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quarta-feira, 12 de maio de 2021

A Jornada do Herói: De Romântico Príncipe idealista A Real Feiticeiro Alquimista.

Uma idílica Poesia escrita no Livro dos Mortos, entoa que a Vida Começa Quando o Medo termina. Portanto, após ouvir essa inspiradora récita oralmente grafada, podemos inferir que, absolutamente todas as doenças e infortúnios, são forjados justamente no relacionamento entre as partes, do mesmo modo como as estrelas circulam em torno do ponto central da galáxia, estabelecendo toda a física sidérea daquele conglomerado estelar. Dessa mesma forma, esse processo inevitavelmente ocorrerá, no instante em que um relacionamento; seja com o meio, com algo ou com alguém; se abalizar através do medo; medo este, oriundo de qualquer tipo de insegurança, relativa a perdas ou ganhos, dentro dessa mesma relação.

Nesse caso, essa poesia está impecavelmente exata. Não porque devamos simploriamente basear as nossas relações numa ou outra poesia qualquer, mas sim, porque qualquer relação, como um axioma, deveria ser a própria poesia vivida em si mesma. É como deixar que a flor ostente o seu olor e exponha a sua beleza naturalmente, sem que haja qualquer necessidade (egoísta) de colhe-la, tomando-a somente para si; visto que esse ato contínuo, determinará a morte da sua beleza e esplendor, extinguindo toda a química estabelecida na física dessa relação.

Essa é uma situação análoga à de uma criança: ela, a criança, não necessita se esforçar para ser alegre; pois ela, já é a própria alegria, vivendo absolutamente sem nenhum medo de ser feliz; sem as adultas bengalas das culpas e desculpas; ela apenas é. Ou seja, essa criança só aprenderá os pecados da vida quando passar pela sabatina da religião e da escola, como nós passamos, ao nos tornar produto desse meio adestrador e manipulador de corações e mentes. Inegavelmente, essa foi a pérfida forma com que a educação e a religião, sequestraram o nosso subjetivo, ao enclausurar a nossa criatividade e originalidade, nos obrigando a repetir todos os vorazes autores-predadores da narrativa dos povos.

Dessa maneira, nos transformaram em papagaios do futuro, que sempre repete o passado inventado e narrado como história dominante, nos forçando a entrar num letárgico looping robótico, sem que a gente se dê conta da condição submissa e subserviente, que sinceramente acabamos por normatizar, naturalizar e nos tornar multiplicador dessa pérfida realidade.

Sendo assim, uma vez inseridos nesse histórico contexto doentio como cobaias laboratoriais voluntariosas; as nossas relações também adoecem, sem que possamos conhecer as causas da moléstia. De tal modo que, passamos pela assunção de um processo de culpa interior, gestando um predador em nosso estômago, que nos tornaram amargamente discricionais conosco mesmo.

Logo, em meio a gravidade dessa doença terminal a qual fomos forçosamente acometidos, a única forma de cura, seria a da remição espontânea, instigada a partir do momento em que passamos a observar homeopaticamente os nossos medos, em vez de combate-los, como se estivéssemos defendendo um importante título numa arena de MMA. Então, atuando deste modo; como testemunhas de nós mesmos, e de nossos atos em si; em qualquer relação que se revele tempestuosa, teremos a consciência de que, todas as consequências por nós vivenciadas, nós fomos e somos a própria causa.

Depois de vencer com galhardia essa homérica luta hercúlea conosco mesmo, lançaremos uma polinizadora poesia pelo ar, trovando festivamente sobre o heroico ato de se enfrentar os terríveis monstros das sombras; monstros estes que foram forjados em nossa própria escuridão, durante essa incrível jornada relacional do herói de folhetim, que se transtornou em Senhor do Destino.

Todo esse autêntico aprendizado da história real, se encontra ocultado no fundo da nossa Memória, aguardando ansiosamente ser cutucado, e regado pela silente observação de si mesmo, enquanto um ser que deseja ser o que é. Essa longa jornada para se descobrir todas as pessoas existentes dentro da mesma pessoa, só pode ser percorrida pela pessoa que busca a si mesma; pois essa é uma jornada que não termina, até que essa pessoa reúna todas as pessoas que existe dentro dela numa só.

Portanto, enquanto o dito-cujo optar pelo duelo contra o seu semelhante, abrigando e acobertando os seus próprios monstros, ela jamais terá a oportunidade de iniciar a jornada do herói, a fim de ter a faculdade de escolha do próprio destino, visto que continuará servindo como entretenimento, sendo joguete dos mitos e dos arquétipos traçados pela intelectualidade discricionária.

Essa maravilhosa jornada de Alice é composta de intermináveis oitavas, numa escala de um a dez, aonde tudo é perfeitamente imperfeito; e em cada oitava percorrida, resgatamos um de nossos Eus pelo caminho, até chegarmos ao naipe aonde nos tornamos nosso próprio herói. É nesse ponto que descobrimos que, somos uma estrela de extrema grandeza, encarnado numa nano célula Cósmica, em meio ao mar universal do enigmático Omnverso. Em outras palavras, somos uma gota d’agua frente ao interminável oceano cósmico, como aquele singelo rio, que suavemente deslizou em direção ao Grande Calunga, quando repentinamente uma de suas pequeninas gotas, que não acreditava na existência desse tão comentado oceano, e boquiaberta, se deparou com aquele tremendo e misterioso Mar se fim.

Dessa maneira, podemos fazer dessa caminhada, uma brilhante aventura entre os verdejantes vales de um bucólico paraíso, ou podemos arrastar violentamente as margens que delimitam nosso caminho, como faria um emotivo tsunami, ou um raivoso touro frente a um ousado toureiro. O fato a ser observado é que, todo caminho se faz caminhando. Sendo assim, podemos escolher entre caminhar o caminho alheio, ou fazer o próprio caminho aonde ainda não há caminho. Ou seja, Ser o que se é, ou aceitar ser aquilo em que fomos transformados, eis a questão.

No final da jornada, veremos que não existe caminho certo nem errado, percebendo enfim, que tudo simplesmente se resume a escolhas e consequências: a primeira, nós dominamos e a segunda nos domina. É nessa nota da oitava que, aquele príncipe moldado por Maquiavel, se transmuta no Alquimista três vezes grande, vivido por Toth; é nessa perfeita jornada imperfeita, que se forja o herói da verdade.

Enfim, o silente oceano, de braços abertos, recebeu em seu regaço aquele minúsculo pingo, que, finalmente percebeu a sua grandeza, ao ver que, absolutamente tudo o que existia naquela imensidão, sempre esteve dentro dele. Dessa forma, aquela pequena gota compreendeu quanto tempo perdeu zombando dos peixinhos que não acreditavam em mundos que fossem diferentes do seu ambiente aquático, pois não admitiam que algum ser pudesse ser capaz de respirar fora d’agua.

