Total de visualizações de página

Pesquisar estehttp://umbrasildecor.wordpress.com/2013/05/29/jornal-cobre-lancamento-de-escrito blog

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Projeto Político de Nação do Povo Negro para o Brasil

A proposital invisibilização do Estado e da Nação promovida pela elite brasileira de pensamento escravocrata, decorre da sanha aguerrida com que ela mantém a monopolização desse mesmo Estado para si. Portanto, manter essa confusão entre governo e Estado, e Nação com sociedade, visa justamente a manutenção dessa ignorância como fator preponderante para que o cidadão brasileiro não busque o direito de justiça; direito devido pelo Estado e não pelo governo em si, fazendo com que o indivíduo ignorando o direito coletivo, passe a reagir juridicamente de maneira solitária e não solidária.

No caso brasileiro, aonde existem diversas etnias, com é o caso dos nisseis e dos judeus; e diversas outras nacionalidades, como a dos italianos, espanhóis, alemães, etc. que habitam nosso país além dos povos indígenas e do povo negro, observamos que os indígenas com seus idiomas e culturas, formam um povo, mas que não são considerados pelo Estado como povo e por isso mesmo, já que não possuem terras, sendo que a mesma lhes foram propositalmente retiradas pelo Estado uni-étnico que juridicamente os tutelam.

Como no caso indígena, podemos afirmar então que uma nação é formada por etnias que compartilham a mesma cultura, idioma e território, sendo que este último item, o território, dentro do direito coletivo, os mesmos teriam que ser juridicamente reconhecidos como Povo, e a exemplo das 11 etnias que compartilham o Estado na África do Sul, com suas culturas, idiomas e territórios, deveriam também os mesmos participarem do Estado. Lembrando que um Estado, no Estado brasileiro, ele é formado pelo poder judiciário, legislativo, executivo e pelas forças armadas, e dele depende todo o funcionamento da Nação.

Podemos citar o exemplo da Espanha, país aonde existem diversas etnias, como a etnia dos Bascos, Catalães, andaluz, ciganos, etc. essas inúmeras etnias integram a Nação formadora do Estado; é de bom alvitre, para ilustrar como o Estado e formado por nações. Ou seja, todos são espanhóis, visto que a nacionalidade e conferida pelo Estado. Ou seja, o Estado surge do Povo que, por sua vez, é formado pelas nações. Podemos inferir nesse caso que, o Estado brasileiro veio da sociedade e não da nação.

Portando, um Estado como é o caso do Brasil, que não foi fundado pelas nações que nele habitam, mas sim, por um congresso constituinte convocado para tal, lavrando dessa forma, um Estado monorracial, longe de ser pluriétnico e pluriversal, e isto faz com que o Brasil siga o exemplo do Estado de Israel, que expulsa o povo de uma terra para poder ter um país para chamar de seu. Com uma população sem um território, os judeus não poderiam ser considerados como povo, já que não existe povo sem território.

Este é o caso do Povo negro e dos Povos indígenas que sobrevivem nas terras roubadas pelos europoides. Ou seja, aos mesmos povos não se aplicam o direito coletivo; justamente por esse motivo, não existe condenação para o crime de racismo, já que o mesmo crime só pode ser considerado como tal, quando for dirigido a um povo e nunca a um indivíduo; e por isso, esse mesmo crime é largamente tipificado como injúria racial, portanto, sem dolo para o praticante.

Podemos observar que, no Brasil, os únicos a terem sua nacionalidade conferida pelo Estado são os Negros, que foram convenientemente titulados como Afro-brasileiros; pois caso contrário, juridicamente seriam considerados como o único povo existente no Brasil, já que os indígenas foram praticamente eliminados, os eurodescendentes reconhecem as suas nacionalidades como tal, e a República não teve êxito em fazer da nação brasileira, uma nação branca, assim como previa seu meticuloso processo eugênico, contrariando as expectativas Darwinismo social.

