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quinta-feira, 22 de março de 2018

A Simplicidade do Complexo: Do Abstrato Concreto ao Subjetivo Composto


A academia como agente ativo do capitalismo cognitivo, determina e oficializa o divórcio do Ser, dito humano, com a Natureza. Divórcio este, proposto por Aristóteles, a partir do momento em que Alexandre[1] lhe franqueou a maior biblioteca do mundo[2], fazendo com que a Grécia se tornasse a maior plagiadora e detentora do saber humano; saber este, recodificado e intitulado como saber universal, após um perverso processo epistemicida.

A exotopia[3], nome dado ao processo de separação do homem com a natureza, que a fim de estuda-la, dominá-la e controla-la a seu bel prazer; inaugurou a hierarquia vertical, onde a razão e a Emoção ocuparam espaços numa respectiva relação subalterna; relação esta que estabeleceu um padrão racial de trabalho, de salários, cultural, de produção de conhecimento, estético, etc. Uma relação que foi imposta através da violência colonial.

Autores europoides, que se outorgaram o título de pensadores, viabilizaram o processo dicotômico entre a inteligência e a Sabedoria; fazendo da informação uma intrincada moeda de acesso ao conhecimento. Sendo assim, a Sabedoria e o conhecimento tomaram rumos distintos na história, na cultura e na sociedade.

Desde que a simplicidade dessas relações, entre o mundo visível e o mundo invisível, se transformou em bula, após ser compartimentado e colocado em tubos de ensaios taxionômicos, expostos em escaninhos e registrados em currículos com VALOR COMERCIAL, depois de ter sido pesado e acondicionado pela academia, coube a essa mesma academia, a função e a primazia de oficializar e legitimar o padrão racial da produção de conhecimento proposta por Aristóteles.

Dessa maneira, o ser chamado humano e a Natureza, que harmonizava o que se via e o que não se enxergava como algo concreto, teve o seu mundo invisível expulso do mundo visível através do materialismo histórico e do positivismo, concretando e sepultando a emoção, em detrimento de uma razão europoide recodificada para tanto.

Hoje, o gongorismo acadêmico comanda o ritual ancestral, usando o expediente camuflante de camadas sobrepostas de discursos coloniais colonizantes, embrulhados como limites entre-mundos e mapas, transportados por uma frota de cavalos de Troia[4]. Eis o sistema educacional do mundo moderno colonial, expresso pela modernidade dos Tempos Modernos[5].


[1] Alexandre, o grande.
[2] A biblioteca do Egito.
[3] Encontrar-se fora.
[4] Trocadilho do vírus de computador com o conto grego, referindo a um espaço-tempo sócio Histórico ético-recorrente.
[5] Alusão ao filme de Charles Chaplin.

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