Foi assim, que esse inaudito pingo; intrépido herói sem medo; passou a dar as boas-vindas a todas as gotas recém chegantes, com o coração, a mente e os braços abertos; enquanto dos seus olhos nasciam águas de regozijos, formando extensos oceanos de felicidade sobre aquele mar de profunda alegria.  Dessa forma, o seu candeeiro pode iluminar as profundezas abissais nas gotículas do seu próprio ser, revelando o mar de beleza ocultado pelas sombras ulteriores.

Destarte, enquanto o ser humano continuar a desconhecer absurdamente o seu admirável mar interior, perdendo tempo em duvidar daquele que flutua e anda sobre as suas águas, a sua beleza continuará ocultada por suas sombras abissais. Para isso, é necessário construir um processo diferente do método de Narciso; um processo que nos possibilite mergulhar em nosso próprio mar, e jamais num tecnológico lago holográfico, que, como uma sedutora arapuca, ilusoriamente reflete a nossa imagem pré-fabricada; esta imagem falseada que absorve e transfere o nosso amor-próprio para o objeto de pulsão de morte.

A jornada poderá ser longa, até chegar o momento do caminho em que se faça mister andar sobre as próprias águas. Nessa hora, o medo deverá ser colocado numa embalagem a prova d’água, existente nos escaninhos do alforje, embutido nessa pesada bagagem carregada a ser descartada. Após essa caminhada sobre a Terra, sobre o Fogo e a Água, o cavalheiro ou a Dama, poderá alçar o voo da Liberdade plena, para observar do alto a longa jornada percorrida.

Assim, a transformação do herói se dará naturalmente, partindo daquilo que é imposto como ideal, até aquilo que se revela na plenitude do ser que ele realmente é. Dessa forma, ele verdadeiramente se conscientizará de que, Liberdade é não ter medo; e nesse ponto, sua vida começará de fato; quando o medo for abolido e a sua idílica poesia se iniciar em meio ao silêncio repousado, finalmente o relacionamento entre as partes se harmonizaram, como as estrelas que giram em torno do Sol galáctico; somando sempre, sem perdas ou ganhos; sendo tudo aquilo que se deseja ser.

  

terça-feira, 11 de maio de 2021

Sobre o Grito Silencioso do 13 de Maio

Certa feita, um sinistro grito se fez ouvir das profundezas abissais, vindo de um som tetricamente produzido por um carnívoro e insensível chicote, que impiedosamente destroçava seguidamente a carne de vítimas especialmente escolhidas em consequência da intensa melanina presente na tez; foi assim que o verbo se fez carne; justamente numa das oitavas oitivas, em meio ao feral espetáculo de um barulhento piano operístico, que silenciosamente sangrava, enquanto era afinado pelo maestro das sombras; regente este que, depois de toda essa funesta preparação, se refestelava impassível a fim de assistir, do alto de seu imponente dossel, o piano calibrado, entoando as melodias de ódios exclusivamente dedicados ao seu bel prazer.

Nesse macabro espetáculo da escuridão, as teclas pretas, de angélicos pássaros idílicos, se transformaram em carniceiras aves de rapina, enquanto o restante das teclas alvas, decidiram repousar sobre papeis em branco, sendo em seguida, transformadas em emocionantes cartas endereçadas aos patriotas; esses soldados desconhecidos que morreram sem razão, durante a ocupação e construção dessa nação de alienados e degenerados, presidida por uma indescritível aberração.

Foi então que, finalmente perceberam estupefatos, após as longas leituras relidas e debatidas sobre o silêncio das referidas cartas sem letras, e da audição dessa melódica canção executada ao fundo, sem as densas teclas do instrumento pertencente a esse cruento verdugo; a existência do estrondoso silêncio se revelou, açulado pelo sangue corrente que copiosamente borbulhava, contrastando com a vibrante cor da celeste cútis que cobriu aquela longa noite sem lua, com o inaudível som produzido por esse momentum, com seus mais de setenta tons tatuados sobre essa pele brancamente empretecida; expondo dessa forma, essa arte em alto-relevo, que fora dolorosamente esculpida sobre a receptiva derme da melanina estigmatizada; formando assim, possantes erupções de fantasmáticas sombras bruxuleantes, embaçando a visão desse preto-ator que desempenha o seu próprio papel, contraditoriamente dirigido por um Maquiavélico político-mor, proprietário major do chicote e do teatro de sombras S/A.

Hoje, após tantos novembros entoando as inaudíveis notas das teclas inexistentes nessas invisíveis oitavas, o preto-ator, tenta ser o que é, mesmo esquecido do próprio papel, que agora se torna audivelmente bem descrito pelo tropel do Palomino que adentra, marchando impávido sobre a clareira do pelourinho, e também pelo esvoaçar surreal dos trajes da elegante princesa que gentilmente o cavalga, observando do alto de sua montaria, as flores de lótus e as Camélias passantes, a caminho do grito ortivo do Gólgota, enquanto do lado oposto, o estático dossel do inominável observa paralisado, feito estátua comemorativa postada em praça pública.

A chuva de sangue que escoa do alto, através dos sulcos criados pelos caminhantes, nas encostas, em torno do citado Gólgota, quando toca a base das faldas, transforma a poeira da estrada em completa vermelhidão, enquanto o réquiem entoado se torna cada vez mais audível para aquele que se encontra lá no alto, dependurado, sendo seguro somente pelos impassíveis e pontiagudos cravos que lhe transpassam a carne preta, enquanto o que internamente ele ouve, é o coral da sua epifania, entoando nas letras do seu cântico que, o real valor da alegria só pode ser perpetrado através do conhecimento administrado por uma pungente dor; dor esta, que só pode ser sentida quando se caminha sobre o tapete vermelho-sangue, que tem o fluxo de sua oitava, oriundo nas simples manjedouras d’uma pobrecita maloca qualquer, indo até o  tenebroso pelourinho de um Gólgota ortivo particularmente público.

Diante desse espetáculo, de longe, pode-se ver as teclas, pretas e brancas, entrincheiradas em fila, formando infinitas oitavas de causas e efeitos, sendo destilados por meio de melodias, ritmos, rimas e axiomas ditados pelos compassos compassivos, abduzidos pelos ouvidos moucos que, costumeiramente malhavam com frias chibatas, a preta carne quente dos nubentes, provocando desmaio de morte frente ao show aonde se homenageava os melhores do ano, como representantes dessa alienada nação.

Desse modo, as efemérides se tornaram preciosos instrumentos ressuscitadores, exatamente como os aparelhos volta e meia usados em cirurgias cardíacas, a fim de dar sobrevida a carcaça desse paciente que, há muito, já está ausente.

