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terça-feira, 5 de outubro de 2021

Mundo Livre S/A: Sobre as Memórias do Cárcere e as Verdades da Plena Liberdade

São cerca de 7 bilhões de pessoas vivendo nesse vasto mundão; Sete bilhões de realidades diferentes; Sete bilhões de verdades distintas; sete bilhões de crisálidas que desabrocham a cada amanhecer; Sete bilhões de olhares, intenções e atenções; Sete bilhões de mundos e universos que se formam a cada Big Bang que explode em cada raio de Sol nascente formado a cada despertar.

Então porque a verdade do outro ainda incomoda tanto a gente, apesar de não conseguimos encontrar a nossa própria verdade...? Porque nos preocupamos tanto com os erros dos outros, quando ainda não conseguimos acertar os nossos próprios passos...? Afinal, como foi que chegamos a definição daquilo que qualificamos como erro e categorizamos como acertos, diante desse universo tão diverso, em que o certo e o errado acabam por se dissolverem nessa escala fractal, aonde todos os seus degraus ascendem numa infinita e grandiosa escala espiral...?

Porque permitimos que as nossas emoções sejam transformadas em bolinhas de ping-pong, fazendo de nossa existência uma arriscada aposta ao permitir que outrem escolham o lado do campo e decida as regras do jogo, assumindo de vez, o comando do nosso vasto mundão.

É nesse jogo de emoções manipuladas, que a realidade está sempre a se modificar e a verdade a se perder, e num surpreendente paradoxo, faz de nosso casulo, um confortável e aconchegante ninho acolchoado com crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes; com o agravante de não haver a mão de uma águia-mãe no interior desse casulo que empurre do ninho os seus filhotinhos.

Dessa maneira, dos sete bilhões de lepidópteras, muitas delas hão de preferir permanecer como larvas, para, como polífagas, passear entre as verdades alheias, absorvendo-as como se fossem inebriantes néctar florais. Outras vão preferir mariposear entre as chamas bruxuleantes da própria escuridão, dando voltas até o seu próprio delir; enquanto outros tantos, escolherão romper a crisálida para borboletear sobre os diversos olores espargidos pelo reflexo do sol primaveril.

Entre o rastejar sobre a lama das emoções manipuladas, e o voar entre as flores de verdades coloridas e perfumadas pela magia dos sentimentos oriundos das próprias emoções subjacentes, existe muito mais que um casulo de escolhas e uma crisálida de decisões. Portanto, podemos inferir que existem sete bilhões de diferentes sentidos, além dos prosaicos cincos já pré-estabelecidos, definidos e aceitos como tal.

Assim como as flores, que se contrastam entre si, sem jamais deixarem de ser flores; e os pássaros, em suas perfeitas diversidades, continuarem sendo pássaros em sua magnitude; também uma pessoa, cada qual com a sua verdade, só poderá preservar a sua humanidade, quando for capaz de aceitar-se enquanto parte de uma raça somente; a raça humana. Esse é o primeiro passo para se abandonar o metafórico casulo da inumanidade: mergulhando da crisálida pendente na árvore da vida que adorna o centro do nosso Éden.

Nesse caso, é preciso jogar fora os densos intentos, as preocupações concernentes a outrem e todas as verdades alheias contraídas que se transformaram em crenças limitantes, que faz pesar como bagagem desnecessária em nossa nave coronária. Só assim, as asas da liberdade terão espaço suficiente para se distender, desatrofiando-se, a fim de ganhar a vastidão desse espaço preso em nosso universo interno. Dessa forma, o corpo memória poderá contar a sua própria história, como um pássaro que abandonou a sua gaiola-casulo, cantando a alegria da liberdade, mesmo que tardia.

domingo, 12 de setembro de 2021

A César o Que É de César...

A vida não é uma sala de espera, visto que, absolutamente tudo acontece no agora: A Liberdade, o Amor a Felicidade, e mesmo a própria vida. Análogo uma moeda, dividimos a nós mesmos em duas partes; dentro e fora, passado e futuro, claro e escuro, bom e mal, etc. nos esquecendo do nosso próprio valor enquanto Ser integral. Sendo assim, no paradoxo dessa dicotomia, o passado, como um gigantesco cemitério, é somente um lugar de lembranças e saudades; enquanto o futuro, é inexistente; porque ele só pode acontecer no hoje.

