Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

O Mito das Cavernas Medievais e o Green Card Para Cidadania Contemporânea

 


O frenético comércio de soluções, magias e milagres, que é abundantemente ofertado nas feiras dos Tempos Modernos, seja por meio de vendas on-line, lojas de departamentos, shoppings, drogarias, hipermercados, Black Friday, fast food ou afins, contribuiu para diminuir significativamente o tráfico de cidadãos africanos através do Grande Calunga, o Oceano Atlântico; modificando assim, o infame comércio de outrora, transformando os cidadãos comuns de hoje, em submissos humanos domesticados.

Essa transformação se deu, em meio a cisão entre a Idade Média e o iluminismo, trazendo acoplado ao mesmo, como herança mediévica, um combo completo, constituído de feiticeiros, bruxas, satanases, diabos e demônios procedentes das fogueiras medievais de um aquecido inferno, meticulosamente aceso pelos concílios religiosos, a fim de substituir todos os famigerados métodos de torturas, ocasionado por capciosas e contundentes retóricas.

Dessa maneira, as profissões pertencentes as áreas jurídicas, da saúde e da segurança, se tornaram cadeiras destinadas aos integrantes dos clãs; membros pertencentes as famílias tradicionais que governam o Estado Profundo; enquanto o sistema educacional, ficou sobre domínio inquisitório dos insaciáveis e macabros religiosos medievos.

Assim sendo, o controle do subjetivo, alcançado a partir do domínio de corações e mentes, se mostrou assaz efetivo, na construção desse Inconsciente Coletivo, que habilmente desempenha a preciosa função, de controle remoto do servidor-padrão.

É evidente a percepção de, que, o Estado Profundo é quem dita o que devemos aprender, o que ingerir, como nos portar, além das funções e do papel a desempenhar no seio dessa bitolada sociedade, que foi biológica, social e psicologicamente condicionada, dentro dos padrões ditados pela violência escravagista colonial.

Obviamente, que, para fazer esse ousado procedimento funcionar, foi necessário dividir para governar; efetivando de tal modo, a organização de uma cidadania estruturada por meio de gênero, raça, classe e opção sexual, fazendo com que a divisão fluísse naturalmente, inoculando a síndrome de Estocolmo na construção identitária, no subjetivo de cada grupo.  

Desse modo, tais classes foram metaforicamente dividas em grupos de cidadãos pitbulls, dobermanns, Cocker Spaniel, chihuahuas e caramelos; o que todos têm em comum, é a eterna brincadeira de correr atrás do próprio rabo, e se agredirem mutuamente nos espaços de tempo vago.

Sendo assim, o Espaço da mente e o Tempo do Coração, entravados pelos padrões da intelectualidade colonizada, transformou o ser humano em androide, conferindo-lhe uma Inteligência Artificial que o faz orgulhosamente cavalgar, montado sobre o seu Cavalo-De-Tróia de estimação, a procura do seu par romântico, para juntos, encontrarem o anunciado Final Feliz, prometido nos livros sagrados, nos Contos De Fadas, novelas, filmes e séries.

E assim caminha a humanidade, da caverna à cidade, levando pedras, paus e clavas, bombas, fuzis e metralhadoras; cada grupo defendendo a sua própria roda de hamster; tendo ao seu lado, a verdade da sua religião, a sua ideologia e o seu modus vivendi aprendido através das tradições e das memórias do cárcere, vividas e narradas por livros, histórias e cultura, balizados pelos olhares de terceiros.

Desse modo, cada grupo, com sua devida nacionalidade, sua religião, ideologias, partidos políticos, times de futebol, patriotismo, raça, classe, gênero e aí por diante; seguem debatendo e combatendo as razões, alusivas a seus próprios segmentos, olvidando a questão humana, capciosamente diluída nas entrelinhas da retórica. Ou seja, cada qual com as suas meias-verdades, usam as suas energias para reivindicar o controle do painel de descontrole.