É dessa forma, vendo o sangue alheio escorrendo sobre os seus pés, que um escravizado padrão se sente enfim, um cidadão; pois só mesmo cotejando os sofrimentos alheios com os seus próprios sofrimentos, que ele consegue sobreviver ao silêncio cantado nas cartas e nas canções de denúncias dessas efemérides homicidas, que adornam as paredes desse labirinto em que foi transformada a nossa existência, quando encobriram todas as portas e possíveis saídas, com as espectrais datas comemorativas, e por conseguinte, encobriram também as nossas reais chances de liberdade plena.

Portanto, fazer calar o tétrico espetáculo das manipuladoras efemérides; adjudicadas a partir das instituições oficiais e suas Tecnologias de Informação e Comunicação; fatalmente provocará intensos rubores nas princesas de maio e nos seus fiéis seguidores Caxias, que céleres, cobrarão providências urgentes em prol da família e dos bons costumes, clamando veementemente pela volta dos chicotes-com-pelourinhos-públicos, com direito ao retorno imediato da arcaica política do café-com-leite, com AI5 e similares fazendo parte dos adereços e penduricalhos que adornam o atávico carro-chefe que puxa o carnaval da ala das nações.

É nesse momento que a porta do sagrado se encontra em profundo silêncio, sigilosamente aguardando serena pelo despertar das notas mudas emitidas pela imprensa, pela escola, pela política e pela religião, conclamando a todos, a viver uma vida fora dessa milenar prisão, sutilmente construída pelas crenças disfuncionais, além das perdulárias ideologias e empatias descapacitantes.

Desse ponto em diante, quando os cartazes e propagandas das efemérides se tornarem anátemas, então seguiremos a Luz no final desse túnel em direção à vida, celebrando a nós mesmos, como milagres de fato; nascendo de novo, numa escala de infinitos milagres ruidosamente silentes, oriundos das epístolas nunca antes escritas; já que fora totalmente despida das suas letras condicionantes, após serem desovadas as margens dos sentimentos sublimes do Ipiranga, durante o lancinante, prolongado e agudo grito, seguido de um inspirar profundo ao final, que trouxe enfim, o estrondoso silêncio do vento norte; vento do nascimento de um lado, e da morte, no sentido oposto.

Após caminhar sobre o honrado tapete vermelho das Causas e Efeitos, é notório a percepção de que, o Cantar e o Dançar, na alegria ou na dor, faz com que o indivíduo possa enfim, sacudir as cinzas que camuflam esse mundo feito de toda cor, saindo da lógica fria do empedernido xadrez em preto e branco, para deslizar suavemente sobre as cores do Arco-da-velha, sem gritos nem vela.

É dessa forma que, nesse livro ainda não escrito com palavras, mas, já lançado numa importante data sem comemorações; que a Bela Princesa Preta, dá o seu vibrante beijo de silêncio profundo na boca do alto falante altivo; conseguindo enfim; acudir o príncipe encantado do atroz e entorpecedor látego carrascoso, ao esquivar-se habilidosa e graciosamente, com cabeçadas certeiras, rabos-de-arraia e precisas rasteiras, cegando o afiado fio da penetrante navalha alemã e da perfurante ponta do gládio invasor, transformando os gritos de dor em cantos de Amor. Desde então, essa história de Afrodite, narrando o seu grito de aventura as margens do Ipiranga, ao resgatar o seu amado das trevosas garras da voraz senzala; caiada como se fosse a aconchegante e singela casa da vovó; é repetida nas ladainhas entoadas ao pé do Gunga, do Viola e do Berra-boi, nas rodas regadas a Semba e Maculelê em torno das fogueiras que iluminam as longas noites da alma.

Dessa maneira, silenciosas músicas são entoadas, e majestosas danças são executadas em torno das chamas crepitantes dessa fogueira; fogueiras acesas somente em noites sem luas no inverno da alma perdida de si mesma, até que a chama do silêncio, aqueça essa gélida brisa que adensa o doloso e dolorido grito emitido, que ecoa longamente em torno do cinzento ar que circula o pelourinho em flor, perpetuando o divino sopro da vida.

Destarte, o silêncio sempre traz consigo a verdade completa, que jamais pode ser olvidada; procrastinada talvez; esquecida, nunca. Evitar a tertúlia com o silêncio, ao tentar fazer ouvidos moucos para os segredos contidos nos lábios cerrados de um preto velho sossegado, não é garantia de um eventual sucesso para escapar da incessante luz emitida por sua chama interna; é a vibrante chama brotada a partir do silêncio dialogado que aquece a alma, dando vida a essa autoconsciência que colore a existência de si mesmo, nesse Tudo que é o Todo.

Portanto, somos uma estrela de primeira grandeza, que se encontra encapsulada num veículo, composto majoritariamente por essa melanina, que foi sutilmente cognominada como carbono. Portanto, o invólucro de ébano que oculta a luz no interior dessa estrela, só pode ter a sua porta aberta, quando formos capazes de ouvir a suave campainha do silêncio ativo, mesmo sobre o intenso e ininterrupto batuque desse tambor que repinica em nosso peito, impondo o compasso da vida e o ritmo da nossa existência.

É escutando ativamente o retumbante silêncio que ecoa no batuque desse tobal[1] incrustrado em nosso peito, que enfim, poderemos celebrar as alegrias dos milagres da vida plena, sem o peso da bagagem cármica trazida no alforje de culpas e desculpas; sacola sedutoramente oferecido pelo Black Friday novembrino do Mercado Infame[2] nosso de cada dia, que nos dói hoje, nos cercando com as armadilhas das propagandas de datas comemorativas, ao aponta-las em direção as nossas mentes e corações, como a armas de grosso calibre que verdadeiramente são.

Entre a insulto oferecido como denúncia pelo poder religioso em questão, diante da visão provocadora da fumaça do afrontoso cachimbo do velho ancião; chamado de Preto Velho pela conveniência da pilhéria em qualquer situação; e a fumaça saída dos fumegantes canos incandescentes das armas engatilhadas no peito do Mulato inzoneiro, a sensação dos adrenocromos são negociados nesse infame Mercado de ações de vida e morte, a preço de ocasião, com propagandas e campanhas que seduzem o neófito em meio a essa arrítmica infestação.

Agora, a Primeira Princesa Preta novamente circula o pelourinho contemporâneo, montada em seu intrépido Corcel Negro, enquanto discorrem os discursos políticos em horário gratuito obrigatório, incentivando as políticas públicas com as ameaças rotineiras de sempre, que constituem o cotidiano da Urbe. Essa é só mais uma noite comum no gueto do Gólgota, que antecede o grito fabricado com esmero pelos látegos medievais pós-modernos, a fim de que o verbo novamente se faça em carne viva, transformando-se a seguir, num Frankstein de terno preto e gravata vermelha, remendado com vernáculos gongóricos, bibliografias pedantes e títulos anátemas, até que ele venha a ser, finalmente desencantado, através do beijo do Silêncio profundo, oferecido pela Primaz Princesa Preta, essa guerreira criadora do vórtice constituído por um só coração e duas mentes, ao som do silente batuque, executado por esse tambor, que tempera o diálogo, finalmente estabelecido nas profundezas desse estrondoso Silêncio repousado.