A intenção e a atenção ao real valor do momento vivido é impedido pelo pensamento, oriundo da mente, que sempre mente, evitando assim, a percepção de que somos a nossa própria liberdade; somos a própria paz que procuramos; somos essa verdadeira felicidade tão esperada, que não é percebida por conta do turbilhão de desejos projetado pela mente.

É o passado que traz o sofrimento, enquanto o futuro traz somente o que é transitório, estruturando esse mundo imaginário, estabelecido pelos padrões do pensamento condicionado, e herdado como modus vivendi.

Nosso corpo é a nossa casa, é o lar que deve também ser, além de um Templo sagrado, uma animada casa de festas e uma requintada e elegante loja. Por isso, a atribuição do valor intrínseco dessa metafórica moeda em que fomos transformados, só pode ser conferido por nós mesmos, e jamais por outrem.

Fomos fragmentamos, a partir das identidades aferidas pela dualidade presente nas faces dessa moeda; e uma vez taxonomizados, deixamos de ser sujeitos e passamos à categoria de objetos. Permitindo que as identificações trazidas pelas nossas personagens do passado, ou pela personalidade construída pelo ego, transforme o indivíduo num expectador de um filme aonde ele jamais será o protagonista, porque o expectador não vive, ele apenas cumpre passivamente o papel subalterno a ele atribuído.

Ao desviar a nossa plena atenção do momento presente, perdemos também a virtude do sermos o que somos. Ou seja, perdemos o valor intrínseco dessa metafórica moeda de ouro, que acaba se transformando em barro através do olhar da Medusa. Portanto, o verdadeiro ser precisa desvincular-se do passado, e de um presumível futuro, para poder estar consciente de si mesmo e de sua plenitude.

A mente continuamente produz e projeta imagens, enquanto perdemos nosso tempo tentando compreendê-la e interpreta-la, nos confundindo assim, com as próprias imagens projetadas, quando nos fixamos somente em tais projeções, e não para a fonte da projeção. Dessa maneira, deixamos de compreender que não somos a imagem projetada pela mente, deixando assim, de ir além dos conceitos e ideias padronizados pelo passado, que são projetadas para o futuro; fazendo do presente; um limbo, esse lugar fora do tempo, que nos faz desprezar a imagem do pobre e dobrar os joelhos diante dos poderosos.

Dessa maneira, a percepção da beleza que nos ronda, só pode ser sentida e vista através dos olhos do amor, que enxerga na elegância trazida por cada momento, a gentileza que sustenta a existência; na medida em que; o que está fora; também é o que está dentro. Dessa maneira, a magia só pode ser vista através dos olhos da criança; pois esse é um olhar que jamais traz julgamentos, críticas, ideias ou conceitos pré-estabelecidos como juízo de valor.

A identificação com algo, por si só, já traz a distinção desse valor que é exposto em ambos os lados dessa mesma moeda, fazendo o amor e o ódio caminharem juntos, assim como a luz e a escuridão e toda a família de opostos. Esse estado dualístico é responsável pelo modo de pensar e falar justamente o que a mente mostra; transformando a realidade num mero objeto dessa mesma mente.

Para uma mente escravizada, a verdade sempre permanece oculta, pois a mente é aquela que discrimina, ilusiona, gosta, desgosta, deduz... trazendo o senso de perdas e ganhos, reduzindo as dez-mil-coisas num determinado valor estampado e patenteado na face dessa moeda.

Sendo assim, o caminho da verdade está além da linguagem do ser que somos; ser que é infinitamente pequeno e infinitamente grande. Portanto, Ser um ser mental é o mesmo que assumir a função de uma bola de ping-pong, tendo as suas emoções provocadas e controladas pelos pensamentos padronizados que, ao contrário da consciência, reside fora do tempo presente. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

A Eternidade é o Presente do Agora Ofertado Pelo Amanhecer da Verdade em cada Hoje

Estar sensível ao momento presente é não se contentar apenas com um cardápio para saciar a fome, da mesma forma, como não adiantaria coisa alguma ter um guia de turismo completo, para se tentar vivenciar a beleza e as maravilhas de uma magnífica viagem. Essa afirmação comprova que o momento presente é só o que existe de fato, já que olhar a paisagem através de um cartão postal, não nos permite enxergar o que realmente está à nossa frente.

