A narrativa
perdeu espaço para a informação, e hoje estamos obesos de informações e
carentes de histórias. Encontramo-nos tão inflados de informes que atingimos
uma obesidade mórbida de informações velozes on-line que se tornam antigas no
mesmo instante em que são veiculadas.
Dessa maneira,
passamos de seres humanos a seres patológicos que mesmo próximos, nos encontramos
de costas, necessitando gritar para sermos ouvidos, já que o olho no olho só se
encontra no olhar perdido, sem vida, nem rima.
Essa distância
que nos aproxima através da informação, nos separa e nos distancia do coração
fazendo a mente perder a razão. A razão humana se transformou numa patologia de
esquizofrenias e bipolaridades sociais, advinda desse hibridismo transgênico da
palavra que se transmutou em código de barras, com validade passada no futuro
de nosso presente de grego: é a palavra de Tróia gongoricamente disfarçada do discurso suicida do fogo amigo homicida.
Tudo que é,
deixa de ser, pois o verbo não mais reverbera, e o eco que bate no vácuo da razão brancopofágica faz da informação
um cancro sem cura e sem cara, mas de corpo sedutor, que transmorfo, ganha a
forma amorfa do monstro que segura o chicote a destra do pelourinho do norte.
Como insaciáveis e glutões seres patológicos, nos alimentamos de informações confeccionadas,
manufaturadas, remasterizadas e veiculadas no espetáculo exibido nesses jogos vorazes[1]
promovidos pela insana sociedade dos poetas
assassinados[2];
esses heróis que nunca morreram de
overdose[3].
Essa palavra
jogada no ar é similar uma peça de xadrez deslocada, que transloucada pela absoluta impossibilidade da fala que não se pode ouvir, nem escutar, mergulha no éter entrópico da
esquizofrenia social e na histeria popular do senso comum que acorrenta e escraviza
sensos e sentidos; é dessa maneira que Zumbi vive; pois nós somos o sepulcro de
Palmares, onde as sepulturas são decoradas com tela plana e horário nobre e o moderno contador de histórias possui uma suave voz monódica, postura robótica,
e veste terno e gravata, como qualquer pastor, político ou Pretor[4].
[1] Referência
ao filme de ficção científica, com o mesmo nome.
[2] Referência
ao filme e livre “Sociedade dos poetas mortos”.
[3] Referência
a música dos anos 80 cantada pelo cantor Cazuza.
[4] Magistrado
da antiga Roma encarregado da administração da justiça.

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