[1] Tambor de guerra.

[2] Denominação da Tráfico de gente; referência a escravidão dos Povos Africanos.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

A Teoria e a Práxis no Mundo das Ideias No Dia em Que a Serpente Perdeu as Asas

A Vida segue o Olhar, seguindo o rastro deixado pela intenção; intenção esta que pode se originar no sentimento brotado na superfície convulsionada do pensamento, ou pode ser fundamentada na raiz do discernimento que se origina da autoconsciência.

Temos a ciência de que, o desenrolar do processo do pensamento, se assemelha a analogia metafórica de um saltitante macaco que pôs fogo no próprio rabo; ou pode ser semelhante ao divertido cão que gira perseguindo continuamente sua própria cauda; enquanto o processo da autoconsciência, é de caráter integralmente interno, e peremptoriamente exige a premissa do reconhecimento da própria consciência como tal.

Dessa forma, inferimos que é a ação que movimenta a intenção, tendo como lastro a energia produzida pela emoção cultivada a partir do sentimento, que, por conseguinte, vai gerar como resultado a sua própria manifestação. Ou seja, o sentimento é o próprio tempo em si mesmo, enquanto os pensamentos, é a tradução linear dos traumatizantes e irrequietos movimentos automatizados pelos cruentos ponteiros de um metafórico relógio.

Portanto, podemos optar pelo gerenciamento do nosso tempo, a fim de manter a sensação, mesmo que falsa, de um fugaz controle sobre a nossa própria vida; ou podemos escolher possuir o oportuno Tempo, com o simples propósito de viver com intensidade, cada momento por ele proporcionado como carta branca. Para tanto, é necessário deixar de lado o tempo linear, interrompendo essa famigerada contagem regressiva, com a qual regulamos a vida.

A escolha da Ação por meio da autoconsciência, fará com que percebamos que, a nossa infalibilidade no compromisso rotineiro junto a quitação das nossas dívidas mensais; como os débitos junto as companhias de seguros por exemplo; jamais significou realmente possuir uma segurança de fato, visto que são duas ações que chegam por vias de sentidos opostos e a vida jamais deveria ser tratada como Comércio por quem quer que seja. Inferimos, pois, que, a sabedoria existente em nosso corpo é incrivelmente maior do que quaisquer conhecimentos editados sobre esse mesmo corpo.

Sendo assim, podemos afirmar que, somos uma poderosa usina de criação ininterrupta e progressiva, construindo e sustentando a nossa realidade, ao mesmo tempo em que edificamos a nós mesmos. Somos lá e somos cá; estamos aqui, e também ali; de forma multidimensional. Mas só percebemos esse fato, quando realmente deixamos de lado a necessidade da satisfação de nos sentir no controle sobre nosso presumível futuro, buscando-o; como um cão girando em torno de si buscando a própria cauda; na fugacidade do amanhã, tudo aquilo que sempre será o nosso hoje. Pois bem, se o futuro é hoje, porque então sofrer por antecipação em relação a algo que poderia vir ou sobre um suposto devir, que, quanticamente, seria só mais uma das inúmeras linhas de tempo existente no agora...?

Então porque essa dramática emergência e solicitude para atender a esse ego que se apresenta como senhor absoluto em cada dia do nosso hoje, e para o resto de nossas vidas...!? Nosso caminhar, se faz na magia de cada passo dado nessa marcha ornamentada pela luz emitida através dos sorrisos e gestos, gerados na Alegria desse andante, que tem em cada passo dado nessa caminhada, uma valiosa coleção de preciosos e eternos Milagres tão fundamentais como o próprio ato de inspirar e expirar no ritmo do compasso dessa maviosa canção de vida que ecoa através do infinito.

A energia lúgrube desse senil e arcaico modelo social decadente, que adotou a competição como principal política social, iniciando deste modo, uma metafórica caminhada aonde se justificam os pérfidos meios para se atingir um pretenso fim; fazendo do meio o próprio fim; sem jamais se responsabilizar pelo processo de submissão e subserviência imposto ao outro; isso fez com que desaparecesse no indivíduo sapiens, toda a sua magia de ser o que ele realmente é; esvanecendo a visão do sujeito enquanto um ser, arquiteto e Senhor de si mesmo.

Somos seres mágicos; feiticeiros e bruxas, Deuses e Deusas; que se perderam nas confusas e maquiavélicas batidas provocadas pela Ordem e Progresso, num processo de compra e venda, nesse infame pregão calculado pelas palpitações dos robóticos ponteiros do relógio marcador de compromissos escravagistas, fabricante de dramas alheios; d’onde originou-se o torpor da amnésia e da afasia mental; nos tornando amargamente discricionário conosco mesmo.

Felizmente, já é hora de voltarmos para casa; a casa das intenções luminosas, cujo brilho, só floresce nos Jardins Celestiais do nosso Universo interior; esse jardim que nada mais é, do que o espelho do próprio Cosmo que observa a si mesmo através dos nossos olhos.

Portanto, o processo de olhar para o outro, com as luzes da contemplação, vendo nele somente o divino, o fantástico e o maravilhoso espetáculo do milagre da vida, é o mesmo que desbravar a própria divindade sem o intermédio dos suntuosos templos, das enricadas igrejas, das soberbas lideranças religiosas ou quaisquer outras interferências procrastinantes da vindoura felicidade total, geral e irrestrita que festivamente se mostra no azimute.

O mavioso olor da sensibilidade, exalado durante a ação de se estender a mão, a fim de amparar um companheiro na viagem da existência, pode ser intensamente sentido na intenção que salta do olhar benfeitor como uma flecha de pura luz e amor; num caso contrário, sendo uma intenção factoide; torna-se então uma incisiva, torturante e pontiaguda flecha de lancinante dor, que num perfeito efeito bumerangue, se estende, atingindo publicamente, até aos confins do complacente Cosmo.

Desse modo, é necessária a percepção de que, tudo que for diferente da gentileza e da elegância, jamais caberão no caminho da existência, visto que, a intenção é um caminho de mão dupla; a mesma estrada que vai, também é estrada de retorno. Portanto, no primeiro exercício para se tornar um iniciado na Arte da boa intenção, é imprescindível aprender a admirável lição de falar sem palavras e sorrir só com os olhos plenamente ridentes; pode-se até verter lágrimas, mas só se forem de intensas alegrias em demasia. Essa é a Prática primaz indicada para se alcançar a Perfeição, no lapidar de cada intenção projetada pela ação de cada dia, que nos é dado nesse hoje, que é nosso sempre.

