Os dias vividos,
uma vez transformados, como os números que dão linearidade as páginas de um
livro autobiográfico que se pode desfolhar ou ocultar; quando expostos nas intocadas
estantes das bibliotecas públicas ou publicamente escondidos nos escaninhos acadêmicos
virtuais da vida fatiada pelos lattes formatadores de estigmas e estereótipos; tais
dias são contidos e acondicionados no invisíveis registros akáshicos dos
compartimentos corpóreos. E esse corpo fala e grita para os mundos entrelaçados
por intercessões de mundos paralelos, simultâneos e circulares.
O corpo,
sendo uma história on-line; é a tela onde a memória imprime e reimprime a própria
história, cujos discursos são elaborados e proferidas pelas palavras
que dão vida ao passado; enquanto no presente, ela, essa palavra, tem o poder
de cortar como uma afiada navalha, e também pode quebrar muitos ossos. As palavras
são como pedras atiradas, que uma vez proferidas, não haverá obstáculo que
intercepte seu caminho em direção ao alvo, cujos efeitos são dialéticos,
maiêuticos e diatópicos, como as muitas pessoas dentro da própria pessoa.
Dessa forma,
os mantras vividos ao som de cada dia que se segue, nas idas e vindas que se
circundam num ininterrupto espiral, como um fractal que faz parte da harmonia que
compõe o universo atemporal, nos mostrando que tudo o que está acima, é também o
que está abaixo, enquanto o que está dentro, é também o que se encontra fora.
Portanto, como sujeitos, através do som primordial desse verbo por nós
proferido, falamos o futuro, dando sentido ao presente e formato ao passado nas
entrelinhas e reticências de nossa incontinente inconsciência, e tudo se faz, porque assim é...

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