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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Professores: Os Verbos, predicados e sujeito da palavra falada

Os dias vividos, uma vez transformados, como os números que dão linearidade as páginas de um livro autobiográfico que se pode desfolhar ou ocultar; quando expostos nas intocadas estantes das bibliotecas públicas ou publicamente escondidos nos escaninhos acadêmicos virtuais da vida fatiada pelos lattes formatadores de estigmas e estereótipos; tais dias são contidos e acondicionados no invisíveis registros akáshicos dos compartimentos corpóreos. E esse corpo fala e grita para os mundos entrelaçados por intercessões de mundos paralelos, simultâneos e circulares.

O corpo, sendo uma história on-line; é a tela onde a memória imprime e reimprime a própria história, cujos   discursos são elaborados e proferidas pelas palavras que dão vida ao passado; enquanto no presente, ela, essa palavra, tem o poder de cortar como uma afiada navalha, e também pode quebrar muitos ossos. As palavras são como pedras atiradas, que uma vez proferidas, não haverá obstáculo que intercepte seu caminho em direção ao alvo, cujos efeitos são dialéticos, maiêuticos e diatópicos, como as muitas pessoas dentro da própria pessoa.

Dessa forma, os mantras vividos ao som de cada dia que se segue, nas idas e vindas que se circundam num ininterrupto espiral, como um fractal que faz parte da harmonia que compõe o universo atemporal, nos mostrando que tudo o que está acima, é também o que está abaixo, enquanto o que está dentro, é também o que se encontra fora. Portanto, como sujeitos, através do som primordial desse verbo por nós proferido, falamos o futuro, dando sentido ao presente e formato ao passado nas entrelinhas e reticências de nossa incontinente inconsciência, e tudo se faz, porque assim é...



domingo, 7 de outubro de 2018

Sobre as Eleições no Brasil



Quando chega o momento de brincar de eleição nesse parquinho infantil em que se transformou o processo do pleito eleitoral brasileiro, é que se organiza uma uma sutil e estratégica competição promovida pela elite que compõe a situação; mesmo estando na oposição; nesse momento que é necessário parar para repensar e refletir profundamente sobre as sutilezas desse processo, e pensar um pouquinho mais sobre as regras básicas meritocrática que fundamentam essa brincadeira; brincadeira essa que mais parece de um mundialito de futebol.

Nesse caso, vamos então perceber que, este é o momento em que todos torcem para seus partidos-times, e quando esse time-partido vence, quem realmente ganha são os dirigentes e os atletas diretamente envolvidos com esse evento, enquanto os que se digladiaram por eles, sangraram por eles, se mataram e ainda se matam por eles, ficam a ver navios durante os próximos quatro anos vindouros, a fim de participarem de outra competição, para que eles possam repetir de novo, outra vez e novamente outro pleito, e repetir esse estúpido procedimento nas arquibancadas da cidadania. Assim, o processo eleitoral segue o mesmo padrão e o mesmo roteiro, como exatamente tudo que é imposto pela pauta da elite, gerido pelo Estado e mantido pela mídia.

Podemos notar nesse tabuleiro de xadrez a abundância de candidatos de esquerda que disputam entre si mesmo, para disputar contra um candidato de direita; direita que tem como sutil estratégia o enxugamento de seus candidatos, que lhes servem em última instância como pano de fundo e como objetos de mera distração para os eleitores em questão.

A ironia disso tudo é quando justamente aqueles que mais tem certeza de seu voto agem como os mais incisivos dos torcedores futebolísticos, e passam a se engalfinhar numa exacerbada competição pela supremacia desse pleito, portando-se como se estivessem na arquibancada do Nacionalista Futebol Club, pelo fato de personalizar em si as questões públicas refletidas pelo discurso desses indivíduos-atores contratados por partidos-empresas, iniciando dessa maneira, entre si, uma luta de vida ou morte, sem que esses torcedores que se tornam adversários possa atinar que, o que está realmente em jogo, são as suas vidas e seus destinos. 

A mídia faz com que eles assimilem o discurso representativo, se confundindo com o candidato com o melhor e mais bonito desempenho em frente às câmeras das TVs que patrocinam esses mesmos candidatos politicamente corretos. Isto é, essas financiam de forma reptícia esses candidatos que se encontram dentro dos padrões de conveniência e representatividade pré-estabelecidas por esse roteiro, que tem sua pauta determinada pelas seis famílias tradicionais brasileiras que detém toda a riqueza do país.

