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domingo, 12 de setembro de 2021

A César o Que É de César...

A vida não é uma sala de espera, visto que, absolutamente tudo acontece no agora: A Liberdade, o Amor a Felicidade, e mesmo a própria vida. Análogo uma moeda, dividimos a nós mesmos em duas partes; dentro e fora, passado e futuro, claro e escuro, bom e mal, etc. nos esquecendo do nosso próprio valor enquanto Ser integral. Sendo assim, no paradoxo dessa dicotomia, o passado, como um gigantesco cemitério, é somente um lugar de lembranças e saudades; enquanto o futuro, é inexistente; porque ele só pode acontecer no hoje.

A intenção e a atenção ao real valor do momento vivido é impedido pelo pensamento, oriundo da mente, que sempre mente, evitando assim, a percepção de que somos a nossa própria liberdade; somos a própria paz que procuramos; somos essa verdadeira felicidade tão esperada, que não é percebida por conta do turbilhão de desejos projetado pela mente.

É o passado que traz o sofrimento, enquanto o futuro traz somente o que é transitório, estruturando esse mundo imaginário, estabelecido pelos padrões do pensamento condicionado, e herdado como modus vivendi.

Nosso corpo é a nossa casa, é o lar que deve também ser, além de um Templo sagrado, uma animada casa de festas e uma requintada e elegante loja. Por isso, a atribuição do valor intrínseco dessa metafórica moeda em que fomos transformados, só pode ser conferido por nós mesmos, e jamais por outrem.

Fomos fragmentamos, a partir das identidades aferidas pela dualidade presente nas faces dessa moeda; e uma vez taxonomizados, deixamos de ser sujeitos e passamos à categoria de objetos. Permitindo que as identificações trazidas pelas nossas personagens do passado, ou pela personalidade construída pelo ego, transforme o indivíduo num expectador de um filme aonde ele jamais será o protagonista, porque o expectador não vive, ele apenas cumpre passivamente o papel subalterno a ele atribuído.

Ao desviar a nossa plena atenção do momento presente, perdemos também a virtude do sermos o que somos. Ou seja, perdemos o valor intrínseco dessa metafórica moeda de ouro, que acaba se transformando em barro através do olhar da Medusa. Portanto, o verdadeiro ser precisa desvincular-se do passado, e de um presumível futuro, para poder estar consciente de si mesmo e de sua plenitude.

A mente continuamente produz e projeta imagens, enquanto perdemos nosso tempo tentando compreendê-la e interpreta-la, nos confundindo assim, com as próprias imagens projetadas, quando nos fixamos somente em tais projeções, e não para a fonte da projeção. Dessa maneira, deixamos de compreender que não somos a imagem projetada pela mente, deixando assim, de ir além dos conceitos e ideias padronizados pelo passado, que são projetadas para o futuro; fazendo do presente; um limbo, esse lugar fora do tempo, que nos faz desprezar a imagem do pobre e dobrar os joelhos diante dos poderosos.

Dessa maneira, a percepção da beleza que nos ronda, só pode ser sentida e vista através dos olhos do amor, que enxerga na elegância trazida por cada momento, a gentileza que sustenta a existência; na medida em que; o que está fora; também é o que está dentro. Dessa maneira, a magia só pode ser vista através dos olhos da criança; pois esse é um olhar que jamais traz julgamentos, críticas, ideias ou conceitos pré-estabelecidos como juízo de valor.

A identificação com algo, por si só, já traz a distinção desse valor que é exposto em ambos os lados dessa mesma moeda, fazendo o amor e o ódio caminharem juntos, assim como a luz e a escuridão e toda a família de opostos. Esse estado dualístico é responsável pelo modo de pensar e falar justamente o que a mente mostra; transformando a realidade num mero objeto dessa mesma mente.

Para uma mente escravizada, a verdade sempre permanece oculta, pois a mente é aquela que discrimina, ilusiona, gosta, desgosta, deduz... trazendo o senso de perdas e ganhos, reduzindo as dez-mil-coisas num determinado valor estampado e patenteado na face dessa moeda.

Sendo assim, o caminho da verdade está além da linguagem do ser que somos; ser que é infinitamente pequeno e infinitamente grande. Portanto, Ser um ser mental é o mesmo que assumir a função de uma bola de ping-pong, tendo as suas emoções provocadas e controladas pelos pensamentos padronizados que, ao contrário da consciência, reside fora do tempo presente. 

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