Portanto, podemos inferir, que, não existem caminhos para se chegar a verdade, pois ela simplesmente, é, o que é; ela não pode ser capturada, cristalizada e conservada por meios de métodos ou equivalente, visto que, o fato de fatiar a verdade, torná-lo-á irreconhecível. O fato de não reconhecermos a verdade existente em todos e em tudo, é o que nos mantém algemados aos ditames da retórica, determinante das nossas crenças limitantes, ideologias descapacitantes e empatias descapacitantes, enraizadas nos Tempos Modernos, nos tornando clientes assíduos, nessa feira de milagres e magias clonados nos laboratórios da Matrix.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

A Estranha História De Um Saci


Durante o processo de programação Mental, promovido pelo
CCSBP (Concílio de Condicionamento social, Biológico e Psicológico), órgão pertencente ao Sistema Público de Educação; eu fui anestesiado e entorpecido, fiquei fascinado; enquanto eu dormia, alguém me despiu, depois, colocaram um gorro cor de sangue sobre o meu Orí, e a seguir, com uma gargalhada jaculada em estado pré coito, deceparam uma das minhas pernas como souvenir. Foi assim que esse neguin, se transformou num prosaico personagem racializado, deficiente e dependente químico.

Naquele lastimável estado, fui levado às pressas para as páginas dos livros didáticos e transformado em objeto de pesquisa. A medida em que passeava pelas páginas mecanicamente folheadas, as histórias narradas sobre minha personagem se transfiguravam, modificar-se de história macabra, para narrativa engraçada.

Foi assim que o neguin virou atração para o fanfarrão de plantão, esse falastrão especialista em educação. Ou seja, aquele pontinho preto, sobre o lençol branco, que sempre chama a nossa atenção, passou a ser usado como um contexto, a fim de fazer analogias pitorescas, como pretexto, para se referir aquele sujeito bantu, que, sonhando ser atleta, corria pelas ruas, nas horas incertas, fugindo do próprio inverno, presente de um pretérito grego dos Tempos Modernos.

Porém, no meio à jocosa narrativa, inadvertidamente, a minha personalidade, caindo em si, despertou o gigante adormecido. Desperto pelo som do Graal derrubado, transbordei pelo solo, cognizando-me de que Eu Sou um gigantesco saci; bípede; que corre e pula, brincando no redemoinho da vida, enquanto vou pitando as fragrâncias das flores, e arribando os humores pela estrada afora. Apareço na capoeira, gingando e dando rasteiras nesse destino, que me foi reservado como cota, dentro dessa história narrada por caçadores de adrenocromos.

Agora Eu vejo com os olhos do Grande Espírito; o Criador-De-Todas-As-Coisas; Eu Sou a Expressão do Criador; Eu Sou a Vontade do Criador; Eu Sou a Consciência do Criador; Eu Sou a Verdade do Criador. Portanto, Eu Sou o que Eu Sou. A roupagem de Saci, eu deixei por aí, como bandeira pirata, fincada no meio do mar, tremulando sobre as etílicas águas da programação mental.

Os livros didáticos, traficados nos porões abarrotados dos tumbeiros, que foram queimados em praça pública, tendo os seus personagens enforcados e sacrificados, a fim de tornar possível, a reforma educacional, proposta pelo Concílio de Hienas[1]; ressuscitados, como bela Fênix, todos os personagens de tais livros, agora despertos e despidos, pulam pelados, saindo das páginas codificadas, em direção as páginas virgens, destituindo líderes, pastores e gurus. Agora, esses gigantes, acordados e desprogramados, impavidamente afrontam os olhos petrificados do Grande Irmão, outrora instrumento do terror.

Deste modo, iniciamos a reescrita da história, a confecção de novos livros e a produção de uma cultura, aonde as roupagens despidas, se tornaram adubos de Camélias e Rosas, Flores-de-Lótus e Girassóis, que adornam as vistosas capas ajardinadas de vida, das novas formas narrativas.

O Concílio, que fora constituído na calada da noite, adernou no abismo abissal das sedutoras sereias, enquanto as viúvas negras, preparavam meticulosamente os seus leitos, a fim de empala-los em eterno looping, deitados eternamente em seu berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo, cumprindo a profecia científica que preconizava, que, vento que venta lá, também venta cá.

