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segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

O Calcanhar de Aquiles e a Carapaça dos Poderosos

Nas palavras de Krishnamurti, o culto da autoridade é a negação da compreensão; portanto, é notória a percepção de que, a nossa sociedade tenha se transformado num eficiente sistema carcerário, aonde o pão e circo midiático e religioso estruturaram um competentíssimo aparelho de distração, com um discurso narrativo que se tornou uma mentira honesta, enquanto o silêncio escandalosamente se apresenta como uma estrondosa verdade nua.

É na complexidade do cerne desse contexto, que cedemos o nosso poder para os pomposos salvadores da pátria, com o intuito de nos eximir das responsabilidades dos destinos da nação, evitando o trabalhoso processo de nosso amadurecimento integral, enquanto seres plenos.

Compreender essa conjuntura escravagista contemporânea, requer coragem e disciplina; e para iniciar tal processo elaborativo aonde o discernimento dá o tom, é necessário seguir pelas vias do ceticismo, do desafio e da investigação, sem as prerrogativas do criticismo opinativo, forjado pelo pré e pós julgamento abalizado pelo discurso narrativo normativo.

Toda autoridade que vem de fora, de nosso exterior, se constituí efetivamente quando cedemos o nosso poder para que ela se institua como tal. Ou seja, a verdade estabelecida por essa autoridade, que foi construída a partir da nossa permissão e aceitação, acaba por se tornar uma potente arma de controle do subjetivo, dominando assim, a quem cedeu este poder, ao afixar o rótulo de autoridade justamente aos fabricantes de falácias e retóricas, que por sua vez, nos alimentam com as suas ideologias desviantes.

Para compreender a ação dessas crenças limitantes sobre nosso subjetivo, o primeiro passo necessário é o de se abandonar as bulas dogmáticas, e as receitas paradigmáticas fornecidas durante esse treinamento que nos transformou em pessoas normais. Ou seja, fomos condicionados social e biologicamente, e transformados em defensores aguerridos dos discursos meritocráticos das narrativas dominantes, como caçadores de diplomas e certificados antropofágicos, cujos papeis timbrados, hipoteticamente seriam garantidores de um possível futuro, que está sempre no futuro, de glórias e sucesso; além de um hipotético paraíso celestial no pós-morte.

É dessa forma que criamos as nossas realidades indesejadas e, tal como os moinhos de Cervantes, perdemos todo o nosso tempo combatendo essa realidade por nós mesmo criada e estabelecida, sem jamais atentar para uma alternativa oposta a tal realidade e processo, devido as distrações perpetuamente abastecidas pelas crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes, como munição ininterruptamente fornecidas pelo sistema propulsor dessa autoridade constituída.

Desse modo, somos como aquele leão que foi criado na companhia de cordeiros, acreditando também ser um cordeiro; com medo de lobos e cachorros. Portanto, descartamos a nós mesmos, ignorando o nosso poder de ser o que somos, para nos transformar num subproduto colonial, acreditando na narrativa oficial gospel, seguindo os preceitos e preconceitos aprendidos, nós segregando de nossa própria realidade enquanto criadores e mantenedores da forma.

 

  

 

 

  

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

A Força da Verdade

A verdade é uma sinfonia executada pela Natureza, em oitavadas miríades caleidoscópicas, coloridas e sonoras, entoadas pelos ritmistas Elementais. Para bailar, conduzindo a gravidade desejável dessa dança, é necessário ter-se ouvidos de ouvir e olhos de ver e enxergar, a fim de harmonizar o fluxo, permitindo que seus ciclos, a exemplo das ondas do mar, se completem, ao deixar ir o conhecido e permitindo-se receber o novo que se apresenta como desconhecido.

Portanto, nessa conjuntura aonde as mentiras são sustentadas como verdades e verdades são qualificadas como mentiras, e a resultante dessas energias desarmônicas que se entranham em nosso ser, fazem com que as forças que ressoam em nosso interior, nos alimentem com cansaços ou com alegrias, trazendo assim, o caos ou a paz, de acordo com cada o caso e com cada escolha que fazemos a cada minuto de nosso agora.

Tudo isso dependerá da forma como atuamos, em relação a falsa identificação que nos foram atribuídas por essa cultura dominante, cuja única função, é a de controlar e subjugar nosso subjetivo, elaborando as agendas de toda a nossa história.

Não viemos ao mundo para disputar meritocracias desnecessárias ou entrar em sangrentos ringues recreativos, viemos aprender, amar e viver. Porém, uma vez submetidos e condicionados à robotização, através da propaganda midiática e religiosa, a lavagem cerebral se fez evidente, e extremamente eficaz, para se obter o controle total sobre esse povo, que foi transformado em massa populacional justamente para servir as manobras religiosas e politiqueiras, que são os mecanismos instituíntes da escravização mental contemporânea.