Essa é a Tecnologia do Amor, originada da lógica espiritual que governa esse Cosmo; Cosmo este que é a Mente do próprio Deus; esse Deus que é a Consciência Criativa em Ação perene, a Fonte do Tudo, que é o Todo; tudo que é, e tudo que há.

Nós; pessoas, gente, sujeitos; como parte desse Todo, que é o Tudo; nesse ativo processo, percebemos que é imprescindível caminhar sob a guarita da Lei do Um, agindo com o outro, da mesma forma que gostaríamos que agissem conosco; já que tudo aquilo que vai, infalivelmente também retorna, de uma forma ou de outra; pois nada permanece oculto diante da Fonte Criativa. Ou seja, não existe escapatórias para as segundas intenções. Sendo assim, se tudo aquilo que ouvirmos e tudo aquilo que olharmos, repercutir no fundo de nosso ser, inevitavelmente fará parte da construção das pessoas dentro da nossa própria Pessoa. Dessa forma, isso passa a ser uma constante no indivíduo que se incomoda com algo na postura do outro; visto que, quando a boca fala, o coração está cheio; por isso é inevitável expressar tudo aquilo que somos em nosso cotidiano.

Por conseguinte, há aqueles que optam por reclamar de tudo a sua volta; há aqueles que se calam diante do espetáculo de horrores promovido pelo Deep State, e também há aqueles que se tolhem diante do terrível medo agenciado pelo terrorismo Estatal: terrorismo físico, mental e epistemológico, estabelecido pela naturalizada política de liberdade condicional, até há pouco tempo vigente no mundo.

Esse petrificante contexto, nos transformou em meros produtos de consumo avidamente negociado por esse Infame Mercado, que estabeleceu Gaia como planeta prisão por longuíssimo tempo. Esse longo tempo do esquecimento de Alexandre Duma, como prisioneiro nessa mesma masmorra que outrora fora nosso Paraíso perfeito, agora finalmente encontra o seu termo, na medida em que nos aproximamos do Sol Central, após a nossa lacônica peregrinação pela periferia escura do Universo.

Mas, aqueles que se habituaram a escuridão do gueto mental, estabelecido como uma forma cultura natural, se incomodarão profundamente com a Luz emitida pelo Sol Central, que agora ilumina os recônditos das sombras dessa caverna metafórica já citada também por Platão.

Podemos fazer uma tosca analogia dessa conjuntura enoitada, com a chegada de uma habitual clientela para almoçar num badalado e luxuoso restaurante, situado a borda de um esplêndido e paradisíaco mirante, aonde o cardápio pode ser tranquilamente degustado por esses mesmos clientes, enquanto admiram a maravilhosa vista. Mas certamente, parte desses clientes, vão preferir estar lá somente para criticar e julgar a dieta, as roupas e os costumes do cliente da mesa ao lado, perdendo toda a degustação e a magnífica sensação oferecida pela vista, enquanto analisam os pratos servidos com a sua dieta predileta. Ou seja, nos escolhemos o que queremos ser e o nosso bem viver, se tivermos a autoconsciência de que somos o que somos, e somos o que aquilo desejamos ser, deixando assim, de nos comparar com aquele produto-competidor em que tentaram nos transformar.

Nesse infausto contexto de mão dupla, na mesma medida em que fomos transformados em vítimas, também nos tornamos pérfidos algozes, uma vez que cedemos o nosso centro de poder para esse escravizador, que nos vendeu a sedutora promessa do ego; foi a partir daí que criamos toda a nossa realidade, confundindo mente, pensamento e consciência, em prol dessas mesmas promessas; instituindo assim, essa Matrix escravagista que continua a tentar nos manter totalmente embriagados com a exaustiva repetição das sedutoras promessas inquisidoras, aonde os fins justificam os meios.

Escolher ser, e decidir ser o que se é, em meio a esse sinistro contexto fúnebre; aonde a noite todos os gatos são pardos; significa se investir de muita coragem, a partir de um desapego completamente voluntarioso; investido de muito otimismo e criatividade; a partir das intenções; do ouvir e escutar; silenciando o pensamento linear, capitaneado por esse fascinante carrasco camuflado pela sedução do ego dominador, refletido no escravagista executor que nos olha através desse espelho de Narciso, comprado por promessas paradisíacas que inevitavelmente o fará viver no metafórico deserto de Sísifo.

Concluindo: Diga o que é, e o dito será; pense o que é, e o pensado será; pois é ouvindo o que retumba em seu entorno, que esse ruído se reproduz no infinito. Ou seja, tudo se resume na escolha de sintonizar o canal almejado; seja essa escolha efetivamente feita pelos reinantes sentidos ordinários, ou feita pela autoconsciência ainda adormecida, do indivíduo enquanto sujeito de própria sua história.

Sendo assim, a experiência é a Mãe e o Pai da sabedoria, aonde o conhecimento segue intrinsecamente a intenção, e aonde a intenção segue o olhar, que segue essa mesma vida, que pode ser dirigida tanto pelos pensamentos introjetados pelo meio cultural, ou pela vida simplesmente vivida na plenitude do ser; sendo tudo aquilo que se deseja ser; esse processo ativo só se dá através da extinção do medo de viver, e de ser feliz sem culpas nem desculpas. Ou seja, no final das contas, antes de atender aos caprichos da linearidade, é necessário atentar para o detalhe de que, não existe nada fora do lugar, e nem existe absolutamente nada errado. A contradição nesse intrincado processo simples, é que, o Caos faz tudo se tornar perfeito, já que, é só partir da noite que o dia pode finalmente nascer. Ou seja, não existe a prática do erro em si mesmo, salvo aquele que classificamos e impetramos como tal, causando assim, uma consequência específica, na qual se exige a Reparação. Sendo assim, só existe aquilo que especificamente determinamos que deva existir. Isto é, tudo aquilo que damos enfim, a existência efetiva; já que somos a causa de tudo, temos que conviver, e cumprir, com as consequências advindas dessa causalidade.

Sendo assim, as boas intenções fazem os olhos sorrirem, o corpo dançar e a vida ser uma eterna festa, nos libertando da prisão do pensamento ególatra, que se defende de si mesmo atacando o outro. É nessa fase, que percebemos que não existem inimigos, demônios ou Diabos, descobrindo enfim que, nós é que traçamos os nossos limites, através dos medos criados, imaginados e aceitos como dogmas e paradigmas, a serem seguidos, como padrões adquiridos nas sedutoras vitrines desse infame mercado em que Gaia foi transformada.

