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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

A Estranha História De Um Saci


Durante o processo de programação Mental, promovido pelo
CCSBP (Concílio de Condicionamento social, Biológico e Psicológico), órgão pertencente ao Sistema Público de Educação; eu fui anestesiado e entorpecido, fiquei fascinado; enquanto eu dormia, alguém me despiu, depois, colocaram um gorro cor de sangue sobre o meu Orí, e a seguir, com uma gargalhada jaculada em estado pré coito, deceparam uma das minhas pernas como souvenir. Foi assim que esse neguin, se transformou num prosaico personagem racializado, deficiente e dependente químico.

Naquele lastimável estado, fui levado às pressas para as páginas dos livros didáticos e transformado em objeto de pesquisa. A medida em que passeava pelas páginas mecanicamente folheadas, as histórias narradas sobre minha personagem se transfiguravam, modificar-se de história macabra, para narrativa engraçada.

Foi assim que o neguin virou atração para o fanfarrão de plantão, esse falastrão especialista em educação. Ou seja, aquele pontinho preto, sobre o lençol branco, que sempre chama a nossa atenção, passou a ser usado como um contexto, a fim de fazer analogias pitorescas, como pretexto, para se referir aquele sujeito bantu, que, sonhando ser atleta, corria pelas ruas, nas horas incertas, fugindo do próprio inverno, presente de um pretérito grego dos Tempos Modernos.

Porém, no meio à jocosa narrativa, inadvertidamente, a minha personalidade, caindo em si, despertou o gigante adormecido. Desperto pelo som do Graal derrubado, transbordei pelo solo, cognizando-me de que Eu Sou um gigantesco saci; bípede; que corre e pula, brincando no redemoinho da vida, enquanto vou pitando as fragrâncias das flores, e arribando os humores pela estrada afora. Apareço na capoeira, gingando e dando rasteiras nesse destino, que me foi reservado como cota, dentro dessa história narrada por caçadores de adrenocromos.

Agora Eu vejo com os olhos do Grande Espírito; o Criador-De-Todas-As-Coisas; Eu Sou a Expressão do Criador; Eu Sou a Vontade do Criador; Eu Sou a Consciência do Criador; Eu Sou a Verdade do Criador. Portanto, Eu Sou o que Eu Sou. A roupagem de Saci, eu deixei por aí, como bandeira pirata, fincada no meio do mar, tremulando sobre as etílicas águas da programação mental.

Os livros didáticos, traficados nos porões abarrotados dos tumbeiros, que foram queimados em praça pública, tendo os seus personagens enforcados e sacrificados, a fim de tornar possível, a reforma educacional, proposta pelo Concílio de Hienas[1]; ressuscitados, como bela Fênix, todos os personagens de tais livros, agora despertos e despidos, pulam pelados, saindo das páginas codificadas, em direção as páginas virgens, destituindo líderes, pastores e gurus. Agora, esses gigantes, acordados e desprogramados, impavidamente afrontam os olhos petrificados do Grande Irmão, outrora instrumento do terror.

Deste modo, iniciamos a reescrita da história, a confecção de novos livros e a produção de uma cultura, aonde as roupagens despidas, se tornaram adubos de Camélias e Rosas, Flores-de-Lótus e Girassóis, que adornam as vistosas capas ajardinadas de vida, das novas formas narrativas.

O Concílio, que fora constituído na calada da noite, adernou no abismo abissal das sedutoras sereias, enquanto as viúvas negras, preparavam meticulosamente os seus leitos, a fim de empala-los em eterno looping, deitados eternamente em seu berço esplêndido, ao som do mar e à luz do céu profundo, cumprindo a profecia científica que preconizava, que, vento que venta lá, também venta cá.

Assim sendo, quando avistar na capoeira, um neguin de ponta à cabeça, quicando sobre um só pé, cantando e contando história, esqueça a didática das redes sociais, as oficiais, etecetera e tal, e aproveita para desaprender e desacreditar em tudo aquilo em que fizeram tu crê, e, tudo o que pensa que vê; isso vai fazer enxergar cada amanhecer com os olhos do próprio saber.



[1] Alusão ao Concílio de Trento. 

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