Naquele lastimável estado, fui
levado às pressas para as páginas dos livros didáticos e transformado em objeto
de pesquisa. A medida em que passeava pelas páginas mecanicamente folheadas, as
histórias narradas sobre minha personagem se transfiguravam, modificar-se de
história macabra, para narrativa engraçada.
Foi assim que o neguin virou atração para o fanfarrão de plantão, esse falastrão especialista
em educação. Ou seja, aquele pontinho preto, sobre o lençol branco, que sempre chama
a nossa atenção, passou a ser usado como um contexto, a fim de fazer analogias pitorescas,
como pretexto, para se referir aquele sujeito bantu, que, sonhando ser atleta, corria pelas ruas, nas horas
incertas, fugindo do próprio inverno, presente de um pretérito grego dos Tempos Modernos.
Porém, no meio à jocosa narrativa,
inadvertidamente, a minha personalidade, caindo em si, despertou o gigante adormecido. Desperto pelo som do
Graal derrubado, transbordei pelo
solo, cognizando-me de que Eu Sou um gigantesco
saci; bípede; que corre e pula, brincando no redemoinho da vida, enquanto vou pitando
as fragrâncias das flores, e arribando os humores pela estrada afora. Apareço
na capoeira, gingando e dando rasteiras nesse destino, que me foi reservado
como cota, dentro dessa história narrada por caçadores de adrenocromos.
Agora Eu vejo com os olhos do Grande Espírito; o Criador-De-Todas-As-Coisas; Eu Sou a Expressão do Criador; Eu Sou a
Vontade do Criador; Eu Sou a Consciência do Criador; Eu Sou a Verdade do
Criador. Portanto, Eu Sou o que Eu Sou.
A roupagem de Saci, eu deixei por aí, como bandeira pirata, fincada no meio do
mar, tremulando sobre as etílicas águas da programação mental.
Os livros didáticos, traficados nos
porões abarrotados dos tumbeiros, que foram queimados em praça pública, tendo
os seus personagens enforcados e sacrificados, a fim de tornar possível, a
reforma educacional, proposta pelo Concílio
de Hienas[1];
ressuscitados, como bela Fênix, todos
os personagens de tais livros, agora despertos e despidos, pulam pelados,
saindo das páginas codificadas, em direção as páginas virgens, destituindo
líderes, pastores e gurus. Agora, esses gigantes, acordados e desprogramados, impavidamente
afrontam os olhos petrificados do Grande Irmão, outrora instrumento do terror.
Deste modo, iniciamos a reescrita da
história, a confecção de novos livros e a produção de uma cultura, aonde as
roupagens despidas, se tornaram adubos de Camélias
e Rosas, Flores-de-Lótus e Girassóis,
que adornam as vistosas capas ajardinadas de vida, das novas formas narrativas.
O Concílio, que fora constituído na
calada da noite, adernou no abismo abissal das sedutoras sereias, enquanto as
viúvas negras, preparavam meticulosamente os seus leitos, a fim de empala-los em
eterno looping, deitados eternamente em seu berço
esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo, cumprindo a profecia
científica que preconizava, que, vento
que venta lá, também venta cá.
Assim sendo, quando avistar na
capoeira, um neguin de ponta à cabeça, quicando sobre um só pé, cantando e
contando história, esqueça a didática das redes sociais, as oficiais, etecetera
e tal, e aproveita para desaprender e desacreditar em tudo aquilo em que fizeram
tu crê, e, tudo o que pensa que vê; isso vai fazer enxergar cada amanhecer com
os olhos do próprio saber.
[1] Alusão ao Concílio de Trento.
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