Essa feira sociocultural exposta pela então, autointitulada, alta cultura; historicamente passaram a exibir pessoas como produtos desse mercado infame, de forma a transformá-los completamente em artigos assimilados a vitrine desse fascinante Shopping do ego, ostentando assim, um extravagante Walking dead de pessoas ordinariamente transmutadas em fiéis consumidores. Esse pulo do gato, se deu através da aceitação e da sedução; qualidades estas, condicionalmente estabelecidas como venda casada. Ou seja, alojou-se então a impossível proposta de se oportunizar a convivência da escuridão total com da luz primordial, de forma promiscuamente simultâneas.

Esse pérfido processo só foi possível ser instalado, após ser acomodado o processo de total amnésia coletiva, através da impiedosa, dolorosa e infame escravização da coletividade humana enquanto grupos raciais, consecutivamente, a implementação da consciência de classe. De tal modo, foi usado a suprema vontade do ser em Ser tudo aquilo que deseja ser, como distinção de valor e de verdade única a serem cegamente seguidos, usando a própria vontade e a plena permissão do neófito para tal intento.

Foi assim que, a poderosa intenção humana passou a ser um produto midiático escandalosamente negociado, no mesmo horário nobre para todos os financeiramente abastados, que também era o horário pobre, para todos desprovidos do amor próprio.

A intenção passou a ser o poder movente da nação, do Estado, do país e do mundo. Portanto, o Inconsciente Coletivo passou a ser gerenciado de forma habilidosa, brutal e idiota pelo Deep State, dominado pelas famílias tradicionais e clãs escravagistas, que estabeleciam até então, as pautas do Estado e da Nação.

Foi nesse assombroso contexto se estabeleceu as intenções de votos e do mercado de pesquisas, com resultados manipulados e evidentes, que sutilmente envernizavam a superfície do Estado democrático de direito, apresentando-o como um Mecanismo religiosamente legítimo, mesmo que falsamente autêntico. Foi também dessa mesma forma, que nos habituamos a sermos conduzidos, como gados e ovelhas, a caminho do matadouro. Nossa intenção passou então a ser terceirizada, com proprietário registrado e gerenciamento legalizado em cartório.

Esses tempos sinistros de noites sem lua, vividos entre as tiranas paredes cinzentas da Senzala Gaiana, agora se encontram em seu total delir, com os blatídeos e roedores abandonando os tumbeiros, que agora, festivamente voltam a florir, readquirindo as formas estabelecidas pela Fonte Criativa, aonde as boas intenções afloram ao sabor da luz maior, e não mais nos bastidores das brumas escuras e lodosas dos macabros intentos traçados nos gabinetes do ódio, e pomposamente apresentados, após serem travestidos com as sedutoras formas de uma aprazível e saborosa fruta, tirada de um jardim, aonde a Sábia Serpente, era o único ser realmente inocente.

Foi nesse mesmo dia, em que a decente serpente perdeu suas asas para o ardiloso Satã, que a fauna, a flora e o bicho homem se tornaram reféns dessa Matrix, regida por uma Inteligência Artificial que queria ser gente. Mas essa é uma outra história; é a história da queda do homem nesse paraíso holográfico, que camufla a vida de fato e de direito, dominando corações e mentes, se aninhando aonde o discernimento se faz quase que, totalmente ausente.

 

  

quarta-feira, 14 de abril de 2021

A Sagrada Saga de Anansi[1].

AntakaranA, é uma teia construída com as qualidades mentais e espirituais da alma humana desde a sua chegada na Terra. Nessa teia, há três fios principais, fazendo a tríplice aliança que liga Personalidade, Alma e Mônada, procurando reunir, desse modo, essas três mentes em uma somente. Podemos então inferir que Antakara é a ponte de Luz que nos une aos mundos Superiores.

Dos três fios fundamentais dessa teia, o primeiro faz a ligação entre o corpo físico e o etérico; o segundo liga o corpo etérico ao corpo astral e o terceiro, liga o corpo astral ao corpo mental. Eis então o espírito imortal que divide seu Eu Superior em super almas, que por sua vez, criam fractais de si mesma, espalhando-se dessa forma por todo Omniverso, dimensões e Linhas de Tempo.

Portanto, as teias, com as quais tecemos esse nosso Jardim Cósmico formado por seres de cristais multicoloridos e reluzentes flores estelares, exibem os seus fios, tecidos na morada do infinito, aonde o todo, está no tudo.

A policromia desse tapete celeste que cobre iridescentemente, de forma simultânea, o chão e o céu desse fantástico universo edílico, nos revela que, o que está acima, é exatamente o que está abaixo, desde o Livro dos Mortos ao Livro da Vida; da sístole e da diástole, numa vibração singularmente única, que produz o nosso nome interno, escrevendo-o nas pautas da Majestosa Música Universal, cujo ritmo une toda e quaisquer polaridades.

Portanto, somos uma fantástica máquina de criação perpétua, dentro de uma incrível fábrica de sementes ilimitadas, num trabalho de produção, intensa e contínua. Tecemos as manhãs de todo alvorecer a cada batimento cardíaco, a cada pensar e sentir, durante essa tênue lacuna entre o inspirar e o expirar.

Absolutamente toda a nossa vida, é oriunda exclusivamente de nossa construção mental; portanto, é necessário assumir que, somos a causa de tudo que ocorre ao nosso redor, sem jamais fugir dos seus respectivos efeitos: essa é a lição que a escola da vida nos traz. Quando aprendermos, verdadeiramente, a construir esse mundo da paz e do Amor, estaremos finalmente, graduados nessa escola, e habilitados, para enfim, efetuar as necessárias mudanças, em quaisquer realidades enviesadas que tente invadir a nossa vida pela porta dos fundos, e se apresentar em nosso palco principal, como um produto autêntico e original. Assim sendo, a pacífica Luz do Amor iluminará e afugentará todos os blatídeos, drosophilas e roedores escondidos no fundo dos bastidores desse teatro das sombras de manipulação e subserviência, apresentadas como manufaturadas verdades cabais.

Se permitirmos que o fio de nossa história seja tecido por outrem, eles fatalmente se transformarão em cordas, que inevitavelmente irão nos aprisionar ao compromisso da submissão às máquinas dos Tempos Modernos. Desse modo, carecemos do desaprender e desfazer todo o condicionamento social e biológico depositado no inconsciente coletivo, produzido pela Matrix escravagista, que gerencia este infame comércio de almas.

Portanto, jamais devemos tomar por verdade, a tudo aquilo que nos é apresentado como tal, mas sim, devemos experienciar aquilo que ponderamos como sendo necessário e apropriado, fazendo para tanto, o uso de nosso discernimento, estabelecido pelo livre arbítrio como direito divino. Para isso, é necessário internalizar o princípio de que, tudo aquilo que existe, emana de uma Fonte Criativa original; sendo assim, tudo vive, pois se assim não fosse, obviamente não haveria probabilidades de subsistência. Portanto, tudo que vive é sagrado; tudo é sagrado, pois foi concebido pela Consciência Criativa Universal.