São esses atores-candidatos padrão, aceitos por este sistema capital de seleção; esse mesmo sistema que foi imposto e induzido a população como sendo legal e de direito; são os únicos que podem fazer parte dessa famigerada competição, para ocupar o posto de intermediário-mor fazendo a relação entre o sistema capital e o público-povo, a fim de manter e justificar o lugar dessa casta escravocrata nacionalista na neocolonialidade e a continuação do espetáculo teatral desse pseudo pleito eleitoral, como se fosse a mais perfeita e moderna versão brasileira da antiga tragédia grega.

Dessa forma, o povo se comportando como público presente numa arena romana, exibindo sua cara fechada, ranger de dentes e os punhos cerrados, mostram sua disposição na defesa dessa democracia como uma opção, um “mais do mesmo”, como se isso significasse realmente uma escolha própria. Portanto, é notória a percepção de que os únicos que acabam não participando efetivamente dessa eleição é justamente o próprio povão, já que a esquerda também faz parte da elite; e a elite odeia o povo; isso é um fato histórico.

Sendo assim, o único caminho viável seria o caminho da transformação desse público em Povo de fato, para que ele finalmente participe de forma efetiva e ativa na vida política do país, e não somente de quatro em quatro anos, sem direitos a interpelar seus “representantes” a qualquer turno. Essa transformação só se dará de forma maiêutica e diatópica e nunca através do Grande Irmão, como tem sido até o momento.
Por conta disso, o Brasil continuará sendo o país das mil e umas contradições, além das doces e suculentas jabuticabas, enquanto o trem da história se descarrilha de sua memória afetiva e as fotos dos candidatos continuarem a ser as mesmas fotos dos procurados pela justiça eleitoral e criminal desse Brasil varonil, que mandam os filhos da pátria para a vala comum e os filhos da madame passear num cruzeiro sob o céu, o sol e o mar de profundo azul anil.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Sobre os princípios da Filosofia e da Pedagogia na Universidade Pan-africana no Brasil

Foi durante o voo que o homem inventou a gaiola. Como resultado dessa intrépida aventura, essa gaiola se transformou, não somente em seu lugar de pouso, mas também em seu lugar de conforto, de fuga e de refúgio. Ou seja, no lugar aonde inexiste o processo de trabalhar as responsabilidades do fazer humano. 

Dessa forma, suas asas se atrofiaram e ele acabou por esquecer-se de que as possuía. Tais asas se encontram hoje limitadas ao DNA de sua memória corporal linear, e constituindo quanticamente sua inconsciência atemporal ilimitada; E essa inconsciência atemporal e ilimitada, foi aprisionada pela linearidade da consciência, que uma vez suprema, se tornou totalitária e absoluta na condução de seu destino, estabelecendo as condições e critérios de definição e discernimento de lucidez. 

As asas da liberdade, hoje inconsciente de si mesma, jaz dormente, esquecida e desdenhada, dando forma as Artes desenhada na geometria dos grafites nos poemas que compõem as letras das canções de liberdade; canções estas que revelam através da dança, a redenção que os corpos na física de seus movimentos celebram, dando asas as quimeras formadoras do folclore dessa comunidade humana, que, de forma pejorativa, se transformou matematicamente, ao se dividir em Tribos, quando escolheram seguir os critérios racionalizados e racializados, estabelecidos pela “lucidez” que, de forma hierárquica, apartou a emotividade da racionalidade.

Dessa maneira, após ter sido invisibilizadas as grades da razão que tecem as linhas da arquitetônica[1] dessa realidade única como uma alternativa sacralizada a ser seguida pelo povo desse lugar, que escolheu cortar as asas da imaginação de sua multidimensionalidade, aprisionando Corpo e Mente, passamos então a cultivar no conforto dessa gaiola, o indizível medo de se afogar no eterno e perene oceano de liberdade e da vida; transformando assim, o começo em fim. Ou seja, de forma totalmente contraditória a razão estabeleceu que o sentido da vida fosse definido pelo medo da morte; dessa forma, o começo passou a ser fim.

Desde então, o medo de deixar essa gaiola se transformou em mote ao ser subsidiado pelas diversas denominações religiosas e doutrinas das mais variadas expertises, além de dar origem a um nicho de mercado, que habilmente trabalham para criar fórmulas e especialidades que trazem significativos lucros aos profissionais e mestres do ramo do bom viver.

