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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Om Mani Padme Hum

Observar, Aprender e Amar: como um negro gato grávido de muitas vidas já vividas; sem quaisquer medos, damos saltos de Alegria de noite e de dia; com extrema maestria; enquanto o ego se cala e silenciosamente o coração fala, chamando e procurando por nós mesmos, no interior de cada nó cego transformado em laço singelo, ao sentir no regaço, o aroma das rosas e a dor dos espinhos; eis o segredo da missão acordada de cór; desde sempre; até o momento presente.

O primeiro salto de fé rumo ao desconhecido, executado sobre a nano imensidão escura desse vazio; nesse espaço sem o chão da razão comumente usada como apoio das bengalas que escoram a nossa falsa proteção; exibimos como quesitos únicos de pontuação, somente o desapego e a aceitação como espada e escudo de combate, para executar essa missão possível, plena de descobertas e exploração.

Desvendar e cultivar o nosso continente cosmológico interno, pleno de Galáxias, Universos, Multiverso e Omniversos, requer uma atenção especial focada e voltada para o coração, que é a nossa fonte dos Duelos desprovidos de revanches ou retaliação. É dessa forma que nos sagramos Cavaleiros, não de uma cruzada evangelizadora de outrem, mas sim, de uma cruzada Cristalina, ou Crística, em busca desse Deus interior que sempre esteve lá; pois é a fonte criativa, é a Consciência Universal, o inominável com mais de mil nomes.

Tudo fora dele, dessa fonte criativa, é reflexo daquilo que o sujeito carrega em sua alma; pois, a exemplo do criador; ele também cria sua própria realidade. Mas, equivocadamente, tem relegado a responsabilidade de sua própria criação a um Deus humanizado, patenteado e disfuncional, que reside num palácio de ouro, refestelado num fictício trono de pedras reluzentes nos confins de um céu inexistente.

Enquanto estivermos executando a função de eco, reproduzindo esse discurso colonizador e escravagista que instituiu o paradigma do movimento de invasão e pilhagem de terras aborígenes e indígenas, como narrativas oficiais de extraordinárias descobertas científicas da história moderna, continuaremos a olhar para fora de nós mesmos, em direção a esse deus disfuncional, construído pela narrativa dominante e patenteado pelo poder escravagista colonial, como ideologia descapacitante mantenedora de todas as crenças limitantes, que nos formatam enquanto produtos, social e biologicamente condicionados.

Portanto, o compassivo e afetuoso processo de olhar para dentro de si, é a verdadeira descoberta que determinará a apropriada evolução humana; pois só assim, perceberemos que a verdade vem de dentro; visto que ela, a verdade, não pode ser dita nem narrada; é como um dedo apontado em direção a lua; também ela, a verdade, pode ser somente apontada; a sua descoberta cabe a cada pessoa.

Mas, no momento, a nossa permissividade à escravidão mental consegue identificar no discurso colonizador, somente o dedo apontando uma direção, enquanto oculta a lua e revela unicamente os reflexos da nossa própria escuridão, que vem a ser o receio de um doloroso futuro inexistente, provocado através dos nossos medos, adquiridos através dos sofrimentos oriundos no pelourinho, que geraram os presentes traumas humanos.

Olhar para dentro de si, é descobrir e explorar o seu próprio centro de poder; poder este que hoje é cedido ao cataléptico Estado de escravidão mental, limitante da expressão da pessoa plena de si, enquanto coletivo humano; e nesse compassivo processo, ao descobrir que somos um, Deus deixará de ter mil nomes para enfim, tornar-se um. Só assim, descobriremos que Deus é Amor e não um punhado de nomenclaturas ordenadas por ritos, bulas e regras descritos pelas crenças limitantes pregadas nas inúmeras religiões existentes.