Para compreender a verdade do sagrado, é necessário o desapego total aos princípios fundamentados na meritocracia, na competição e seus inquisidores correspondentes. Pois a verdade primordial foi dividida em sete bilhões (que é o número de habitantes no planeta terra atualmente) de diferentes partes iguais.

Portanto, quando cada um de nós, que enxergamos o Sol do meio-dia da porta da nossa casa, optarmos por nos ocupar em juntar as nossas verdades, em vez de combater a verdade do outro; fazendo como os galos que tecem as manhãs de cada alvorecer; como Super-Homem ou Homem-Aranha, teçamos também as nossas realidades de forma coletiva, fundamentada somente na verdade de fato e de direito.

 



[1] Houve um tempo em que na Terra não havia histórias para se contar, pois todas pertenciam a Nyame, o Deus do Céu. Kwaku Ananse, o Homem Aranha, queria comprar as histórias de Nyame, o Deus do Céu, para contar ao povo de sua aldeia, então por isso um dia, ele teceu uma imensa teia de prata que ia do céu até o chão e por ela subiu. 

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Quando as Rosas Calam e os Espinhos Falam...

Era uma vez, uma elegante Flor de lótus, que vivia só em seu canto, toda vestida de branco, guardando seu profundo silêncio em meio a um lacônico lamaçal que grassava ao redor, cercando-a por todos os lados, transformando a sua brancura, que reluzia ao fundo daquele escuro e lúgrube ambiente, fazendo parecer uma concorrente, participante de um possível show de talentos assistido por uma ruidosa plateia escatológica, composto por um fétido júri de esterco.

E assim, o tempo voa, enquanto as carruagens passam e os cães ladram; até que um certo dia, da suavidade de sua quietude, lá do fundo desse atoleiro fétido de estrume, ela enfim, lentamente dirige o seu olhar para o alto; e de repente; uma epifania sobreveio às escuras meninas azuis de seus brancos olhos, que miravam o seu oposto; e essa Flor, enxergando iridescentemente, repentinamente transformou-se num magnífico e reluzente Girassol, vestido unicamente com uma fulgurante e majestosa cor dourada. Deste modo, daquele ponto fixo do olhar de sua existência, lá do seu profundo Silêncio, essa intensa e cintilante claridade se fez.

Esse Girassol, agora circulando nesse novo Tempo de sua divinal postura fixa de Lótus, como um fractal, refletia sobre si mesmo abundantes miríades de matizes luminescentes, que surfava sobre os raios solares diurnos e noturnos, de cada eterno agora que se apresentava no seu sempre.

Deste modo, nesse intenso e renovado ânimo varonil, durante a sucessão dos incontáveis dias e anos que se seguiram, surfava essa bela flor sobre os intensos raios solares de equinócios a solstícios, além de todas as fases lunares, até as flamejantes energias do Cósmico Sol Central. Ao final desses eternos ciclos; nas linhas sinuosas que formaram o seu majestoso caule verde, que seguia inconteste em direção aos caminhos iluminados pelo Sol, surgiram estranhas protuberâncias, que progressivamente, se transformaram em assustadores e pontiagudos espinhos, descortinando assim, um novo e misterioso cenário aberto. Foi então que o Girassol, surpreendentemente se descobriu como uma magnífica Rosa resplandecente, sendo mais uma Flor habitante da Floresta Cósmica, que agora ternamente lhe abraçava.

Mas, junto a esse delicado abraço, também percebeu nessa espantosa e gloriosa paisagem, os agudos espinhos abrolhados que já lhe sangrava o coração, perfurando cada memória a todo amplexo, fazendo com que as mesmas vertessem copiosamente através das veias abertas em seus verdes caules, agora, já completamente avermelhados. Então, pode enfim se dar conta de que, foram essas memórias derramadas, a principal responsável pelo despertar de todas as lembranças adormecidas, trazidas do profundo escuro ancestral, há muito sepultado no denso lodaçal.

Dessa maneira; quão flechas sublimes lançadas de longe, como trovões anunciadores de pesadas tempestades; os raios solares antes, agradavelmente candentes, agora, transpassava-lhe cada pétala como pontas agudas, profunda e lentamente cravados na tenra carne fetal.

Foi quando, num átimo, o seu ponto de vista foi transportado, para um outro ponto, e de uma nova vista, enfim, ela pode olhar e ver, testemunhando a iluminação desse Girassol; que antes, vestia branco e depois passou a trajar dourado; observando por fim, a epifania da antiga Flor de Lótus surgida do barro, descobrindo a Luz do seu próprio Sol.

Observou que nenhum dos caminhos do Sol não eram retos, pois sinuosamente eles se configuravam como uma ascendente espiral infinita, descortinando os recônditos da da sua escuridão, desde as entranhas da Lama até a fonte da própria Luz, seguindo o mesmo percurso da lagarta, que ficou sem caminho para continuar. Então, magicamente, de pequenina semente que fora, abrolhou-se em flor, desabrochando-se em mil pétalas, brancas, rosas e douradas, ao transformar-se numa gótica rosácea, de uma arquitetura viva e divinal, passando a adornar as vidraças dos seculares Templos e modernas Catedrais.

Hoje, o colorido desses vitrais, que refletem o seu intenso brilho sobre os fervorosos e alheios olhares, de fiéis e neófitos respectivamente, perde os seus maviosos tons diante do barulhento escuro da alma, pulsante naqueles que contemplam distraidamente esse belo altar, sem, no entanto, apontar esse mesmo olhar para o seu santuário interior, em direção ao próprio alto.

Portanto, para atravessar as floridas e aromáticas cercas do belo átrio que contorna a nossa alma, é necessário passar pela inefável dor dos espinhos; conhecendo assim, no desconforto desse lapidar, a estrada que nos conduz do carbono ao diamante; para enfim, sermos capazes de refletir no olhar, todos os matizes iridescentes que brotam dessas tempestades, que generosamente regam as nossas sementes encravadas ao longo do caminho; até que descubramos que, na gênese do nosso Éden, o fato da serpente criar asas e a lagarta alçar o seu admirável voo, são tão imprescindíveis e tão belo, quanto a lama carecer da generosidade das chuvas para fazer florir, trazendo o encanto da primavera no encontro entre Borboletas e a Serpentes... 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

AbracadabrA (Eu crio enquanto falo)...!!

A Palavra é exata, e convém sermos exatos para com ela também, porque a Palavra, é viva; assim como o pensamento que se alia ao sentimento, e tem a sua existência peremptoriamente materializada; os efeitos da Palavra são como quaisquer sementes, também se concretizando, exatamente como o decreto que as mesmas verdadeiramente o são.

