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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

De Amigo Secreto a Realeza Monádica

Refastelado sobre a dourada e macia areia da praia, observando a magnífica sucessão dos Dias e das noites, olhando para os passos singelos do Sol em sua métrica contradança diante da Lua; refletindo sobre, o que seria dos habitantes de Gaia, se não existisse esses maravilhosos e perpétuos ciclos fractais de continuidade espiralar; como uma infinita escada; que possibilitam toda a existência do tudo, nesse agora que é exibido no eterno espetáculo sobre o palco da vida que se desenrola nesse pontinho suspenso da Via Láctea. Quero dar continuidade a essa reflexão, ponderando sobre o aguerrido apego construído em torno da dicotomia cultivada em relação ao bem e ao mal, assim como tudo aquilo que julgamos como certo e errado.

Foi nas rédeas de um pueril princípio humano, quando aqui abanquei; até descobrir a sobre existência de milhares de outras ilhas em meu entorno e centenas de milhares de outras esplêndidas praias paradisíacas espalhadas como poros sobre o corpo de Gaia; acreditava até então, ser esta minha praia, a única praia existente que contornava a minha, também única ilha vivente nesse meu conhecido universo; mas durante a certeza que a segurança nessa crença limitante me proporcionava, lá no meu íntimo, me sentia como aquele peixinho dourado vagando no conforto do seu aquário, desconfiando sempre da existência de algo mais, além do vítreo véu exibido pela contraditória transparência desse metafórico aquário, aceito como a aparência do que era meu mundo real; foi quando de repente, esse simbólico peixinho aqui, mergulhando em si, na eternidade de um breve momento de serenidade interior, pude enfim, vislumbrar a agitada torrente de um mar encapelado que congestionava minha mente com realidades manufaturadas por papeis, número de série, relógios, calendários, notícias e manchetes sensacionalistas de todos os dias, que formatavam a linearidade da  minha existência e do meu cotidiano. 

Foi usando a consciência como carta de navegação para sair desse aquário, a fim de ganhar um córrego, aproximar-me de um rio, até adentrar ao mar, cruzando as profundezas abissais do desmedido oceano, que enfim, descortinou-se em mim, um trabalho de intensas buscas e inexplicáveis descobertas; num processo que só poderia se iniciar, após o definitivo desprendimento dessa zona de conforto projetada pela cultura escravagista; e desse modo, finalmente poderia chegar ao espaço das ilimitadas possibilidades; chegando justamente nesse espaço aonde o tempo é um ponto em torno de si mesmo; e de forma fractal; como um ínfimo grão de areia, ele; o tempo, se espalha pelas praias de todos os mundos e planetas adensados ou não; e como um, multiplica-se em si mesmo, diante dessa morada fixada no próprio infinito.

Dessa forma, a frase grafada sobre o Portal da Pirâmide egípcia, “Conheça a Verdade e a Verdade Vos Libertará”, seria enfim, compreendida de fato. Enfim, saberíamos que não somos pequenos, como sempre nos fizeram acreditar. Mas sim, descobriríamos que, nesse cruento processo, nos transformamos num coletivo fraturado pela cultura do medo e da dor; trazendo a alma carregada de cicatrizes profundas; e como uma rosa, que exala o seu perfume em flor, só conseguimos atentar para as aflições provocadas pelos sangrentos espinhos do horror; foi assim que deixamos de sentir o aroma da vida, para inconscientemente nos fixarmos na pulsão de morte, instituído por um estranho paradoxo, que trazia ao mesmo tempo, o medo da morte e a batalha pela sobrevivência num cotidiano cruelmente inumano, especializado em produzir vítimas e vitimizados, ao manipular o poder criador dos protagonistas de seus próprios destinos.

Dessa forma, é necessário perceber que o certo e o errado são faces distintas da mesma moeda, assim como a existência do bem e do mal, que, análogos a dança do sol com a lua, produzem e ordenam os ciclos terrestres produtores da existência, dando vida a própria terra.