Portando, este é o momento de nos reconhecermos como Povo, para finalmente poder fazer parte desse Estado que nos tem exilado em nossa própria casa, nos mantendo hora em liberdade condicional, hora em cárcere privado, atendendo a uma justiça que não contempla ao povo que construiu essa nação e aos que nela coabitam.

O Projeto de Nação do Povo Negro para o Brasil, exige primeiro negociar com o Estado todos os itens considerados como frutos do crime da escravização[1] de nossos antepassados, e que criaram toda as riquezas que hoje sustentam as famílias tradicionais brasileiras e seus eurodescendentes. Esta negociação trazida pelo processo de Reparação, dará início ao direito de justiça pelos crimes da história; crimes que até os dias de hoje permanecem impunes, uma vez amparados justamente pela distopia estruturada por essa conjuntura aonde esse Estado tem servido de brinquedo nas mãos de uma sociedade de pensamento escravista.

Esse Estado que intimida os povos alijados dessa mesma sociedade escravocrata, promovendo a limpeza étnica através do genocídio dos povos originários e autóctones que ainda restam nesse Brasil varonil, que manda os filhos da pátria para as margens da indignidade de forma vil.

Reparação já...!!




[1] Os países membros da ONU, com exceção de EUA e Israel, através da Conferência de Durban, em 2001, na África do Sul, organizada pela Organização das Nações Unidas; reconheceram o Estado como responsável pelos crimes de escravidão dos Povos Africanos ocorrida em seu solo; fato este que o Brazil esconde e silencia diante das resoluções emanadas desse tratado internacional firmado em Durban, mesmo estando de acordo com tais resoluções aprovadas, que tipificaram como crimes da história a Escravidão dos Povos Africanos, o Tráfico Negreiro Transatlântico e a Colonização em África e América Latina. Sendo tais crimes imprescritível e inafiançável, e que os mesmos deveriam ser Reparados pelo Estado em questão.


sábado, 12 de janeiro de 2019

Seminário Nacional de Luta pela Reparação

Nos dias 22, 23 e 24 de fevereiro do ano de 2019, a OLPN - Organização para a Libertação do Povo Negro e o MNU - Movimento Negro Unificado, realizarão o Seminário Nacional de Luta pela Reparação que ocorrerá na Lapa, rua Joaquin Silva, 98, Centro do Rio de Janeiro.

Este Seminário vai trazer a lume os meios disponíveis para concretizar o Projeto Político do Povo Negro para o Brasil, e explicitar as estratégias do mesmo para atingir tal objetivo, seja esta estratégia definida através da Reparação histórica, que vem sendo trazida como proposta pela OLPN, ou definida através das Ações Afirmativas, trazida como proposta pelo MNU.

Nesse Seminário será definida e exposta a tática necessária a ser colocada em prática, para implementar o referido Projeto, como será tal Projeto, e o objetivo final a ser atingido.

A princípio, é de se esperar que os equivocados conceitos veiculados pelo senso comum a respeito do que venha a ser a Reparação Histórica, e o seu gritante contraste diante da definição do que venha venha a ser, e o que se veicula, sobre as Ações Afirmativas, fatos que serão explicitados, analisados e pesados, a fim de desfazer as desinformações, deformações e contrainformação relativas ao assunto em questão, permitam que possamos finalmente, avançar na luta diante, dessa dicotomia que tem paralisado nossas ações efetivas relativas a esse processo que se iniciou no ano de 1993 e que se arrasta até os dias de hoje.

Portanto, negras e negros de todo Brasil e do mundo, somemos como Povo, para que possamos efetivamente intervir nesse momento decisivo de nossa história, protagonizando como a Nação Negra que sempre deveríamos ser.