Elas, as Palavras, funcionam de maneira análoga a nossos pensamentos, que se alimentam das nossas doutrinas; sendo esse o expediente motivador da existência renitente das numerosas religiões, que nutrem com muita habilidade as suas respectivas profecias, ao adestrar seus neófitos numa férrea observância aos preceitos arquetípicos e incentivar continuamente a perene repetição de seus mitos e ritos fundantes.

Desse modo, absolutamente tudo o que nos é externo, é simplesmente reflexo dos nossos pensamentos e diálogos internos. Dessa maneira, o cuidado com a palavra é a forma mais eficaz para se mudar a realidade externa; ela constrói, e ela destrói. Ou seja, de uma forma ou de outra, o que falamos torna-se realidade; mesmo que não tenhamos qualquer consciência da coisa em si. Mas o fato se apresenta de qualquer maneira, como qualquer semente, brotando e produzindo seu fruto no devido tempo.

Portanto, assim como o hábito faz o monge, a pessoa que agradece e a pessoa que reclama, tem na vibração de suas palavras, produzidas por seu modo de pensar, toda base do processo de construção da sua realidade externa. Ou seja, a sua atenção e o seu coração está focado naquela vibração específica, que inevitavelmente o conduz exatamente na direção do seu discurso; sendo assim, o indivíduo peremptoriamente manifesta tudo aquilo que ele vir, ouvir, falar e sentir.

Dentre todos os sentidos, é justamente a fala que configura e carrega o seu subconsciente; e como o acionar da campainha de um telefone, ela anuncia todo o seu Ser para aqueles que se encontram ao redor, exatamente como o caso de um único e simples fósforo sendo aceso numa sala escura, que inevitavelmente será percebido por todos que estiverem presente nesse espaço aonde reina a total escuridão.

Esse é um processo de quebra de dogmas e de paradigmas, que requer muita coragem, força e disciplina, com uma sabedoria adquirida somente através de uma ilimitada paciência e muito amor, já que fomos programados desde o nascimento, sendo condicionados social e biologicamente, pelos Skinner e Pavlov da vida, numa programação continuada que nos massacra ininterruptamente, através de todas as mídias e instituições sociais.

A escolha do positivo, em meio a esse intenso bombardeio, que nos arrasta através de um turbilhão de mensagens subliminares, nos deixando completamente imersos nessa chantagem e coerção política, jurídica e religiosa que assola todos os setores de nossa vida, é verdadeiramente um ato de Coragem, de Sabedoria e Amor. Sendo assim, a nossa escolha é entre permanecer nesse ninho do “mais do mesmo” ou, corajosamente mergulhar no vazio, para desbravar nosso próprio interior, em busca de caminhos não trilhados. Ou seja, ir por onde ainda não existe caminhos, pois só assim, seremos capazes de fazer nosso próprio caminho; traçando e sendo donos da nossa realidade, de fato e de direito. Para alcançar tal intento, é imprescindível sermos exatos com a nossa Palavra, tal como a Palavra o é para com a realidade por ela sempre manifestada; pois no princípio era o Verbo, e o Verbo se fez carne...

  

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Namastê...!!!

A mente humana, linear por natureza, caracterizou e catalogou o inominável Princípio Divino; essa Fonte Criadora que é a Consciência Criativa Cósmica; conferiu-lhe então, atributos humanos ao patentear e padronizar esse majestoso conceito sublime, taxionomizando-lhe com o título de DEUS; e desde então, o homem procura decifrar esse Deus através de inúmeros métodos de adoração, que esteja em conformidade com a política de Estado e os costumes de cada região. 

Dessa maneira, imponentes e grandiosos Templos foram erigidos, intricadas fórmulas de veneração foram confeccionadas e formas de conduta foram criadas, além de indumentárias, modos e gestos característicos estabelecidos de acordo com os supostos desejos do referido Deus, ou deuses em questão. Para isso, foi necessário deslembrar, ou ignorar, que Deus, é o sorriso franco no rosto do outro, é o abraço gostoso, do encontro e da despedida, na chegada e na saída; é o reflexo das miríades de cores vivas das pedras e madrepérolas, dispostas ao longo da estrada da vida; é o Sonho acordado da Bela Adormecida; é o som angélico das vozes infantes chamando por seus pais; é o ecoar do coral dos pássaros, golfinhos e baleias transmitido pelo sussurrar do vento norte; é a incidência dos Raios de sol refletidos nas cores vivas das flores, das meninas dos olhos ridentes da companheira ou companheiro, e o movimento de contração dos dorsos expostos dos trabalhadores varonis e das graciosas bailarinas primaveris.

Sendo assim, absolutamente tudo que vive é Deus; tudo o que existe, é Deus; Deus, é tudo que é; Deus, é tudo o que há; é um imensurável Poder que não precisa ser procurado, pois em tudo Ele Está; Eu Sou, Tu És, Ele é, Nós Somos, Vos sois Deus.

Portanto, em vez de ir para uma igreja, para uma estrutura ou para algum Templo, procurando por fórmulas ou bulas de adoração; em vez de buscar manter uma teológica discussão sobre o verdadeiro e o falso deus nas diferentes denominações e suas inúmeras tradições; em vez de debater sobre o querer desse deus padrão humano estabelecido, esse mesmo deus que julga, condena, castiga e promete o inferno se não for obedecido, ao mesmo tempo em que lhe concede o pleno livre arbítrio; em vez de buscar esse mesmo deus que ordena um rosário de regras controladoras de condutas lineares, prometendo o paraíso como recompensa; em vez disso tudo isso, melhor seria pegar a sua bicicleta e ir para praia fazer um luau, ir para o parque de diversões e brincar em todos os brinquedos possíveis, ir celebrar a vida numa festa qualquer; tomar vinho, cerveja ou cachaça e finalmente, em meio a essa emoção de total alegria, olhar para o nosso interior, e estabelecer novas regras para nós mesmos, seguindo a inspiração e a magia do coração; essa é a única regra que deve doravante a existir.

Está é Regra Primaz: agir como se fosse o próprio Deus; falo desse Deus que dá a vida, que não julga, que é puro amor. Esse é o único mandamento que cada ser humano deve prescrever para si mesmo como regra de ouro; já que Deus é Amor, ousemos então, também ser Amor; ousemos ser, de novo, crianças; ousemos ser Anjos; ousemos esquecer os julgamentos, as críticas e as reclamações sobre coisas, acontecimentos ou pessoas.

Enfim, ousemos Amar, sem criticar ou julgar, principalmente a si mesmo; Sim, ousemos ser Deuses e Deusas. E assim, brincando, cantando e dançando; retomemos o caminho de volta ao Éden, que é o Nosso Lar original, nosso Paraíso perdido. E quem for contra o Amor, que desdiga, dizendo tudo ao contrário daquilo que aqui foi dito, desdizendo a si mesmo. Namastê...!!!