O frenético comércio de soluções,
magias e milagres, que é abundantemente ofertado nas feiras dos Tempos Modernos, seja por meio de vendas on-line, lojas de
departamentos, shoppings, drogarias, hipermercados, Black Friday,
fast food ou afins, contribuiu para diminuir
significativamente o tráfico de cidadãos africanos através do Grande Calunga, o
Oceano Atlântico; modificando assim, o infame
comércio de outrora, transformando os cidadãos comuns de hoje, em submissos
humanos domesticados.
Essa transformação se deu,
em meio a cisão entre a Idade Média e o iluminismo,
trazendo acoplado ao mesmo, como herança mediévica, um combo completo,
constituído de feiticeiros, bruxas, satanases, diabos e demônios procedentes das fogueiras medievais
de um aquecido inferno, meticulosamente aceso pelos concílios religiosos, a fim
de substituir todos os famigerados métodos de torturas, ocasionado por capciosas
e contundentes retóricas.
Dessa maneira, as profissões
pertencentes as áreas jurídicas, da saúde e da segurança, se tornaram cadeiras
destinadas aos integrantes dos clãs; membros
pertencentes as famílias tradicionais que governam o Estado Profundo; enquanto o sistema educacional, ficou sobre
domínio inquisitório dos insaciáveis e macabros religiosos medievos.
Assim sendo, o controle do
subjetivo, alcançado a partir do domínio de corações e mentes, se mostrou assaz
efetivo, na construção desse Inconsciente
Coletivo, que habilmente desempenha a preciosa função, de controle remoto do servidor-padrão.
É evidente a percepção de,
que, o Estado Profundo é quem dita o
que devemos aprender, o que ingerir, como nos portar, além das funções e do
papel a desempenhar no seio dessa bitolada sociedade, que foi biológica, social
e psicologicamente condicionada, dentro dos padrões ditados pela violência
escravagista colonial.
Obviamente, que, para fazer
esse ousado procedimento funcionar, foi necessário dividir para governar; efetivando de tal modo, a organização de uma
cidadania estruturada por meio de gênero,
raça, classe e opção sexual, fazendo
com que a divisão fluísse naturalmente, inoculando a síndrome de Estocolmo na
construção identitária, no subjetivo de cada grupo.
Desse modo, tais classes foram
metaforicamente dividas em grupos de cidadãos pitbulls, dobermanns, Cocker Spaniel, chihuahuas e caramelos; o
que todos têm em comum, é a eterna brincadeira de correr atrás do próprio rabo,
e se agredirem mutuamente nos espaços
de tempo vago.
Sendo assim, o Espaço da mente e o Tempo do Coração, entravados pelos padrões da intelectualidade
colonizada, transformou o ser humano em androide,
conferindo-lhe uma Inteligência
Artificial que o faz orgulhosamente cavalgar, montado sobre o seu Cavalo-De-Tróia de estimação, a procura
do seu par romântico, para juntos, encontrarem o anunciado Final Feliz, prometido nos livros
sagrados, nos Contos De Fadas, novelas,
filmes e séries.
E assim caminha a
humanidade, da caverna à cidade, levando pedras,
paus e clavas, bombas, fuzis e metralhadoras; cada grupo defendendo a sua própria roda de hamster; tendo ao seu lado, a verdade da sua religião, a sua
ideologia e o seu modus vivendi
aprendido através das tradições e das
memórias do cárcere, vividas e
narradas por livros, histórias e cultura, balizados pelos olhares de terceiros.
Desse modo, cada grupo, com
sua devida nacionalidade, sua religião, ideologias, partidos políticos, times
de futebol, patriotismo, raça, classe, gênero e aí por diante; seguem debatendo
e combatendo as razões, alusivas a seus próprios segmentos, olvidando a questão
humana, capciosamente diluída nas entrelinhas da retórica. Ou seja, cada qual
com as suas meias-verdades, usam as suas energias para reivindicar o controle
do painel de descontrole.
Portanto, podemos inferir, que,
não existem caminhos para se chegar a verdade, pois ela simplesmente, é, o que é;
ela não pode ser capturada, cristalizada e conservada por meios de métodos ou
equivalente, visto que, o fato de fatiar a verdade, torná-lo-á irreconhecível. O
fato de não reconhecermos a verdade existente em todos e em tudo, é o que nos
mantém algemados aos ditames da retórica, determinante das nossas crenças
limitantes, ideologias descapacitantes e empatias descapacitantes, enraizadas nos
Tempos Modernos, nos tornando clientes assíduos, nessa feira de milagres e
magias clonados nos laboratórios da Matrix.

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