Nas
experiências vividas como Professor, tive a feliz oportunidade de aprender que, quando
se auxilia um infante ou um educando em seu processo de alfabetização, não há possibilidade
alguma de se aprender a ler por ele, ou no lugar dele; como elemento ativo de
sua própria educação, indubitavelmente, ele deve ser o protagonista da ação. Do
mesmo modo, aprendi que, quando há duas pessoas numa estrada, e se uma delas
fixar o olhar em direção a profunda escuridão da noite que jaz ao seu redor, enquanto
a outra pessoa se ocupa da observação dos sinais que anunciam a aproximação da
aurora; ambos, estarão corretos na exposição e sustentação de suas impressões
acerca das suas verdades abalizadas.
Em ambos os
casos, é notório perceber que a atenção segue a direção do olhar. Ou seja, naquilo em que o observador deter a sua atenção, é o que efetivamente passará a
existir para ele. Dessa maneira, o sujeito definitivamente, passa a ser a causa
de tudo que acontece com ele mesmo, e consequentemente, é também o responsável por
tudo o que acontece em seu entorno, e no resto do mundo que o rodeia.
Portanto, toda
a energia que emana do pensar e do sentir, banha completamente o corpo físico,
emocional e espiritual; e inevitavelmente, reflete de forma positiva ou patológica
em seu entorno, sendo convertido justamente naquilo que rotulamos e
classificamos como verdadeiro ou falso, necessário ou desnecessário, bom ou mal, etc. Dessa
maneira, mesmo os extremos não se cruzando, ambos os fenômenos são frutos da
mesma árvore; visto que tais frutos verdejantes, de vez ou maduros se
desenvolvem em conformidade com o solo em que foi semeado.
Portanto,
numa cultura aonde se semeia pimentas não há possibilidades da colheita de
morangos. Sentimentos são poderosíssimas sementes que, uma vez semeados, não
crescerá um pé de qualquer coisa, mas sim, será colhido exatamente aquilo que
foi disseminado, e que fractalmente, multiplicar-se-á a si mesmo, de acordo com
a estação. Ou seja, o tempo de semear e o tempo de colher, podem ser revelados
por períodos simultâneos, paralelos e circulares e tudo isso junto.
Consequentemente, o
fruto do pecado, nada mais é, do que resultado da intenção projetada e ativada pela própria mente, que de forma instantânea, se torna uma forma-pensamento concretizado na
4D, para em seguida se manifestar em 3D; esse processo se dá com a Serpente
subindo pela coluna desta árvore enraizada na região sacra, até ao
cérebro, para enfim, germinar sobre a dualidade de seus hemisférios, que é o lugar aonde
essa semente será alimentada pelo ego ou pelo Id.
Sendo assim,
essa Serpente, que simboliza a sabedoria, tornou-se uma grande ameaça ao
monopólio do Ego, esse mantenedor da personalidade que criamos para o nosso Eu,
a fim de participar do jogo organizado pela falida civilização dos Tempos
Modernos. Portanto, ela, essa ameaçadora serpente, deve ser abominada, assim como a oferenda do fruto
do conhecimento por ela oferecido, deve ser extirpado.
Experimentar desse fruto é conhecer-se a sim mesmo, sendo este justamente o ponto aonde se dá início ao exercício do instituto da Liberdade plena; e para tanto, faz-se cogente sair do padrão dessa estabilidade sustentado por esse passado que estabeleceu como paradigma, o fator do desconhecido como ameaça principal ao culto a própria personagem.
É o acúmulo de conhecimento que impede o fluxo dessa sabedoria que leva ao estado de liberdade plena. Aprender o que há de verdade naquilo que sabemos, é o começo de uma mudança real, vinda através de um processo de investigação de si mesmo. Esse apego aos conceitos e noções, construídos pelo falso senso do Eu, faz com que criemos identificações, seja em relação a gênero, raça ou classe, naturalizando a exclusão daquilo que não atende aos padrões das nossas expectativas.
Portanto, o desaprender e o desidentificar com tudo aquilo que vem através do aprendizado oficial e das imagens representativas estruturantes do nosso mundo externo, é o princípio que deve ser aplicado a essa sabedoria trazida pela serpente da kundalini, que se revela como uma ameaça dogmática gospel para a personalidade alimentada pelo ego.
Ver e Ser, sem mentalizar nem verbalizar é o caminho para o verdadeiro saber que, a exemplo da verdade, se apresenta em todo e cada novo amanhecer, visto que, o hoje, é o único presente disponível pra gente nesse agora; e o resto; tanto o passado como o futuro, são fragmentos que fazem parte um filme projetado para fazer sofrer, e para fugir da nossa casa, que é justamente o nosso agora, nosso tempo presente. O que está na tela dessa película de memórias e esperanças, não é real; são somente as lágrimas de tristeza e terror experimentados pelas emoções provocadas pelo sofrimento naturalizado nesses filmes antigos e futurísticos, de lembranças e expectativas, que oprimem a criança que existe em cada um de nós, tentando aprender a viver essa vida padronizada pela educação dos Tempos Modernos.
Dito isto, podemos inferir que a aprendizagem coercitiva é a perpetuação do processo de escravagismo naturalizado pelos padrões coloniais, estabelecido como pilares da civilização na educação moderna, aonde, ao professor, é concedida a representatividade de autoridade, para o repasse do conhecimento autorizado pelo Estado. Dessa maneira, o professor é como uma moeda de ouro, que de um lado, traz a imagem de César e do outro lado, o enigma da esfinge; é o grau do comprometimento com cada lado dessa mesma moeda, que indubitavelmente se revelará no incômodo e pelo desconforto por ele provocado, seja no sistema educacional ou no educando, é que determinará o seu intangível valor na transformação e constituição do atual cenário, desde Hiroshima e Nagasaki até Terra do Nunca, diante desse espelho d’agua de Narciso que reflete o belo mistério do Mundo de Alice.
Nenhum comentário:
Postar um comentário