É entre o dar a atenção ao que parece ser, e dar atenção ao que é, que o caminho se revela àquele que se encontra perdido em si mesmo. Equivalente aquela pessoa comum que deseja ver Deus face a face, sem, no entanto, perceber que, absolutamente tudo é Deus. Ou seja, o indivíduo programado pelo condicionamento social e biológico, construiu para si mesmo, uma personalidade, a fim de participar desse jogo, aonde o ego, esse Eu personagem, é quem dá as cartas, persuadindo a si mesmo que o jardim de plástico do outdoor é realmente o paraíso achado.

Portanto, para esse indivíduo, a aceitação de Leis, normas e regras, são essenciais como forma de ingressar e participar desse reality show, que é jogo da vida na urbe et orbi. Desse modo, o senso comum, revelado pelo inconsciente coletivo, é o regente desse filme aonde cedemos o nosso centro de poder ao roteirista dessa história oficial recheada de memórias e esperanças.

Esse senso comum criou um sistema de produção de identidades, com o intuito de separar os times adversários e manter os jogadores totalmente imersos nessa experiência ilusória. São essas identidades que alimenta e fortalece o self, fazendo com que ele, o self, conduza o jogo da vida, vivido na Matrix regida pelo Deep State.

Esse cardápio de Leis, regras e estatutos, tem o seu tempero especial preparado com agendas, calendários e relógios, e um molho inglês feito de certificações e diplomas, tudo isso servido numa atmosfera gospel, nessa formatura do bom cidadão, organizada consecutivamente pelos departamentos bíblicos da seção celestial e infernal.

Sendo assim, temos um céu e um inferno meticulosamente planejados e personalizados, aos quais são conferidos toda a importância, em detrimento ao Paraíso existente no presente de fato, em cada agora; visto que, o medo do futuro é o principal combustível que move o Mecanismo dos Tempos Modernos. É por isso que o indivíduo entrega de bom grado, a sua força ativa, a fim de assegurar um futuro, que não é propriamente o dele, mas sim, das famílias que conduzem o Deep State.

O futuro do indivíduo se reduz as suas conquistadas de assinaturas nos rodapés de diplomas e certificados, condecorações estas que lhe traz a falsa sensação de segurança num pretenso futuro; é uma situação análogo ao pagamento do seguro contra incêndio, ou a promessa da religião de um paraíso pós-morte.

Dessa maneira, na noite escura, a regra é clara: lembrar-se dos bons momentos do passado e acreditar na conquista de um futuro, adequando-se exclusivamente as condições estabelecidas pelo sistema Medieval dos Tempos Modernos. Portanto, o indivíduo nunca terá Tempo suficiente para pensar ou cuidar de si mesmo, já que se encontra totalmente fora de seu Espaço e Tempo. Caso o indivíduo possuísse o tempo, ele jamais seria possuído pelo relógio.

Nesse caso, o Tempo da Senzala, trazido e mantido pelo poder dominante, fragmenta a vontade desse indivíduo, que cede o seu centro de poder, em consequência do adestramento sofrido desde seu nascimento, que indelevelmente o condicionou social e biologicamente. Dessa forma, ele vive nessa bolha-casulo de tempo, limitada por calendário e ponteiros, representantes dessa famigerada agenda produzida pelo Estado Profundo.

Enquanto esse indivíduo continuar a acordar só para poder dormir, sem saber por onde ir, ele continuará a seguir o Carneiro de Panúrgio por onde quer que vá, enquanto olha o tempo e a vida passar ao largo da própria vida. É nesse “passar a vida em branco”, que uma pessoa de cor vai descobrir o seu real valor, quando observar o rodapé do cardápio, desse menu de alimentação oferecido pelo Estado de terror, como um prato especial e exótico de Adrenocromos.

Se, a exemplo do conceito da terra plana, ainda continuarmos a creditar na teoria do tempo linear, continuaremos a ceder o nosso centro de poder aos gestores dessa agenda de terror, produtora de crenças limitantes e ideologias descapacitantes, que condicionam nosso bom viver. Ou seja, nessa bolha de existência, aonde não existe escolhas, só opções, o tempo de cada indivíduo é acorrentado aos ponteiros de um relógio, que segue o calendário elaborado por cadentes leis senis.

