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sábado, 16 de outubro de 2021

No Teatro de Sombras da Sociedade Amedrontada

O Senso de Justiça reservado unicamente ao intelecto, não serve nem como peça de museu; é preciso retire-lo das gavetas do pensamento para arejá-lo, a fim de pô-lo em movimento, pois o intelecto não conhece a verdade; e se chegar a conhece-la, ele a abomina.

O intelecto é o gerente do ego, quando se trata de cumprir quaisquer papeis social; enquanto o pensamento, é o mordomo cuidador da personalidade, formada para desempenhar e performar esse papel. A pessoa que possui o pensamento como guia, se confunde com o personagem criado, acreditando que o seu conhecimento é realmente seu, quando na verdade, lhe foi outorgado através do condicionamento social e biológico.

Portanto, tudo aquilo que ressoar com as crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes dessa pessoa que cumpre o papel de seu personagem, será recorrente a esse intelecto, que tem a sua reação programada já prescrita pela bula gospel dos Tempos Modernos.

Essa colonização mental, é o resultado da tatuagem marcada a ferro e a fogo, e deixada na memória celular desse corpo de dor progênie escravizado; visto que, entre as sentenças que são ditadas por um juiz renomado e as sentenças proferidas por uma desconhecida anciã, vinda de lugar nenhum, inevitavelmente se encontrarão em lados e lugares opostos; visto que o primeiro segue um modelo padrão, estabelecido por uma bula acadêmica; e a segunda, como Salomão, segue a razão do coração. Ou seja, enquanto um cumpre o seu papel, a outra segue pelo conhecimento da causa.

Quando deixarmos de lado o papel social, que nos fora imposto através da violência colonial, nos tornaremos seres autênticos, originais; e não mais as pessoas falsas, que fazem uso das máscaras sociais como mordaças que limitam a livre expressão. O medo psicológico, como vírus cultivado em laboratório, é o principal elemento patológico que nos tem feito recusar a saída desse papel subalterno, dramatizado sobre o palco da vida.

A coragem, a ousadia e a disciplina seriam os elementos-sementes contrastante à cultura do terror psicológico, que criaram inúmeras camadas de ignorância e dissonâncias cognitivas, adjudicadas pelos administradores dos Tempos Modernos; e essa resposta ecoa através da rebeldia silenciosa encerrada no peito.

Tal resposta se faz presente na desobediência à programação de uma agenda imposta pelo terror estatal, atribuída aos detentores do papel social. Só assim, muitas das máscaras poderão cair enquanto outras são arrancadas. Desse modo, a tragédia e a pantomina se revelarão enquanto cenas deliberadamente montadas sobre a direção das pérfidas sombras bruxuleantes dos bastidores, enquanto deixamos a condição de meros expectadores para protagonistas de fato.

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