Essa indústria do medo, gerada pela personificação da figura da morte como fim de tudo, induzido através da razão, tem sido a base de todos os seus extorsivos lucros, gerando abusivas riquezas para esse mercado infame, que é dirigido e gerenciado por pequenos grupos especialistas em racionalizar e manipular as emoções humana.

Dessa maneira, a alternativa de podar as asas da imaginação explicitamente tem se mostrando através da proibição das Artes nas escolas, quando pedagogicamente essa arte se resume, de forma velada, ao mero processo mecânico de colorir, cortar, colar e afixar nas frias paredes do ambiente escolar, as figuras prontas, a fim de decorar esse espaço ilustrando a nossa infante fome de vida e de liberdade negadas pelo medo cultivado através dos livros didáticos e das Tecnologias de Informação e Comunicação, que calcificam a liberdade do pensar. Sem mencionar as disciplinas compartimentadas, divididas nos escaninhos acadêmicos dos conhecimentos pesados e medidos em sua superfície e profundidade, classificadas segundo seu código de barras de validade transformados em certificados e diplomas que estabelecem, controlam e quantificam o subjetivo do indivíduo.

Portanto, hoje com o nascimento da Lei número 10.639/2003, que busca cumprir a necessidade de formação de uma Universidade Pan-africana, cujo processo foi paradoxalmente gestado num ovo gerado nesse mesmo ninho engaiolado, atendendo ao repto de desafiar nossos medos; medos esses que habilmente tem sido cultivados dentro dessas sedutoras caixinhas construídas pela ciência oficial; convidamos os malungos para dar início a esse novo tempo, suspendendo essa caixa de conhecimentos prontos, deixando de ser Gregor Samsa[2] para se tornar Santos Dumont, a fim de ensaiarmos para a inauguração dos voos mais longos, do voo de liberdade, sem repetir os erros de Ícaro; ouvindo a voz dos ancestrais presentes no indivíduo desde o DNA ao inconsciente coletivo. Dessa forma, declaramos que o Medo, como disciplina obrigatória, optativa ou eletiva, invariavelmente se extingui ao cruzar-se o portal dessa Nova Timbuktu antiga, onde reza a frase similia similibus curantur[3].





[1] Relação do Eu com o outro.
[2] Personagem de Kafka – metamorfose.
[3] Os semelhantes curam-se pelos semelhantes

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Os Valores Civilizatórios Africanos e o Corpo Como Território Multidimensional


Qual seria a relação entre as grades de Alcatraz, da Ilha Grande ou Carandiru; grades estas que presenciaram incontáveis fugas cinematográficas, trazendo em suas barras muitas memórias e inúmeras histórias; para as grades que cercam as praças públicas das cidades grandes brasileira, impedindo o acesso dos sem teto, dos mendigos e dos vadios...!?

Entre os lados de dentro e fora dessas grades que prendem a liberdade e ameaçam o ir e vir dos que se acham livres, vemos o ato de sedução de poder; poder este concedido pela astúcia ao neófito cidadão que almeja o faixa de cidadão de bem e os louros dos aplausos que os fazem sentirem-se amados, mesmo que odiados pela elite que o alimenta com os ódios e os rancores a seus próprios pares.

Assim como essas grades que impedem a muitos de sair e outros tantos de entrar, transformando-a num elemento sem significado, mesmo que significante; é nesse caso, um elemento relativo tornado relevante conforme o contexto em que essa mesma grade é inserida. Sendo assim, quem impede de entrar ou de sair, não é a grade, mas sim, a assinatura de uma pessoa que se outorgou de poderes de prender e de libertar ao bel prazer.

Esse corpo que sofre essa ação, devido os valores elaborados e formulados pela história; história essa que, em última instância se revela como um tratado de mentiras, visto que a mesma é contada pelo dinheiro, constituam os valores civilizatórios europoides que sempre serviram exclusivamente aos próprios europeus, visto que, qualquer território que não houvesse arianos, sempre foram, e são passíveis de invasões, butins, escravizações e pilhagens.

O corpo, como marca racial, tremula como uma flâmula pirata, hora inspirando medo e terror, hora inspirando um sentimento de exotismo e de mistério, resultado dessa história dominante e de sua memória reinante, que fez da Cultura, um complexo bonde de diversos trens, que trazem toda a bagagem da civilização humana; resultando disso um paradoxo; fazendo com que amemos a cultura negra e odiemos o negro.