Uma pessoa só é uma pessoa através de outra pessoa, somemos...!! 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Sobre o Processo e Impacto do Reconhecimento da Pessoa Enquanto Coletividade


Sair das cavernas de sua própria escuridão é um processo que requer, de antemão, pré-disposição, além de muita disposição, para reunir as condições mínimas efetivas diante desse atroz contexto de dominação que se apresenta de forma reptiliana no reflexo dessa história que fundamenta nossa atual conjuntura; exigindo, nessa longa jornada do herói, um permanente e constante diálogo com todas as forças visíveis e invisíveis, que regem o ávido desejo taxionômico do raciocínio humano; como vivemos num tempo em que a história é definida pelas constantes negociação das forças representativas, e representantes, que alimentam e regem o mundo das classificações e dos classificados onde esse mesmo indivíduo tenta se inserir de maneira semiótica.

Para iniciar essa jornada, este indivíduo como atento observador, deve perceber primeiramente que, tudo o que acontece dentro desse contexto, se encerra unicamente para atender aos interesses oriundos do infame comércio gerado exclusivamente por essas mesmas negociações, que criaram as ciências justamente para delimitar e legitimar as verdades e pós verdades industrializadas e comercializadas como oráculo. 

Dado esse passo que inevitavelmente o fará ter a percepção de sua submissão a esse sistema onde a medicina sustenta a farmácia e vice-versa, enquanto a biologia, privatizada pelo agronegócio, sustenta o fluxo contínuo do voraz ventre dos Shoppings, que simbolicamente representam os impávidos e poderosos gigantes de vento de Don Quixote, além de manter vistosas as pútridas vitrines por onde escoam a beleza mimetizada pelo venenoso padrão idiotizador e mantenedor de incontáveis hospícios, asilos, orfanatos; promovendo as nossas tragédias sociais de cada dia que nos dói hoje; tragédias estas que são meticulosamente pautadas pelo racismo estrutural; a constatação desse fatos, finalmente o levará a se localizar nesse sutil e volátil contexto paradoxal, levando-o a aceitar a si mesmo como um preto de cor negra que tenta integrar-se numa sociedade racista, de pensamento e cultura eurocentrada. 

Desse modo, se seguira o impacto do reconhecimento da banalização do temor e da incerteza de qualquer porvir, percebendo especificamente esse fio fornecido pelo sombrio Estado patrocinado  pela perversa e reptiliana elite. Este Fio que o conduz magistralmente, de forma estratégica, seduzindo, cativando e dominando a sua mente e o seu coração, da mesma forma que programada a sociedade ao transformar suas emoções em algoritmo e vice-versa, manipulando e formatando-a de acordo com as conveniências dessa mesma elite, estruturando assim, uma comunidade egocêntrica ao passo que transforma seus iguais em cobaias laboratoriais, fazendo com que esses mesmos indivíduos passem a disputar as hierarquias propositalmente criadas a partir da oposição entre a razão e a emoção, manufaturando seus subprodutos, frutos do macabro jardim suspenso dessa Babilônia produzida pelo medo; esse mesmo medo usado como material do fio condutor dessa sociedade tecida por fobias e esquizofrenias bipolares.

Quando essa etapa da jornada chegar, a luz dessa verdade libertadora transformar-se-á num farol em meio a essa ininterrupta tempestade de infinitas programações, sendo então o momento em que as novas referências o permitirá iniciar o processo de auto cura cuidando de seus próprios pares. Momento este em que, finalmente, as articulações se darão de forma coletiva, consentindo enfim, que o abraço na comunidade faça com que semelhante possa se curar através do semelhante. 

Esse então, será o tão aguardado e temido bug do milênio; quando enfim, ocorrerá a desprogramação da colonização e da escravização mental, que funciona como moto-perpétuo, produzindo um fantasmagórico encantamento através da sedução que arrebata o neófito assim que ele mira o fascinante alazão-de-Troia que magicamente baila nas telas televisivas, durante as introduções das narrativas de histórias corrompidas pela falsidade ideológica; é como se olhar fosse dirigido a mitológica Medusa; dessa forma, a hipocrisia de capa e espada vem camuflada em forma de príncipes e princesas brancamente norte-americanizados a francesa, que peremptoriamente o faz seguir o canto da Sereia.