Para escapar dessa escola de horrores, é necessário carregar a pecha de rebelde sem causa ou de maluco beleza; mas como o cidadão de bem, o indivíduo que não deseja ser mal visto, mantém o seu currículo impecável, comparecendo a cada passeata patriota, estrategicamente convocada pela mídia vendida.

A viagem dentro dessa bolha regida pelo tempo linear, transformou-se num eterno looping, aonde os calendários e os ponteiros como feitores pós-modernos, todos os dias, repetitivamente ordena aos seus comandados que produzam com excelência. Sendo assim, as repetições das tarefas cotidianas, acabam se tornando um exercício automatizado e de muita destreza, fazendo o indivíduo habituar-se a tudo aquilo que outrora, se mostrava incômodo nessa filosofia “time is Money”.

Portanto, para adaptar-se à essa sociedade adoentada, é necessário afeiçoar-se as correntes, e ao medo produzido pelas sombras dos monstros inexistentes, além dos vírus invisíveis, criados e cultivados in vitro pelo Deep State. Fora isso, só resta despertar para o Presente, sabendo que tudo acontece no agora, e que, as promessas pertencem exclusivamente aos religiosos e aos políticos, e as ameaças, cabem aos cães que ladram enquanto as carruagens passam.

O principal quesito para possuir o Tempo, é jogar fora os relógios de ponto, os calendários político-religiosos e as agendas da Casagrande. Esse ato revelará o incômodo da idade das trevas nas diversas tentativas de intimidação de toda sorte, inspiradas nos prazos estipulados, estatutos e regimentos, regras estabelecidas e Leis impositivas. Atravessar o mar do terror psicológico, com seu tempo instável, será o primeiro passo para poder chegar a Nova Terra; nesse orbe aonde o planeta é redondo, e o tempo não é linearizado; nesse mundo aonde tudo que vai, volta; nessa terra aonde tudo o que se planta, dá.

É nesse momento em que o Tumbeiro deixa de ser um Holandês Voador, saindo do intenso temporal em direção a Nova Aurora, enquanto a bordo, os fantasmas pretos se transformam em anjos Negros. Assim, os ponteiros que escravizam a mente do neófito, são substituídos pelo Sino, que a cada toque, chama a atenção do cidadão do mundo para o aqui e agora, lembrando desse presente concedido pela Fonte Criativa.

  

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Pedagogia da Deseducação

Nas experiências vividas como Professor, tive a feliz oportunidade de aprender que, quando se auxilia um infante ou um educando em seu processo de alfabetização, não há possibilidade alguma de se aprender a ler por ele, ou no lugar dele; como elemento ativo de sua própria educação, indubitavelmente, ele deve ser o protagonista da ação. Do mesmo modo, aprendi que, quando há duas pessoas numa estrada, e se uma delas fixar o olhar em direção a profunda escuridão da noite que jaz ao seu redor, enquanto a outra pessoa se ocupa da observação dos sinais que anunciam a aproximação da aurora; ambos, estarão corretos na exposição e sustentação de suas impressões acerca das suas verdades abalizadas.

Em ambos os casos, é notório perceber que a atenção segue a direção do olhar. Ou seja, naquilo em que o observador deter a sua atenção, é o que efetivamente passará a existir para ele. Dessa maneira, o sujeito definitivamente, passa a ser a causa de tudo que acontece com ele mesmo, e consequentemente, é também o responsável por tudo o que acontece em seu entorno, e no resto do mundo que o rodeia.

Portanto, toda a energia que emana do pensar e do sentir, banha completamente o corpo físico, emocional e espiritual; e inevitavelmente, reflete de forma positiva ou patológica em seu entorno, sendo convertido justamente naquilo que rotulamos e classificamos como verdadeiro ou falso, necessário ou desnecessário, bom ou mal, etc. Dessa maneira, mesmo os extremos não se cruzando, ambos os fenômenos são frutos da mesma árvore; visto que tais frutos verdejantes, de vez ou maduros se desenvolvem em conformidade com o solo em que foi semeado.

