”, que uma pessoa de cor vai descobrir o seu real valor, quando observar o rodapé do cardápio, desse menu de alimentação oferecido pelo Estado de terror, como um prato especial e exótico de Adrenocromos.

Se, a exemplo do conceito da terra plana, ainda continuarmos a creditar na teoria do tempo linear, continuaremos a ceder o nosso centro de poder aos gestores dessa agenda de terror, produtora de crenças limitantes e ideologias descapacitantes, que condicionam nosso bom viver. Ou seja, nessa bolha de existência, aonde não existe escolhas, só opções, o tempo de cada indivíduo é acorrentado aos ponteiros de um relógio, que segue o calendário elaborado por cadentes leis senis.

Para escapar dessa escola de horrores, é necessário carregar a pecha de rebelde sem causa ou de maluco beleza; mas como o cidadão de bem, o indivíduo que não deseja ser mal visto, mantém o seu currículo impecável, comparecendo a cada passeata patriota, estrategicamente convocada pela mídia vendida.

A viagem dentro dessa bolha regida pelo tempo linear, transformou-se num eterno looping, aonde os calendários e os ponteiros como feitores pós-modernos, todos os dias, repetitivamente ordena aos seus comandados que produzam com excelência. Sendo assim, as repetições das tarefas cotidianas, acabam se tornando um exercício automatizado e de muita destreza, fazendo o indivíduo habituar-se a tudo aquilo que outrora, se mostrava incômodo nessa filosofia “time is Money”.

Portanto, para adaptar-se à essa sociedade adoentada, é necessário afeiçoar-se as correntes, e ao medo produzido pelas sombras dos monstros inexistentes, além dos vírus invisíveis, criados e cultivados in vitro pelo Deep State. Fora isso, só resta despertar para o Presente, sabendo que tudo acontece no agora, e que, as promessas pertencem exclusivamente aos religiosos e aos políticos, e as ameaças, cabem aos cães que ladram enquanto as carruagens passam.

O principal quesito para possuir o Tempo, é jogar fora os relógios de ponto, os calendários político-religiosos e as agendas da Casagrande. Esse ato revelará o incômodo da idade das trevas nas diversas tentativas de intimidação de toda sorte, inspiradas nos prazos estipulados, estatutos e regimentos, regras estabelecidas e Leis impositivas. Atravessar o mar do terror psicológico, com seu tempo instável, será o primeiro passo para poder chegar a Nova Terra; nesse orbe aonde o planeta é redondo, e o tempo não é linearizado; nesse mundo aonde tudo que vai, volta; nessa terra aonde tudo o que se planta, dá.

É nesse momento em que o Tumbeiro deixa de ser um Holandês Voador, saindo do intenso temporal em direção a Nova Aurora, enquanto a bordo, os fantasmas pretos se transformam em anjos Negros. Assim, os ponteiros que escravizam a mente do neófito, são substituídos pelo Sino, que a cada toque, chama a atenção do cidadão do mundo para o aqui e agora, lembrando desse presente concedido pela Fonte Criativa.

  

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Pedagogia da Deseducação

Nas experiências vividas como Professor, tive a feliz oportunidade de aprender que, quando se auxilia um infante ou um educando em seu processo de alfabetização, não há possibilidade alguma de se aprender a ler por ele, ou no lugar dele; como elemento ativo de sua própria educação, indubitavelmente, ele deve ser o protagonista da ação. Do mesmo modo, aprendi que, quando há duas pessoas numa estrada, e se uma delas fixar o olhar em direção a profunda escuridão da noite que jaz ao seu redor, enquanto a outra pessoa se ocupa da observação dos sinais que anunciam a aproximação da aurora; ambos, estarão corretos na exposição e sustentação de suas impressões acerca das suas verdades abalizadas.

Em ambos os casos, é notório perceber que a atenção segue a direção do olhar. Ou seja, naquilo em que o observador deter a sua atenção, é o que efetivamente passará a existir para ele. Dessa maneira, o sujeito definitivamente, passa a ser a causa de tudo que acontece com ele mesmo, e consequentemente, é também o responsável por tudo o que acontece em seu entorno, e no resto do mundo que o rodeia.

Portanto, toda a energia que emana do pensar e do sentir, banha completamente o corpo físico, emocional e espiritual; e inevitavelmente, reflete de forma positiva ou patológica em seu entorno, sendo convertido justamente naquilo que rotulamos e classificamos como verdadeiro ou falso, necessário ou desnecessário, bom ou mal, etc. Dessa maneira, mesmo os extremos não se cruzando, ambos os fenômenos são frutos da mesma árvore; visto que tais frutos verdejantes, de vez ou maduros se desenvolvem em conformidade com o solo em que foi semeado.

