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quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Espeleologia

 

As inúmeras pessoas existentes dentro da própria pessoa, é aquela mesma pessoa que ama e odeia; constrói e destrói, sendo anjo ou demônio, Divino ou trevoso. Ela é o seu próprio portal exibido em forma de espelho, por onde adentram todas as imagens emitidas no dia-a-dia, resultante da projeção da sua relação com o outro e consigo mesmo; transformando de tal modo, a própria pessoa num labirinto de diáfanos, aonde as escolhas feitas são expostas, quando são executadas através do discernimento advindo da autoconsciência, ou originadas dos pensamentos, sentimentos e emoções provocados pela egrégora do ambiente externo, suscitando um processo, que, peremptoriamente, conduzirá o dito-cujo ao seu apocalipse personal.

Cada imagem emitida que escolhemos para prender a nossa atenção, é sintonizada por uma frequência por nós acolhida; iniciando assim, um processo ideoplástico que holograficamente concretiza toda a realidade ao nosso derredor, consolidando deste modo, a experiência da Dupla Fenda, aonde a energia em forma de ondas se transformam em partículas.

Dessa maneira, tudo aquilo que enxergamos no outro, efetivamente é projetado a partir do nosso interior, nos levando a expor as nossas próprias sombras, para que as mesmas sejam acolhidas, direcionadas e solucionadas; e como artesões que devemos ser na arte de viver, precisamos delinear os contrastes e as nuances, necessárias a resolução dos problemas expostos no Quadro Negro dessa matemática da existência.

É dessa forma que a pessoa descobre, que, o gelo também queima, e a teoria da relatividade passa a ser só mais um Quantum da realidade projetada por esse espelho, aonde, de um polo ao outro, a energia é somente uma.

Portanto, olhar para o espelho da vida, enxergando apenas as imagens sacralizadas pelo Inconsciente Coletivo, definitivamente nos induzirá a ser mais um partícipe voluntário desse jogo de pinball, que é realizado no interior desse labirinto que espelha e reflete cada pensamento, emoções e sentimento emanados pelo jogador, movimentando assim, esse jogo de atração e rejeição.

Após toda essa longa jornada, aonde nos embriagamos, sorvendo do cálice das emoções trazidas por todos os sentimentos sentidos; alcançando de tal modo, o nosso aludido apocalipse pessoal; descobriremos enfim, que nós somos a bolinha desse jogo, que fora inserida e plasmada como uma espécie de sonda, oriunda de uma Consciência Maior, revelando-se agora, como sendo a essência do próprio jogador, vinda especialmente para experienciar, nas profundezas sombrias da existência periférica, a separação da sua própria luz, observando-se na dualidade dos seus polos.

Portanto, podemos inferir, que, é a retórica do livre-arbítrio que nos impele a focar a nossa atenção, justamente naquilo que consideramos como sendo certo, nos fazendo apartar daquilo que, aparentemente, consideramos ser errado. Porém, seguindo essa premissa, de que, quando focando no certo, teremos a certeza de estarmos corretos, da mesma forma, seguindo a lógica, quando focamos naquilo que é errado, estaremos igualmente errados.

Contudo, nesse processo de se fazer juízo de valor, classificando cada conduta como correta ou incorreta, vamos inferir que tal categorização é simplesmente uma questão de ressonância, compreendendo finalmente, que, o certo e o errado não existem; o que existe são experiências, e que, as experiências pertencem exclusivamente a cada experimentador; mesmo que seja vivenciada de forma coletiva.

Sendo assim, o fato de interferir ou insistir em fazer da experiência do outro, a nossa própria experiência; é um processo que efetivamente nos transformará em clones, produzidos e projetados através desse espelho, que vem a ser o outro; nos levando assim, a estabelecer e consolidar uma sociedade de androides, aonde reproduzimos experiências programadas em série, pasteurizadas a partir de sentimentos planejados pelos sentidos alheios.

Dessa forma, se não nos servirmos desse Santo Graal, que vem a ser o nosso próprio cálice repleto das emoções a serem experimentadas plenamente; a fim de que, ao sorvê-las, possamos reconhece-las; transmutando assim, as sombras da nossa dualidade, transformando-as na sobriedade que repousa entre as polaridades existente em nosso ser; de outra forma, ele, o nosso cálice, permanecerá cheio, repleno com as realidades delineadas pelos sentimentos e emoções, emanadas por aquele à qual cedemos o nosso poder.

Assim sendo, o nosso apocalipse, exige que liberemos as experiências de emoções alheias, usadas por nós como bússola, passando a assumir as responsabilidades de um ser humano adulto, que reconhece em si, além da própria humanidade, toda a humanidade do mundo contida nele mesmo. Inferindo, portanto, que, mudar a si mesmo, implica na mudança da humanidade.

Só dessa maneira, a pessoa conseguirá se desapegar dessa roda do hamster, que fora estrategicamente arquitetada no interior desse labirinto, a fim de formatar o looping dessa caverna contemporânea, que proporciona a devida segurança psicológica, na dualidade vivida nesse espaço de tempo holográfico.

Sendo assim, somente rasgando os véus dessa realidade imaginária, a holografia vigente virá a se fragmentar, revelando a verdade dessa caverna em nosso entorno, que fora construída pelos manipuladores do hipnótico projetor de meias verdades, e certezas ilusórias; manipuladores que nós mesmos elegemos como representantes políticos e religiosos, definidores dos nossos destinos.

Sendo assim, o fato de quebrarmos espelhos, destruindo todas as imagens subliminares que materializam a nossa realidade como tal, é um ato de honra, que requer muita coragem e integridade.

Portanto, é natural que a assunção das responsabilidades desse heroico ato, se transforme num fato histórico, que será alegremente entoado através das canções dos Menestréis, Aedos e Dielis, que se apresentam enquanto é servido o Graal que celebra a nossa existência, nos festejos realizados do lado de fora desse curral humano, que enfeita a pomposa paisagem refletida nesse espelho, fixado no interior das cavernas dos Tempos Modernos, aonde Narcisos e Medusas se miram enquanto são engolfados pela escravidão mental e psicológica, reinante nos destinos dessa Necrópole, jocosamente conceituada como civilização.

O magnífico festejo desse ato, se dará somente após sermos categorizados e taxados como rebeldes, conspiradores, lunáticos e ovelhas negra da família, pelos eminentes habitantes desse curral humano, que se miram nesse hipnotizante espelho, procurando e apontando um caminho inexistente, sem atinar, que, a única saída dessa caverna, só pode ser acessada através do auto resgate.

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