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sexta-feira, 27 de outubro de 2023

O Mito das Cavernas Medievais e o Green Card Para Cidadania Contemporânea

 


O frenético comércio de soluções, magias e milagres, que é abundantemente ofertado nas feiras dos Tempos Modernos, seja por meio de vendas on-line, lojas de departamentos, shoppings, drogarias, hipermercados, Black Friday, fast food ou afins, contribuiu para diminuir significativamente o tráfico de cidadãos africanos através do Grande Calunga, o Oceano Atlântico; modificando assim, o infame comércio de outrora, transformando os cidadãos comuns de hoje, em submissos humanos domesticados.

Essa transformação se deu, em meio a cisão entre a Idade Média e o iluminismo, trazendo acoplado ao mesmo, como herança mediévica, um combo completo, constituído de feiticeiros, bruxas, satanases, diabos e demônios procedentes das fogueiras medievais de um aquecido inferno, meticulosamente aceso pelos concílios religiosos, a fim de substituir todos os famigerados métodos de torturas, ocasionado por capciosas e contundentes retóricas.

Dessa maneira, as profissões pertencentes as áreas jurídicas, da saúde e da segurança, se tornaram cadeiras destinadas aos integrantes dos clãs; membros pertencentes as famílias tradicionais que governam o Estado Profundo; enquanto o sistema educacional, ficou sobre domínio inquisitório dos insaciáveis e macabros religiosos medievos.

Assim sendo, o controle do subjetivo, alcançado a partir do domínio de corações e mentes, se mostrou assaz efetivo, na construção desse Inconsciente Coletivo, que habilmente desempenha a preciosa função, de controle remoto do servidor-padrão.

É evidente a percepção de, que, o Estado Profundo é quem dita o que devemos aprender, o que ingerir, como nos portar, além das funções e do papel a desempenhar no seio dessa bitolada sociedade, que foi biológica, social e psicologicamente condicionada, dentro dos padrões ditados pela violência escravagista colonial.

Obviamente, que, para fazer esse ousado procedimento funcionar, foi necessário dividir para governar; efetivando de tal modo, a organização de uma cidadania estruturada por meio de gênero, raça, classe e opção sexual, fazendo com que a divisão fluísse naturalmente, inoculando a síndrome de Estocolmo na construção identitária, no subjetivo de cada grupo.  

Desse modo, tais classes foram metaforicamente dividas em grupos de cidadãos pitbulls, dobermanns, Cocker Spaniel, chihuahuas e caramelos; o que todos têm em comum, é a eterna brincadeira de correr atrás do próprio rabo, e se agredirem mutuamente nos espaços de tempo vago.

Sendo assim, o Espaço da mente e o Tempo do Coração, entravados pelos padrões da intelectualidade colonizada, transformou o ser humano em androide, conferindo-lhe uma Inteligência Artificial que o faz orgulhosamente cavalgar, montado sobre o seu Cavalo-De-Tróia de estimação, a procura do seu par romântico, para juntos, encontrarem o anunciado Final Feliz, prometido nos livros sagrados, nos Contos De Fadas, novelas, filmes e séries.

E assim caminha a humanidade, da caverna à cidade, levando pedras, paus e clavas, bombas, fuzis e metralhadoras; cada grupo defendendo a sua própria roda de hamster; tendo ao seu lado, a verdade da sua religião, a sua ideologia e o seu modus vivendi aprendido através das tradições e das memórias do cárcere, vividas e narradas por livros, histórias e cultura, balizados pelos olhares de terceiros.

Desse modo, cada grupo, com sua devida nacionalidade, sua religião, ideologias, partidos políticos, times de futebol, patriotismo, raça, classe, gênero e aí por diante; seguem debatendo e combatendo as razões, alusivas a seus próprios segmentos, olvidando a questão humana, capciosamente diluída nas entrelinhas da retórica. Ou seja, cada qual com as suas meias-verdades, usam as suas energias para reivindicar o controle do painel de descontrole.

Portanto, podemos inferir, que, não existem caminhos para se chegar a verdade, pois ela simplesmente, é, o que é; ela não pode ser capturada, cristalizada e conservada por meios de métodos ou equivalente, visto que, o fato de fatiar a verdade, torná-lo-á irreconhecível. O fato de não reconhecermos a verdade existente em todos e em tudo, é o que nos mantém algemados aos ditames da retórica, determinante das nossas crenças limitantes, ideologias descapacitantes e empatias descapacitantes, enraizadas nos Tempos Modernos, nos tornando clientes assíduos, nessa feira de milagres e magias clonados nos laboratórios da Matrix.

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