Esse bug interior será um marco na jornada do herói que transformar-se-á em príncipe. Não naquele enfadonho e narcísico príncipe salvador de uma meiga, carente e desprotegida princesa, mas sim, no príncipe que primeiramente se ama antes de amar alguém, transformando-se assim, no salvador que livrará a si mesmo do abismo.

É na alegria dessa descoberta, desbravando a si mesmo, que se resume a simplicidade desse intrincado processo da conquista proporcionada por essa caminhada que dá vida ao herói que habita no interior do indivíduo que não busca a salvação nas forças externas a si; forças essas que invariavelmente são garantidas pelo sistema que o domina, mantendo-o cativo dele mesmo, numa condição de escravizado mental e defensor de seu senhor.

Dessa maneira, as princesas e príncipes negros devem se encontrar nessa caminhada, e juntos devem atravessar uma vida de aventuras e descobertas de verdades, individuais e coletivas, que darão sentido à vida e ao viver, fazendo com que se complementem numa unidade coletiva, aonde a pessoa só pode ser pessoa através de outra pessoa.

O profundo impacto dessa caminhada se fará quando finalmente nos reconhecermos coletivamente como parte de um processo tão significante quanto a edificação de cada pirâmide construída no mundo, e será exatamente o mesmo profundo impacto causado pelo advento do meteoro que provocou a extinção dos dinossauros na terra; pois enfim, a pessoa perceberá o seu lugar no infinito desse vasto universo que começa e termina dentro de si mesmo.

Dessa forma, as referências e significâncias postas, como a funda de Davi, passará a ser reconhecida apenas como mais uma arma de sedução nessa disputa entre a mente e o coração, enquanto a pretitude de Salomão ressaltará aos olhos tal como a força de Sansão e Dalila no calor da disputa; disputa essa que sabemos ser só mais uma atração em meio aos episódios da epopeia dessa mesma competição. Eis então o começo do vir-à-ser como ser humano, com o potencial de vivenciar a própria história, no reequilíbrio e na equidade do meio como processo realizador da pessoa como pessoa.


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Na Ginga Vadia da Capoeira Faceira, Minha Homenagem aos Irmãos Mestres da Ladeira...


Meu remédio é Capoeira; foi nela que joguei os contratos de medos fora, sem me importar com os hipotéticos tombos nas ladeira. Restaram os diálogos do corpo com alma a desatar todos os nós distópicos confeccionados por essa democracia, que nada mais é do que uma concha vazia, permitindo a vida tornar a fluir através da corda entrópica em torno do pescoço dessa alma em forma de telescópio.

Mesmo que hoje existam muitos “lutadores” de capoeira, assim como existem os profissionais da capoeira, que ensinam como esporte está Arte Marcial brasileira que se tornou exótica de todas as maneiras, mesmo sem o fundamento da brincadeira séria daquela sobrevivência em meio a escuridão da alma humana, predadora de sua própria espécie.

Hoje, o cordel que servia para segurar o abadá de outrora, serve de ganha pão para uns, educação para outros e de verdades para alguns. Da mesma forma que cultura negra foi dialogicamente transformada e assimilada, a Capoeira teve sua direção e objetivo transformados em atração e diversão, para aquele praticante que se esqueceu dos valores ancestrais da circularidade, oralidade, coletividade, religiosidade e da força vital que fazem da Capoeira uma Arte Marcial.

Desde que os Mestres cariocas inventaram os cordéis e as suas cores indicando graus de hierarquia, formando a seguir os mestres baianos que vieram aqui para se graduar, o caminho da Capoeira se perdeu na própria poeira que encobria o mato ralo no caminho do opressor. Agora o que observamos além de um promissor mercado, é a democracia de um diálogo monológico entre indivíduos que se movimentam no mundo corpóreo somente; mundo este constituído de campeonatos, certificados e diplomas meritocráticos.

