A academia
como agente ativo do capitalismo cognitivo, determina e oficializa o divórcio
do Ser, dito humano, com a Natureza. Divórcio este, proposto por
Aristóteles, a partir do momento em que Alexandre[1] lhe franqueou a maior biblioteca do mundo[2],
fazendo com que a Grécia se tornasse a maior plagiadora e detentora do saber
humano; saber este, recodificado e intitulado como saber universal, após um
perverso processo epistemicida.
A exotopia[3],
nome dado ao processo de separação do homem com a natureza, que a fim de estuda-la,
dominá-la e controla-la a seu bel prazer; inaugurou a hierarquia vertical, onde a razão
e a Emoção ocuparam espaços numa
respectiva relação subalterna; relação esta que estabeleceu um padrão racial de
trabalho, de salários, cultural, de produção de conhecimento, estético, etc. Uma
relação que foi imposta através da violência colonial.
Autores
europoides, que se outorgaram o título de pensadores,
viabilizaram o processo dicotômico entre a inteligência
e a Sabedoria; fazendo da informação
uma intrincada moeda de acesso ao conhecimento. Sendo assim, a Sabedoria e o
conhecimento tomaram rumos distintos na história, na cultura e na sociedade.
Desde que a
simplicidade dessas relações, entre o mundo visível e o mundo invisível, se
transformou em bula, após ser compartimentado e colocado em tubos de ensaios
taxionômicos, expostos em escaninhos e registrados em currículos com VALOR
COMERCIAL, depois de ter sido pesado e acondicionado pela academia, coube a essa
mesma academia, a função e a primazia de oficializar e legitimar o padrão
racial da produção de conhecimento proposta por Aristóteles.
Dessa
maneira, o ser chamado humano e a Natureza, que harmonizava o que se via
e o que não se enxergava como algo concreto, teve o seu mundo invisível expulso
do mundo visível através do materialismo
histórico e do positivismo,
concretando e sepultando a emoção, em detrimento de uma razão europoide
recodificada para tanto.
Hoje, o
gongorismo acadêmico comanda o ritual ancestral, usando o expediente camuflante
de camadas sobrepostas de discursos coloniais colonizantes, embrulhados como
limites entre-mundos e mapas, transportados por uma frota de cavalos de Troia[4]. Eis
o sistema educacional do mundo moderno colonial, expresso pela modernidade dos Tempos Modernos[5].
[1]
Alexandre, o grande.
[2] A
biblioteca do Egito.
[3]
Encontrar-se fora.
[4]
Trocadilho do vírus de computador com o conto grego, referindo a um
espaço-tempo sócio Histórico ético-recorrente.
[5]
Alusão ao filme de Charles Chaplin.

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