Portanto, a necessidade de se lidar com a nossa luz e escuridão, é o caminho mais diligente para se abandonar o exercício da crítica e do julgamento alheio, já que, quando focamos no problema do outro e não na solução do problema apresentado, nós nos permitimos a ser guiados exclusivamente através do ego, nos tornando cada vez mais, menos humano, a fim de exercer a missão separatista outorgada pelo sistema escravocrata, que até o momento, através de suas instituições, exerce o poder de nos educar e nos alimentar em todos os sentidos.

Andar na contramão desse sistema, exercendo a desobediência epistemológica e civil, na distinta condição de ovelha negra e não na de um rancoroso carneiro de Panúrgio, sendo como a água que corre entre as pedras, troncos e raízes, que desconhece os obstáculos, mas que, ao mesmo tempo, se adapta, nunca deixando de ser o que é, é o caminho, onde não existe caminho, a ser trilhado até a chegada aos mistérios do grande Calunga. É nesse ponto exato que principiamos a viagem de partida e chegada como iniciado junto ao seu Eu superior, concluindo enfim, a realeza divina de sua magnífica Mônada. 

sábado, 9 de janeiro de 2021

A Metafísica da Jardinagem na Agronomia Universal

Todo ser humano é um potente agricultor, visto que, invariavelmente, seus atos e pensamentos; e tudo mais que emanar do seu coração e de sua mente; se transforma numa poderosíssima super semente; gerando frutos que inevitavelmente ultrapassarão o tempo e o espaço, indo muito além do próprio semeador. Portanto, é notória e patente a eclosão de cada semente-pensamento, gerando a toda a nossa forma de ver e sentir o mundo, ser exibida como uma criação com a assinatura e autoria definidas, na saga de uma vida vivida desde o céu até o umbral. Portanto, não existe escapatória para esse fenomenal axioma cosmológico.

Alguns rotulam esse processo, que preconiza que toda ação resulta numa reação, como Lei de retorno, Lei de Talião, etc., por conseguinte, tudo aquilo que fazemos em nosso cotidiano, metaforicamente, significa que estamos a semear um magnífico pomar com frutas diversas, um mágico bosque encantado ou uma fantasmagórica floresta assombrada nas dependências de nosso próprio lar; nosso teto; nosso mundo.

Cada suspiro que acompanha um pensamento, cada intenção e cada lamento, são como estrelas no firmamento; pois eles trazem consigo sentimentos que podem iluminar ou até mesmo nublar cada hora do nosso dia, do cotidiano ou estação do ano; e como qualquer fruto, eles germinam, crescem e amadurecem, a fim de saciar a fome do dia ou provocar uma bruta anorexia, dando assim, ao corpo, a mesma forma da alma, seja enferma ou sadia.

Somos Deuses e Deusas, criadores do Universo que existe em cada um de nós; universo que, por sua vez, formam os Multiversos que constituem o infinito Cosmo. Portanto, olhar para as estrelas no firmamento, é encarar e reconhecer a si mesmo nesse espelho que a vida sempre foi. Sendo assim, esse mesmo espelho, ininterruptamente responderá sempre, que, não há ninguém mais belo do que Você, Eu e Nós; porque somos todos, a imagem e semelhança do Amor: o criador, autor e fundador do Tudo e do Todo.

Nossos pensamentos, uma vez, nublados pelo ego, consentiram infundir e perpetuar um funesto sono em seu eterno e imortal Deus interior, ao narcotizar, separar, acorrentar e manipular os sentimentos contidos em seu sagrado ser. Desde o fruto da Árvore do Conhecimento à Maçã da Branca de Neve, que, ouvindo o canto da sereia, criamos uma realidade manipulada pelos escravagista que acorrentaram as nossas emoções, provocando pensamentos limitantes e sentimentos descapacitantes; construídos pelos sedutores sonhos de possuir uma bela mansão, uma casa na praia e carro do ano; a maravilhosas promessas de um fictícia Terra Prometida e um Paraíso Celeste; promessas essas, impressas e digitalizadas em livros sacralizados.

