Após esse longuíssimo período de bárbaro
adestramento e domesticação suportado pela raça humana, vivemos agora esse incrível
momento, que é o momento histórico da iminente e definitiva libertação do ser
humano, do seu sofrido cativeiro de estimação.Agora não mais existem os muros,
para aqueles que buscavam se empoleirar convenientemente em cima dos mesmos,
evitando tornar-se responsável pelo compromisso assumido consigo mesmo; e também,
não existem mais os tapetes, para serem usados como recurso, a de fim jogar para
debaixo dos mesmos, os descalabros da própria insensatez. Ou seja, definitivamente
está se encerrando esse intrépido e cruel espetáculo, realizado sobre o
picadeiro da vida, promovido pelos abutres trapalhões.
Sendo assim, as meias-verdades paulatinamente
se esvanecem como nuvens ao vento, desintegrando-se quando projetados sobre os
véus da Matrix, fazendo o bicho-homem despertar para si mesmo, para
enfim, lembrar-se da sua condição de ser humano; interrompendo deste modo, o seu
chafurdar nessa lata de lixo de pareceres, regras e estatutos, em meio ao
chiqueiro das notícias tendenciosas e informações capciosas, negociadas a peso
de ouro, nesse infame mercado[1]
colonial, ainda praticado nessa atual idade
média dos Tempos Modernos.
Desse modo, as focinheiras, coleiras,
selas, chicotes e antolhos, estão se tornando assessórios desnecessários, para
aqueles que decidiram se retirar desse grande curral humano, recusando-se a serem
conduzidos pelo pastor; o verdadeiro devorador
das ovelhas.
Mas ainda existem os gados marcados, que continuam temendo a suposta
maldade do lobo, visto que foram hipnotizados sobre o cadafalso do próprio
subjetivo; por isso, procuram obstinadamente por abrigo na casa do pastor, atrás da sacristia, dentro do confessionário
e espaços correlatos.
O lento processo do despertar desse estado
hipnótico, tem se mostrado como uma tarefa extremamente árdua, a ser empreendida
na jornada desse herói que procura
por si mesmo, enfrentando os monstros refletidos na face do seu próprio espelho.
Tais monstros, são continuamente alimentados
com sentimentos de vibrações assaz densas, que possibilitam que essas anomalias, detenham magneticamente o
poder cabal, de arrasta-los para as profundezas do próprio abismo.
A domesticação humana, foi um artifício
produzido pelos afamados líderes pastorais
da noite escura, tendo a sua tecnologia desenvolvida em comum acordo com as
ditas ovelhas; celebrando num macabro pacto,
esse contrato outorgado; a fim de manter uma distância psicologicamente segura dos
terríveis lobos-monstros, que habitam as sombras da escuridão humana.
Desse modo, os vampíricos simbiontes muito bem protegidos debaixo da batina, do terno,
paletó e gravata, sempre ostentaram o completo poder, obtido o êxito desse
processo de domesticação, fazendo com que os próprios humanoides amestrados os
protegessem, impedindo assim, quaisquer incursões ou operação de resgate a serem
realizadas no covil desse abatedouro humano.
Contudo, a contagem regressiva já se
iniciou, e o estouro emanado das energias, não pode mais ser contido. Ou seja,
agora, a pele dos pastores estão se liquefazendo como cera exposta a chama da
vela, revelando o negrume oculto por baixo do sobretudo, usado para cobrir as
ancas do sombrio pastor; enquanto os
lupinos solares se iluminam, manifestando-se como estrelas-guia numa galáctica noite
sem lua.
A holografia domestificante, estampada
sobre a vestimenta dessa vovó, que passa as tradições do medo como elemento
necessário a vida; com o intuito óbvio de evitar o empreendimento dessa jornada
de descobertas; se projeta agora, sobre esse tapete vermelho estendido; improvisado
com a Capa Carmim da criança interior;
o cardeal capuz da pessoa, usuária desse sobretudo, com a pretensão de precatar-se
da suposta maldade lupina; a mesma capa usada para impedir à todo custo, a
implementação dessa cogente jornada, aonde as pessoas existentes dentro da
própria pessoa, finalmente deixariam o seu cercado, a fim de se apresentarem a
si mesmas, reunindo os paradoxos e conciliando os extremos, dando as mãos aos mesmos
lobos que tanto temiam; lobos que agora são vistos e percebidos, como as mesmas
temidas sombras, outrora refletidas por
seu próprio espelho.
A passagem através desse magnífico portal,
que vem a ser o espelho da vida, é o transporte que nos conduz, dos voláteis
quereres maniqueísta da dualidade, para a sobriedade neutra das polaridades,
fazendo com que abandonemos a condição de vítimas da conjuntura reinante, para
assumir o lugar de testemunhas, dirigindo assim, os destinos das fortuitas ocorrências,
oferecidas como regra pelo cotidiano.
É cogente a percepção desse lugar,
que denominamos como Ponto Zero, a
fim de que possamos nos tornar conscientes das energias dominantes na dualidade
da existência, tornando clara a responsabilidade advinda das consequências,
decorrentes das decisões de lidarmos com essas mesmas energias, na condição de
reféns ou protagonistas.
Uma vez cônscios de, que, todas as nossas
decisões são motivadas pelas frequências, que, uma vez transformadas em
energias, alimentam o nosso subconsciente por meio das vibrações emanadas de cores, sons e imagens. Portanto,
nutrindo com discernimento e parcimônia a nossa autoconsciência, será possível
exercer conosco mesmo, o gentil cuidado e a sensibilidade, a fim de possamos convidar
para um chá, logo após cear nesse faustoso Banquete
de sentidos e sentimentos, o reflexo de todas as nossas sombras, projetadas
sobre o espelho da vida; transformando assim, a nossa escura caverna, num solar vibrante, aonde os monstros; sem tribunal,
nem religião; são respeitosamente amansados, de forma amorosa, através do
autocuidado, autoestima e auto-honestidade.
Esse arrebatador processo, vem sendo
motivado pela redescoberta do próprio fogo interior, gerador da revolução histórica
desse homem, que, pensa que sabe, o que
pensa; fazendo com, que, finalmente ele abandone a escuridão da sua caverna,
iluminando-a através da própria Chama
Criativa, que é o seu Fogo-Semente;
essa centelha de vida, que outrora, fora usurpada e feita refém, por um
equivocado pastor chamado Nero.
Do mesmo modo, nessa extraordinária Revolução
do Bicho-homem, este obscuro império está
a se desfazer, dissipando-se como nuvens ao vento, perante essa mesma chama, erguida
como tocha acesa pela autoconsciência, no decurso dessa pesada peleja, sucedida
entre a jubilosa luz e a nubilosa escuridão, de onde o ser humano ressurge, alçando
o mitológico voo da Fênix, guiando impavidamente
a sua matilha, através dos verdejantes prados Gaianos.
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