Onde está o canto bantu dessa ginga bélica, silenciado nessa roda feita após uma balada perdida na frenética noite carioca, sustentada por energéticos e cosméticos, revelando a estética patética de uma zona sul sem ritmo nem rima, onde o indivíduo se tornar só mais um acrobata bronzeado já não basta...Já que a mandinga não está no salto alto, mas sim no diálogo, do corpo e da alma, nos planos visíveis e invisíveis. Yê Capoeira...

sábado, 15 de dezembro de 2018

A Patologia e as Consequências Dialógicas do Racismo Sistêmico


A escola ensina o aluno a ter medo das regras; a igreja ensina o fiel a ter medo do inferno; a polícia ensina o cidadão de cor a ter medo do Estado; a lei ensina os desamparados a ter medo da justiça; o Estado intimida o cidadão coagindo-o com impostos aviltantes, em nome de uma pseudo segurança que jamais lhe contemplou.

Vivemos a cultura do medo que foi sendo progressivamente banalizada pelos atores que aceitam o seu papel social, na medida em que assinavam esse contrato de medo diante do terrorismo Estatal impetrado como lei.

Dessa forma, a polícia se tornou a sombra da pessoa da cor de uma noite sem lua, fazendo essa mesma pessoa melanodérmica temer sua própria sombra e banalizar esse medo que alimenta a elite que o Estado representa. Aonde quer que a pessoa preta vá, as forças de segurança estão ali para intimidar, humilhar, torturar e assassinar, contando com o apoio de um Estado genocida, de política eugenista e de uma sociedade hipócrita e marxista.

Dessa forma, a pessoa de pele negra, aprendeu a ter medo, e também aprendeu a odiar o preto e a ser preto como pessoa, gênero e raça, naturalizando, dessa maneira, a violência contra seus próprios pares, aos quais ele não criou qualquer vínculo, relação ou identificação étnica; ao contrário dos indígenas, dos judeus ou dos ciganos, nós pretos nos desconhecemos como povo. Ou seja, somos a maioria diante de uma população branca que somam 10% de indivíduos no planeta terra, mas ditam os destinos macabros desse mesmo planeta.

Sendo assim, nosso governo é o medo, pois dessa forma fomos treinados e adestrados, transformados, de grande massa preta, em gado de tração, através da sedução da religião e de uma lei que existe para impedir a equidade. Dessa maneira, as instituições criadas a partir da colonização, estrutura a legitima a neocolonização que fundamenta nossa modernidade escravagista.

Nesse contexto pós moderno, onde, paradoxalmente, alguns apelam para que ninguém solte a mão de ninguém olvidando que as mãos ainda nem foram dadas. Portanto, enquanto vivermos as contradição do apartheid racial discursando apaixonadamente sobre humanidade, não teremos a capacidade da digressão, da alteridade e da resiliência. Apenas continuaremos a destilar nosso medo em forma de raiva, revoltas e fobias permitidos pelos editorias diuturnos emitidos como folhetim por essa mídia que sustenta a marca racial, da mesma forma que classificam as raças de canídeos legitimando-os como vira-latas ou de pedigree. 

Enquanto esse processo se desenvolve, nós pretos, passamos o tempo a nos atacar para defender e disputar os descarnados ossos das cotas e das Ações chamadas Afirmativas que nossos colonizadores generosamente nos permitiram desenvolver, para nos dar a falsa sensação de protagonismo, e acalmar as sinapses que acaso insistirem em se formar fora da caixinha acadêmica, religiosa e científica, permitida pela cultura dominante.

Nossa cultura, que deveria funcionar como anticorpos, foi sequestrada e manipulada a fim de servir aos europoides, que a homogeneizou de acordo com seus caprichos e interesses mais escusos. Daí observamos a necessidade dos hospícios, orfanatos e asilos que grassam e acolhem essa modernidade esquizofrênica, nos transformando em escravos e pacientes dessa sociedade sanatório a qual fomos impelidos a ingressar, mediante aos sedutores contratos sociais assinados, que instituem o medo como senhor absoluto de nossas ações.