Desse mesmo modo, personificaram um Deus ficcional e disfuncional, e aproveitaram o ensejo para fabricar um Diabo ocasional para justificar quaisquer erros legal, real ou normal. Esse foi o golpe de mestre, o pulo do gato. Ou seja, foi a maneira mais eficiente, e habilmente usada, para realizar o distanciamento entre o divino e o humano.

Definitivamente o ser humano é um Deus. Mas, a fonte criativa, a Consciência Universal; não é um ser humano. Análogo a um ponto que dá origem a um círculo, Ele é o Tudo que está no Todo, da mesma forma que o Todo está em Tudo.

Que as nossas palavras sejam flóreas sementes candentes; assim como os nossos atos, sejam transformados num flamejante jardim de luz, para que, os mais recônditos umbrais se transmutem em fulgentes Édens; gerando assim, os devidos frutos do conhecimento há muito ocultado no imo das trevosas brumas de outrora.

Sejamos os jardineiros no Universo dos pomares do nosso Olimpo, e não mais o ceifador temível e ameaçador Caronte, capitão do tenebroso Tumbeiro que se camufla nas profundezas das cavernas platônicas, e navega livremente na superfície dos textos, disfarçado e protegido pelas letras dos discursos retóricos.

As palavras e as ações, são sementes; reluzentes ou não; mas, somente o fruto dessa semente é certeza inconteste; tão exato como a neve se derrete ao sabor abrasador do vulcão queimante; ou como a caudalosa chuva que irriga o chão assolado por longa estiagem; e assim como os raios Solares, que jamais existiriam sem a imperiosa e pungente presença do Sol, a sementeira universal também não existiria sem o seu semeador; mesmo que esse semeador seja totalmente inconsciente, ou se achar por demais inteligente para considerar esse processo como fato; inevitavelmente ele conhecerá o sucesso ou o fracasso gerado por cada ato, totalmente axiomático.

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Om Mani Padme Hum

Observar, Aprender e Amar: como um negro gato grávido de muitas vidas já vividas; sem quaisquer medos, damos saltos de Alegria de noite e de dia; com extrema maestria; enquanto o ego se cala e silenciosamente o coração fala, chamando e procurando por nós mesmos, no interior de cada nó cego transformado em laço singelo, ao sentir no regaço, o aroma das rosas e a dor dos espinhos; eis o segredo da missão acordada de cór; desde sempre; até o momento presente.

O primeiro salto de fé rumo ao desconhecido, executado sobre a nano imensidão escura desse vazio; nesse espaço sem o chão da razão comumente usada como apoio das bengalas que escoram a nossa falsa proteção; exibimos como quesitos únicos de pontuação, somente o desapego e a aceitação como espada e escudo de combate, para executar essa missão possível, plena de descobertas e exploração.

Desvendar e cultivar o nosso continente cosmológico interno, pleno de Galáxias, Universos, Multiverso e Omniversos, requer uma atenção especial focada e voltada para o coração, que é a nossa fonte dos Duelos desprovidos de revanches ou retaliação. É dessa forma que nos sagramos Cavaleiros, não de uma cruzada evangelizadora de outrem, mas sim, de uma cruzada Cristalina, ou Crística, em busca desse Deus interior que sempre esteve lá; pois é a fonte criativa, é a Consciência Universal, o inominável com mais de mil nomes.

Tudo fora dele, dessa fonte criativa, é reflexo daquilo que o sujeito carrega em sua alma; pois, a exemplo do criador; ele também cria sua própria realidade. Mas, equivocadamente, tem relegado a responsabilidade de sua própria criação a um Deus humanizado, patenteado e disfuncional, que reside num palácio de ouro, refestelado num fictício trono de pedras reluzentes nos confins de um céu inexistente.

Enquanto estivermos executando a função de eco, reproduzindo esse discurso colonizador e escravagista que instituiu o paradigma do movimento de invasão e pilhagem de terras aborígenes e indígenas, como narrativas oficiais de extraordinárias descobertas científicas da história moderna, continuaremos a olhar para fora de nós mesmos, em direção a esse deus disfuncional, construído pela narrativa dominante e patenteado pelo poder escravagista colonial, como ideologia descapacitante mantenedora de todas as crenças limitantes, que nos formatam enquanto produtos, social e biologicamente condicionados.