Assim sendo, quando avistar na capoeira, um neguin de ponta à cabeça, quicando sobre um só pé, cantando e contando história, esqueça a didática das redes sociais, as oficiais, etecetera e tal, e aproveita para desaprender e desacreditar em tudo aquilo em que fizeram tu crê, e, tudo o que pensa que vê; isso vai fazer enxergar cada amanhecer com os olhos do próprio saber.



[1] Alusão ao Concílio de Trento. 

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

A Revolução Dos Bichos


Após esse longuíssimo período de bárbaro adestramento e domesticação suportado pela raça humana, vivemos agora esse incrível momento, que é o momento histórico da iminente e definitiva libertação do ser humano, do seu sofrido cativeiro de estimação.

Agora não mais existem os muros, para aqueles que buscavam se empoleirar convenientemente em cima dos mesmos, evitando tornar-se responsável pelo compromisso assumido consigo mesmo; e também, não existem mais os tapetes, para serem usados como recurso, a de fim jogar para debaixo dos mesmos, os descalabros da própria insensatez. Ou seja, definitivamente está se encerrando esse intrépido e cruel espetáculo, realizado sobre o picadeiro da vida, promovido pelos abutres trapalhões.

Sendo assim, as meias-verdades paulatinamente se esvanecem como nuvens ao vento, desintegrando-se quando projetados sobre os véus da Matrix, fazendo o bicho-homem despertar para si mesmo, para enfim, lembrar-se da sua condição de ser humano; interrompendo deste modo, o seu chafurdar nessa lata de lixo de pareceres, regras e estatutos, em meio ao chiqueiro das notícias tendenciosas e informações capciosas, negociadas a peso de ouro, nesse infame mercado[1] colonial, ainda praticado nessa atual idade média dos Tempos Modernos.

Desse modo, as focinheiras, coleiras, selas, chicotes e antolhos, estão se tornando assessórios desnecessários, para aqueles que decidiram se retirar desse grande curral humano, recusando-se a serem conduzidos pelo pastor; o verdadeiro devorador das ovelhas.

Mas ainda existem os gados marcados, que continuam temendo a suposta maldade do lobo, visto que foram hipnotizados sobre o cadafalso do próprio subjetivo; por isso, procuram obstinadamente por abrigo na casa do pastor, atrás da sacristia, dentro do confessionário e espaços correlatos.

O lento processo do despertar desse estado hipnótico, tem se mostrado como uma tarefa extremamente árdua, a ser empreendida na jornada desse herói que procura por si mesmo, enfrentando os monstros refletidos na face do seu próprio espelho.

Tais monstros, são continuamente alimentados com sentimentos de vibrações assaz densas, que possibilitam que essas anomalias, detenham magneticamente o poder cabal, de arrasta-los para as profundezas do próprio abismo.

A domesticação humana, foi um artifício produzido pelos afamados líderes pastorais da noite escura, tendo a sua tecnologia desenvolvida em comum acordo com as ditas ovelhas; celebrando num macabro pacto, esse contrato outorgado; a fim de manter uma distância psicologicamente segura dos terríveis lobos-monstros, que habitam as sombras da escuridão humana.

Desse modo, os vampíricos simbiontes muito bem protegidos debaixo da batina, do terno, paletó e gravata, sempre ostentaram o completo poder, obtido o êxito desse processo de domesticação, fazendo com que os próprios humanoides amestrados os protegessem, impedindo assim, quaisquer incursões ou operação de resgate a serem realizadas no covil desse abatedouro humano.

Contudo, a contagem regressiva já se iniciou, e o estouro emanado das energias, não pode mais ser contido. Ou seja, agora, a pele dos pastores estão se liquefazendo como cera exposta a chama da vela, revelando o negrume oculto por baixo do sobretudo, usado para cobrir as ancas do sombrio pastor; enquanto os lupinos solares se iluminam, manifestando-se como estrelas-guia numa galáctica noite sem lua.

