Como diria o grande pensador
Bezerra da Silva, cadeia é
igual a baile: se não tiver lotada não tem lucro. Sendo assim, podemos
afirmar que cem corpos negros encarcerados ou
sepultados diuturnamente desde a colonização é lucro, assim como sem corpos negros encarcerados ou
sepultados pela decolonização é prejuízo irrecuperável para a indústria do
medo, produtora de armas, de polícias e dos gongóricos discursos em nome da
segurança; e isso certamente levaria a bancarrota as Multinacionais do Terrorismo
Democrático Estatal oficial
pós-moderno vigente.
Assim como o mercado religioso, e
também o mercado educacional representado pela academia que produz e reproduz
dissertações e teses que geram dividendos, status e diplomas de doutor ao
discorrer e denunciar esse processo colonial que produziu a nossa modernidade e
o padrão racial de sofrimento e de mortes nela contido.
Ironicamente esse mesmo padrão
racial que faculta o lugar de fala a esses doutores e mestres formados por essa
academia cínica e hipócrita que destila e arrota Grécia e Roma pelos poros
eufemelaninados da brancopofagia desvairada, fazendo com que o sangue de cem
corpos negro, encarcerado ou chacinado diuturnamente, possa colorir e redigir
cada diploma despachado, desde a América portuguesa
a até aquela rua da zona Sul da cidade do Rio de Janeiro que tem nome de
Princesa, e não é de Dandara, de Acotirene ou de Marieli Franco, e menos ainda
da professora Irene que mora nas quebradas do exílio negro,
Invisibilizada, a Dona Irene que semeia as sementes de tâmaras, enquanto a Polícia Militar orgulhosamente usa sua tradicional, bem ajustada e vistosa coleira, e ocasionalmente uma bela focinheira, desfila pelas ruas, de sete de setembro a vinte de novembro, e mesmo de farda e pele preta, mostram seus caninos brancos ao povo negro supliciado pela inquisição racista, fascista e misógina.
Invisibilizada, a Dona Irene que semeia as sementes de tâmaras, enquanto a Polícia Militar orgulhosamente usa sua tradicional, bem ajustada e vistosa coleira, e ocasionalmente uma bela focinheira, desfila pelas ruas, de sete de setembro a vinte de novembro, e mesmo de farda e pele preta, mostram seus caninos brancos ao povo negro supliciado pela inquisição racista, fascista e misógina.
Eis porque os diplomas e
certificados banhados a sangue e suor, fazem a festa justamente onde os
tambores laicos dos evangélicos negros fazem soar seu eco; nas encruzilhadas da
madrugada onde deuses e Exus, Ethos e Natureza se reúnem para observar as desditas ditadas por
palavras mal ditas, grafadas nos livros da santa igreja romana, fundadora da
civilização brancopofágica egocentrista mundial. A única coisa que esta
civilização inventou foi a egolatria, visto que todo o saber existente, ganhou
um padrão racial grego e um fundador como proprietário desse saber surrupiado.
Desde então, todo o conhecimento
posto em livros de histórias e livros didáticos, como fonte monopolizadora e
detentora desse saber patenteado e embranquecido, tem sido a matéria que
recheia as teses de descolonização, sem, no entanto, propor qualquer contra-narrativa que venha desestabilizar o status quo que
mantém e sustenta o próprio lugar desse discurso proferido. Esse seria um
exercício paradoxal, fundamentado por um processo digressivo que o lugar de
fala da descolonização não contempla.
É preciso coragem para se
desvencilhar dessa grande invenção brancopofágica que é o ego. Esse ego que
julga, policia e executa do lugar onde pisa, pois os inventores da sabedoria
sempre foram entes sem nomes. Portanto, o conhecimento não deve ser objeto de
comércio, nem a cognição um instrumento de hierarquia vertical. Quem assim
procede, mostrando diplomas e certificados de competências e douto saber, são
dignos de todo o silêncio e paciência, visto que os mesmo certamente não veriam
qualquer lógica em relacionar cem corpos negros, encarcerados ou sepultados,
com uma Rave em Ipanema ou Leblon e o baile funk da
favela que em todas as horas de todos os dias vela por um corpo preto morto no
gueto, e ainda tem tempo para cantar e dançar, sem a presença dos livros que os
livrem da liberdade condicional imposta pelo capital controlado pela família
tradicional, cujos filhos frequentam essa mesma rave; cracolância dos playboys e
abastados.

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