Portanto, numa cultura aonde se semeia pimentas não há possibilidades da colheita de morangos. Sentimentos são poderosíssimas sementes que, uma vez semeados, não crescerá um pé de qualquer coisa, mas sim, será colhido exatamente aquilo que foi disseminado, e que fractalmente, multiplicar-se-á a si mesmo, de acordo com a estação. Ou seja, o tempo de semear e o tempo de colher, podem ser revelados por períodos simultâneos, paralelos e circulares e tudo isso junto.

Consequentemente, o fruto do pecado, nada mais é, do que resultado da intenção projetada e ativada pela própria mente, que de forma instantânea, se torna uma forma-pensamento concretizado na 4D, para em seguida se manifestar em 3D; esse processo se dá com a Serpente subindo pela coluna desta árvore enraizada na região sacra, até ao cérebro, para enfim, germinar sobre a dualidade de seus hemisférios, que é o lugar aonde essa semente será alimentada pelo ego ou pelo Id.

Sendo assim, essa Serpente, que simboliza a sabedoria, tornou-se uma grande ameaça ao monopólio do Ego, esse mantenedor da personalidade que criamos para o nosso Eu, a fim de participar do jogo organizado pela falida civilização dos Tempos Modernos. Portanto, ela, essa ameaçadora serpente, deve ser abominada, assim como a oferenda do fruto do conhecimento por ela oferecido, deve ser extirpado.

Experimentar desse fruto é conhecer-se a sim mesmo, sendo este justamente o ponto aonde se dá início ao exercício do instituto da Liberdade plena; e para tanto, faz-se cogente sair do padrão dessa estabilidade sustentado por esse passado que estabeleceu como paradigma, o fator do desconhecido como ameaça principal ao culto a própria personagem. 

É o acúmulo de conhecimento que impede o fluxo dessa sabedoria que leva ao estado de liberdade plena. Aprender o que há de verdade naquilo que sabemos, é o começo de uma mudança real, vinda através de um processo de investigação de si mesmo. Esse apego aos conceitos e noções, construídos pelo falso senso do Eu, faz com que criemos identificações, seja em relação a gênero, raça ou classe, naturalizando a exclusão daquilo que não atende aos padrões das nossas expectativas. 

Portanto, o desaprender e o desidentificar com tudo aquilo que vem através do aprendizado oficial e das imagens representativas estruturantes do nosso mundo externo, é o princípio que deve ser aplicado a essa sabedoria trazida pela serpente da kundalini, que se revela como uma ameaça dogmática gospel para a personalidade alimentada pelo ego.

Ver e Ser, sem mentalizar nem verbalizar é o caminho para o verdadeiro saber que, a exemplo da verdade, se apresenta em todo e cada novo amanhecer, visto que, o hoje, é o único presente disponível pra gente nesse agora; e o resto; tanto o passado como o futuro, são fragmentos que fazem parte um filme projetado para fazer sofrer, e para fugir da nossa casa, que é justamente o nosso agora, nosso tempo presente. O que está na tela dessa película de memórias e esperanças, não é real; são somente as lágrimas de tristeza e terror experimentados pelas emoções provocadas pelo sofrimento naturalizado nesses filmes antigos e futurísticos, de lembranças e expectativas, que oprimem a criança que existe em cada um de nós, tentando aprender a viver essa vida padronizada pela educação dos Tempos Modernos. 

Dito isto, podemos inferir que a aprendizagem coercitiva é a perpetuação do processo de escravagismo naturalizado pelos padrões coloniais, estabelecido como pilares da civilização na educação moderna, aonde, ao professor, é concedida a representatividade  de autoridade, para o  repasse do conhecimento autorizado pelo Estado. Dessa maneira, o professor é como uma moeda de ouro, que de um lado, traz a imagem de César e do outro lado, o enigma da esfinge; é o grau do comprometimento com cada lado dessa mesma moeda, que indubitavelmente se revelará no incômodo e pelo desconforto por ele provocado, seja no sistema educacional ou no educando, é que determinará o seu intangível valor na transformação e constituição do atual cenário, desde Hiroshima e Nagasaki até Terra do Nunca, diante desse espelho d’agua de Narciso que reflete o belo mistério do Mundo de Alice.



quinta-feira, 19 de agosto de 2021

I mólè kó ní tàn ti kò bá fi dúdú bo’ra - “A luz não brilhará sem primeiro se cobrir de escuridão”

Era uma vez uma pedra, que fora jogada de muito longe; muito longe mesmo. Atravessando, como um poderoso raio, o espaço tempo de éons, e partindo-se em mil pedaços no impacto contra o solo Gaiano.