A holografia domestificante, estampada sobre a vestimenta dessa vovó, que passa as tradições do medo como elemento necessário a vida; com o intuito óbvio de evitar o empreendimento dessa jornada de descobertas; se projeta agora, sobre esse tapete vermelho estendido; improvisado com a Capa Carmim da criança interior; o cardeal capuz da pessoa, usuária desse sobretudo, com a pretensão de precatar-se da suposta maldade lupina; a mesma capa usada para impedir à todo custo, a implementação dessa cogente jornada, aonde as pessoas existentes dentro da própria pessoa, finalmente deixariam o seu cercado, a fim de se apresentarem a si mesmas, reunindo os paradoxos e conciliando os extremos, dando as mãos aos mesmos lobos que tanto temiam; lobos que agora são vistos e percebidos, como as mesmas temidas sombras, outrora  refletidas por seu próprio espelho.

A passagem através desse magnífico portal, que vem a ser o espelho da vida, é o transporte que nos conduz, dos voláteis quereres maniqueísta da dualidade, para a sobriedade neutra das polaridades, fazendo com que abandonemos a condição de vítimas da conjuntura reinante, para assumir o lugar de testemunhas, dirigindo assim, os destinos das fortuitas ocorrências, oferecidas como regra pelo cotidiano.

É cogente a percepção desse lugar, que denominamos como Ponto Zero, a fim de que possamos nos tornar conscientes das energias dominantes na dualidade da existência, tornando clara a responsabilidade advinda das consequências, decorrentes das decisões de lidarmos com essas mesmas energias, na condição de reféns ou protagonistas.

Uma vez cônscios de, que, todas as nossas decisões são motivadas pelas frequências, que, uma vez transformadas em energias, alimentam o nosso subconsciente por meio das vibrações emanadas de cores, sons e imagens. Portanto, nutrindo com discernimento e parcimônia a nossa autoconsciência, será possível exercer conosco mesmo, o gentil cuidado e a sensibilidade, a fim de possamos convidar para um chá, logo após cear nesse faustoso Banquete de sentidos e sentimentos, o reflexo de todas as nossas sombras, projetadas sobre o espelho da vida; transformando assim, a nossa escura caverna, num solar vibrante, aonde os monstros; sem tribunal, nem religião; são respeitosamente amansados, de forma amorosa, através do autocuidado, autoestima e auto-honestidade.

Esse arrebatador processo, vem sendo motivado pela redescoberta do próprio fogo interior, gerador da revolução histórica desse homem, que, pensa que sabe, o que pensa; fazendo com, que, finalmente ele abandone a escuridão da sua caverna, iluminando-a através da própria Chama Criativa, que é o seu Fogo-Semente; essa centelha de vida, que outrora, fora usurpada e feita refém, por um equivocado pastor chamado Nero.

Do mesmo modo, nessa extraordinária Revolução do Bicho-homem, este obscuro império está a se desfazer, dissipando-se como nuvens ao vento, perante essa mesma chama, erguida como tocha acesa pela autoconsciência, no decurso dessa pesada peleja, sucedida entre a jubilosa luz e a nubilosa escuridão, de onde o ser humano ressurge, alçando o mitológico voo da Fênix, guiando impavidamente a sua matilha, através dos verdejantes prados Gaianos.



[1] Denominação dada ao tráfico de pessoas Africanas através do oceano atlântico.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

O Calcanhar de Aquiles e a Carapaça dos Poderosos

Nas palavras de Krishnamurti, o culto da autoridade é a negação da compreensão; portanto, é notória a percepção de que, a nossa sociedade tenha se transformado num eficiente sistema carcerário, aonde o pão e circo midiático e religioso estruturaram um competentíssimo aparelho de distração, com um discurso narrativo que se tornou uma mentira honesta, enquanto o silêncio escandalosamente se apresenta como uma estrondosa verdade nua.

É na complexidade do cerne desse contexto, que cedemos o nosso poder para os pomposos salvadores da pátria, com o intuito de nos eximir das responsabilidades dos destinos da nação, evitando o trabalhoso processo de nosso amadurecimento integral, enquanto seres plenos.