Esse exótico corpo-capoeira que ginga, samba e jongueia, desde o Lundu ao Tambor de Crioula, em qualquer praça, esquina ou ladeira, mesmo após ter sido transformado em grades que retém e contém a si mesmo, é o mesmo odiado corpo que constrói a mansão do doutor que se diz patrão; é o mesmo corpo que cozinha, que lava e passa a roupa da madame infame que conta cada objeto de valor, toda vez que esse corpo deixa arrumada e perfumada a Casagrande e volta para a fétida favela, cansada e com dor.

Esse Corpo-cultura, Corpo-história, Corpo-cosmológico, foi dividido em três, mas sempre foi um, pois despedaçado pela violência colonial, teve sua unicidade fragmentada, adoecendo com as doenças produzidas pelas masmorras invisíveis desse moderno neo-cativeiro, que eliminando as grades, aprisionou o mental e o psicológico, controlando a memória subjetiva e afetiva do indivíduo.

Dessa forma, o controle do corpo-discurso se transformou num outdoor-móvel que adentra aos territórios proibidos, assim como faziam os grafiteiros das gangues do Bronx ao pintar os trens do metrô que passavam pelos territórios das gangues inimigas exibindo desafiadoramente as suas marcas. Só que a violência colonial transformou esse corpo-discurso num vírus carregado de valores de Troia.

O Corpo-história, Corpo-cultura e Corpo-Memória uma vez despedaçado pela brutal força colonial e pela sedutora força neocolonial, perdeu a sua unicidade Racional-Emotiva, deixando dessa forma, de ser uma vestimenta da alma, para ser um objeto de marketing e fonte de renda para os controladores desse corpo estranho, que fora adulterado. A emoção cedeu assento especial a razão, criando um mercado de consumação mínima, e se transformando num produto com barras de validade e rótulos taxionômicos, geradores de estereótipos, que tornaram esses corpos matáveis e descartáveis, de acordo com esse neo-mercado infame, que seduz com as divinas promessas de um infindável banquete de maná virtual.

Esse corpo perdeu sua unidade ao reservar o coração-emoção para o mundo dos contos folclóricos preservando a mente-razão submetida a sedutora lógica da cidadania virtual vendida diuturnamente pelos telejornais matinais, da mesma forma que as grades da Praça principal impedem o acesso ao chafariz, com a água sagrada da fonte dos desejos, a todos os descamisados e pés-descalço, fazendo com que as grades e as correntes virtuais aprisionem a liberdade de pensamento e do livre pensar.

A alma, uma vez retirada desse corpo, foi transformado num boneco de ventríloquo, e condenada, da mesma forma que a alma do boneco Vodu, que a carrega aonde quer que vá. Os corpos do lado de cá e os corpos do lado de lá dessas grades significantes e significadas, se diferem pela quantificidade da alma que as mesmas carregam; processo esse que completam a trindade do indivíduo como sujeito e como ser humano, com sua cultura, sua história e sua memória.

Essa pessoa, com suas várias pessoas internas, só poderá fazer a sua história de forma literal, deixando de ser refém dessa uma história virtual, e consequentemente se libertando desse presídio democrático social, quando se permitir sair dessa caixa preparada pela ciência oficial e conhecer a verdade que o libertará. Só desse ponto em diante, a sua história ela poderá contar sem nenhum ponto aumentar...

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Sobre as Eleições no Brasil Desde os Zumbis de Hollywood até aos Vorazes Devoradores de Certezas Tupiniquins

Durante as passeatas e manifestações de protestos, observamos pessoas perdidas como se seguissem o carneiro de Panúrgio, com um profundo olhar pragmático, falando desavergonhadamente com a boca cheia de convicções e a mente abarrotada de dogmas, altivamente avançando  resolutas pelo caminho da certeza absoluta pavimentado pelo trator do empreiteiro, esse moderno feitor, que hoje usa a caneta de doutor para sangrar o ser humano, que se tornou ilegal por meio da assinatura empresarial protocolada pelo avô desse mesmo empresário; agora tornado um perfeito e eleito candidato a prefeito, com plenos poderes e direitos a representar o povo diante do poder Estatal instituído como tal.