Essa pedra; que era na verdade, um diamante bruto; foi transformada em mil seixos de carbono no baque virado do solo aquecido pelo sol maior. Aonde caiu, ficou; estagnada num movimento estático recorrente, vivenciando o looping da eterna continuação de sua chegada, com repetidas e incontáveis pedradas desnecessárias contra o generoso colo de Gaia; nessa detenção paradoxal, além de ficar completamente submersa pelo limo, criou em baixo de si, uma escuridão inarredável, que se estendeu para dentro do seu endurecido ser.

Dessa maneira, no espaço ao seu torno, o Tempo circundou fora de si; e ambos; Tempo e Espaço; ramificando-se, como os galhos de um milenar Baobá, fez dormir a consciência ao acordar o pensamento como sua primeira forma de autodefesa autocentrada.

Dessa forma, cada pedra, ao relacionar-se com os seus próprios Espaços/Tempo, progressivamente foram sofrendo mutações que as fizeram transmutar-se, ao serem submetidas a lapidação pelos elementos das estações de cada sítio em que permaneceram; até que viessem as tempestades, que lhes retiravam todo limo, trocando-as de espaços, aparando as suas arestas e potencializando essa lapidação através dos Tempos.

Durante esse pedregoso processo, muitas dessas pedras, fizeram de lustrosos e requintados sapatos, o seu confortável casulo; enquanto outras pedras preferiram ser acariciadas pelas mãos daqueles que possuíam os pés descalços e se antagonizavam com as diversas outras belicosas pedras transformadas em surpreendentes armas; outras ainda, decidiram ornamentar com alegrias incontidas todos os portais de Gaia, compondo harmonicamente as runas do tempo, demarcadoras do caminho de volta para casa; transformando-se assim, em diamantes plenamente lapidados pelo Tempo circundante nesse espaço intenso de Tempo real.

Quando cada pedra, a seu turno, descobrir que, a sua opacidade é somente um aspecto da sua própria luz interior, trajada pela escuridão exterior, percebendo finalmente, a importância de a luz ter que, antes de brilhar, se vestir de escuridão; compreenderá que, mesmo na condição de pedra opaca, ela é a própria Luz abstrusa em si mesma. Ou seja, é ela quem é a doadora, e também a recebedora do presente oferecido. Sendo assim, é no momento do agora, em nosso hoje, que recebemos a pedrada por nós desferida ontem.

Essa preciosa percepção só pode ser alcançada na experiência de se viver cada agora de nosso hoje, quando então, o pensamento se torna um complemento, e não mais o ator principal, protagonizando e conduzindo o Tempo e o espaço em torno de si mesmo; visto que, quem possuí o tempo é dono do pensamento, sem se deixar levar ou ser domado por esse assassino da realidade em que se tornou o pensamento, tornando-se assim, um senciente autoconsciente.

Portanto, podemos inferir que, a pedra, como uma metáfora de peso, igual a uma criança, ela é integralmente neutra, isenta do maniqueísmo, dualidade ou dicotomia, já que é o espaço e o Tempo que a transforma, na qualidade de criadora e criatura, em sua própria artesã. Esse princípio, só pode ser cognizado, a partir e através da autoconsciência. Ou seja, sem as justificativas e defesas estabelecidas pelo ego, que depende desses artifícios, para sobreviver de forma apolínea.

Por certo, o ego é o principal gestor de nossa escuridão, que jaz por debaixo e por dentro da nossa pedra coronária em estado bruto, exposta na vitrine da joalheria universal. O tempo e o vento, que move a tempestade desse inverno que burila a alma do Homem-Pedra, trazem consigo os Cavaleiros da Revelação com os quais pelejamos, nessa épica jornada do herói.