Portanto, o compassivo e afetuoso processo de olhar para dentro de si, é a verdadeira descoberta que determinará a apropriada evolução humana; pois só assim, perceberemos que a verdade vem de dentro; visto que ela, a verdade, não pode ser dita nem narrada; é como um dedo apontado em direção a lua; também ela, a verdade, pode ser somente apontada; a sua descoberta cabe a cada pessoa.

Mas, no momento, a nossa permissividade à escravidão mental consegue identificar no discurso colonizador, somente o dedo apontando uma direção, enquanto oculta a lua e revela unicamente os reflexos da nossa própria escuridão, que vem a ser o receio de um doloroso futuro inexistente, provocado através dos nossos medos, adquiridos através dos sofrimentos oriundos no pelourinho, que geraram os presentes traumas humanos.

Olhar para dentro de si, é descobrir e explorar o seu próprio centro de poder; poder este que hoje é cedido ao cataléptico Estado de escravidão mental, limitante da expressão da pessoa plena de si, enquanto coletivo humano; e nesse compassivo processo, ao descobrir que somos um, Deus deixará de ter mil nomes para enfim, tornar-se um. Só assim, descobriremos que Deus é Amor e não um punhado de nomenclaturas ordenadas por ritos, bulas e regras descritos pelas crenças limitantes pregadas nas inúmeras religiões existentes.

Para curar-se desses traumas, oriundos do medo; é necessário o olhar afetuoso para si mesmo; e sem críticas ou julgamentos, desapegar-se dessas crenças limitantes aprendidas desde o berço, relegando assim, a nossa felicidade unicamente ao momento presente. Dessa forma, deixando ir, teremos espaço suficiente para descobrir, ou redescobrir, e explorar o novo paradigma do agora; teremos enfim, tempo de, metaforicamente, olhar a lua, e não mais nos determos na eterna dúvida na direção a se seguir; já que o tudo está no todo e o todo está em tudo, desde o aroma das rosas até a dor do espinho, esses sentimentos inevitavelmente serão suscitados durante o ousado salto executado através das grades dessa gaiola que enclausuram o nosso sagrado coração.

Somos como um vistoso pássaro cativo a cantar no interior de sua gaiola, ou como aquele meigo peixinho dourado circunscrito ao restrito espaço do seu belo aquário. Ambos, a exemplo das crenças limitantes que formatam o nosso mundo, têm as suas realidades concretas expressas nas grades e vidros que os circundam, sem que eles, assim como nós, tenham a mínima consciência sobre tal fato.

O medo do imenso vazio ou do profundo oceano, se ajustam entre a conformidade do daquilo que é conhecido, frente ao profundo mistério que permeia o desconhecido.  Foi desse modo que a pessoa humana se adaptou a pseudo segurança proporcionada pela rotina expostas nas paredes do seu ilusório mundo, se conformando em entoar o seu triste blues, acorrentado aos sentimentos domesticados e formatados pelo inconsciente coletivo, provenientes de seus mais profundos traumas.

Assim, os mais simples comentários a respeito de quaisquer ideias referente a algum tipo de metamorfose dirigidos a uma crisálida, podem simplesmente soar como o final dos tempos; um tenebroso e formidável armagedom. Por isso, esse processo se transformou numa luta, num permanente combate consigo mesmo; visto que, somente a própria pessoa pode se permitir caminhar, ou parar no caminho em direção a ela mesma.

Este é um contundente processo de escolha: ser uma pessoa plena de fato, ou ser resultado da manufatura de um mero produto de ocasião. Ou seja, é a escolha entre ser direcionado pelos sacralizados fantasmas dos traumas do verão passado; suscitados e continuamente ressuscitados através de nossos próprios medos; ou escolher ser guiado pela eternal presença do Deus interior; esse mesmo Deus que permitimos ser narcotizado no interior do nosso sagrado Eu Sou... É como na alegoria do dedo apontado para a Lua mencionado pelo filósofo e artista marcial Bruce Lee. Esse mesmo filósofo peremptoriamente nos admoesta a não deter a nossa atenção no dedo apontado, pois dessa forma, perderemos toda a potência, a beleza e o esplendor da Lua.