Podemos observar o recorrente discurso de que, as aberturas das fronteiras acarretariam em doenças e pobreza, drogas e guerra, quando na verdade, a história provou ao contrário, a exemplo da migração forçada dos povos africanos, que produziu toda a riqueza das Américas e europa; contraditoriamente, são mesmos países beneficiados por essas riquezas que propagam e infligem esse enganoso conceito, nos forçando a acreditar na homilia de nós contra ele.

Quando fazemos uso do discernimento, fica clarificado a dualidade no uso maniqueísta nesse discurso, seguido pela auto percepção de que, nos declinamos da nossa responsabilidade em fazer o uso de nossas escolhas próprias concernente ao que nos diz respeito, até mesmo da promoção do nosso próprio bem viver.

Portanto, pouco importa a forma ou a maneira que essa dança venha a ser expressada, se esse mesmo bailado estiver em harmoniza com o ritmo da sinfonia celeste, ela se mostrará sempre autêntica, expressando a sua verdade nessa melodia aonde, cada qual, tem o seu próprio jeito de interpretar, desde Hiperbórea até Atlântida, do Tao a Thot.

 

domingo, 12 de dezembro de 2021

Curso de Capacitação Pedagógica da Nova Aurora

Que em todo alvorecer, sejamos capazes de olhar, ver e enxergar os lírios do campo a brotar, e agradecer entoando um mavioso canto de amor e de prazer; que a cada despertar, antes de poder falar, sejamos capazes de ouvir e escutar o cantar da mãe natureza, na sua grandiosidade e magnificência, com toda a graça e beleza; que possamos abrir os olhos para as oitavas, entreabrir os lábios para beijar a cantata das cataratas, atentando os ouvidos para as invisíveis cores do intangível arco-íris e estender os braços, a fim de receber, num saboroso abraço, o presente desse agora, que é sempre o nosso hoje.

Desse modo, que do centro da raça humana, abrolhe o Espaço da luz além da luz, e o Tempo do amor além do amor, celebrando a existência em toda sua plenitude, com beleza e ardor.

Que nessa união de tudo que é com tudo que há, o fôlego da vida possa alegremente pairar sobre as águas, sendo soprado pelas Sílfides, que brincam de esvoaçar os nossos cabelos refestelados sobre a pele aquecida pelas Salamandras e refrescada pelas Nereidas.

De tal modo que, a Nova Aurora, Agharta, Merlia, Urântia; que é a nossa grandiosa Gaia; de belo planeta, se metamorfoseie em belíssima estrela, como a joia rara que é, reluzindo em meio ao Cosmo, engalanando a coroa da Deusa/Deus, Pai/Mãe, a Fonte Universal; esse Grande Espírito que foi humanizado pelas distintas culturas dominante e implantado através das crenças limitantes, ideologias desviantes e empatias descapacitantes do Velho Mundo aos Tempos Modernos.

Eis que tudo se faz novo, com sorrisos de alegrias incontidas, abraços como laços que unem em fraternos enlaces, no lugar dos nós arraigados e arranjados como elos de corrente unidos por cordéis de látegos.

Assim, a Liberdade ruge no alto da montanha, anunciando o reinado da Deusa, derrubando as escolas e os muros, a Ordem e o Progresso, as regras e os tratados.

Não há mais medo no olhar, não há mais lamentos e nem murmúrios pelo ar, pois o caminho do casulo a crisálida, trouxe o raiar da aurora desse Mundo Novo, no doce sabor do ciciar da cigarra a celebrar, para sempre nos lembrar que, após cada inverno, existe a certeza da primavera.

Na Nova Aurora não há lápis, nem cadernos ou canetas, e também não há grades de disciplinas ou horários fixos previstos, visto que todo aprendizado se dá através da leitura do coração, numa pedagogia das emoções que usa o método de alfabetização das Ternuras e dos Afetos, aonde a única regra aplicada é a do amor Incondicional. Esse curso capacita a pessoa para exercer a sua plena expressão, exercitando a criação e manifestação do Maná, no curso de gastronomia celestial, aonde o neófito vai aprender a criar e alimentar o seu universo interior, ao cognizar que, tudo o que estiver dentro, estará fora; e assim como é acima, também é abaixo.

sábado, 11 de dezembro de 2021

A Jornada do Herói e a Síndrome de Estocolmo

A jornada de uma criança que se torna adulta, amadurece e se transforma em ancião, é uma inexplicável saga de paradoxos interligados, num processo aonde os paradigmas e dogmas se transformam nos principais personagens de sua história.