Enquanto as pedras continuarem a serem lançadas sobre pretextos e justificativas germinadas e cultivadas pelo ego, continuaremos a ser apedrejados hoje, pelas mesmas pedras que arremessamos ontem; já que somos a causa de, absolutamente, todas as consequências vividas em cada momento da nossa existência.

Que a partir desse Agora, não atire mais a primeira pedra quem jamais apedrejou; ou talvez sim.... Já que, somente dessa forma, descobriremos que as pedras nunca foram jogadas; elas é que se atiram, tendo a si mesma como alvo, nesse sítio multidimensional que é o Tempo quântico, simultaneamente absoluto e relativo quando o observado é o próprio observador. Dessa maneira, perceberemos que, a despeito das formas e cores diversas, somos tod@s pedras preciosas; somos um somente; e é justamente nessa percepção única, que passamos a compor essa imensurável joia universal, de inestimável valor, que brilha no firmamento ancestral, nas escuras noites da nossa existência, fulgurando na fronte da inominável Fonte Criativa.


quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Pedagogia das Encruzilhadas

Quando nascemos fomos programados, crescendo robotizados e nos tornamos um clone de nós mesmos. Por isso, nos mantemos distância das encruzilhadas, pois elas apontam para o caminho do meio; esse lugar de onde podemos observar as gradações entre a ida e a volta, nos tornando testemunhas de nosso próprio percurso.

Esta metafórica encruzilhada, é o Espaço aonde o Tempo circula sobre uma terra, que não é plana, amalgamando o passado e o futuro transformados em momentos de eternidade de uma história sem fim, confrontado assim, o Criador e a Criatura como Observador e Observado. É nesse ponto que abandonamos os extremos, nos afastando desse xadrez preparado com as regras do extremismo, percebendo enfim, que existe muito mais entre os céus e a terra do que imagina a nossa vã filosofia.

Dessa forma, o totalitarismo se desfaz, quando percebemos que além dos 50 tons de cinza e dos setenta tons de preto, também existem as miríades de um extenso arco-íris à frente do maniqueísmo e da dicotomia do preto e branco. Nossos antepassados tinham total ciência desse panorama elegante, revelado no azimute das estradas da vida, vista das encruzilhadas dessa mesma estrada aonde cruzam muitas mais do que, somente gatos pretos e panteras negras sobre as cores do arrebol. Passando por ali, muito mais do que, somente gregos e troianos, negros e brancos, homens e mulheres, vindo da esquerda ou da direita, religiosos ou agnósticos; por ali cruzam pessoas que são gente como toda gente de cor e credo diferente.

Quando paramos na encruzilhada, a nossa consciência, como testemunhas das nossas ações, revela a responsabilidade ocultada pelo nosso contumaz ego defensivo, substituindo assim, o Sim e o Não, pelo silêncio da inflexão. Dessa forma, o pensamento genuflexo deixa de ser repetitivo, para torna-se criativo, ao recriar a si mesmo diante da autoconsciência que se apresenta incólume. É dessa maneira que a encruzilhada se transmuta num arco-da-velha, transformando-se numa cristalina ponte avivada por encontros e descobertas, por risos e abraços.

É na encruzilhada, que abrimos os olhos para enxergar, nas meninas de todas as cores, dos outros olheiros e olhos alheios, o espelho da vida que reflete na alma, a nossa própria alma. Portanto, para parar nessa encruzilhada, e mirar no silêncio desse espelho profundo, é preciso coragem. Assim sendo, devemos desaprender, e nos desapegar do temor que nos foi ensinado ao ver um Gato Preto cruzar a esquina da vida; ou no olhar penetrante da Pantera Negra, que silente, nos observa de dentro da nossa própria escuridão; suprindo esse adestramento de medo, pela alegria da vida que se manifesta em todas as suas majestosas cores e formas.

Para isso, é necessário abandonar as crenças e cerimônias aprendidas e executadas no interior dos templos religiosos, para viver a criação do Grande Espírito que tudo é, vivendo no interior de todos e de tudo. É na encruzilhada que o totalitarismo se desfaz, pois é d
esse lugar que as possibilidades de observar e testemunhar a si mesmo, e a todos, enquanto um só, se faz premente e presente.

