Observar, Aprender e Amar: como um negro gato grávido de muitas vidas já vividas; sem quaisquer medos, damos
saltos de Alegria de noite e de dia; com extrema maestria; enquanto o ego se
cala e silenciosamente o coração fala, chamando e procurando por nós mesmos, no
interior de cada nó cego transformado em laço singelo, ao sentir no regaço, o
aroma das rosas e a dor dos espinhos; eis o segredo da missão acordada de cór;
desde sempre; até o momento presente.
O primeiro salto
de fé rumo ao desconhecido, executado sobre a nano imensidão escura desse vazio;
nesse espaço sem o chão da razão comumente usada como apoio das bengalas que
escoram a nossa falsa proteção; exibimos como quesitos únicos de pontuação,
somente o desapego e a aceitação como espada e escudo de combate, para executar
essa missão possível, plena de descobertas e exploração.
Desvendar e
cultivar o nosso continente cosmológico interno, pleno de Galáxias, Universos,
Multiverso e Omniversos, requer uma atenção especial focada e voltada para o
coração, que é a nossa fonte dos Duelos desprovidos de revanches ou retaliação.
É dessa forma que nos sagramos Cavaleiros, não de uma cruzada evangelizadora de
outrem, mas sim, de uma cruzada Cristalina, ou Crística, em busca desse Deus
interior que sempre esteve lá; pois é a fonte criativa, é a Consciência
Universal, o inominável com mais de mil nomes.
Tudo fora
dele, dessa fonte criativa, é reflexo daquilo que o sujeito carrega em sua
alma; pois, a exemplo do criador; ele também cria sua própria realidade. Mas,
equivocadamente, tem relegado a responsabilidade de sua própria criação a um
Deus humanizado, patenteado e disfuncional, que reside num palácio de ouro,
refestelado num fictício trono de pedras reluzentes nos confins de um céu
inexistente.
Enquanto
estivermos executando a função de eco, reproduzindo esse discurso colonizador e
escravagista que instituiu o paradigma do movimento de invasão e pilhagem de
terras aborígenes e indígenas, como narrativas oficiais de extraordinárias
descobertas científicas da história moderna, continuaremos a olhar para fora de
nós mesmos, em direção a esse deus disfuncional, construído pela narrativa
dominante e patenteado pelo poder escravagista colonial, como ideologia
descapacitante mantenedora de todas as crenças limitantes, que nos formatam
enquanto produtos, social e biologicamente condicionados.
Portanto, o
compassivo e afetuoso processo de olhar para dentro de si, é a verdadeira
descoberta que determinará a apropriada evolução humana; pois só assim,
perceberemos que a verdade vem de dentro; visto que ela, a verdade, não pode
ser dita nem narrada; é como um dedo apontado em direção a lua; também ela, a
verdade, pode ser somente apontada; a sua descoberta cabe a cada pessoa.
Mas, no
momento, a nossa permissividade à escravidão mental consegue identificar no
discurso colonizador, somente o dedo apontando uma direção, enquanto oculta a
lua e revela unicamente os reflexos da nossa própria escuridão, que vem a ser o
receio de um doloroso futuro inexistente, provocado através dos nossos medos, adquiridos
através dos sofrimentos oriundos no pelourinho, que geraram os presentes
traumas humanos.
Olhar para
dentro de si, é descobrir e explorar o seu próprio centro de poder; poder este
que hoje é cedido ao cataléptico Estado de escravidão mental, limitante da
expressão da pessoa plena de si, enquanto coletivo humano; e nesse compassivo
processo, ao descobrir que somos um, Deus deixará de ter mil nomes para enfim, tornar-se
um. Só assim, descobriremos que Deus é Amor e não um punhado de nomenclaturas
ordenadas por ritos, bulas e regras descritos pelas crenças limitantes pregadas
nas inúmeras religiões existentes.
