
Quando chega
o momento de brincar de eleição nesse parquinho infantil em que se transformou
o processo do pleito eleitoral brasileiro, é que se organiza uma uma sutil e estratégica competição promovida pela elite que compõe a situação; mesmo estando na
oposição; nesse momento que é necessário parar para repensar e refletir profundamente sobre as sutilezas desse processo, e
pensar um pouquinho mais sobre as regras básicas meritocrática que fundamentam essa
brincadeira; brincadeira essa que mais parece de um mundialito de
futebol.
Nesse caso, vamos então perceber que, este é o momento em que todos
torcem para seus partidos-times, e quando esse time-partido vence, quem realmente
ganha são os dirigentes e os atletas diretamente envolvidos com esse evento,
enquanto os que se digladiaram por eles, sangraram por eles, se mataram e ainda
se matam por eles, ficam a ver navios durante os próximos quatro anos vindouros,
a fim de participarem de outra competição, para que eles possam repetir de
novo, outra vez e novamente outro pleito, e repetir esse estúpido procedimento
nas arquibancadas da cidadania. Assim, o processo eleitoral segue o mesmo
padrão e o mesmo roteiro, como exatamente tudo que é imposto pela pauta da elite,
gerido pelo Estado e mantido pela mídia.
Podemos notar
nesse tabuleiro de xadrez a abundância de candidatos de esquerda que disputam
entre si mesmo, para disputar contra um candidato de direita; direita que tem como
sutil estratégia o enxugamento de seus candidatos, que lhes servem em última
instância como pano de fundo e como objetos de mera distração para os eleitores em
questão.
A ironia
disso tudo é quando justamente aqueles que mais tem certeza de seu voto agem como os mais incisivos dos torcedores futebolísticos, e passam a se engalfinhar
numa exacerbada competição pela supremacia desse pleito, portando-se como se
estivessem na arquibancada do Nacionalista Futebol Club, pelo fato de personalizar em si as
questões públicas refletidas pelo discurso desses indivíduos-atores contratados
por partidos-empresas, iniciando dessa maneira, entre si, uma luta de vida ou morte, sem que esses
torcedores que se tornam adversários possa atinar que, o que está realmente em jogo, são as suas vidas e seus
destinos.
A mídia faz com que eles assimilem o discurso representativo, se confundindo com o candidato com o melhor e mais bonito desempenho em frente às câmeras das TVs que
patrocinam esses mesmos candidatos politicamente corretos. Isto é, essas financiam de
forma reptícia esses candidatos que se encontram dentro dos padrões de conveniência
e representatividade pré-estabelecidas por esse roteiro, que tem sua pauta determinada
pelas seis famílias tradicionais brasileiras que detém toda a riqueza do país.
São esses
atores-candidatos padrão, aceitos por este sistema capital de seleção; esse
mesmo sistema que foi imposto e induzido a população como sendo legal e de direito;
são os únicos que podem fazer parte dessa famigerada competição, para ocupar o
posto de intermediário-mor fazendo a relação entre o sistema capital e o
público-povo, a fim de manter e justificar o lugar dessa casta escravocrata nacionalista
na neocolonialidade e a continuação do espetáculo teatral desse pseudo pleito eleitoral, como
se fosse a mais perfeita e moderna versão brasileira da antiga tragédia grega.
Dessa
forma, o povo se comportando como público presente numa arena romana, exibindo
sua cara fechada, ranger de dentes e os punhos cerrados, mostram sua disposição
na defesa dessa democracia como uma opção, um “mais do mesmo”, como se isso significasse realmente uma escolha própria. Portanto, é notória a percepção de que
os únicos que acabam não participando efetivamente dessa eleição é justamente
o próprio povão, já que a esquerda também faz parte da elite; e a elite odeia o
povo; isso é um fato histórico.
Sendo assim,
o único caminho viável seria o caminho da transformação desse público em Povo
de fato, para que ele finalmente participe de forma efetiva e ativa na vida
política do país, e não somente de quatro em quatro anos, sem direitos a
interpelar seus “representantes” a qualquer turno. Essa transformação só se dará
de forma maiêutica e diatópica e nunca através do Grande Irmão, como tem sido
até o momento.
Por conta
disso, o Brasil continuará sendo o país das mil e umas contradições, além das
doces e suculentas jabuticabas, enquanto o trem da história se descarrilha de
sua memória afetiva e as fotos dos candidatos continuarem a ser as mesmas fotos
dos procurados pela justiça eleitoral e criminal desse Brasil varonil, que
mandam os filhos da pátria para a vala comum e os filhos da madame passear num
cruzeiro sob o céu, o sol e o mar de profundo azul anil.
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