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domingo, 7 de outubro de 2018

Sobre as Eleições no Brasil



Quando chega o momento de brincar de eleição nesse parquinho infantil em que se transformou o processo do pleito eleitoral brasileiro, é que se organiza uma uma sutil e estratégica competição promovida pela elite que compõe a situação; mesmo estando na oposição; nesse momento que é necessário parar para repensar e refletir profundamente sobre as sutilezas desse processo, e pensar um pouquinho mais sobre as regras básicas meritocrática que fundamentam essa brincadeira; brincadeira essa que mais parece de um mundialito de futebol.

Nesse caso, vamos então perceber que, este é o momento em que todos torcem para seus partidos-times, e quando esse time-partido vence, quem realmente ganha são os dirigentes e os atletas diretamente envolvidos com esse evento, enquanto os que se digladiaram por eles, sangraram por eles, se mataram e ainda se matam por eles, ficam a ver navios durante os próximos quatro anos vindouros, a fim de participarem de outra competição, para que eles possam repetir de novo, outra vez e novamente outro pleito, e repetir esse estúpido procedimento nas arquibancadas da cidadania. Assim, o processo eleitoral segue o mesmo padrão e o mesmo roteiro, como exatamente tudo que é imposto pela pauta da elite, gerido pelo Estado e mantido pela mídia.

Podemos notar nesse tabuleiro de xadrez a abundância de candidatos de esquerda que disputam entre si mesmo, para disputar contra um candidato de direita; direita que tem como sutil estratégia o enxugamento de seus candidatos, que lhes servem em última instância como pano de fundo e como objetos de mera distração para os eleitores em questão.

A ironia disso tudo é quando justamente aqueles que mais tem certeza de seu voto agem como os mais incisivos dos torcedores futebolísticos, e passam a se engalfinhar numa exacerbada competição pela supremacia desse pleito, portando-se como se estivessem na arquibancada do Nacionalista Futebol Club, pelo fato de personalizar em si as questões públicas refletidas pelo discurso desses indivíduos-atores contratados por partidos-empresas, iniciando dessa maneira, entre si, uma luta de vida ou morte, sem que esses torcedores que se tornam adversários possa atinar que, o que está realmente em jogo, são as suas vidas e seus destinos. 

A mídia faz com que eles assimilem o discurso representativo, se confundindo com o candidato com o melhor e mais bonito desempenho em frente às câmeras das TVs que patrocinam esses mesmos candidatos politicamente corretos. Isto é, essas financiam de forma reptícia esses candidatos que se encontram dentro dos padrões de conveniência e representatividade pré-estabelecidas por esse roteiro, que tem sua pauta determinada pelas seis famílias tradicionais brasileiras que detém toda a riqueza do país.

São esses atores-candidatos padrão, aceitos por este sistema capital de seleção; esse mesmo sistema que foi imposto e induzido a população como sendo legal e de direito; são os únicos que podem fazer parte dessa famigerada competição, para ocupar o posto de intermediário-mor fazendo a relação entre o sistema capital e o público-povo, a fim de manter e justificar o lugar dessa casta escravocrata nacionalista na neocolonialidade e a continuação do espetáculo teatral desse pseudo pleito eleitoral, como se fosse a mais perfeita e moderna versão brasileira da antiga tragédia grega.

Dessa forma, o povo se comportando como público presente numa arena romana, exibindo sua cara fechada, ranger de dentes e os punhos cerrados, mostram sua disposição na defesa dessa democracia como uma opção, um “mais do mesmo”, como se isso significasse realmente uma escolha própria. Portanto, é notória a percepção de que os únicos que acabam não participando efetivamente dessa eleição é justamente o próprio povão, já que a esquerda também faz parte da elite; e a elite odeia o povo; isso é um fato histórico.

Sendo assim, o único caminho viável seria o caminho da transformação desse público em Povo de fato, para que ele finalmente participe de forma efetiva e ativa na vida política do país, e não somente de quatro em quatro anos, sem direitos a interpelar seus “representantes” a qualquer turno. Essa transformação só se dará de forma maiêutica e diatópica e nunca através do Grande Irmão, como tem sido até o momento.
Por conta disso, o Brasil continuará sendo o país das mil e umas contradições, além das doces e suculentas jabuticabas, enquanto o trem da história se descarrilha de sua memória afetiva e as fotos dos candidatos continuarem a ser as mesmas fotos dos procurados pela justiça eleitoral e criminal desse Brasil varonil, que mandam os filhos da pátria para a vala comum e os filhos da madame passear num cruzeiro sob o céu, o sol e o mar de profundo azul anil.

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