Nessa aventura, a criança é introduzida a um crudelíssimo processo de amadurecimento aonde ela perde toda a sua essência de ser o que é, na medida em que se embrenha nessa perigosíssima selva, erigida com as mais pérfidas das armadilhas inumanas.

Na mesma medida em que o infante vai adquirindo “conhecimento, se intelectualizando através de uma cultura estabelecida pelos predadores coloniais, ela deixa de protagonizar a própria história, ingressando num treinamento progressivo, aonde passa a ser condicionado social e biologicamente pelo resto de sua existência.

No momento em que, na sua fase infantil, ela cessa o diálogo com o seu amigo secreto verdadeiro, é o momento em que este mesmo amigo é substituído pela simbólica figura do papai Noel, ela então, se torna apta para aceitar a irreal figura de um Deus humanizado e patenteado pela cultura dominante, que agora passa a ser o seu papai do céu; e assim, toda a farsa da história impingida pela cultura dominante se transforma na sua verdade.

Dessa maneira, os relacionamentos que sustentam a vida adulta, se transformam numa turnê sobre o ringue da existência, que é justamente, a passarela do bom cidadão. Desse modo, na iniciação para a vida adulta ela incorpora o discurso do “vencer na vida” como objetivo, internalizando a filosofia do “nós contra eles”, adquirindo títulos, honrarias, diplomas e certificados, a fim de ser aprovada pelo mundo como bom partido.

É dessa forma, que a vida adulta passa a ser um filme de suspense, numa louca aventura através das incertezas, das dúvidas e dos medos que essa reserva selvática proporciona a cada suspiro de montanha russa.

Portanto, a sua vida não mais lhe pertence, já que esse indivíduo, agora cidadão, tem uma história, uma cultura e todos os livros lidos como estruturadores da sua arquitetônica enquanto ser. Sendo assim, ele desconhece qualquer outra realidade ou ponto de vista diferente daquela foi fornecida pelos seus adestradores; agora ela convenceu-se de que é uma pessoa adulta, inteligente e culta, pois consegue repetir todo o conhecimento e comportamento dos seus captores, com direito a diplomas e certificados como prova de subjetivo subjugado.

Depois de toda uma vida vivida sobre o metafórico látego de cada dia, satisfazendo peremptoriamente a todas as leis leoninas e contratos feneratícios, essa pessoa consegue chegar até aonde a cultura categoriza como fase da terceira idade; é nesse ponto que ela decide se vai permanecer domesticada pelos seus paradoxos de estimação; constituídos pelos dogmas e paradigmas condicionantes das suas ideologias desviantes, crenças limitantes e empatias descapacitantes; ou se vai resgatar o seu amigo secreto dos tempos de infância, que mesmo tendo sido abandonado por ela, continuou integramente ao seu lado durante toda a aspereza de sua saga.

Agora, como anciã, ela observa o caminho percorrido e, numa repentina epifania, percebe uma necessidade sine qua non de resgatar a sua criança interior, e com ela, o amigo secreto de outrora, que mesmo invisibilizado, cresceu junto com ela.

Com a criança interior resgatada, ela enfim, reconhece o seu amigo secreto de outrora; agora ela o chama de Anjo de Guarda.

A conversa de outrora se transforma agora num diálogo interno, a fim de evitar que as pessoas ao seu redor não mais voltem a rotulá-lo como pessoa esquisita, ou algo similar, como nos tempos de criança.

Agora, como anciã, aprendeu a se calar e a ouvir, para poder finalmente escutar a epístola de sua história real, dos tempos em que ela era um ser incondicional, e não o arremedo de pessoa, inflada pelo ego cultuado por certificados e diplomas adquiridos sobre o palco da vida aonde a atração principal é o espetáculo no ringue das relações, enquanto o senso coletivo é posto substituto coadjuvante na fila dos candidatos a figurantes.

 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Gentileza Gera Gentileza[1]: Sejamos Aquela Mudança que Sempre Desejamos[2].

Como aquela diminuta pedra lançada sobre a superfície de um plácido lago que produz um efeito dominó propagando inúmeras ondas sobre o espelho d’água, também a gentileza, por mais pequenina que seja, produz um poderoso efeito cascata similar, em seu sutil processo de jogá-la sobre qualquer transeunte que inunda o espaço em meio ao mar de gente que nos abraça; um processo que, por vezes, passa despercebido. As energias inversas também funcionam do mesmo modo, seguindo as mesmas infalíveis leis proclamadas pela Mãe Natureza.