Portanto, numa cultura aonde se semeia pimentas não há possibilidades da colheita de morangos. Sentimentos são poderosíssimas sementes que, uma vez semeados, não crescerá um pé de qualquer coisa, mas sim, será colhido exatamente aquilo que foi disseminado, e que fractalmente, multiplicar-se-á a si mesmo, de acordo com a estação. Ou seja, o tempo de semear e o tempo de colher, podem ser revelados por períodos simultâneos, paralelos e circulares e tudo isso junto.

Consequentemente, o fruto do pecado, nada mais é, do que resultado da intenção projetada e ativada pela própria mente, que de forma instantânea, se torna uma forma-pensamento concretizado na 4D, para em seguida se manifestar em 3D; esse processo se dá com a Serpente subindo pela coluna desta árvore enraizada na região sacra, até ao cérebro, para enfim, germinar sobre a dualidade de seus hemisférios, que é o lugar aonde essa semente será alimentada pelo ego ou pelo Id.

Sendo assim, essa Serpente, que simboliza a sabedoria, tornou-se uma grande ameaça ao monopólio do Ego, esse mantenedor da personalidade que criamos para o nosso Eu, a fim de participar do jogo organizado pela falida civilização dos Tempos Modernos. Portanto, ela, essa ameaçadora serpente, deve ser abominada, assim como a oferenda do fruto do conhecimento por ela oferecido, deve ser extirpado.

Experimentar desse fruto é conhecer-se a sim mesmo, sendo este justamente o ponto aonde se dá início ao exercício do instituto da Liberdade plena; e para tanto, faz-se cogente sair do padrão dessa estabilidade sustentado por esse passado que estabeleceu como paradigma, o fator do desconhecido como ameaça principal ao culto a própria personagem. 

É o acúmulo de conhecimento que impede o fluxo dessa sabedoria que leva ao estado de liberdade plena. Aprender o que há de verdade naquilo que sabemos, é o começo de uma mudança real, vinda através de um processo de investigação de si mesmo. Esse apego aos conceitos e noções, construídos pelo falso senso do Eu, faz com que criemos identificações, seja em relação a gênero, raça ou classe, naturalizando a exclusão daquilo que não atende aos padrões das nossas expectativas. 

Portanto, o desaprender e o desidentificar com tudo aquilo que vem através do aprendizado oficial e das imagens representativas estruturantes do nosso mundo externo, é o princípio que deve ser aplicado a essa sabedoria trazida pela serpente da kundalini, que se revela como uma ameaça dogmática gospel para a personalidade alimentada pelo ego.

Ver e Ser, sem mentalizar nem verbalizar é o caminho para o verdadeiro saber que, a exemplo da verdade, se apresenta em todo e cada novo amanhecer, visto que, o hoje, é o único presente disponível pra gente nesse agora; e o resto; tanto o passado como o futuro, são fragmentos que fazem parte um filme projetado para fazer sofrer, e para fugir da nossa casa, que é justamente o nosso agora, nosso tempo presente. O que está na tela dessa película de memórias e esperanças, não é real; são somente as lágrimas de tristeza e terror experimentados pelas emoções provocadas pelo sofrimento naturalizado nesses filmes antigos e futurísticos, de lembranças e expectativas, que oprimem a criança que existe em cada um de nós, tentando aprender a viver essa vida padronizada pela educação dos Tempos Modernos. 

Dito isto, podemos inferir que a aprendizagem coercitiva é a perpetuação do processo de escravagismo naturalizado pelos padrões coloniais, estabelecido como pilares da civilização na educação moderna, aonde, ao professor, é concedida a representatividade  de autoridade, para o  repasse do conhecimento autorizado pelo Estado. Dessa maneira, o professor é como uma moeda de ouro, que de um lado, traz a imagem de César e do outro lado, o enigma da esfinge; é o grau do comprometimento com cada lado dessa mesma moeda, que indubitavelmente se revelará no incômodo e pelo desconforto por ele provocado, seja no sistema educacional ou no educando, é que determinará o seu intangível valor na transformação e constituição do atual cenário, desde Hiroshima e Nagasaki até Terra do Nunca, diante desse espelho d’agua de Narciso que reflete o belo mistério do Mundo de Alice.



quinta-feira, 19 de agosto de 2021

I mólè kó ní tàn ti kò bá fi dúdú bo’ra - “A luz não brilhará sem primeiro se cobrir de escuridão”

Era uma vez uma pedra, que fora jogada de muito longe; muito longe mesmo. Atravessando, como um poderoso raio, o espaço tempo de éons, e partindo-se em mil pedaços no impacto contra o solo Gaiano.