Como o compassivo processo de enxergar-se a Lua, metaforicamente significa o romper de grades e a quebra dos frágeis vidros dessa vistosa vitrine, na qual fomos expostos e condicionados como resultado de um pérfido produto narrativo; há de ser esperar que esse processo seja exibido pelas manchetes e tabloides sensacionalistas como algo extremamente dramático, e até mesmo violento para aqueles que dormitam; e, por outro lado, seja também exibido como uma advertência a fim de admoestar aqueles que se acham por demais inteligentes para atentar para tal fato, e como qualquer zumbi capitalista, sonambulam no alto do púlpito imagético, armado no picadeiro da sociedade Hollywoodiana.

Sendo assim, é este o momento em que, a crisálida escolhe entre o desacreditar na possibilidade numa existência além do casulo e, por conseguinte, na probabilidade de uma vida após a vida; cultivando assim, o doméstico medo de sua inevitável metamorfose; ou escolher efetivamente partir para o seu salto de fé em seu desconhecido vazio, desapegando-se das experiências passadas num traumático passado; além das expectativas virtuais num possível futuro; para assumir renovadas perspectivas de cada momento que se apresentam como mais um presente no Jardim do nosso eterno Agora; transformando seu sagrado peito, no paradisíaco Novo Portal de retorno ao Éden Ancestral.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

A Consciência do Silêncio: O Supremo Poder do Nada com a Força de Mil Sóis.

A Porta que se fecha e a mesma porta que se abre, assim como tudo aquilo que dizemos, é ouvido pelo próprio corpo. É no silêncio que a Consciência eclode e se faz autoconsciente, revelando, após eterno looping, tudo que realmente é; até que, finalmente percebamos que, cada lado é somente um, e que, cada porta que vemos fechar-se, na verdade está se abrindo.

Essa holografia coletiva em que se tornou a vida sobre Gaia; paradoxalmente, é vivida de forma individual; criando a realidade de cada ser, que se encontra diante dessa porta conhecida e conceituada como futuro: num processo que pode ser linear; trazendo mais do mesmo; ou pode ser mais uma espetacular descoberta, para o buscador de si mesmo.

Cada realidade correspondente a uma porta aberta, é análogo a vivência de um jogo (coletivo) virtual, aonde cada porta passa a ter a sua própria dimensão, como o universo de cada indivíduo, que obedece ao conhecimento que lhe é intrínseco.

A consciência criativa primordial, que as religiões batizam como Deus; é tudo o que há, e tudo o que é; é a Fonte Criativa que multiplicou fractalmente a si mesmo, transformando-se nessa própria criação, que não se reconhece enquanto criador, em consequência do hipnotismo projetado pela Matrix, que transformou esse corredor de infinitas portas, num pérfido espelho de si mesma, a fim de dominar e controlar, exercendo o escravismo como forma de poder.

Por isso, cada porta construída pelos condutores dos Tempos Modernos, e ornamentada pelo incontrolável apetite por poder, tornou-se o módulo de sobrevivência para o neófito, que adentra a realidade formatada por essa mesma Matrix, que congela e sacraliza cada crença limitante atrás dessa falsa porta.

Quando percebermos que, não há nenhuma necessidade de se abrir quaisquer dessas portas pomposamente exibidas pelo designe da linearidade, será o momento de desapega-se do escudo do medo e das memórias desse looping, reconhecendo enfim, que a Consciência, é a Sede da criação, e que esse, é o ponto zero da autoconsciência e do cessar de todo o drama humano.

A Matrix, perfidamente instituiu e legitimou, através da mídia, da filosofia e disciplinas similares; a psicologia do bater na porta, entrar pela porta, e até mesmo, arrombar a porta, para incentivar e motivar esse indivíduo, a fim de que ele chegue a algum lugar; expediente este, habilmente usado para ocultar o lugar do centro de poder autêntico, que é o próprio sujeito.

