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sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Receituário de um Médico de Almas

Viver é cantar, viver é dançar; viver é fazer poesia dessa música que é falada no dia-a-dia através dos sorrisos abraçados e concisos, fazendo brilhar a menina de cada olhar. A trilha sonora da nossa vida é diversa em seus estilos, cores e vibrações; pois cada vida, metaforicamente, é uma estação de rádio ou de televisão, aonde cada qual, pode sintonizar a sua estação ou o seu canal para se harmonizar com a composição universal, cantando, ouvindo ou dançando, enriquecendo seu próprio coletivo musical.

Nossos harmônicos entrantes pautados pelo amor incondicional, podem fazer parte do belo bailado de um filme romântico, de terror ou comédia nacional; entre a tragicomédia e a pantomina, basta escolher o que for melhor para você. A cada estação, desde a primavera até o verão, seja outonando ou invernando, durante a viagem no trem da vida que gira nesse parque de diversão chamado Terra; passamos pela montanha-russa de todas as atrações que vão do carrossel a profunda escuridão do fantasmagórico túnel do terror.

Por esse motivo, no ingresso adquirido na maternidade, consta no canhoto que não há condição, validade, em nem a certa idade para poder se decidir pela atração, poder ir ficar ou partir. Desde a bandinha de pop-rock nacional ao grupo Punk Internacional, ou da canção regional até a Orquestra Sinfônica Mundial, há todo e qualquer gosto musical; tem até os desafinados lado a lado com cantores de ópera, que ouvem Soul, Blues e bossa nova.

Sendo assim, se quisermos descobrir se o dito ser humano é um Ser que se faz vivo ou se encontra num momento intenso de profundo coma, basta aferir se o ritmo do seu coração reverbera no cérebro; se houver repercussão através de afetos ou se ressoar com sorrisos francos; é certo que o diagnóstico há de ser a presença da beleza da vida pulsando na batuta do seu pulso.

Mas há aqueles que escolhem permanecer encostados no balcão do bar, divagando sobre as falhas ocorridas no ontem e preocupados em labutar na manhã seguinte, enquanto ingerem o seu soro como sustentáculo, em vez de aproveitar a alegria do momento para cantar e bailar a alegria de ser o que é. Assim sendo, andar na linha e ficar em cima do muro se torna a sinonímia daqueles que preferem desembarcar da montanha-russa na estação seguinte, abandonando a diversão do carrossel desse trem de vida.

Cantar e dançar são os mais eficazes remédios para a alma poder se curar, pois não há contraindicação ou efeitos colaterais; salvo pela indiscriminada ingestão de sorrisos, que podem provocar o regurgito de ternura e afagos demasiadamente humanos.

Nessa receita, só não consta a especialidade do ramo medicinal exercida pelo médico em questão, nem o grau de ensino cursado por ele, e menos ainda o seu conhecimento gabaritado é discriminado. Não há notícias de que tenha ganho prêmios nacionais ou internacionais, e nem certificados ou provas de que tenha sido diplomado em Universidade de renome.

Esse médico sem nome, sujo de terra, que veio do mato, dançando na chuva e que ornamenta o premiado quadro do movimento antropofágico, foi autenticado pelo olor trazido de cada flor e pelos sorrisos vertidos das fadas faceiras, e por isso, foi academicamente folclorizado pelas urgências dos Tempos Modernos; justificando que receita oral não tem moral na sociedade atual, virando assim, a principal chacota farmacológica nos corredores asseados dos doutores.... Enquanto os cães ladram, o carrossel passa; e a gente, dança...

 

 

  

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