Compreender essa conjuntura escravagista contemporânea, requer coragem e disciplina; e para iniciar tal processo elaborativo aonde o discernimento dá o tom, é necessário seguir pelas vias do ceticismo, do desafio e da investigação, sem as prerrogativas do criticismo opinativo, forjado pelo pré e pós julgamento abalizado pelo discurso narrativo normativo.

Toda autoridade que vem de fora, de nosso exterior, se constituí efetivamente quando cedemos o nosso poder para que ela se institua como tal. Ou seja, a verdade estabelecida por essa autoridade, que foi construída a partir da nossa permissão e aceitação, acaba por se tornar uma potente arma de controle do subjetivo, dominando assim, a quem cedeu este poder, ao afixar o rótulo de autoridade justamente aos fabricantes de falácias e retóricas, que por sua vez, nos alimentam com as suas ideologias desviantes.

Para compreender a ação dessas crenças limitantes sobre nosso subjetivo, o primeiro passo necessário é o de se abandonar as bulas dogmáticas, e as receitas paradigmáticas fornecidas durante esse treinamento que nos transformou em pessoas normais. Ou seja, fomos condicionados social e biologicamente, e transformados em defensores aguerridos dos discursos meritocráticos das narrativas dominantes, como caçadores de diplomas e certificados antropofágicos, cujos papeis timbrados, hipoteticamente seriam garantidores de um possível futuro, que está sempre no futuro, de glórias e sucesso; além de um hipotético paraíso celestial no pós-morte.

É dessa forma que criamos as nossas realidades indesejadas e, tal como os moinhos de Cervantes, perdemos todo o nosso tempo combatendo essa realidade por nós mesmo criada e estabelecida, sem jamais atentar para uma alternativa oposta a tal realidade e processo, devido as distrações perpetuamente abastecidas pelas crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes, como munição ininterruptamente fornecidas pelo sistema propulsor dessa autoridade constituída.

Desse modo, somos como aquele leão que foi criado na companhia de cordeiros, acreditando também ser um cordeiro; com medo de lobos e cachorros. Portanto, descartamos a nós mesmos, ignorando o nosso poder de ser o que somos, para nos transformar num subproduto colonial, acreditando na narrativa oficial gospel, seguindo os preceitos e preconceitos aprendidos, nós segregando de nossa própria realidade enquanto criadores e mantenedores da forma.

 

  

 

 

  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

A Força da Verdade

A verdade é uma sinfonia executada pela Natureza, em oitavadas miríades caleidoscópicas, coloridas e sonoras, entoadas pelos ritmistas Elementais. Para bailar, conduzindo a gravidade desejável dessa dança, é necessário ter-se ouvidos de ouvir e olhos de ver e enxergar, a fim de harmonizar o fluxo, permitindo que seus ciclos, a exemplo das ondas do mar, se completem, ao deixar ir o conhecido e permitindo-se receber o novo que se apresenta como desconhecido.

Portanto, nessa conjuntura aonde as mentiras são sustentadas como verdades e verdades são qualificadas como mentiras, e a resultante dessas energias desarmônicas que se entranham em nosso ser, fazem com que as forças que ressoam em nosso interior, nos alimentem com cansaços ou com alegrias, trazendo assim, o caos ou a paz, de acordo com cada o caso e com cada escolha que fazemos a cada minuto de nosso agora.

Tudo isso dependerá da forma como atuamos, em relação a falsa identificação que nos foram atribuídas por essa cultura dominante, cuja única função, é a de controlar e subjugar nosso subjetivo, elaborando as agendas de toda a nossa história.

Não viemos ao mundo para disputar meritocracias desnecessárias ou entrar em sangrentos ringues recreativos, viemos aprender, amar e viver. Porém, uma vez submetidos e condicionados à robotização, através da propaganda midiática e religiosa, a lavagem cerebral se fez evidente, e extremamente eficaz, para se obter o controle total sobre esse povo, que foi transformado em massa populacional justamente para servir as manobras religiosas e politiqueiras, que são os mecanismos instituíntes da escravização mental contemporânea.