Portanto, quanto mais o dito cujo tagarelar, reclamando de sua condição, menos ele irá ouvir, e se ouvir. O poder do silêncio está sempre sendo quebrado pelas propagandas, filmes, novelas, ou por uma nova moda, que continuamente nos doutrina no incômodo e aversão a profundidade do silêncio. Portanto, sempre será proposta uma empatia ou uma ideologia descapacitantes, e até mesmo uma nova crença limitante para manter o indivíduo no lugar estabelecido pela classe, raça ou gênero. O objetivo do processo, é manter o indivíduo desacreditado de si, enquanto acredita e fortalece a Ordem e o Progresso instituídos como Lei pelo sistema escravagista.

Desse modo, o bom cidadão se condicionou ao debate exclusivo das pautas do momento, permanentemente expostas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação. De tal modo, as relações permanecerão numa interminável e improfícua discussão, até aproximar-se a um momento de completa exaustão, aonde enfim, possa se duvidar da existência das próprias portas. Até esse momento chegar, os acessos do silêncio continuarão surdamente a gritar no interior de cada coração emudecido, paralisado pelo intelectualismo que nos dói hoje.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

A Tecnologia do Amor e Seus Ontológicos Efeitos Especiais

A Tecnologia do Amor como um processo único e atemporal, só pode ser definitivamente estabelecida, quando percebermos que, o solo, também é semente. É ser o presente que se dá, ao mesmo tempo em que também o recebe; na qualidade de doador e recebedor do Presente que se é. A tecnologia do Amor está no Espelho da menina desse olhar correspondente, que é recebido em simultâneo, em meio a intensa velocidade da Luz Maior, que é tudo o que é, e tudo o que há; aonde o Tudo está no Todo e o Todo também está em Tudo.

As mensagens de Amor ininterruptamente trazidas pelo vento, pela chuva, pela lua, pelo sol, pelas estrelas e por este próprio chão que nos sustenta, suspenso como Babilônico Jardim em meio a vastidão das moradas desse infinito Cosmo, são como cartas escritas em branco, que flutuam ao deslizar sobre os Arco-íris desse mesmo céu azul anil; Éden que transformamos em inferno privativo, quando enviesamos a diversidade das cores, entre os olhares criadores de alhos e bugalhos.

A tecnologia do Amor está naquele abraço que ainda não foi dado, e no beijo que jamais é negado, nas mãos que afagam, assam, assinam e acenam, sem olhar as roupas, os sapatos ou os pés descalços de um descamisado, colorido de melanina de cima abaixo, sem um pingo de proteína sobre as veias plenas de cafeína.

Na Tecnologia do Amor não existe a palavra “mais” e nem quaisquer outras palavras, expressões ou intenções condicionais; pois o ato de julgar, é o meio mais eficaz de se acumular futuros lamentos e penosas lamúrias, que inevitavelmente eclodirão nessas sementes lançadas e cultivadas pela mente inconsciente, sobre o solo desse Babilônico Jardim suspenso no espaço cósmico sem fim, transformando-o desse modo, numa das escuras esquinas da nossa assombrosa floresta de Fobos.

A Tecnologia do Amor exige um letramento sem alfabeto, palavras ou dicionários, já que o seu único manifesto se revela através do Sentir. Dessa forma, todo Sentimento torna-se uma realidade construída em sete mundos e dimensões, que deslizam sobre as sete cores desse Arco-íris, que pode ter a magnífica exuberância de um majestoso Prisma, fractalmente multifacetado; ou podem metaforicamente ter as cores imagéticas de um tabuleiro de xadrez, com seus respectivos personagens socialmente aceitos e assimilados por meio do decrépito conceito da Ordem e do Progresso, preconizado pelas peripécias carnavalizadas pelos Tempos Modernos.

