Foi durante
o voo que o homem inventou a gaiola. Como resultado dessa intrépida aventura, essa
gaiola se transformou, não somente em seu lugar de pouso, mas também em seu lugar de conforto, de fuga e de refúgio. Ou seja, no lugar aonde inexiste o processo de trabalhar as responsabilidades do fazer humano.
Dessa forma, suas asas se atrofiaram e ele acabou
por esquecer-se de que as possuía. Tais asas se encontram hoje limitadas ao DNA
de sua memória corporal linear, e constituindo quanticamente sua inconsciência
atemporal ilimitada; E essa inconsciência atemporal e ilimitada, foi aprisionada
pela linearidade da consciência, que uma vez suprema, se tornou totalitária e
absoluta na condução de seu destino, estabelecendo as condições e critérios de definição e discernimento
de lucidez.
Dessa maneira, após ter sido invisibilizadas as grades da razão que tecem as linhas da arquitetônica[1] dessa
realidade única como uma alternativa sacralizada a ser seguida pelo povo
desse lugar, que escolheu cortar as asas da imaginação de sua
multidimensionalidade, aprisionando Corpo e Mente, passamos então a cultivar no conforto dessa gaiola, o indizível medo de se afogar no eterno e perene oceano de liberdade e da vida; transformando assim, o começo em fim. Ou seja, de forma totalmente
contraditória a razão estabeleceu que o sentido da vida fosse definido pelo medo da morte; dessa forma, o começo passou a ser fim.
Desde
então, o medo de deixar essa gaiola se transformou em mote ao ser subsidiado pelas diversas
denominações religiosas e doutrinas das mais variadas expertises, além de dar
origem a um nicho de mercado, que habilmente trabalham para criar fórmulas e
especialidades que trazem significativos lucros aos profissionais e mestres do
ramo do bom viver.
Essa indústria
do medo, gerada pela personificação da figura da morte como fim de tudo, induzido
através da razão, tem sido a base de todos os seus extorsivos lucros, gerando abusivas
riquezas para esse mercado infame, que é dirigido e gerenciado por pequenos grupos
especialistas em racionalizar e manipular as emoções humana.
Dessa
maneira, a alternativa de podar as asas da imaginação explicitamente tem se mostrando
através da proibição das Artes nas escolas, quando pedagogicamente essa arte se
resume, de forma velada, ao mero processo mecânico de colorir, cortar, colar e afixar nas frias paredes
do ambiente escolar, as figuras prontas, a fim de decorar esse espaço ilustrando a nossa
infante fome de vida e de liberdade negadas pelo medo cultivado através dos
livros didáticos e das Tecnologias de Informação e Comunicação, que calcificam a
liberdade do pensar. Sem mencionar as disciplinas compartimentadas, divididas
nos escaninhos acadêmicos dos conhecimentos pesados e medidos em sua superfície e profundidade, classificadas segundo seu código de
barras de validade transformados em certificados e diplomas que estabelecem,
controlam e quantificam o subjetivo do indivíduo.
[1] Relação
do Eu com o outro.
[2] Personagem
de Kafka – metamorfose.
[3] Os
semelhantes curam-se pelos semelhantes
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