Para curar-se desses traumas, oriundos do medo; é necessário o olhar afetuoso para si mesmo; e sem críticas ou julgamentos, desapegar-se dessas crenças limitantes aprendidas desde o berço, relegando assim, a nossa felicidade unicamente ao momento presente. Dessa forma, deixando ir, teremos espaço suficiente para descobrir, ou redescobrir, e explorar o novo paradigma do agora; teremos enfim, tempo de, metaforicamente, olhar a lua, e não mais nos determos na eterna dúvida na direção a se seguir; já que o tudo está no todo e o todo está em tudo, desde o aroma das rosas até a dor do espinho, esses sentimentos inevitavelmente serão suscitados durante o ousado salto executado através das grades dessa gaiola que enclausuram o nosso sagrado coração.

Somos como um vistoso pássaro cativo a cantar no interior de sua gaiola, ou como aquele meigo peixinho dourado circunscrito ao restrito espaço do seu belo aquário. Ambos, a exemplo das crenças limitantes que formatam o nosso mundo, têm as suas realidades concretas expressas nas grades e vidros que os circundam, sem que eles, assim como nós, tenham a mínima consciência sobre tal fato.

O medo do imenso vazio ou do profundo oceano, se ajustam entre a conformidade do daquilo que é conhecido, frente ao profundo mistério que permeia o desconhecido.  Foi desse modo que a pessoa humana se adaptou a pseudo segurança proporcionada pela rotina expostas nas paredes do seu ilusório mundo, se conformando em entoar o seu triste blues, acorrentado aos sentimentos domesticados e formatados pelo inconsciente coletivo, provenientes de seus mais profundos traumas.

Assim, os mais simples comentários a respeito de quaisquer ideias referente a algum tipo de metamorfose dirigidos a uma crisálida, podem simplesmente soar como o final dos tempos; um tenebroso e formidável armagedom. Por isso, esse processo se transformou numa luta, num permanente combate consigo mesmo; visto que, somente a própria pessoa pode se permitir caminhar, ou parar no caminho em direção a ela mesma.

Este é um contundente processo de escolha: ser uma pessoa plena de fato, ou ser resultado da manufatura de um mero produto de ocasião. Ou seja, é a escolha entre ser direcionado pelos sacralizados fantasmas dos traumas do verão passado; suscitados e continuamente ressuscitados através de nossos próprios medos; ou escolher ser guiado pela eternal presença do Deus interior; esse mesmo Deus que permitimos ser narcotizado no interior do nosso sagrado Eu Sou... É como na alegoria do dedo apontado para a Lua mencionado pelo filósofo e artista marcial Bruce Lee. Esse mesmo filósofo peremptoriamente nos admoesta a não deter a nossa atenção no dedo apontado, pois dessa forma, perderemos toda a potência, a beleza e o esplendor da Lua.

Como o compassivo processo de enxergar-se a Lua, metaforicamente significa o romper de grades e a quebra dos frágeis vidros dessa vistosa vitrine, na qual fomos expostos e condicionados como resultado de um pérfido produto narrativo; há de ser esperar que esse processo seja exibido pelas manchetes e tabloides sensacionalistas como algo extremamente dramático, e até mesmo violento para aqueles que dormitam; e, por outro lado, seja também exibido como uma advertência a fim de admoestar aqueles que se acham por demais inteligentes para atentar para tal fato, e como qualquer zumbi capitalista, sonambulam no alto do púlpito imagético, armado no picadeiro da sociedade Hollywoodiana.

Sendo assim, é este o momento em que, a crisálida escolhe entre o desacreditar na possibilidade numa existência além do casulo e, por conseguinte, na probabilidade de uma vida após a vida; cultivando assim, o doméstico medo de sua inevitável metamorfose; ou escolher efetivamente partir para o seu salto de fé em seu desconhecido vazio, desapegando-se das experiências passadas num traumático passado; além das expectativas virtuais num possível futuro; para assumir renovadas perspectivas de cada momento que se apresentam como mais um presente no Jardim do nosso eterno Agora; transformando seu sagrado peito, no paradisíaco Novo Portal de retorno ao Éden Ancestral.

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