Favela é
pano de fundo para políticos, mídia e propaganda; para a passarela, para academia,
para a cultura, novelas e séries. A Favela é a senzala que adorna as capas de
revistas, manchetes de jornais, noticiários sensacionalistas e os assuntos sarcásticos
recreativos dos policiais fora de plantão.
As Favelas recheiam
as dissertações e as teses universitárias, estatísticas humanitárias e colunas
funerárias. As Favelas colorem os hospícios, as cadeias
e os necrotérios geridos por brancos engravatados, sérios e hétero-evangélicos.
A Favela é um
grande pelourinho-espetáculo exibido para
o playboy e sua a coelhinha, frequentadores da ilha de caras, que tem como principal atração assistir ao desenrolar dos jogos vorazes promovidos pelo capital;
jogos estes que são financiados pela elite, pais desses playboys, através do Estado de exceção; Estado este,
apresentado pelos políticos-empresários como solução de final feliz,
para o patrão e a meretriz que se acham burgueses; apesar de ambos ser infeliz.
As ruas das
cidades e das favelas, pomposamente batizadas com nomes de perversos assassinos,
impiedosos carrascos e religiosos tarados, escondem o sangue que correm pelas
sarjetas no asfalto negro que contrasta, cotejando com a terra batida das
sepulturas dos indigentes e os diálogos que enchem os copos derramados de conversas, nas mesas dos bares na esquina da vida e da sorte.
Cachaças,
chicotes, correntes e lamentos; perdas e danos que se entrelaçam em abraços azumbizados,
mesclando Michael Jackson e Elvis Presley num Amazing Grace
cristianizado por Exu na trilha de Maa N’gala.
O corpo brancalóide da Casagrande e a alma negra da Senzala que se atritam nesse eterno conflito,
espelham o Narciso que confunde suicídio com homicídio ao adentrar, com suas
duas caras, nesse mundo-moeda maravilhoso
de Alice, pensando estar refestelado na Terra
do Sempre.
É sempre
assim, para quem pensa que não vai ser eu amanhã; da mesma forma como eu serei
o outro, e o outro será nós; assim foi falado, está escrito, será sentido e finalmente pensado...


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