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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

De Amigo Secreto a Realeza Monádica

Refastelado sobre a dourada e macia areia da praia, observando a magnífica sucessão dos Dias e das noites, olhando para os passos singelos do Sol em sua métrica contradança diante da Lua; refletindo sobre, o que seria dos habitantes de Gaia, se não existisse esses maravilhosos e perpétuos ciclos fractais de continuidade espiralar; como uma infinita escada; que possibilitam toda a existência do tudo, nesse agora que é exibido no eterno espetáculo sobre o palco da vida que se desenrola nesse pontinho suspenso da Via Láctea. Quero dar continuidade a essa reflexão, ponderando sobre o aguerrido apego construído em torno da dicotomia cultivada em relação ao bem e ao mal, assim como tudo aquilo que julgamos como certo e errado.

Foi nas rédeas de um pueril princípio humano, quando aqui abanquei; até descobrir a sobre existência de milhares de outras ilhas em meu entorno e centenas de milhares de outras esplêndidas praias paradisíacas espalhadas como poros sobre o corpo de Gaia; acreditava até então, ser esta minha praia, a única praia existente que contornava a minha, também única ilha vivente nesse meu conhecido universo; mas durante a certeza que a segurança nessa crença limitante me proporcionava, lá no meu íntimo, me sentia como aquele peixinho dourado vagando no conforto do seu aquário, desconfiando sempre da existência de algo mais, além do vítreo véu exibido pela contraditória transparência desse metafórico aquário, aceito como a aparência do que era meu mundo real; foi quando de repente, esse simbólico peixinho aqui, mergulhando em si, na eternidade de um breve momento de serenidade interior, pude enfim, vislumbrar a agitada torrente de um mar encapelado que congestionava minha mente com realidades manufaturadas por papeis, número de série, relógios, calendários, notícias e manchetes sensacionalistas de todos os dias, que formatavam a linearidade da  minha existência e do meu cotidiano. 

Foi usando a consciência como carta de navegação para sair desse aquário, a fim de ganhar um córrego, aproximar-me de um rio, até adentrar ao mar, cruzando as profundezas abissais do desmedido oceano, que enfim, descortinou-se em mim, um trabalho de intensas buscas e inexplicáveis descobertas; num processo que só poderia se iniciar, após o definitivo desprendimento dessa zona de conforto projetada pela cultura escravagista; e desse modo, finalmente poderia chegar ao espaço das ilimitadas possibilidades; chegando justamente nesse espaço aonde o tempo é um ponto em torno de si mesmo; e de forma fractal; como um ínfimo grão de areia, ele; o tempo, se espalha pelas praias de todos os mundos e planetas adensados ou não; e como um, multiplica-se em si mesmo, diante dessa morada fixada no próprio infinito.

Dessa forma, a frase grafada sobre o Portal da Pirâmide egípcia, “Conheça a Verdade e a Verdade Vos Libertará”, seria enfim, compreendida de fato. Enfim, saberíamos que não somos pequenos, como sempre nos fizeram acreditar. Mas sim, descobriríamos que, nesse cruento processo, nos transformamos num coletivo fraturado pela cultura do medo e da dor; trazendo a alma carregada de cicatrizes profundas; e como uma rosa, que exala o seu perfume em flor, só conseguimos atentar para as aflições provocadas pelos sangrentos espinhos do horror; foi assim que deixamos de sentir o aroma da vida, para inconscientemente nos fixarmos na pulsão de morte, instituído por um estranho paradoxo, que trazia ao mesmo tempo, o medo da morte e a batalha pela sobrevivência num cotidiano cruelmente inumano, especializado em produzir vítimas e vitimizados, ao manipular o poder criador dos protagonistas de seus próprios destinos.

Dessa forma, é necessário perceber que o certo e o errado são faces distintas da mesma moeda, assim como a existência do bem e do mal, que, análogos a dança do sol com a lua, produzem e ordenam os ciclos terrestres produtores da existência, dando vida a própria terra.

Portanto, a necessidade de se lidar com a nossa luz e escuridão, é o caminho mais diligente para se abandonar o exercício da crítica e do julgamento alheio, já que, quando focamos no problema do outro e não na solução do problema apresentado, nós nos permitimos a ser guiados exclusivamente através do ego, nos tornando cada vez mais, menos humano, a fim de exercer a missão separatista outorgada pelo sistema escravocrata, que até o momento, através de suas instituições, exerce o poder de nos educar e nos alimentar em todos os sentidos.

Andar na contramão desse sistema, exercendo a desobediência epistemológica e civil, na distinta condição de ovelha negra e não na de um rancoroso carneiro de Panúrgio, sendo como a água que corre entre as pedras, troncos e raízes, que desconhece os obstáculos, mas que, ao mesmo tempo, se adapta, nunca deixando de ser o que é, é o caminho, onde não existe caminho, a ser trilhado até a chegada aos mistérios do grande Calunga. É nesse ponto exato que principiamos a viagem de partida e chegada como iniciado junto ao seu Eu superior, concluindo enfim, a realeza divina de sua magnífica Mônada. 

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