Para isso, todos os dias, a mídia falada e escrita, enverniza o antolho dessa caixa de certeza que é mantida pela TV que individualiza, cerceia e embrutece esse ser que é rodeado por grades invisíveis, habilmente ornamentadas, meticulosamente coloridas e perfeitamente impalpáveis e imperceptíveis, que delimitam os pensamentos criadores das emoções seletivas que conduzem por este caminho de mão única, nessa escuridão que entorpece os sentidos desse indivíduo que se fez cego por escolha própria, ao optar pelo monólogo com o Grande Irmão.

Todas essas certezas, tem residência fixa nas confortáveis gaiolas douradas construídas pelas sedutoras imagens patológicas e esquizofrênicas, que representam, além da segurança do lar, também o seu eterno parque infantil de diversão, para que esse ser, paradoxalmente se ache, enquanto se perde de si mesmo em meio a esse mar de certezas convictas, produzidas pelos autoelogios que mantém e retroalimentam sua existência.

Essas certezas milagrosamente se materializam em forma de diplomas e certificados acadêmicos enquanto magicamente formatam e diminuem o indivíduo enquanto sujeito, reduzindo-o a dados estatísticos, números e algoritmos que sustentam o google e o Lattes, retirando-o da comunidade humana, transmigrando o dito cujo para a comunidade científica. E dessa forma, esse doutor, com os antolhos do conhecimento universal, se transforma num neófito da sabedoria comunal; com cátedra comprovada nesse conhecimento que diminuí e oprime o outro, a partir do momento que institucionaliza e sacraliza a classe do conhecimento como detentora do saber universal, e proprietária desse conhecimento compartimentado em caixas e acondicionados como fast food exibidos nas vitrines sociais, sendo negociados como bulas ou buena dichas, instituindo uma realidade post adoc[1].

Dessa maneira, a certeza do padre e do pastor, do político e do policial, são ditadas pelo fator empresarial que confeccionam e colecionam normas, decretos, leis, códigos de ética e de condutas, regimento interno e afins, a fim de blindar essa caixa que delimitam e limitam o proceder e os destinos dessa boiada formada por esses gados marcados conhecidos como cidadãos de bem, enquanto marginalizam os que saem dessa normalidade banalizada pela elite mundial, que tem a absoluta certeza de seu lugar na hierarquia universal dentro dessa política de neo-apartheid racial e social instituída como valores nacionalista, nessa cidade partida pela cor preta e pela cútis branca desde as capitanias hereditárias, legitimadas pelos partidos brancos dizimadores do Partido Bantu.
Reparação Já...!!



[1] Refere-se a uma realidade causal. Por exemplo: depois da tempestade vem a bonança, logo, para que haja bonança uma tempestade se faz necessária.

domingo, 16 de setembro de 2018

Fake News: Entre o Mundo de Alice e a Civilização da fraude


Embranqueceram Mozart, Johann Sebastian Bach e até a rainha de Sabá; Cleópatra, Carlos Marighela, Moisés e até Jesus, além de Machado de Assis, a fim de fazer um brancopoide feliz. Desse modo, surgiram os órfãos, asilos e manicômios, como moedores dos fragmentos de gente preta coisificada pela desumanização praticada como ação política brancopofágica, dando assim, origem ao racismo, como pilar de sustentação do patriarcado e do matriarcado; geradores do machismo e do feminismo; separando a razão da emoção, assim como separou o homem da mulher. Da mesma maneira, foi criado um Rock Balboa para cada Mohamed Ali, e caricaturou-se um Rambo para cada Ho-Chi-Min.

A construção de heróis sem cor, que se deu pela violência e pela dor, que supliciaram e supliciam o portador da pele preta, fez da história uma muleta para sustentar uma civilização fake e antropofágica, que chegou as portas da humanidade trazido pelo cavalo de Troia, com Narciso montado em si.

O cara-pálida chegou chicoteando, amputando, estripando, torturando, jogando bebês em água fervente, estuprando-os ou chicoteando-os em frente as mães que tinham seus dentes quebrados a marteladas, os bicos dos seios decepados a faca ou as unhas arrancadas e os dedos esmagados como uma forma corriqueira de incentivo a produção das riquezas que até hoje sustentas os descendentes desses mesmos caras-pálidas.

Essas invasores, que os livros didáticos classificam como descobridores e bandeirantes, construíram suas riquezas com sangue e pavimentaram seu caminho com corpos negros despedaçados a fim de saciar os seus mais sórdidos e infames desejos.