Para
curar-se desses traumas, oriundos do medo; é necessário o olhar afetuoso para
si mesmo; e sem críticas ou julgamentos, desapegar-se dessas crenças limitantes
aprendidas desde o berço, relegando assim, a nossa felicidade unicamente ao
momento presente. Dessa forma, deixando ir, teremos espaço suficiente para
descobrir, ou redescobrir, e explorar o novo paradigma do agora; teremos enfim,
tempo de, metaforicamente, olhar a lua, e não mais nos determos na eterna
dúvida na direção a se seguir; já que o tudo está no todo e o todo está em tudo,
desde o aroma das rosas até a dor do espinho, esses sentimentos inevitavelmente
serão suscitados durante o ousado salto executado através das grades dessa
gaiola que enclausuram o nosso sagrado coração.
Somos como um
vistoso pássaro cativo a cantar no interior de sua gaiola, ou como aquele meigo
peixinho dourado circunscrito ao restrito espaço do seu belo aquário. Ambos, a
exemplo das crenças limitantes que formatam o nosso mundo, têm as suas
realidades concretas expressas nas grades e vidros que os circundam, sem que eles,
assim como nós, tenham a mínima consciência sobre tal fato.
O medo do
imenso vazio ou do profundo oceano, se ajustam entre a conformidade do daquilo
que é conhecido, frente ao profundo mistério que permeia o desconhecido. Foi desse modo que a pessoa humana se adaptou
a pseudo segurança proporcionada pela rotina expostas nas paredes do seu ilusório
mundo, se conformando em entoar o seu triste blues, acorrentado aos sentimentos
domesticados e formatados pelo inconsciente
coletivo, provenientes de seus mais profundos
traumas.
Assim, os mais
simples comentários a respeito de quaisquer ideias referente a algum tipo de
metamorfose dirigidos a uma crisálida, podem simplesmente soar como o
final dos tempos; um tenebroso e formidável armagedom. Por isso, esse
processo se transformou numa luta, num permanente combate consigo mesmo; visto
que, somente a própria pessoa pode se permitir caminhar, ou parar no caminho em
direção a ela mesma.
Este é um
contundente processo de escolha: ser uma pessoa plena de fato, ou ser resultado
da manufatura de um mero produto de ocasião. Ou seja, é a escolha entre ser
direcionado pelos sacralizados fantasmas dos traumas do verão passado;
suscitados e continuamente ressuscitados através de nossos próprios medos; ou escolher
ser guiado pela eternal presença do Deus interior; esse mesmo Deus que permitimos
ser narcotizado no interior do nosso sagrado Eu Sou... É como na alegoria do dedo apontado para a Lua mencionado pelo
filósofo e artista marcial Bruce Lee. Esse mesmo filósofo peremptoriamente nos
admoesta a não deter a nossa atenção no dedo apontado, pois dessa forma, perderemos
toda a potência, a beleza e o esplendor da Lua.
Como o compassivo
processo de enxergar-se a Lua, metaforicamente significa o romper de grades e a
quebra dos frágeis vidros dessa vistosa vitrine, na qual fomos expostos e condicionados
como resultado de um pérfido produto narrativo; há de ser esperar que esse
processo seja exibido pelas manchetes e tabloides sensacionalistas como algo extremamente
dramático, e até mesmo violento para aqueles que dormitam; e, por outro lado,
seja também exibido como uma advertência a fim de admoestar aqueles que se
acham por demais inteligentes para atentar para tal fato, e como qualquer zumbi
capitalista, sonambulam no alto do púlpito imagético, armado no picadeiro da sociedade
Hollywoodiana.
Sendo assim, é este o momento em que, a crisálida escolhe entre o desacreditar na possibilidade numa existência além do casulo e, por conseguinte, na probabilidade de uma vida após a vida; cultivando assim, o doméstico medo de sua inevitável metamorfose; ou escolher efetivamente partir para o seu salto de fé em seu desconhecido vazio, desapegando-se das experiências passadas num traumático passado; além das expectativas virtuais num possível futuro; para assumir renovadas perspectivas de cada momento que se apresentam como mais um presente no Jardim do nosso eterno Agora; transformando seu sagrado peito, no paradisíaco Novo Portal de retorno ao Éden Ancestral.

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