Dito isto, torna-se necessário fazer o nosso dever de casa sendo gentil conosco mesmo, desenvolvendo a percepção de que, uma mente adormecida precisa de muito amor e compaixão, já que, nossa mente se auto protege usando os antigos padrões de preocupações e dúvidas, suscitando os medos arraigados nas experiências desconfortáveis e traumáticas vividas no passado, que geram as inseguranças recorrentes no presente.

São esses medos que fazem a mente permanecer numa incessante busca pela validação externa sobre tudo aquilo que fazemos, e buscamos por fazer, como forma de realização do ser. Portanto, só mesmo desligando o módulo de resistência, ao permutar o medo daquilo que vem do exterior pela gentileza que jaz dormente no interior, que produzirá a sincronia perfeita, trazendo a sintonia a tudo aquilo que ressoar em nosso universo interior, ao harmonizar com o que se encontrar no mundo exterior.

É nesse momento que percebemos que este medo foi propositalmente infligido, com o intuito de gerar a falsa sensação de segurança, convenientemente fornecida e estabelecida pelo establishment e pelo status quo, que as batalhas pelas identidades deixam de fazer sentido.

Somente através das táticas da gentileza, permitindo e aceitando as próprias emoções, sem, no entanto, se deixar levar pelas mesmas, é que podemos vencer as táticas do medo, estabelecidas pela mente coletiva, como uma tatuagem fixada pelo inconsciente coletivo.

Esse é um desafio proativo, diante de tudo aquilo que ocorre no mundo e com a humanidade, que somos nós. O ponto primordial nesse desafio, seria o de conseguir desvencilhar a nossa atenção daquele pontinho escuro no meio à alvura do lençol, afim de focar as nossas emoções na totalidade do bem querer existente em torno dessa mancha; visto que esse bem querer, é inerente a todo ser vivente e senciente.

Escolher nos comprometer com as boas intenções do lado iluminado da força, em vez das agruras vaticinadas pelo lado escuro, nos fará atentar sempre para aquilo que nos fortalece e não para aquilo que separa, ou segrega de alguma forma, que é próprio da insegurança, dos medos ou dúvidas geridas por essa pérfida conjuntura.

A filosofia gnóstica recomenda que a cada dois passos dados, recuar um passo; Eu recomendo a possibilidade de se dar um passo para o lado a cada passo executado; igualmente, seremos testemunhas de nós mesmo, observando os nossos pensamentos, sentimentos e emoções, sem sermos invariavelmente absorvidos por eles, desenvolvendo assim, a capacidade de assumir o controle dos nossos futuros, suas possibilidades e varáveis.

Quando o neófito recua no passado, ele precisará recomeçar todo o processo outra vez, pois nesse momento do agora, abre-se uma brecha no seu presente, que a exemplo do pontinho escuro no lençol alvo, pode adentrar as sombras Troianas, fazendo com que ele permaneça como parte de uma memória perdida entre as cinzas das folhas de um diário carbonizado.

Sendo assim, somente a luz poderia eliminar as sombras dos porões, sótãos, becos e vielas do nosso labirinto mental; e essa luz só pode ser trazida através da gentileza conosco mesmo; consequentemente, o lado iluminado da força, fará com que, tudo aquilo que estiver ocultado pelas sombras, se mostrem tal como são. Assim sendo, a célebre frase fiat Lux[3] se mostra tão presente como sempre foi, é, e será; porque assim é...!!



[1] Referência ao Profeta Gentileza, da cidade de Niterói/RJ

[2] Referência a citação de Mahatma Gandhi

[3] “Faça-se a luz”

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

O Humano é Permanente, o Cidadão é Temporário.

Se o passado se resume as memórias e o futuro se resume aos sonhos, então só mesmo o Tempo presente se faz real, de verdade; em todo e qualquer tempo, ele é autêntico. Portanto, podemos considerar as memórias como se fosse equivalente a uma coleção de cinzas depositada numa urna mortuária, e o futuro, como se fossem as incontáveis probabilidades, possibilidades e quimeras, nutrido pelas páginas dos folhetins e das novelas produzidas pelo infame mercado contemporâneo de Tecnologias de Informação e Comunicação.

Dessa maneira, o indivíduo, como ser multidimensional, tem a incrível capacidade de se locomover no tempo, com o intuito, normalmente inconsciente, de se esconder do próprio silêncio, ao refugiar-se no passado e no futuro, procrastinando ou recusando-se a receber o presente que a vida lhe oferta, trazendo a existência à sua porta em todo alvorecer.