Podemos observar o recorrente discurso de que, as aberturas das fronteiras acarretariam em doenças e pobreza, drogas e guerra, quando na verdade, a história provou ao contrário, a exemplo da migração forçada dos povos africanos, que produziu toda a riqueza das Américas e europa; contraditoriamente, são mesmos países beneficiados por essas riquezas que propagam e infligem esse enganoso conceito, nos forçando a acreditar na homilia de nós contra ele.

Quando fazemos uso do discernimento, fica clarificado a dualidade no uso maniqueísta nesse discurso, seguido pela auto percepção de que, nos declinamos da nossa responsabilidade em fazer o uso de nossas escolhas próprias concernente ao que nos diz respeito, até mesmo da promoção do nosso próprio bem viver.

Portanto, pouco importa a forma ou a maneira que essa dança venha a ser expressada, se esse mesmo bailado estiver em harmoniza com o ritmo da sinfonia celeste, ela se mostrará sempre autêntica, expressando a sua verdade nessa melodia aonde, cada qual, tem o seu próprio jeito de interpretar, desde Hiperbórea até Atlântida, do Tao a Thot.

 

domingo, 12 de dezembro de 2021

Curso de Capacitação Pedagógica da Nova Aurora

Que em todo alvorecer, sejamos capazes de olhar, ver e enxergar os lírios do campo a brotar, e agradecer entoando um mavioso canto de amor e de prazer; que a cada despertar, antes de poder falar, sejamos capazes de ouvir e escutar o cantar da mãe natureza, na sua grandiosidade e magnificência, com toda a graça e beleza; que possamos abrir os olhos para as oitavas, entreabrir os lábios para beijar a cantata das cataratas, atentando os ouvidos para as invisíveis cores do intangível arco-íris e estender os braços, a fim de receber, num saboroso abraço, o presente desse agora, que é sempre o nosso hoje.

Desse modo, que do centro da raça humana, abrolhe o Espaço da luz além da luz, e o Tempo do amor além do amor, celebrando a existência em toda sua plenitude, com beleza e ardor.

Que nessa união de tudo que é com tudo que há, o fôlego da vida possa alegremente pairar sobre as águas, sendo soprado pelas Sílfides, que brincam de esvoaçar os nossos cabelos refestelados sobre a pele aquecida pelas Salamandras e refrescada pelas Nereidas.

De tal modo que, a Nova Aurora, Agharta, Merlia, Urântia; que é a nossa grandiosa Gaia; de belo planeta, se metamorfoseie em belíssima estrela, como a joia rara que é, reluzindo em meio ao Cosmo, engalanando a coroa da Deusa/Deus, Pai/Mãe, a Fonte Universal; esse Grande Espírito que foi humanizado pelas distintas culturas dominante e implantado através das crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes do Velho Mundo aos Tempos Modernos.

Eis que tudo se faz novo, com sorrisos de alegrias incontidas, abraços como laços que unem em fraternos enlaces, no lugar dos nós arraigados e arranjados como elos de corrente unidos por cordéis de látegos.

Assim, a Liberdade ruge no alto da montanha, anunciando o reinado da Deusa, derrubando as escolas e os muros, a Ordem e o Progresso, as regras e os tratados.

Não há mais medo no olhar, não há mais lamentos e nem murmúrios pelo ar, pois o caminho do casulo a crisálida, trouxe o raiar da aurora desse Mundo Novo, no doce sabor do ciciar da cigarra a celebrar, para sempre nos lembrar que, após cada inverno, existe a certeza da primavera.

Na Nova Aurora não há lápis, nem cadernos ou canetas, e também não há grades de disciplinas ou horários fixos previstos, visto que todo aprendizado se dá através da leitura do coração, numa pedagogia das emoções que usa o método de alfabetização das Ternuras e dos Afetos, aonde a única regra aplicada é a do amor Incondicional. Esse curso capacita a pessoa para exercer a sua plena expressão, exercitando a criação e manifestação do Maná, no curso de gastronomia celestial, aonde o neófito vai aprender a criar e alimentar o seu universo interior, ao cognizar que, tudo o que estiver dentro, estará fora; e assim como é acima, também é abaixo.

sábado, 11 de dezembro de 2021

A Jornada do Herói e a Síndrome de Estocolmo

A jornada de uma criança que se torna adulta, amadurece e se transforma em ancião, é uma inexplicável saga de paradoxos interligados, num processo aonde os paradigmas e dogmas se transformam nos principais personagens de sua história.