São esses mesmos descendentes diretos desses caras-pálidas genocidas de outrora, que hoje exortam a seus admiradores, a classificarem o racismo como mero vitimismo, vindo de alguém malandro, preguiçoso, que ainda ousa resistir a permanecer no lugar que a história colonizadora o colocou.

Desse modo, essa atual relação entre o Povo Negro brasileiro e a população cara-pálida descendentes de imigrantes e invasores, pode ser comparada exatamente como a relação de extermínio e limpeza étnica praticada pelos israelenses em terras Palestinas; transformando esse processo numa política tupiniquim que foi banalizada pelas manchetes de jornais e pelos noticiários matinais como uma rotina integrada a imagem urbana cotidiana, assim como era público as surras de chicote nos negros amarrados ao pelourinho da praça central, aos fins de semana, como espetáculo e atração do Brasil colônia.

Portanto, se tornou banal assistir a infâmia racista cotidiana dos profissionais da violência do Estado nacional em sua prática diuturna da mesma forma que se ignora um mendigo ou qualquer pedinte na esquina de qualquer cidade grande. Desse modo, a cidade é partida entre gente de bem e gente de bens que ignoram os que são oprimidos assim como ignora os que oprimem, desde que tenham conteúdos estimulantes para preencher as matérias das páginas de seus jornais, para que possam se excitar com as leitura das manchetes bombásticas de cada dia.

Dessa forma, a casta cara-pálida vem promovendo as pautas dos temas de debates em que os oprimidos, os machistas e as feministas, devem passar o seu tempo academicamente útil, a fim de preencher as exigências do google e do Lattes, para que o violento e esgotado projeto de nação europoide ainda tenha possibilidades de manter sua supremacia.

Esse processo biocida e desumanizador se manterá, até que ambas as nações decidam, unidas, a retirarem juntas, a espada da pedra, para finalmente, recuperar sua humanidade perdida, dando início a um mundo novo nesse novo mundo. Dessa forma, as cores do arco-íris ganharia sentido, assim como a diversidade humana deixaria de ser um mero discurso na pauta do debate acadêmico de cada dia que nos dói hoje.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Paradigmas e Paradoxos de Um Rei no Banquete de um Bufão

A natureza, em sua infinita bondade e majestade, sofreu um ingênuo golpe através de uma infame tentativa de clonagem, realizado por uma parte da pequena população eurocêntrica especialista em golpes, e sedenta de poder.

Foi a partir dessa estultícia, que os elementos visíveis que compunham uma pequena parte da engenharia quântica da natureza, sofreram essa tentativa tosca de reprodução em laboratório, e foram transformados em produtos oxidados auto elogiáveis.

Dessa maneira, nossos antepassados foram convencidos a largarem suas lavras e consumir os pseudos alimentos híbridos e transgênicos criados em laboratórios, e legitimados através do incansável trabalho do constante autoelogio desse projeto que se tornou o próprio produto. Ou seja, ele é o meio e o fim em si mesmo.

Desse modo, iniciamos um inconsequente processo de intoxicação desse corpo humano que faz parte da natureza, intoxicando a própria natureza, que vem recebendo por tabela, todo o lixo que expelimos de formas diversas, transformando o esplendor da terra, de joia do universo, em latrina a céu aberto.

O processo de autoelogio realizado para sustentar esse dolo, banalizou a violência praticada contra a natureza, transformando essa perversidade em sinônimo de modernidade. As pessoas de bem foram transformadas em gente da moda pelas pessoas de bens, fazendo com que o Ter desse um golpe no Ser. Desse modo, o açúcar tomou o lugar do mel e o sal virou o principal tempero que torna úmido os corpos que jazem sobre os leitos e corredores dos hospitais públicos de todo país, sendo diuturnamente regados pelas lágrimas parentais.

Blindemos então a essa deliciosa, viciante e mórbida modernidade nutricida, com a qual nos suicidamos a cada dia do hoje que nos doerá amanhã. Façamos de nosso funeral um banquete a Komo e Kaos celebrando nossa colonização mental, controlada pelo comercial matinal promovido pela elite marginal, que comanda esse público através do controle remoto estatal. Um povo teleguiado é um povo modernizado.

Um viva a tecnologia biocida da máquina pública escravagista que extirpou a natureza do Corpo Elemental, separando a Razão da Emoção ao induzir a preferência por um cardápio de uma lógica meritocrática e excludente.