Dessa forma, nosso livre arbítrio torna-se inexistente e nossa liberdade fictícia, enquanto vivemos nesse cativeiro onde as grades são feitas de sedução, anunciando o canto da sereia Medusa, essa garota-propaganda Musa do capitalismo antropofágico europoide. Dessa forma, esse espelho social, em vez de cidadãos plenos, nos transformam em meros e esquecidos pacientes esquizofrênicos, hipocondríacos e com a Síndrome de Münchhausen nesse grande sanatório social.

Anunciar e denunciar esse mórbido contexto, já se tornou lugar comum na rotina dos rodapés dos jornalecos, jornalões e programas de auditórios, além dos noticiários diuturnos e das manchetes cotidianas, a partir desse lugar onde nos alimentamos e fazemos de latrina, esquecendo da higiene matinal de todos os dias que se repetem jorrando o sangue dos órgãos internos expostos pela espada da justiça branca.

Essa espada de dois gumes, que proporciona democraticamente a experiência do corte duplo, individualizado pelo egoísmo e pela usura da filosofia de condomínio e de umbigos; filosofia que faz desse umbigo o lugar aonde jaz a dor mais profunda, já este umbigo é o umbigo do mundo. Este mesmo lugar onde nasceu e onde habita nosso cordão umbilical, como ponto principal de nossa existência física e existencial. Nosso lugar de fala, já que é a fala que faz o passado existir e formata o devir, dando sentido ao presente que ainda está ausente.

Cuidar de nossa fala, sem esquecer nosso umbigo, cuidando também do silêncio, é um paradoxo necessário a maturidade de nossa existência. Essa é a terapia necessária aquele que não procura a cura fora de si, já que essa cura não existe fora do umbigo coletivo; somente semelhantes curam semelhantes.

O paradoxo da saúde que não surge da saúde, mais sim, da doença faz parte da lei natural da via láctea. Eis uma dádiva que precisa ser reconhecida, a fim de que sejamos alegres na alegria, e mais alegres ainda na tristeza. Pois nestas paragens, não há cura se não existir a doença. O amargo e o doce fazem parte do cardápio da vida plena, já que ela, a vida plena, não cabem mais em si, e vai além de si mesma. Esta é a função do livre arbítrio que faz do planeta terra o único qualificado tal. Vivamos e façamos dele, o livre arbítrio, uma função qualificada de fato.

domingo, 9 de dezembro de 2018

Liberta quae sera tamem

Tudo aquilo que atenta contra o nosso livre arbítrio, em qualquer parte da Via Láctea, nos coloca na condição de escravizado. Para deixar de ser escravo e poder exercer nosso livre arbítrio, é necessário revogar todos os contratos de dominação e controle, suas premissas e regras que determinam a nossa qualidade de vida.

É preciso revogar todos os contratos com a mídia e suas representações, além de todo e quaisquer sistemas de controle, como os contratos bancários, criados pelas famílias de banqueiros, em todas as suas linhas do tempo, e os seus pseudos privilégios.

Já que a liberdade só vem com o exercício do pleno livre arbítrio, se faz necessário também revogar todo contrato com o Estado, seu governo e seus edifícios. É preciso efetivamente remover todos os contratos para uma equidade de fato.

Assim como todo o contrato de masculinidade tóxica produzida e reproduzida pela mídia patriarcal e misógina, que criou a perversão e vem acirrando a competição entre gêneros, degradando nossa humanidade; tal como o patriotismo bélico e o amor pela paz armada advinda dos reinados democráticos e ditatoriais. É preciso principalmente revogar os sistemas de crenças, religiosas e culturais, e suas perversões.

Em resumo, este foi o único recado dado por Fanon, após toda a aventura de sua tese abordando a branquitude e a negritude na academia europoide, demostrando a urgência de uma cultura humana, que só é possível sem contratos sociais.

Cabe ao escravizado deter esse alazão-de-Tróia e paralisar esse sedutor jogo de xadrez, estruturados por regras leoninas e feneratícias, que lhe impõe a condição de peão a caminho do sacrifício, através da lógica retórica dos atraentes contratos sociais.

