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sexta-feira, 23 de março de 2018

Eu, sou você amanhã...

Favela é pano de fundo para políticos, mídia e propaganda; para a passarela, para academia, para a cultura, novelas e séries. A Favela é a senzala que adorna as capas de revistas, manchetes de jornais, noticiários sensacionalistas e os assuntos sarcásticos recreativos dos policiais fora de plantão.

As Favelas recheiam as dissertações e as teses universitárias, estatísticas humanitárias e colunas funerárias.  As Favelas colorem os hospícios, as cadeias e os necrotérios geridos por brancos engravatados, sérios e hétero-evangélicos.

A Favela é um grande pelourinho-espetáculo exibido para o playboy e sua a coelhinha, frequentadores da ilha de caras, que tem como principal atração assistir ao desenrolar dos jogos vorazes promovidos pelo capital; jogos estes que são financiados pela elite, pais desses playboys, através do Estado de exceção; Estado este, apresentado pelos políticos-empresários como solução de final feliz, para o patrão e a meretriz que se acham burgueses; apesar de ambos ser infeliz.

As ruas das cidades e das favelas, pomposamente batizadas com nomes de perversos assassinos, impiedosos carrascos e religiosos tarados, escondem o sangue que correm pelas sarjetas no asfalto negro que contrasta, cotejando com a terra batida das sepulturas dos indigentes e os diálogos que enchem os copos derramados de conversas, nas mesas dos bares na esquina da vida e da sorte.

Cachaças, chicotes, correntes e lamentos; perdas e danos que se entrelaçam em abraços azumbizados, mesclando Michael Jackson e Elvis Presley num Amazing Grace cristianizado por Exu na trilha de Maa N’gala. O corpo brancalóide da Casagrande e a alma negra da Senzala que se atritam nesse eterno conflito, espelham o Narciso que confunde suicídio com homicídio ao adentrar, com suas duas caras, nesse mundo-moeda maravilhoso de Alice, pensando estar refestelado na Terra do Sempre.

É sempre assim, para quem pensa que não vai ser eu amanhã; da mesma forma como eu serei o outro, e o outro será nós; assim foi falado, está escrito, será sentido e finalmente pensado...

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