Esta metafórica
encruzilhada, é o Espaço aonde o Tempo circula sobre uma terra, que não é
plana, amalgamando o passado e o futuro transformados em momentos de eternidade
de uma história sem fim, confrontado assim, o Criador e a Criatura como
Observador e Observado. É nesse ponto que abandonamos os extremos, nos afastando
desse xadrez preparado com as regras do extremismo, percebendo enfim, que
existe muito mais entre os céus e a terra do que imagina a nossa vã filosofia.
Dessa forma,
o totalitarismo se desfaz, quando percebemos que além dos 50 tons de cinza e
dos setenta tons de preto, também existem as miríades de um extenso arco-íris à
frente do maniqueísmo e da dicotomia do preto e branco. Nossos antepassados tinham
total ciência desse panorama elegante, revelado no azimute das estradas da vida,
vista das encruzilhadas dessa mesma estrada aonde cruzam muitas mais do que,
somente gatos pretos e panteras negras sobre as cores do arrebol. Passando por ali, muito mais do que, somente gregos e troianos, negros e brancos, homens e
mulheres, vindo da esquerda ou da direita, religiosos ou agnósticos; por ali cruzam
pessoas que são gente como toda gente de cor e credo diferente.
Quando paramos
na encruzilhada, a nossa consciência, como testemunhas das nossas ações, revela
a responsabilidade ocultada pelo nosso contumaz ego defensivo, substituindo
assim, o Sim e o Não, pelo silêncio da inflexão. Dessa forma, o pensamento
genuflexo deixa de ser repetitivo, para torna-se criativo, ao recriar a si
mesmo diante da autoconsciência que se apresenta incólume. É dessa maneira que
a encruzilhada se transmuta num arco-da-velha, transformando-se numa cristalina
ponte avivada por encontros e descobertas, por risos e abraços.
É na encruzilhada,
que abrimos os olhos para enxergar, nas meninas de todas as cores, dos outros olheiros
e olhos alheios, o espelho da vida que reflete na alma, a nossa própria alma. Portanto,
para parar nessa encruzilhada, e mirar no silêncio desse espelho profundo, é
preciso coragem. Assim sendo, devemos desaprender, e nos desapegar do temor que
nos foi ensinado ao ver um Gato Preto cruzar a esquina da vida; ou no olhar
penetrante da Pantera Negra, que silente, nos observa de dentro da nossa própria escuridão; suprindo esse adestramento de medo, pela alegria da vida que se
manifesta em todas as suas majestosas cores e formas.
Para isso,
é necessário abandonar as crenças e cerimônias aprendidas e executadas no interior dos templos
religiosos, para viver a criação do Grande
Espírito que tudo é, vivendo no interior de todos e de tudo. É na
encruzilhada que o totalitarismo se desfaz, pois é d
esse lugar que as
possibilidades de observar e testemunhar a si mesmo, e a todos, enquanto um só,
se faz premente e presente.
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