É um processo complexo, já que, aquele que nasce em cativeiro, desconhece a significância e o significado do conceito de liberdade e suas condições, diante da sedução das benesses e privilégios que a descaracterizam e o induzem a esperança de refazer contratos.

Enfim, a prisão sem grades que a elite construiu através do sistema jurídico e da mídia, proporciona aos cidadãos comuns a sedução perfeita e necessária para defesa e manutenção, com bastante afinco e vigor, de sua condição de escravizado do sistema, cuja força ativa tornou-se o motor que perpetua os caprichos mais mórbidos e inimagináveis dos mais baixos súcubos e íncubos.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O Tempo Subjetivo do Neocolonialismo na Escravidão Moderna

Se a mais longa das estradas também é a estrada mais curta que existe, inferimos nesse caso, que ambas, têm seu início e final exatamente no mesmo ponto. Esse ponto, conceituado como Tempo pelos nossos ancestrais, é um movimento fractal, onde se origina e orbita toda a existência que se multiplica exponencialmente a si em si mesmo, de forma simultânea, paralela e circular, criando camadas espirais, que são levadas por essas nano e hiper estradas que cruzam a superfície dos planetas espalhados na infinidade do universo.

Essas estradas que movimentam o intenso tráfico das arcas com sementes diluvianas, fazem dos planetas uma infinita floresta cósmica, preenchendo esse espaço sideral de Oásis e Édens, com Árvores da Vida tatuadas com Caduceus e Ankhs que indicam os frutos do conhecimento espalhados em cada celeste bosque encontrados nas galáxias e nebulosas.

De um ponto no morro, do alta da minha favela, pode-se observar em cada caminho; desses caminhos que levava e trazia histórias proseada em cada lar ao longo dessas belas estradas; a fatalidade da trágica trombada com a modernidade arrojada, que desaloja, a cada alqueire, uma porção de árvores que cedem suas vidas para dar lugar a pelourinhos e trono-escritório que empalham a história e toda a sua memória, acondicionando a vida nos paradoxais Museus da Liberdade e Escravidão.

Das melódicas e meditativas carroças até os carros velozes e furiosos, essa modernidade ocupou todos os espaços entre o ir e o vir, obrigando até mesmo a esses intrépidos veículos a andarem de marcha-a-ré por um pedaço de meia estrada ainda existente, mesmo retornando sem voltar no tempo espaço lento de outrora, esse processo nos aprisionou a linearidade de Cronos, nos fazendo seguir a Ordem e o Progresso estabelecido por Caos e comandado por Komo, sem ter ponto de chegada ou de partida, fazendo a gente se perder nesse labirinto criado por nós mesmo durante o processo da caminhada acolhida na estrada escolhida; Ecce Homo Sapiens...!!

As encruzilhadas que que se apresentam entre o sol e a lua diuturna, exibe escolhas, enquanto mostra as consequências, exige também as tomadas de decisões durante esses sedutores jogos realizados nas arenas romanas na estrada do neocolonialismo, em seus fatídicos campeonatos que promovem confrontos meritocrático tragicômicos entre cidadãos-pacientes em coma. Campeonatos que são realizados meramente para agradar o fino paladar antropofágico dessa sanguinária elite predadora e nefasta.

Dessa forma, a modernidade tem nos transformado em canibais e atrações principais para o deleite dessa elite que, como príncipes reais, vêm montados em seus sedutores Alazões-de-Troia, confundindo crinas e cabelos lisos, além dos olhos azuis, trazendo o vírus que transformam pessoas livres em impávidos vassalos voluntários, orgulhosos do lugar que ocupam na perpetuação e banalização do mal. E assim caminha a desumanidade nessa estrada cercada de mausoléus assombrados pela própria sombra, formatando essa sociedade-cemitério que reedita Casagrande e Senzala acumulando corpos negros na vala comum da inconsciência cultural eurocêntrica.