Nessa aventura, a criança é introduzida a um crudelíssimo processo de amadurecimento aonde ela perde toda a sua essência de ser o que é, na medida em que se embrenha nessa perigosíssima selva, erigida com as mais pérfidas das armadilhas inumanas.

Na mesma medida em que o infante vai adquirindo “conhecimento, se intelectualizando através de uma cultura estabelecida pelos predadores coloniais, ela deixa de protagonizar a própria história, ingressando num treinamento progressivo, aonde passa a ser condicionado social e biologicamente pelo resto de sua existência.

No momento em que, na sua fase infantil, ela cessa o diálogo com o seu amigo secreto verdadeiro, é o momento em que este mesmo amigo é substituído pela simbólica figura do papai Noel, ela então, se torna apta para aceitar a irreal figura de um Deus humanizado e patenteado pela cultura dominante, que agora passa a ser o seu papai do céu; e assim, toda a farsa da história impingida pela cultura dominante se transforma na sua verdade.

Dessa maneira, os relacionamentos que sustentam a vida adulta, se transformam numa turnê sobre o ringue da existência, que é justamente, a passarela do bom cidadão. Desse modo, na iniciação para a vida adulta ela incorpora o discurso do “vencer na vida” como objetivo, internalizando a filosofia do “nós contra eles”, adquirindo títulos, honrarias, diplomas e certificados, a fim de ser aprovada pelo mundo como bom partido.

É dessa forma, que a vida adulta passa a ser um filme de suspense, numa louca aventura através das incertezas, das dúvidas e dos medos que essa reserva selvática proporciona a cada suspiro de montanha russa.

Portanto, a sua vida não mais lhe pertence, já que esse indivíduo, agora cidadão, tem uma história, uma cultura e todos os livros lidos como estruturadores da sua arquitetônica enquanto ser. Sendo assim, ele desconhece qualquer outra realidade ou ponto de vista diferente daquela foi fornecida pelos seus adestradores; agora ela convenceu-se de que é uma pessoa adulta, inteligente e culta, pois consegue repetir todo o conhecimento e comportamento dos seus captores, com direito a diplomas e certificados como prova de subjetivo subjugado.

Depois de toda uma vida vivida sobre o metafórico látego de cada dia, satisfazendo peremptoriamente a todas as leis leoninas e contratos feneratícios, essa pessoa consegue chegar até aonde a cultura categoriza como fase da terceira idade; é nesse ponto que ela decide se vai permanecer domesticada pelos seus paradoxos de estimação; constituídos pelos dogmas e paradigmas condicionantes das suas ideologias desviantes, crenças limitantes e empatias descapacitantes; ou se vai resgatar o seu amigo secreto dos tempos de infância, que mesmo tendo sido abandonado por ela, continuou integramente ao seu lado durante toda a aspereza de sua saga.

Agora, como anciã, ela observa o caminho percorrido e, numa repentina epifania, percebe uma necessidade sine qua non de resgatar a sua criança interior, e com ela, o amigo secreto de outrora, que mesmo invisibilizado, cresceu junto com ela.

Com a criança interior resgatada, ela enfim, reconhece o seu amigo secreto de outrora; agora ela o chama de Anjo de Guarda.

A conversa de outrora se transforma agora num diálogo interno, a fim de evitar que as pessoas ao seu redor não mais voltem a rotulá-lo como pessoa esquisita, ou algo similar, como nos tempos de criança.

Agora, como anciã, aprendeu a se calar e a ouvir, para poder finalmente escutar a epístola de sua história real, dos tempos em que ela era um ser incondicional, e não o arremedo de pessoa, inflada pelo ego cultuado por certificados e diplomas adquiridos sobre o palco da vida aonde a atração principal é o espetáculo no ringue das relações, enquanto o senso coletivo é posto substituto coadjuvante na fila dos candidatos a figurantes.