Durante as passeatas e manifestações de protestos, observamos pessoas
perdidas como se seguissem o carneiro de Panúrgio, com um profundo olhar pragmático, falando desavergonhadamente com a boca cheia de
convicções e a mente abarrotada de dogmas, altivamente avançando resolutas pelo caminho da certeza
absoluta pavimentado pelo trator do empreiteiro, esse moderno feitor, que hoje usa a caneta
de doutor para sangrar o ser humano, que se tornou ilegal por meio da
assinatura empresarial protocolada pelo avô desse mesmo empresário; agora tornado um perfeito e eleito candidato a prefeito, com plenos poderes e direitos a representar o povo
diante do poder Estatal instituído como tal.
Para isso,
todos os dias, a mídia falada e escrita, enverniza o antolho dessa caixa de
certeza que é mantida pela TV que individualiza, cerceia e embrutece esse ser que é rodeado por grades invisíveis, habilmente ornamentadas, meticulosamente coloridas e perfeitamente impalpáveis e imperceptíveis, que delimitam os pensamentos criadores das emoções seletivas que conduzem por este caminho
de mão única, nessa escuridão que entorpece os sentidos desse indivíduo que se fez cego por escolha própria, ao optar pelo monólogo com o
Grande Irmão.
Todas essas
certezas, tem residência fixa nas confortáveis gaiolas douradas construídas pelas sedutoras imagens
patológicas e esquizofrênicas, que representam, além da segurança do lar, também o seu eterno parque infantil de diversão, para que esse
ser, paradoxalmente se ache, enquanto se perde de si mesmo em meio a esse mar de certezas convictas, produzidas pelos autoelogios que mantém e retroalimentam sua existência.
Essas certezas milagrosamente se materializam em forma de diplomas e certificados
acadêmicos enquanto magicamente formatam e diminuem o indivíduo enquanto sujeito, reduzindo-o a dados estatísticos, números e
algoritmos que sustentam o google e o Lattes, retirando-o da comunidade
humana, transmigrando o dito cujo para a comunidade científica. E dessa forma, esse
doutor, com os antolhos do conhecimento universal, se transforma num neófito da
sabedoria comunal; com cátedra comprovada nesse conhecimento que diminuí e oprime o outro, a partir do
momento que institucionaliza e sacraliza a classe do conhecimento como
detentora do saber universal, e proprietária desse conhecimento compartimentado em
caixas e acondicionados como fast food exibidos nas vitrines sociais, sendo negociados como bulas ou buena dichas, instituindo uma realidade post adoc[1].
Dessa maneira,
a certeza do padre e do pastor, do político e do policial, são ditadas pelo
fator empresarial que confeccionam e colecionam normas, decretos, leis, códigos de ética e
de condutas, regimento interno e afins, a fim de blindar essa caixa que delimitam
e limitam o proceder e os destinos dessa boiada formada por esses gados marcados
conhecidos como cidadãos de bem, enquanto marginalizam os que saem dessa normalidade
banalizada pela elite mundial, que tem a absoluta certeza de seu lugar na hierarquia universal dentro dessa política de neo-apartheid racial e social instituída como valores nacionalista, nessa cidade partida pela cor preta e pela cútis branca desde as capitanias hereditárias, legitimadas pelos partidos brancos dizimadores do Partido Bantu.Reparação Já...!!
[1] Refere-se
a uma realidade causal. Por exemplo: depois da tempestade vem a bonança, logo, para
que haja bonança uma tempestade se faz necessária.

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