Portanto, não há absolutamente nenhuma necessidade de certificados, nem diplomas ou qualquer espécie de formação, para operacionalizar essa Tecnologia Ancestral de ponta, presente em tudo que é, e virá a ser; pois quando ela, essa Tecnologia tiver qualquer possibilidade de falha, a vida se extingui. Portanto, tudo vive, tudo é vivo, somente pela semente do Amor, no amor e pelo Amor. O seu oposto, é o Medo, essa mesma emoção de onde se origina a raiva, a revolta e a mágoa, e todas os sentimentos que desestruturam e fragmentam o ser, que outrora, como inocente criança, era pleno de si. O necessário e urgente resgate dessa criança interior, se dá somente através do Amor e do desapego de todos os paradigmas e dogmas, aprendidos como verdades incontestes por este responsável adulto doloso.

  

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Kwanzza: Acreditar para Ver.

Quando a gente realmente puder internalizar que, tudo o que está dentro, está fora, e tudo o que está em cima também está embaixo, compreenderemos que tudo é energia, vibração e frequência, percebendo então que absolutamente tudo é consciência, e que, somente através da consciência é possível mudar ou modificar a realidade que nos circunda.

Após ter cognizado esta verdade universal, poderemos enfim entender, que todos nós, de fato, somos um; mas para acreditar e proferir a sentença “um por todos e todos por um”, devemos primeiramente acreditar em nós mesmos, para efetivamente poder acreditar no outro; de acordo com esse princípio universal preconizando que, o que estiver fora também estará dentro e vice-versa.

Portanto, é notório perceber que, quando procurarmos por algo, inevitavelmente encontraremos um espelho, que é precisamente, o espelho da vida. Ou seja, só podemos ver aquilo que pensamos e sentimos; se o movimento desse processo for produzido de forma inversa, vindo da direção contrária; do exterior para o interior; provocará em nosso íntimo uma emotividade avassaladora que, inevitavelmente estabelecerá um conflito peremptório de realidades entre o que há, e o que é.

E como afirma o adágio, sempre que procurarmos pelo amor, encontraremos um espelho. Da mesma forma que; para acreditar no outro, ou amar o próximo; primeiramente é necessário acreditar em si próprio e também amar a si mesmo; nesse caso, inferimos que esse é um processo que difere completamente do tão propagado amor romântico, que em última instância, exige que o outro se adeque aos seus desejos e vice-versa, surgindo assim, uma queda-de-braço relacional entre pares. Desse modo, o romantismo acaba por produzir códigos conflitantes, com barras de validade que regem a relação dos envolvidos no processo.

A relação com a outra pessoa, com a comunidade, e com tudo aquilo que nos circunda, deve se fundamentar justamente no acreditar para ver, e não ao contrário. Pois se assim não for, as realidades, interna e externa, sempre entrarão em confronto, e efetivamente nada acontecerá de acordo com nossas expectativas.

Portanto, esse é um processo no qual devemos nos tornar pessoas ativas e não pessoas meramente reativas; dessa forma, desde o momento que permitamos que nossas perspectivas substituam as nossas expectativas, o medo de errar já não fará mais sentido, visto que nossas ações deixarão de ser fundamentadas através da supremacia do intelecto.

Portanto, esse Acreditar, tem como base fundamental o discernimento e a liberdade do ser enquanto Ser. É dessa maneira que o tudo se faz presente no todo, e o todo se faz tudo. Teremos enfim, uma comunidade que reproduzirá o eco de sua fala, refletindo no espelho da vida a imagem do seu pensar, e devolvendo os seus atos com a ligeireza e agilidade de um bumerangue lançado em direção a seu alvo, sem os estressantes atributos disfuncionais, produzidos e reproduzidos pela competição e pela meritocracia como obstáculos a serem vencidos.