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

O Poder da Elegância

Somos viajantes do Tempo, nosso Corpo é uma Nave conectada diretamente a Nave do Tempo Gaia. O nosso agora sempre nos faculta codificar conscientemente o futuro ou a recriar inconscientemente o passado. Só a lembrança do futuro; através da alegria e do Tempo da Arte; e a preservação dos ensinamentos passados, recupera a nossa Memória Cósmica.

Como o ar é atmosfera do corpo, o Tempo é a atmosfera da alma; quem possui o tempo, possui a mente. Portanto, somos um Templo sagrado Natural feito de Corpo, com um coração em Paz que celebra, em festa, por todos os lugares por onde passa, desde do momento em que escolhemos seguir a nossa própria Luz interior, deixando de se deixar levar pelo aparente caos ao entorno e os dramas daí advindos.

É a nossa Luz interior, que ilumina o senso da gentileza e da beleza, que se expressa na relação com toda a criação existente na natureza, e cada ser, visível e invisível, que se apresenta a nossa frente.

A elegância das palavras e do silêncio, nos gestos e nas atitudes, nascida no pensamento criativo, cultivada nos sentimentos e manifesta nas emoções, é como um pequenino fósforo aceso em meio a escuridão de um gigantesco recinto. A simplicidade desse momento, se dá na alegria, ao enxergar através do olhar de uma criança, o milagre da vida, que desfila e dança, celebrando a existência plena de si, nesse caminho aonde tudo o que se encontra, também é caminho.

Para que isso seja real, é necessário deixar que o pensamento fale sozinho, desviando o foco de tudo aquilo que vem do exterior, já que, o que vem de fora, se concretiza a partir do pensamento. As formas pensamentos, se manifestam de uma maneira ou de outra, nos limitando ou libertando, já que se trata de energia, e toda energia não pode ser destruída, ela se transforma naquilo que o pensamento determina que seja.

Certamente nunca teríamos dúvidas de que poderíamos levantar de uma cadeira e andar até uma poltrona, mas se fossemos desafiado a fazer esse mesmo trajeto da cadeira até a poltrona voando, não teríamos dúvida da impossibilidade. Tudo aquilo que cognizamos, isto é, acreditamos peremptoriamente, definitivamente deixaria alguma dúvida quanto ao seu desempenho.

Porém, com o nosso consciente manipulado e o subjetivo subalternizado, fomos transformados em perfeitos robôs, com respostas definidas a partir da programação a qual fomos submetidos desde o nascimento.

É notório o fato de defendermos e acreditarmos nos limites a nos impostos pelas instituições, que definitivamente nos condicionaram, social e biologicamente, fazendo a gente reproduzir e perpetuar tudo aquilo que nos foi ensinado por terceiros, ou por suposições feitas a partir desse pérfido padrão de programação, que efetivamente nos transformaram numa prisão de segurança máxima de nós mesmos.

Sendo assim, os gongóricos discursos retóricos padronizados proferidos por nossos algozes de estimação, gozam de prestimosos prestígios ao mesmo tempo em que domesticam continuamente os subalternizados, que foram mentalmente escravizados através da dor impingida pela infame escravização e a covarde colonização.

Por esse motivo, não deveria ser surpresa alguma o fato de muitos ainda acreditarem no evento da abolição da escravidão, no conceito da terra plana, ou, no discurso do tempo linear. Todos esses fatos foram narrados a partir dos livros manufaturados pela casta dominante, que implantaram uma nova cultura e uma nova história, a fim de formatar os subalternizados, se encontram profusamente disseminados nas páginas midiáticas que cotidianamente bombardeiam os nossos sentidos, ao confirmar a retórica do ver para crer, como sinal de inteligência, quando na verdade, se trata de Crer para Ver. Ou seja, trata-se de construir a nossa verdade, desapegando da verdade colonizada, que abundantemente adorna o nosso cotidiano com obsidiadas ilusões.

A elegância se faz presente nos gestos de quem enxerga a beleza, ao ver os pequenos milagres cotidianos ofertado pela natureza; e como nós fazemos parte dessa natureza, somos o próprio milagre se expressando em plena vida; caso os reconheçamos e passemos agir de acordo, em vez de sempre reagir aos belos adornos holográficos, apresentados nos trajes roubados da verdade, através da astúcia da mentira.

In Lak’esh...!!