Embranqueceram
Mozart, Johann Sebastian Bach e até a rainha de Sabá; Cleópatra, Carlos Marighela,
Moisés e até Jesus, além de Machado de Assis, a fim de fazer um brancopoide feliz. Desse modo, surgiram os órfãos, asilos e manicômios, como moedores dos fragmentos de
gente preta coisificada pela desumanização praticada como ação política
brancopofágica, dando assim, origem ao racismo, como pilar de sustentação do patriarcado
e do matriarcado; geradores do machismo e do feminismo; separando a razão da
emoção, assim como separou o homem da mulher. Da mesma maneira, foi criado um
Rock Balboa para cada Mohamed Ali, e
caricaturou-se um Rambo para cada Ho-Chi-Min.
A construção
de heróis sem cor, que se deu pela violência e pela dor, que supliciaram e
supliciam o portador da pele preta, fez da história uma muleta para sustentar
uma civilização fake e antropofágica, que chegou as portas da humanidade trazido
pelo cavalo de Troia, com Narciso montado em si.
O cara-pálida chegou chicoteando, amputando, estripando, torturando, jogando bebês em
água fervente, estuprando-os ou chicoteando-os em frente as mães que tinham
seus dentes quebrados a marteladas, os bicos dos seios decepados a faca ou as
unhas arrancadas e os dedos esmagados como uma forma corriqueira de incentivo a produção das
riquezas que até hoje sustentas os descendentes desses mesmos caras-pálidas.
Essas invasores,
que os livros didáticos classificam como descobridores e bandeirantes, construíram
suas riquezas com sangue e pavimentaram seu caminho com corpos negros despedaçados a fim de saciar os seus mais sórdidos e infames desejos.
São esses
mesmos descendentes diretos desses caras-pálidas genocidas de outrora, que hoje
exortam a seus admiradores, a classificarem o racismo como mero vitimismo,
vindo de alguém malandro, preguiçoso, que ainda ousa resistir a permanecer no
lugar que a história colonizadora o colocou.
Desse modo,
essa atual relação entre o Povo Negro brasileiro e a população cara-pálida descendentes
de imigrantes e invasores, pode ser comparada exatamente como a relação de
extermínio e limpeza étnica praticada pelos israelenses em terras Palestinas; transformando esse processo numa política tupiniquim que foi banalizada pelas manchetes de jornais e pelos noticiários
matinais como uma rotina integrada a imagem urbana cotidiana, assim como era público as
surras de chicote nos negros amarrados ao pelourinho da praça central, aos fins
de semana, como espetáculo e atração do Brasil colônia.
Portanto, se
tornou banal assistir a infâmia racista cotidiana dos profissionais da violência
do Estado nacional em sua prática diuturna da mesma forma que se ignora um mendigo ou qualquer pedinte
na esquina de qualquer cidade grande. Desse modo, a cidade é partida entre
gente de bem e gente de bens que ignoram os que são oprimidos assim como ignora os que oprimem, desde que tenham conteúdos estimulantes para preencher as matérias das páginas
de seus jornais, para que possam se excitar com as leitura das manchetes bombásticas de cada dia.
Dessa forma,
a casta cara-pálida vem promovendo as pautas dos temas de debates em que os oprimidos,
os machistas e as feministas, devem passar o seu tempo academicamente útil, a
fim de preencher as exigências do google e do Lattes, para que o violento e esgotado
projeto de nação europoide ainda tenha possibilidades de manter sua supremacia.

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