Meu remédio
é Capoeira; foi nela que joguei os contratos de medos fora, sem me importar com
os hipotéticos tombos nas ladeira. Restaram os diálogos do corpo com alma a
desatar todos os nós distópicos confeccionados por essa democracia, que nada
mais é do que uma concha vazia, permitindo a vida tornar a fluir através da
corda entrópica em torno do pescoço dessa alma em forma de telescópio.
Mesmo que
hoje existam muitos “lutadores” de capoeira, assim como existem os profissionais
da capoeira, que ensinam como esporte está Arte Marcial brasileira que se
tornou exótica de todas as maneiras, mesmo sem o fundamento da brincadeira
séria daquela sobrevivência em meio a escuridão da alma humana, predadora de sua
própria espécie.
Hoje, o
cordel que servia para segurar o abadá de outrora, serve de ganha pão para uns,
educação para outros e de verdades para alguns. Da mesma forma que cultura
negra foi dialogicamente transformada e assimilada, a Capoeira teve sua direção
e objetivo transformados em atração e diversão, para aquele praticante que se
esqueceu dos valores ancestrais da circularidade, oralidade, coletividade, religiosidade
e da força vital que fazem da Capoeira uma Arte Marcial.
Desde que
os Mestres cariocas inventaram os cordéis e as suas cores indicando graus de
hierarquia, formando a seguir os mestres baianos que vieram aqui para se
graduar, o caminho da Capoeira se perdeu na própria poeira que encobria o mato
ralo no caminho do opressor. Agora o que observamos além de um promissor
mercado, é a democracia de um diálogo monológico entre indivíduos que se
movimentam no mundo corpóreo somente; mundo este constituído de campeonatos,
certificados e diplomas meritocráticos.
Onde está o
canto bantu dessa ginga bélica, silenciado nessa roda feita após uma balada
perdida na frenética noite carioca, sustentada por energéticos e cosméticos, revelando
a estética patética de uma zona sul sem ritmo nem rima, onde o indivíduo se
tornar só mais um acrobata bronzeado já não basta...Já que a mandinga não está
no salto alto, mas sim no diálogo,
do corpo e da alma, nos planos visíveis e invisíveis. Yê
Capoeira...
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