Essa fuga de si mesmo, é acurada pelo próprio intelecto, que progressivamente é treinado pelo condicionamento social e biológico naturalizado, que diuturnamente é imposto pelas instituições do Estado Profundo, o Deep State. Portanto, nesse pérfido processo, a inocência da criança dá lugar ao instituto da competição, trazendo o medo da perda, a necessidade de acumulação de bens e a tudo aquilo que se mostrar impermanente nessa aventura do bem viver.

Desse modo, há aqueles que passam a vida sem verdadeiramente viver, uma vez que sobrevivem nas dimensões aonde impera o limbo e o looping, permanecendo restringidas ao passado e ao futuro. Portanto é natural que o terrorismo institucional introjetado no subjetivo desse indivíduo, torne-o “naturalmente” subalternizado, fazendo com que o mesmo se habitue a condição de vitimista e a tudo aquilo que o faz mal, fortalecendo assim, o seu baixo autoestima, destroçando seu amor-próprio.

A invenção do tempo ainda continua sendo a forma mais eficaz para domesticar o animal humano, pois é a maneira efetiva dele ceder o seu centro de poder e a sua força ativa para esse novo senhor contemporâneo que, espertamente, é impessoal, e se oculta atrás de calendários, relógios e relatórios.

Sendo assim, a escravidão mental efetivou a obediência servil do cidadão de bem, amenizando quaisquer resistências, que viesse de fato, ameaçar o establishiment ou o status quo, instituído pela normalidade holográfica dos Tempos Modernos. Nesse caso, podemos considerar o lugar do intelectual, como um diligente instituto substituto da chibata.

Consequentemente, é preciso que o indivíduo domesticado se alimente com pomposos diplomas, certificados descapacitantes e a soberbia da honoris causa, para que o seu ego permaneça intumescido ao fugir do seu agora, caminhando indefinidamente em direção ao mundo dos seus sonhos, tendo a Terra do Nunca como bússola. Se assim não for, caso ele decida seguir o caminho de Don Quixote, adentrando no metafórico Mundo de Alice, ele tornar-se-ia um revolucionário, negando toda a sua arquitetura e arquitetônica de bom cidadão. Ou seja, ele invariavelmente resgataria a sua criança interior, voltando a ser criativo, perscrutador e desbravador de si mesmo, desprovido das críticas e pré-julgamentos intrínsecos ao bom cidadão.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Yin-Yang: A Viagem dos Gêmeos Opostos

Nos Tempos Arcaicos, as Máquinas para costurar os caminhos do Amor, podiam ser usadas para customizar o caleidoscópio da existência, quando o brilho áureo das linhas usadas nessa tapetaria, refletiam as miríades coloridas, emitidas através dos prismas de cada íris que enxergam além da superfície da forma em si mesma.

As máquinas dos Tempos Modernos, reproduzem em série os sorrisos de plásticos, da mesma forma que reproduzem as flores de borrachas, que ornamentam os jardins cenográficos da Matrix, romantizando a vida nas senzalas: campos de concentração contemporâneos perfidamente retroalimentados pela mídia.

Dessa maneira, a tapeçaria da existência se estende no caís de cada porto, sempre disponível para recepcionar os autênticos, que chegam em meio a confluência dos Tempos opostos arremessados pelas grandes vagas, fazendo chocar-se contra o casco dessa nave, que navega no contratempo das relações cunhadas sobre o Grande Calunga.

É na placidez desse misterioso espelho d’água que a melanina bronzeada de Narciso se transmuta, tal qual a magnífica Fênix que ressurge das profundezas das próprias cinzas, nesse encontro do fogo com a água, aonde o vapor da vida, transforma a física da existência. É o Tempo viajando em si mesmo, para costurar o encontro das serpentes gêmeas sobre o caduceu da árvore da vida, aonde o carvão se faz diamante.

Desse modo, é na arte do tempo cicatrizar as feridas provocadas pelos látegos umbrálicos, ao fazer o sangue jorrar copiosamente nessa ferida que se embaralha sobre a derme, que se ilumina o reflexo fractal desse espelho, que é a vida das Fênix e dos Narcisos.

É no artesanato dessa vida, vivida na arte do bem viver, que a nova roupa do Rei poderia se fazer visível aos olhos dos que podem enxergar, quando finalmente, formos capazes de vestir a pele do outro, fazendo com que o diamante negro reflita a luz e as sombras de si mesmo, revelando os seus contrastes e harmonizando os paradoxos. Desse modo, os extremos se confraternizam ao se encontrarem nessa escadaria fractal da tabela periódica corporal, aonde, na matemática dos opostos; do masculino ao feminino; dois se transformam em um somente.