Acreditar para ver; esse é o conceito de fé que se encontra fora da caixa de crenças limitantes; caixa esta construída pelo processo de colonização e escravização. Os dogmas e paradigmas, como paredões intransponíveis, formam os limites dessa caixa que nos circunda enquanto cofre. Sendo assim, precisamos desaprender e desacreditar de tudo aquilo que nossos cinco sentidos asseguram ser legítimo; nesse processo de ver para crer contido e plasmado em suas masmorras, estabelecendo assim que, somente o que estiver em seus limites, deve ser aceito como real, e o que estiver fora, passa para categoria de mais uma mera conspiração de um alegórico chifrudo bíblico para desestabilizar o sistema.

Foi justamente dessa forma alegórica, que a vida foi transformada numa intrincada colcha de retalhos, limitando o mundo através de linhas, separadas por bandeiras, vistosamente traçado e costurado por caprichos e privilégios de um lado, tendo em seu avesso, as agruras da pérfida escravidão como um roto remendo tapando o buraco de uma gigantesca represa. Mas esse Ser humano, que é muito mais do que aquilo que acredita ele ser, agora não cabe mais em si, e nem em sua caixa de crenças limitantes, pois a premência pela liberdade no cerne de sua essência, grita mais alto do que a tertúlia com a escuridão que domina o interior dessa metafórica cela. A derrubada desses limites impostos pelo subjetivo sequestrado, exige o acreditar em si mesmo, como extensão de um propósito comunal, aonde somos um por todos e todos por um. Nessa fé em si mesmo, que chega quando o outro deixa de ser ameaça, motivo de desconfianças ou de julgamentos, é que o compromisso com os nossos pares se revela afinal, em seu potencial pleno de real valor, num Feliz ano Novo para Todos Nós...!!.

 

 

  

domingo, 15 de novembro de 2020

Kwanzza: A Criação Criativa Coletiva

Costumo passear pelas ruas da cidade a fim de observar as cenas do cotidiano acontecendo em tempo real em vez do tempo tempo virtual. Foi assim que, num dia comum, numa rua comum de numa cidade comum, ao lado de pessoas comuns; me deparei com uma incrível sacada comum de uma casa comum e vi um magnífico corredor de plantas exóticas intercaladas por incríveis flores ornamentais, cujas cores acintosamente refletiam, diante das sisudas e cinzentas paredes antagônicas, que tentavam em vão, apagar as intensas luzes por elas emitidas.

A cena graciosa dessa luz que se somava aos brilhantes raios de sol, despretensiosamente iluminava os recônditos da alma de cada passante e passarinho que alegremente zanzavam sobre a ilimitada generosidade de Gaia. Todo esse momento oriundo de um único ato aparentemente isolado, se refletiu por quilômetros nesse espaço comum, como consequência dessa vigorosa ação. Sendo assim, toda micro ação, invariavelmente se torna macro, por conta da tremenda luz que tal ação inevitavelmente emite.

Percebi, após esse vívido, luminoso e magnífico espetáculo que, só e possível viver numa sociedade pujante, a partir de uma comunidade que se identificar através de seus atos, como as magníficas flores fincadas no lugar das cruzes dolorosamente sacralizadas, para que esses atos envolventes, tal como a luz, pudesse se refletir em tudo e em todos ao seu redor.

Sendo assim, tudo que já foi, sempre será; se assim, a fala da comunidade comunicar; como um alegórico espelho que fractalmente refletem as nossas intenções, que nada mais são que sementes, cultivadas como as flores plantadas na sacada da própria casa. Ou seja, a Criatividade é exatamente como quaisquer sementes, que, inevitáveis dão os seus fractais frutos atemporais.

E assim, a cada luz que acendemos, o nosso ambiente se revela na dimensão de sua total plenitude. Portanto, temos a escolha de sermos criadores em vez de espectadores, ativos em vez de reativos, Ser em vez de não-ser. Deixemos pois, que a nossa luz ilumine a tudo e a todos por onde quer que passemos, para que cada flor, na sacada de nossa alma, ilumine as sombras de cada parede cinzenta que tente nos limitar. Deixemos pois, que nossa luz ilumine todas as ruas comuns, das cidades comuns dessa fantástica Comunidade humana, por onde quer que passemos, para que cada flor semeada por nossa alma ilumine as sombras de cada parede cinzenta que se atrever a nos limitar.

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