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quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Pedagogia das Encruzilhadas

Quando nascemos fomos programados, crescendo robotizados e nos tornamos um clone de nós mesmos. Por isso, nos mantemos distância das encruzilhadas, pois elas apontam para o caminho do meio; esse lugar de onde podemos observar as gradações entre a ida e a volta, nos tornando testemunhas de nosso próprio percurso.

Esta metafórica encruzilhada, é o Espaço aonde o Tempo circula sobre uma terra, que não é plana, amalgamando o passado e o futuro transformados em momentos de eternidade de uma história sem fim, confrontado assim, o Criador e a Criatura como Observador e Observado. É nesse ponto que abandonamos os extremos, nos afastando desse xadrez preparado com as regras do extremismo, percebendo enfim, que existe muito mais entre os céus e a terra do que imagina a nossa vã filosofia.

Dessa forma, o totalitarismo se desfaz, quando percebemos que além dos 50 tons de cinza e dos setenta tons de preto, também existem as miríades de um extenso arco-íris à frente do maniqueísmo e da dicotomia do preto e branco. Nossos antepassados tinham total ciência desse panorama elegante, revelado no azimute das estradas da vida, vista das encruzilhadas dessa mesma estrada aonde cruzam muitas mais do que, somente gatos pretos e panteras negras sobre as cores do arrebol. Passando por ali, muito mais do que, somente gregos e troianos, negros e brancos, homens e mulheres, vindo da esquerda ou da direita, religiosos ou agnósticos; por ali cruzam pessoas que são gente como toda gente de cor e credo diferente.

Quando paramos na encruzilhada, a nossa consciência, como testemunhas das nossas ações, revela a responsabilidade ocultada pelo nosso contumaz ego defensivo, substituindo assim, o Sim e o Não, pelo silêncio da inflexão. Dessa forma, o pensamento genuflexo deixa de ser repetitivo, para torna-se criativo, ao recriar a si mesmo diante da autoconsciência que se apresenta incólume. É dessa maneira que a encruzilhada se transmuta num arco-da-velha, transformando-se numa cristalina ponte avivada por encontros e descobertas, por risos e abraços.

É na encruzilhada, que abrimos os olhos para enxergar, nas meninas de todas as cores, dos outros olheiros e olhos alheios, o espelho da vida que reflete na alma, a nossa própria alma. Portanto, para parar nessa encruzilhada, e mirar no silêncio desse espelho profundo, é preciso coragem. Assim sendo, devemos desaprender, e nos desapegar do temor que nos foi ensinado ao ver um Gato Preto cruzar a esquina da vida; ou no olhar penetrante da Pantera Negra, que silente, nos observa de dentro da nossa própria escuridão; suprindo esse adestramento de medo, pela alegria da vida que se manifesta em todas as suas majestosas cores e formas.

Para isso, é necessário abandonar as crenças e cerimônias aprendidas e executadas no interior dos templos religiosos, para viver a criação do Grande Espírito que tudo é, vivendo no interior de todos e de tudo. É na encruzilhada que o totalitarismo se desfaz, pois é d
esse lugar que as possibilidades de observar e testemunhar a si mesmo, e a todos, enquanto um só, se faz premente e presente.

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