Essa pedra; que era na verdade, um diamante bruto; foi transformada em mil seixos de carbono no baque virado do solo aquecido pelo sol maior. Aonde caiu, ficou; estagnada num movimento estático recorrente, vivenciando o looping da eterna continuação de sua chegada, com repetidas e incontáveis pedradas desnecessárias contra o generoso colo de Gaia; nessa detenção paradoxal, além de ficar completamente submersa pelo limo, criou em baixo de si, uma escuridão inarredável, que se estendeu para dentro do seu endurecido ser.

Dessa maneira, no espaço ao seu torno, o Tempo circundou fora de si; e ambos; Tempo e Espaço; ramificando-se, como os galhos de um milenar Baobá, fez dormir a consciência ao acordar o pensamento como sua primeira forma de autodefesa autocentrada.

Dessa forma, cada pedra, ao relacionar-se com os seus próprios Espaços/Tempo, progressivamente foram sofrendo mutações que as fizeram transmutar-se, ao serem submetidas a lapidação pelos elementos das estações de cada sítio em que permaneceram; até que viessem as tempestades, que lhes retiravam todo limo, trocando-as de espaços, aparando as suas arestas e potencializando essa lapidação através dos Tempos.

Durante esse pedregoso processo, muitas dessas pedras, fizeram de lustrosos e requintados sapatos, o seu confortável casulo; enquanto outras pedras preferiram ser acariciadas pelas mãos daqueles que possuíam os pés descalços e se antagonizavam com as diversas outras belicosas pedras transformadas em surpreendentes armas; outras ainda, decidiram ornamentar com alegrias incontidas todos os portais de Gaia, compondo harmonicamente as runas do tempo, demarcadoras do caminho de volta para casa; transformando-se assim, em diamantes plenamente lapidados pelo Tempo circundante nesse espaço intenso de Tempo real.

Quando cada pedra, a seu turno, descobrir que, a sua opacidade é somente um aspecto da sua própria luz interior, trajada pela escuridão exterior, percebendo finalmente, a importância de a luz ter que, antes de brilhar, se vestir de escuridão; compreenderá que, mesmo na condição de pedra opaca, ela é a própria Luz abstrusa em si mesma. Ou seja, é ela quem é a doadora, e também a recebedora do presente oferecido. Sendo assim, é no momento do agora, em nosso hoje, que recebemos a pedrada por nós desferida ontem.

Essa preciosa percepção só pode ser alcançada na experiência de se viver cada agora de nosso hoje, quando então, o pensamento se torna um complemento, e não mais o ator principal, protagonizando e conduzindo o Tempo e o espaço em torno de si mesmo; visto que, quem possuí o tempo é dono do pensamento, sem se deixar levar ou ser domado por esse assassino da realidade em que se tornou o pensamento, tornando-se assim, um senciente autoconsciente.

Portanto, podemos inferir que, a pedra, como uma metáfora de peso, igual a uma criança, ela é integralmente neutra, isenta do maniqueísmo, dualidade ou dicotomia, já que é o espaço e o Tempo que a transforma, na qualidade de criadora e criatura, em sua própria artesã. Esse princípio, só pode ser cognizado, a partir e através da autoconsciência. Ou seja, sem as justificativas e defesas estabelecidas pelo ego, que depende desses artifícios, para sobreviver de forma apolínea.

Por certo, o ego é o principal gestor de nossa escuridão, que jaz por debaixo e por dentro da nossa pedra coronária em estado bruto, exposta na vitrine da joalheria universal. O tempo e o vento, que move a tempestade desse inverno que burila a alma do Homem-Pedra, trazem consigo os Cavaleiros da Revelação com os quais pelejamos, nessa épica jornada do herói.

Enquanto as pedras continuarem a serem lançadas sobre pretextos e justificativas germinadas e cultivadas pelo ego, continuaremos a ser apedrejados hoje, pelas mesmas pedras que arremessamos ontem; já que somos a causa de, absolutamente, todas as consequências vividas em cada momento da nossa existência.

Que a partir desse Agora, não atire mais a primeira pedra quem jamais apedrejou; ou talvez sim.... Já que, somente dessa forma, descobriremos que as pedras nunca foram jogadas; elas é que se atiram, tendo a si mesma como alvo, nesse sítio multidimensional que é o Tempo quântico, simultaneamente absoluto e relativo quando o observado é o próprio observador. Dessa maneira, perceberemos que, a despeito das formas e cores diversas, somos tod@s pedras preciosas; somos um somente; e é justamente nessa percepção única, que passamos a compor essa imensurável joia universal, de inestimável valor, que brilha no firmamento ancestral, nas escuras noites da nossa existência, fulgurando na fronte da inominável Fonte Criativa.