Então porque
a verdade do outro ainda incomoda tanto a gente, apesar de não conseguimos encontrar
a nossa própria verdade...? Porque nos preocupamos tanto com os erros dos
outros, quando ainda não conseguimos acertar os nossos próprios passos...?
Afinal, como foi que chegamos a definição daquilo que qualificamos como erro e categorizamos
como acertos, diante desse universo tão diverso, em que o certo e o errado acabam
por se dissolverem nessa escala fractal, aonde todos os seus degraus ascendem numa
infinita e grandiosa escala espiral...?
Porque permitimos
que as nossas emoções sejam transformadas em bolinhas de ping-pong, fazendo de nossa existência uma arriscada aposta ao permitir
que outrem escolham o lado do campo e decida as regras do jogo, assumindo de
vez, o comando do nosso vasto mundão.
É nesse jogo de emoções manipuladas, que a realidade está sempre a se modificar e a verdade a se perder, e num surpreendente paradoxo, faz de nosso casulo, um confortável e aconchegante ninho acolchoado com crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes; com o agravante de não haver a mão de uma águia-mãe no interior desse casulo que empurre do ninho os seus filhotinhos.
Dessa maneira,
dos sete bilhões de lepidópteras, muitas delas hão de preferir permanecer como
larvas, para, como polífagas, passear entre as verdades alheias, absorvendo-as
como se fossem inebriantes néctar florais. Outras vão preferir mariposear entre
as chamas bruxuleantes da própria escuridão, dando voltas até o seu próprio
delir; enquanto outros tantos, escolherão romper a crisálida para borboletear sobre
os diversos olores espargidos pelo reflexo do sol primaveril.
Entre o rastejar
sobre a lama das emoções manipuladas, e o voar entre as flores de verdades coloridas
e perfumadas pela magia dos sentimentos oriundos das próprias emoções
subjacentes, existe muito mais que um casulo de escolhas e uma crisálida de
decisões. Portanto, podemos inferir que existem sete bilhões de diferentes sentidos,
além dos prosaicos cincos já pré-estabelecidos, definidos e aceitos como tal.
Assim como
as flores, que se contrastam entre si, sem jamais deixarem de ser flores; e os pássaros,
em suas perfeitas diversidades, continuarem sendo pássaros em sua magnitude; também
uma pessoa, cada qual com a sua verdade, só poderá preservar a sua humanidade,
quando for capaz de aceitar-se enquanto parte de uma raça somente; a raça
humana. Esse é o primeiro passo para se abandonar o metafórico casulo da
inumanidade: mergulhando da crisálida pendente na árvore da vida que adorna o
centro do nosso Éden.
Nesse caso,
é preciso jogar fora os densos intentos, as preocupações concernentes a outrem
e todas as verdades alheias contraídas que se transformaram em crenças
limitantes, que faz pesar como bagagem desnecessária em nossa nave coronária. Só
assim, as asas da liberdade terão espaço suficiente para se distender, desatrofiando-se,
a fim de ganhar a vastidão desse espaço preso em nosso universo interno. Dessa forma,
o corpo memória poderá contar a sua própria história, como um pássaro que abandonou
a sua gaiola-casulo, cantando a alegria da liberdade, mesmo que tardia.

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