Foi depois do dilúvio…
um viandante, Negro, sombrio, pálido, arquejante, Descia do Ararat... E eu
disse ao peregrino fulminado: “Cham!... Serás meu esposo bem amado... Serei tua
Eloá...” (Castro Alves)
Nefertary,
Makeba, Nzingha, Menen, Nandi, Zawditu, Acotirene, Dandara, Cleópatra e tantas
outras, de percepção epidérmica da cor de uma noite sem lua, que trouxeram o Sol da Terra no ventre, nesse mundo
onde tais energias solares possibilitarem a vida através da melanina
humanizadora, além dos ciclos de ressurgimento dessa mesma vida.
Mais eis
que surge no caminho, a brancopofagia europoide, possuidora de um senso
destrutor impar, criador de um profundo rancor entre os subalternizados; e como
voraz opressor, aliado a sua inteligência reversa, estabeleceu uma relação autofagicamente
vampírica com o outro e consigo mesmo, sem levar em conta qualquer porvir ou
vir-a-ser.
Esse senso-cancro
que tornou estéril a dialogia, suas realidades e potencialidades, fez o corpo
social erguer barreira, criando anticorpos para sobreviver a si mesmo, ao
tornar-se um corpo patológico a beira de um colapso numa sociedade doente,
restando-lhe apenas o tratamento último de calcinar as próprias feridas,
tornando sua pele branca em Negra pele, desde a rainha Vitória a Rainha Nzinga,
da princesa Isabel a Princesa Dandara. Dessa maneira, o sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos
corações...
...

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